Com Espanha Nunca Mais
Por dignidade: Galiza vota em negro

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Espanha chama as galegas e galegos a votar nas próximas eleiçons municipais a celebrar no mês de Maio. Pretendem que continuemos a legitimar o projecto nacional espanhol e as forças políticas leais a esse projecto nacional.
O independentismo vê-se obrigado, nesta crise em que a componente nacional se aprecia clara e deliberadamente diluída, polos pactos entre o autonomismo, BNG, e a esquerda espanhola, PSOE, a recordar onde estám as origens da catástrofe do Prestige e a insistir em que o problema que estamos a padecer agora, como todos os grandes problemas a que geralmente se tem que enfrentar o povo galego, nom se reduz, nem muito menos, a umha questom de alternáncia política.

Que a falta de soberania do povo galego sobre si próprio e o seu destino é a causa principal que nos leva a esta situaçom, é facilmente demonstrável. Que os equilíbrios de poder injustos e anti-democráticos que cria o capitalismo agudizam essa situaçom, é algo claramente manifesto a pouco que observemos o devalo dos acontecimentos com um pouco de sentido crítico. A maranha de interesses políticos e económicos que nos convertem em vítimas propiciatórias em todo este sarilho é a causante de que a costa atlántica galega seja a zona com mais acidentes marítimos do mundo.

E, começando polo quadro jurídico-político que sofremos, vejamos que a anti-democrática constituiçom espanhola nom reconhece o direito de autodeterminaçom do povo galego, questom esta que pode parecer que foge muito do assunto que nos ocupa, mas em absoluto é assim, porque isto traz como conseqüência que as galegas e os galegos nom sejamos donas e donas dos nossos recursos naturais, por exemplo. É Espanha quem gere esses recursos e a encarregada de legislar para proteger o meio que nos proporciona esses recursos. E se Espanha nom tem interesse político em proteger os sectores económicos que dependem da riqueza desse meio, como ocorre com o sector pesqueiro e marisqueiro, toca-nos padecer a situaçom de indefensom que estamos a viver.

Galiza nom interessa como país que compite no sector pesqueiro em pé de igualdade com outras potências mundiais; os planos de Espanha para Galiza som outros. Um país espoliado da sua energia e materias primas hiper-explorado e fornecedor de mao de obra barata para zonas da península mais desenvolvidas, à parte de umha reserva turística.
A falta de umha alternativa independentista forte faz-se notar, pois o discurso oficial da Plataforma Nunca Mais nom ultrapassa o objectivo legítimo, mas reformista, de exigir responsabilidades políticas. Só a última hora, e de umha maneira morna, considerárom reclamar que se depurassem também responsabilidades penais. E ainda assim, em nengum momento se colocou a possibilidade de levar o caso perante tribunais internacionais, para que os máximos responsáveis fossem julgados por delitos ambientais e de lesa humanidade.

Em nengum momento se falou de terror de Estado, a diferença de Nós-Unidade Popular, que desde os primeiros dias da crise já assinalou o comportamento terrorista das autoridades autonómicas e das de Madrid. Umha conduta terrorista, que vai desde umha gestom temerária dos trabalhos de resgate nos dias prévios ao afundimento do Prestige, com visos de premeditaçom, até toda umha sucessom de actos de propaganda, mentiras, intimidaçons, intoxicaçons e repressom. Numha situaçom parecida noutro lugar do planeta, umha postura realmente de esquerda levaria a posicionamentos rupturistas com o regime. Mas desde a Plataforma Nunca Mais sempre se refugou qualquer confronto com ou simples questionamento do sistema capitalista ou do quadro jurídico-político de dependência com Espanha que nos toca viver.

Nesta situaçom, de umha postura independentista, socialista e nom patriarcal, o nosso compromisso como galegas e galegos leva-nos a concluir que o substancial desta situaçom nom se vai resolver com um troco de inquilinos nas poltronas de Rajói e a Moncloa, nem despejando das alcaidias o Partido Popular. Se a nossa situaçom de dependência colonial -porque nos tratárom como a umha colónia no pior dos sentidos- nom é superada, numha nada descartável futura situaçom similar, estaremos igual de indefes@s.

Estejam uns ou estejam outros a governar de Madrid, o papel da Galiza vai ser o mesmo em Espanha, que sempre reserva para a nossa naçom um lugar subalterno.

Estejam uns ou estejam outros a governar de Compostela, pouco poderám fazer sem ultrapassar os quadros constitucional e estatutário.

Se nom tivermos instituiçons próprias e totalmente soberanas que gerem a conservaçom do nosso meio e que defendam os nossos sectores económicos estratégicos, ou seja, sem um quadro de independência nacional, nom poderemos garantir que NUNCA MAIS volte a passar-se o que se passou.

Sem acabarmos com o sistema capitalista, jamais poderemos evitar que as empresas que dominam a exploraçom do petróleo dobreguem os estados e violem sistematicamente as leis de navegaçom.

Nom deixes que a classe política que medra à sombra do sistema jogue a confundir-te. Aqui nom há um simples problema de incompetência. A crise do Prestige encerra dentro de si a lógica assassina do imperialismo e do capitalismo.

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