A divisom de Palestina em
dous territórios, realizada pola ONU em 1947, fai parte da herdança da política
imperialista das potências ocidentais que, desde a Declaraçom de Balfour em
1917, defendêrom e potenciárom, contra a opiniom d@s habitantes dessas terras,
a criaçom de um Estado judeu.
Um Estado do centro da economia
mundo capitalista promete a umha comunidade de colonos sem território um território
à custa de expulsar, de deixar sem território todo um povo. Deste modo, o
colonialismo británico permitiu iniciar o processo de substituiçom da naçom
palestiniana polo projecto “nacional” sionista, ratificando assim os
objectivos do primeiro Congresso Sionista de Basilea de 1897 quando Teodoro
Herzl senta as bases do “Lar Nacional”, quer dizer, a necessidade de que “o
povo eleito por deus” se dote de um território próprio. Embora inicialmente
a eleiçom da sua situaçom física nom era determinante, -Argentina, Madagáscar
ou Uganda fôrom algumhas das possibilidades baralhadas-, o mesianismo bíblico
em que se baseia o sionismo determinou a ocupaçom da Palestina como o país
da “Terra prometida”, e portanto a expulsom sistemática dos seus habitantes.
Se a ocupaçom británica do que fora parte do império otomano impediu o exercício
do direito de autodeterminaçom durante décadas, negando as aspiraçons populares
que reclamavam a constituiçom de um Estado palestiniano com capital em Jerusalém,
foi a manipulaçom e a sobredimensom do sofrimento judeu, durante o conflito
bélico inter-imperialista de 1939-45, a justificaçom utilizada posteriormente
polo imperialismo para permitir a partiçom da Palestina, em contra da vontade
dos países àrabes e dos únicos e legítimos habitantes desses territórios:
o povo palestiniano.
A proclamaçom do Estado de
Israel em Maio de 1948 e a posterior primeira derrota militar àrabe provoca
um êxodo massivo e o alargamento dos territórios inicialmente concedidos pola
ONU. Nessa altura, o povo palestiniano representava 90% da populaçom e possuia
95% da terra. Desde esse momento, o sionismo mantivo incólume umha estatégia
alicerçada no expansionismo e na limpeza étnica para construir o grande Israel.
Ben Gurion afirma com nitidez, em Dezembro desse ano, que “este nom é o
fim da nossa luita, senom que começamos hoje e temos que continuar até criar
um Estado desde o Eufrates até o Nilo. Temos a intençom de conquistar mais
e mais”.
Mas o desenvolvimento deste
imperialismo, -do mais cruel, racista e genocida que se conhece-, só foi e
é possível com o beneplácito dos estados ocidentais que permitem e apoiam
o terrorismo de estado e a sistemática e selvagem expansom militar que tem
ocupado praticamente a totalidade da naçom palestiniana, tomando posse das
riquezas, bens e propriedades do povo palestiniano empregando conjunturalmente
parte da sua força de trabalho sob a forma de escravismo.
Israel é a cabeça de ponte
dos interesses económicos do capitalismo numha área do planeta vital para
manter e perpetuar a sua hegemonia. Israel está defendendo em primeira linha
de combate a contençom do inimigo árabe, e o controlo dos recursos energéticos
(petróleo) e de jazigos de matérias primas essenciais para Ocidente.
A fraqueza e a cobardia dos
corruptos estados àrabes, -na imensa maioria ditaduras familiares encabeçadas
polas oligarquias locais servis aos interesses das antigas potências coloniais-,
mais alá da retórica oca, tem permitido e potenciado por activa (acordos de
Camp David de 1978, Declaraçom de Oslo de 1993), ou por passiva (prática nom
intervencionista perante o genocídio e a sistemática violaçom dos acordos
internacionais), que o Estado de Israel opere com total impunidade.
Unicamente as massas árabes
e certas organizaçons patrióticas e revolucionárias mantenhem umha prática
real de apoio e solidariedade com a luita pola independência nacional da Palestina
e de oposiçom aos seus governos submissos a Washington e Bruxelas.
Estados Unidos, vetando primeiro
as resoluçons formais da ONU e posteriormente permitindo e justificando a
ocupaçom dos territórios autónomos emanados dos acordos de Oslo, e o conjunto
da Uniom Europeia, com umha prática permissiva com o fascismo israelita, som
co-responsáveis polo genocídio cometido contra um povo indefeso, mas disposto
a luitar até vencer.
A ocupaçom dos territórios
autónomos de Cisjordánia e Gaza polo exército israelita neste massacre infinito
só está a ser possível com a cumplicidade das potências capitalistas, que
se bem formalmente condenam mornamente estas acçons, conscientemente evitam
a adopçom das medidas políticas para forçar a imediata saída da maquinaria
de guerra sionista. Bush e Aznar, a Internacional Socialista e os governos
da UE, som tam responsáveis como Sharon, Simom Peres e o Estado Maior do ........
, polo assassinato da populaçom civil, pola demoliçom das suas casas e meios
de vida, pola confiscaçom de terras, pola detençom e tortura de milhares de
palestinianos, pola destruiçom das infaestruturas da ANP, pola humilhaçom
de Arafat, pola aceleraçom do processo iniciado nos anos 30 do passado século
de expulsar ou aniquilar fisicamente a Palestina, como continuaçom da estratégia
genocida em que se fundamenta a criaçom do Estado sionista.
Perante a passividade da “comunidade
internacional” que nom aplica as suas resoluçons, perante a fraqueza e política
claudicante exprimida polas autoridades palestinianas cedendo às pressons
de Israel ao condenar a legitimidade da auto-defesa popular, e entregando
seis revolucionários às tropas ianques e británicas, -entre os que destaca
Ahmed Saa´dat, Secretário Geral da FPLP-, cumpre continuar e intensificar
a intifada, estender o levantamento popular, golpear o coraçom de Israel,
e desde a Galiza e os povos do mundo, manter umha solidariedade internacionalista
activa e conseqüente, mediante a denúncia do regime sionista e o boicote dos
seus produtos e interesses económicos.
A experiência histórica tem
demonstrado que todas as estratégias políticas centradas na negociaçom com
o sionismo se tenhem saldado com um rotundo fracasso. Até o momento, -como
em todos os processos de libertaçom nacional e social triunfantes-, só a combinaçom
dialéctica de todas as formas de luita e resistência popular tem logrado evitar
a derrota total da naçom palestiniana.
Israel, ao igual que fijo
no sul do Líbano, nom vai retirar-se, nem sentar para negociar umha paz justa,
senom padece na sua própria carne a dor, o sofrimento e os golpes que dia
a dia, desde há perto de meio século, vem cometendo contra a Palestina. A
prática tem confirmado que as acçons suicidas realizadas por activistas
palestinianos nas colónias e nas cidades de Israel estám a ser sendo, infelizmente,
a melhor arma que pode empregar um povo desesperado e indefeso frente
à extrema brutalidade dos métodos de ocupaçom e destruiçom empregados por
um exército pertrechado polo seu amigo ianque e polos estados europeus com
o mais moderno e sofisticado armamento, -entre eles Espanha, que encabeça
a listagem dos principais fornecedores-.
O sionismo, como ideologia
baseada na superioridade do povo de Israel com base em critérios
étnico-religiosos, nom pretende a paz, tam só conquistar e destruir a naçom
palestiniana mediante umha vitória militar para desenvolver o Eretz Israel,
a paranoia expansionista em que se baseia o seu Estado.
Assim, desde 1993, vem torpedeando
todos os avanços para a soluçom transitória do conflito. Cada vez que se alcança
um novo passo o sionismo decide boicotá-lo. É evidente que a maioria da sociedade
israelita, em que tem calado a alienaçom que justifica o racismo expansionista,
apoia sem grandes reservas as operaçons terroristas do seu exército.
Ao igual que as formas de
luita da FLN argelino frente a ocupaçom francesa, ou a resistência vietnamita
frente os ocupantes norte-americanos, por citar exclusivamente dous exemplos
relevantes, de umha óptica marxista nom pode ser discutível, reprovável, nem
condenável, -mais alá do cómodo e reaccionário pensamento da esquerda ocidental
e eurocêntrica-, a estratégia militar de que se tem dotado o movimento de
libertaçom nacional palestiniano, que nom pode ser comparável, nem homologável
com a força dos Merkaba, dos Apache ou dos F16 sionistas.
A soluçom
ao conflito
A ONU nunca tantas resoluçons
tem emitido sobre um mesmo conflito, e nunca tantas resoluçons tem guardado
na gaveta negando-se a buscar os instrumentos necessários para a sua aplicaçom.
A destruiçom do campo de refugiados de Jenin, -novo símbolo da barbárie do
fascismo de Tel Aviv, da metodologia e pensamento nazi (nacionalismo racial,
espaço vital, anexionismo territorial, definiçom de cidadania orgánico-historicista,
depuraçom étnica) que tam bem conhece Ariel Sharon e o seu conselho de ministros
assassino-, nom vai ser investigada perante as pressons de Israel. Mais umha
vez, a hipocrisia e o cinismo dos organismos supranacionais, ao exclusivo
serviço dos interesses do capitalismo, utiliza varas diferentes para medir
e agir. O ataque sobre o Iraque em 1991, o bombardeamento da Jugoslávia em
99, a actual ocupaçom do Afeganistám, tenhem sido justificados polo capital
na defesa dos direitos humanos e da liberdade. Mas perante isto, o
carniceiro de Shabra e Shatila pode apagar literalmente do mapa umha cidade
com apenas umha tímida e modesta crítica do mesmo ocidente que se escandaliza
polo maltrato aos animais. Nom devemos obviar que os Estados Unidos pretendem
momentaneamente rebaixar a tensom para estabilizar a área com o objecto de
criar as condiçons idóneas que permitam invadir o Iraque no quadro da sua
estatégia de guerra global contra os povos e as classes trabalhadoras do planeta,
que vem acelerando após o 11S.
A firme vontade a resistir,
exprimida mil e umha vez polo povo palestiniano, -apesar das capitulaçons
e concessons realizadas pola ANP-, a unidade de acçom das organizaçons da
resistência nacional, a utilizaçom de todas as formas de combate, som as únicas
garantias que possui a naçom palestiniana para atingir os seus objectivos:
dotar-se de um Estado próprio, multiétnico, democrático e laico, desde o Jordám
ao Mediterráneo com capital em Jerusalém, após a retirada dos ocupantes e
a volta dos perto de quatro milhons de refugiad@s.
Se os acordos de Oslo dividírom
a resistência nacional, tem sido a intifada quem uniu novamente o movimento
de libertaçom nacional. Eis o caminho a seguir que defendem as organizaçons
socialistas e nitidamente antiimperialistas da Palestina.
Alargar a
solidariedade
Tal como já denunciamos em
ocasions anteriores, umha vez mais na Galiza a solidariedade com um povo em
luita ou contra a guerra imperialista, nom é possível abordá-la desde a abstracta
unidade por parte das organizaçons e colectivos que aparentam apoiar estas
causas. O autonomismo, as suas organizaçons satélites, e aquelas que instrumentaliza,
optam por desmarcar-se de toda iniciativa unitária para nom coincidir com
a esquerda independentista. Tam só a solidariedade com Cuba consegue sentar
na mesma mesa o BNG com as entidades do MLNG.
Mais alá das causas que provocam
as práticas de isolamento social e político a que se vê submetido o movimento
de libertaçom nacional e social de género galego polo autonomismo, de maos
dadas com a virtual esquerda reformista espanhola, nom devemos cair na ingenuidade
de certos bem intencionados colectivos sociais, nem no idealismo pequeno-burguês,
para interpretar estes acontecimentos. A solidariedade com a Palestina, a
Colômbia ou com Euskal Herria, ou a oposiçom à agressom militar imperialista
contra o Afeganistám, nom passa por assumir a doutrina internacional do 11
de Setembro, nem por seguir os ditames analíticos impostos polo golpe de estado
mundial que o capitalismo norte-americano realizou a finais do verao passado.
O movimento independentista
e socialista galego nunca poderá condenar a resistência nacional da Palestina,
nem questionar a legitimidade dos ataques sobre o epicentro do modo de produçom
capitalista. A nossa solidariedade assenta sobre os princípios do genuíno
internacionalismo, num apoio desinteressado às luitas dos povos, as classes
trabalhadoras e as mulheres, contra toda forma de injustiça e opressom do
capital, e nom com base nas necessidades eleitorais ou em funçom do estado
de opiniom emocional da populaçom modulado polos meios de comunicaçom.
Sabemos que a emancipaçom
da naçom, da classe trabalhadora galega e das mulheres também se está a defender
em Ramallah, Tulkarém ou Hebron, porque a esquerda independentista, desde
o seu internacionalismo, concebe a luita de perspectiva global. A luita do
povo palestiniano é a luita da Galiza.