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Jornalistas portugueses denunciam a política espanhola na Galiza

A catástrofe do Prestige está a ser avaliada noutros países europeus, desde a distáncia. É o caso do jornal lisboeta Público, no qual foi publicado em 27 de Novembro um interessante artigo de opiniom que a seguir extractamos, e no qual o jornalista portugués Daniel Deusdado denuncia o desprezo com que o Estado espanhol tem respondido à Galiza nesta crise.

"Há um local do mundo onde Portugal é um país profundamente amado e respeitado. Não, obviamente não é dentro de fronteiras. É na Galiza. Na Corunha é possível ver-se pintado nas paredes frases tão surpreendentes como "Viva Portugal".

Frases como estas parecem não passar de "fait-divers" de grupos nacionalistas até nos confrontarmos com a realidade. Com o pesadelo. Um pesadelo de esquecimento que, como escrevia Torrente Ballester no seu "El Rey Pasmado" quinhentista, tornava a Galiza na terra do nevoeiro, das bruxas e das mulheres de má fama.

Quinhentos anos depois, o comportamento do Governo de Madrid face à Galiza parece inacreditável, mesmo para nós, portugueses, já vacinados para um certo autismo centralista. Doze dias depois do "Prestige" ter iniciado o derrame, ter vagueado sem rumo, de se ter afundado e libertado mais de 10 mil toneladas de "fuel" na costa galega, o primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, ainda não foi lá ver. Não foi dizer às suas gentes galegas, que andam a recolher "fuel" com as mãos, que se trata de uma tragédia, dando uma palavra de apoio. Pior: o seu número dois no Governo, depois de 400 quilómetros manchados, nega existir uma maré negra.

Daniel Deusdado"