Nem Autonomia, nem Constituiçom: Autodeterminaçom
Se no passado ano afrontávamos o Dia da Pátria com a abertura
de um novo ciclo político no Estado marcado pola substituiçom
do PP na gestom do Governo de Madrid, nesta ocasiom confi rma-se também
na Galiza o fi m da era Fraga, após mais de duas décadas de
caciquismo espanholista sobrepostos quase sem interrupçom a 40 anos
de franquismo.
Nesta altura,
é importante sermos conscientes de aquilo para o que servirá
a chegada ao poder autonómico da coligaçom PSOE-BNG. O chamado
Governo alternativo garante, sim, a retirada defi nitiva do velho
fascista, motivo de alegria para todos os galegos e galegas progressistas
e com um mínimo de consciência nacional. Porém, e contra
o que importantes sectores populares ainda acreditam, nom garante umha mudança
qualitativa e de fundo nas políticas económicas, sociais e culturais
aplicadas até agora pola direita espanhola. E dizemos que nom há
garantias nesse sentido porque boa parte das linhas estruturais dessas políticas
passárom a fazer parte do chamado consenso institucional
que nengumha das forças sistémicas questiona.
É o caso
da política de infraestruturas, que mede o progresso social em quilómetros
quadrados de asfalto e cimento. Ou a política territorial, que assume
a falta de soberania nacional como um mal endémico e incurável
do povo galego, renunciando a reclamar o democrático exercício
do direito de autodeterminaçom; com os matizes que se queiram, os três
grandes partidos condenam aos estreitos limites constitucionais espanhóis
as aspiraçons de poder decisório do nosso povo sobre o próprio
futuro. Também a política urbanística, a assunçom
do neoliberalismo como única receita económica possível
e até o bilingüismo como política lingüística
ofi cial fam parte desses consensos partilhados por PP, PSOE e BNG a que fazemos
referência.
Frente a todo
o anterior, as mudanças que podem esperar-se da alternativa
afectarám provavelmente mais ao talante do que aos conteúdos.
Nom é difícil apresentar-se como governo de progresso
frente ao neofranquismo do Partido Popular. Porém, as forças
de esquerda realmente comprometidas com as aspiraçons nacionais da
Galiza nom podemos conformar-nos com um progresso cosmético
que mantenha os principais mecanismos de opressom sobre a maioria social galega.
É imprescindível iniciarmos desde já umha posiçom
de tintes claramente nacionais e de esquerda, denunciando o autonomismo a
que também o novo governo autonómico quer abocar-nos, reivindicando
com firmeza anticapitalista os direitos da classe trabalhadora e combatendo
o patriarcado como sinal de identidade desse capitalismo espanhol que nos
imponhem.
A essa ineludível
tarefa é que se entregará NÓS-Unidade Popular, esperando
poder coincidir com outros sectores da esquerda nacional galega, no caminho
da unidade na luita como única garantia para avançarmos nos
objectivos estratégicos do movimento popular galego. De entre eles,
a bandeira da autodeterminaçom é a que mais claramente representa
o nosso rechaço ao actual sistema autonómico, capitalista e
espanhol representado pola Constituiçom espanhola de 1978. Daí
que a esquerda independentista tenha trabalhado insistentemente nos últimos
anos na reivindicaçom desse direito, e o mantenha como única
alternativa real à farsa da reforma estatutária.
Viva Galiza livre,
socialista e nom patriarcal!
Contra o Estatuto e a Constituiçom, adiante a luita pola autodeterminaçom!
Galiza, 25 de Julho de 2005