X Assembleia Nacional do BNG

A ENCENAÇOM DA PLENA CLAUDICAÇOM DO AUTONOMISMO SOCIAL-DEMOCRATA

 

Comité Central de Primeira Linha

 

Os maus resultados alcançados polo BNG nas eleiçons autonómicas do passado Outubro provocárom, entre outras cousas, umha aceleraçom do processo de plena integraçom desta força política no quadro jurídico-político espanhol, mas também simultaneamente emergiu de forma descontrolada a crise interna que soterradamente se vinha gestando e desenvolvendo no último quinquénio.

O idílio político entre Beiras e Fraga, aberto com a ceia de 5 de Dezembro, encenou de jeito eloqüente a definitiva incorporaçom do autonomismo à vida política institucional que até esse momento, embora só minoritária, contraditoriamente e de jeito simbólico, nom assumia plenamente, criando o clima favorável para posteriores  movimentos internos.

Esta normalizaçom política, que a burguesia espanhola e o conjunto das forças económicas, mediáticas, culturais e sociais vinham insistentemente reclamando, provoca vários efeitos e diversas reacçons no seio do regionalismo frentista e nas coordenadas do nacionalismo galego.

1-           Internamente, a prática  totalidade dos quadros dirigentes e intermédios respiram com alívio e encaixam com satisfaçom a normalizaçom institucional que a imensa maioria desejava mas quase ninguém tinha coragem em reclamar abertamente.

Também provoca, -pola sua estreita interdependência com o fracasso eleitoral-, a saída à luz da grave crise interna em que se acha o BNG, após mais de umha década de crescimento eleitoral contínuo, por mor basicamente da dialéctica aberta entre os reclamos e as resistências à necessária actualizaçom da correlaçom de forças e equilíbrios internos, até agora modulada pola inércia de um panorama político claramente superado, que já nom se adapta mecanicamente a siglas.

Abordar do prisma de diferenças políticas entre os partidos integrados, analisar com base em categorias de divergências estratégicas a actual situaçom, é um simplismo carente de qualquer fundamento,  porquanto ou nom existem, ou som meramente virtuais.

2-           Externamente, modifica substancialmente o panorama da política autonómica. A normalizaçom das relaçons entre o PP e o BNG fortalece as instituiçons autonómicas, o regime espanhol, as cúpulas dirigentes do autonomismo, mas também facilita a re-estruturaçom estatal que procura desesperadamente a oligarquia espanhola por meio da segunda transiçom do regime juancarlista. O PSOE é conjunturalmente o sujeito político do regime que pior parado fica nesta nova situaçom.

3-           Para a esquerda independentista este novo cenário, se bem nom nos colhe de surpresa, -estava prognosticado nas nossas análises-, clarifica o espaço natural do projecto soberanista e socialista galego, contribui para superar o confusionsimo e a calculada ambigüidade em que se movia o autonomismo, embora por mor da nossa realidade interna nom tenhamos momentaneamente capacidade para capitalizar e gerir na direcçom de acumular forças para a libertaçom nacional e social de género. 

 

A crise interna do BNG

Salvo um sector da UPG temeroso de perder a influência e a capacidade de direcçom que vinha desfrutando no seio do BNG, o resto das famílias, colectivos e maioritariamente a filiaçom sem adscriçom partidária, nom questionou o giro copernicano imprimido na política do BNG após os negativos resultados eleitorais. Esta fracçom da UPG, vinculada a  parte do núcleo histórico e a sectores sindicais, mais alá da retória nominalista, nom mantém postulados antitéticos aos exprimidos por Beiras nas relaçons institucionais com o PP; tam só difere nos ritmos e na velocidade da nova dinámica, mas sobretodo nom admite pola sua matriz estalinista que se adoptem mudanças ou “correcçons” na linha política sem previamente contar com o seu consentimento. Nom devemos obviar que a evoluçom histórica do BNG face os postulados do autonomismo social-democrata, submisso, inofensivo e dócil com o capitalismo espanhol, foi tutelada e dirigida pola UPG. E que é esta organizaçom a que mantém umha política de maior beligeráncia com o projecto revolucionário independentista, socialista e anti-patriarcal representado polo MLNG.

O desconcerto e o mal-estar que umha situaçom deste calibre deveria provocar entre a base social organizada no Bloco, até o momento nom se exprime, nem se articula internamente, mais alá de abandonos individuais.

Porém, a mudança operada na caracterizaçom de Fraga e da sua política autoritária si tem um evidente efeito entre aqueles sectores mais conscientes do seu eleitorado e massa social que vivem com perplexidade, desencanto e frustraçom, a deriva e involuçom sistémica do que até esse momentos semelhava ser umha força política que se resistia a ser integramente devorada polo convencionalismo da política espanholista, burguesa e patriarcal.

 

É nestes parámetros como se deve analisar o debate interno no BNG e a crise desatada polos maus resultados eleitorais, que força a convocatória extraordinária da X Assembleia Nacional realizada na Corunha 27 e 28 de Abril. 

O confronto entre as diversas correntes internas em nengum momento girou nem gira sobre diferentes estratégias políticas, é si sobre nomes e dirigentes, característico dos debates dos partidos burgueses, pois nom só carece de diferenças substanciais sobre o modelo de organizaçom política -(nom esqueçamos que nesta Assembleia Nacional deu-se um passo mais na direcçom de anular solapadamente o frentismo)-, e objectivos, tam só procura um reajustamento interno na correlaçom de forças das suas elites.

Embora a conjugaçom de umha série de elementos endógenos e exógenos tenha provocado no seu seio umha fractura interna com graves dificuldades para umha imediata recomposiçom, umha vez que nom se ajusta mecanicamente as siglas do modelo frentista, senom que atravessa o interior das mesmas.

Beiras decide despreender-se da incómoda tutelagem da UPG pactuando com diversos sectores, incluido umha fracçom desse partido, umha nova direcçom em que exclui inicialmente o núcleo mais dirigista, que resiste e resposta esta nova situaçom desatando umha ofensiva mediática sem precedentes contra o porta-voz nacional. É precisamente a utilizaçom dos meios de comunicaçom do sistema como cenário privilegiado do debate que ainda prossegue, mais umha expressom da sua homologaçom às forças políticas tradicionais da burguesia.

A divisom interna dos principais partidos que configuram o Bloco, basicamente a UPG e Esquerda Nacionalista, e a entrada dos denominados independentes unicamente complicou e atrasou a recomposiçom interna.

O acordo finalmente cristalizado entre o beirismo e o núcleo mais refractário da UPG veu forçado polo desgaste da imagem externa que estava provocando o debate nos meios e o desinteresse manifesto de destacados segmentos da filiaçom constatado na baixa participaçom no processo pré-assemblear.

A palavra de ordem das semanas prévias, dos debates assembleares, e que ainda a dia de hoje continua monopolizando todo o relacionado com a situaçom do BNG, a famosa renovaçom, (eufemismo ideológico que provocou cisons, profundas crises e auto-disoluçons dos grandes partidos “comunistas” ocidentais fundamentalmente na década passada), nom foi mais do que umha cortina de fumo, um pacto assumido implícita e explicitamente por todas as correntes, sem excepçons, para evitar ou reduzir o impacto que umha análise rigorosa das profundas mudanças política-ideológicas do BNG podia provocar em amplos sectores do seu eleitorado, e sair virtualmente coesionados e reforçados para encarar umhas eleiçons municipais em que todas as previsons semelham indicar um importante recuo. É precisamente a estratégia eleitoral do reformismo autonomista a que limita e modula todos os debates sem excepçons, forçando os já conhecidos acordos entre cúpulas e o reparto mais ou menos convulso do pastel dos organismo de direcçom, incluida a listagem alternativa dos denominados independentes.

Estes fôrom capazes de gerir com êxito parte do descontentamento de um reduzido sector da filiaçom mais activa sobre a necessidade de centrar os debates políticos no seio dos organismos regulares, e incómodo com a exclusom de EN e de pequenos grupos da Excecutiva, mas em nengum momento questionárom ou diferírom da estratégia política autonomista e social-democrata. Roberto Mera só representa um destacado sector de cargos públicos (concelheir@s) de diversas vilas, geracional e politicamente afastados dos núcleos históricos do Bloco, cum discurso pragmático e possibilista, que aspiram a converter-se numha nova estrutura de poder, embora paradoxalmente o seu discuso se alicerce no contrário.

Cumpre destacar que a lista de Mera para o Conselho Nacional incumpria um dos critérios para poder apresentá-la: nom cobria a quota de 40% de mulheres exigido. Mas o previssível escándalo mediático que isto podia provocar e a inesperada reacçom que podia adoptar a sala, permitiu a sua apresentaçom.

Se os votos recabados eram suficientes, 26%, para poder apresentar candidatura à Executiva, porque renunciou a fazê-lo?. Esta decisom é antagónica com o discurso da renovaçom e contrário aos acordos entre as correntes que integram a frente, pedras angulares sobre as que se sustenta a inconsistente e vácua alternativa do concelheiro de Ponte-Areias.

A direcçom do BNG, o conjunto das forças que a configuram, estavam interessadas em transmitir, mediante um arriscado show mediático que nom todos conheciam, nem chegárom a compreender que o BNG é umha força democrática e plural que após um debate de ideias alcança umha substancial renovaçom. Embora repitam 48 pessoas das 50 que configurávam o Conselho Nacional sainte, a táctica e a estratégia política aprovada na X AN foi o suficientemente clara na direcçom e nas necessidades de re-estruturaçom do Estado para que a burguesia espanhola ficasse satisfeita e portanto os meios de comunicaçom transmitissem a mensagem oca e inofensiva que se pretendia difundir: a renovaçom ordenada e controlada. Idêntica à atingida semanas antes pola direita espanhola durante o XI Congresso do PPdG.

 

Um novo panorama político

É evidente que os resultados eleitorais de Outubro, embora nom modificassem globalmente a composiçom do parlamento autonómico, si mudárom radicalmente a vida política institucional da comunidade autónoma. O BNG optou por abandonar definitivamente a confrontaçom directa com o PP, assumindo a normalidade da lógica política burguesa sobre o respeito mútuo entre todas as forças sistémicas: o denominado “diálogo institucional”.

A inesperada e imediata renúncia a um discurso alicerçado nas constantes alusons à trajectória fascista de Fraga,  na caracterizaçom autoritária do seu governo, na negativa a reconhecer o seu compromisso com os valores da democracia ocidental, que se bem catalisava amplos apoios juvenis e de sectores ideológicos afastados objectivamente do projecto do Bloco, impediu em Outubro configurar, -cumha posterior coligaçom com o PSOE-, umha maioria eleitoral alternativa à do PP; unido ao aggioramento autonomista que aproxima as teses minimalistas da Declaraçom de Barcelona das maximalistas da Administraçom Única de Fraga, facilitou umha saída, que ambas as partes desejavam, a umha situaçom enrocada que nom se correspondia com a prática e com a intervençom quotidiana na maioria dos espaços políticos institucionais em que ambas as forças coincidem.

Os grandes vencedores desta situaçom som a pequena burguesia hegemónica na direcçom do BNG, que apenas aspira a reproduzir e perpetuar o poder político, os privilégios funcionariais, de prestígio social, em definitivo de classe, que tem alcançado, bem como os sectores empresariais e económicos da burguesia regionalista que mantenhem umha boa sintonia com o BNG na hora de defender as competências autonómicas frente à hipercentralizaçom madrilena impulsionada polo aparelho estatal do PP. O bloco de classes oligarquicas espanholas também sai reforçado desta nova situaçom porquanto logra integrar o BNG e portanto um destacado sector da sua tradicional base social, -as classes populares galegas- na reconfiguraçom de Espanha como espaço simbólico-material de acumulaçom de capital.

Quem sai realmente prejudicado deste novo panorama político é o projecto soberanista galego que vê como o sector que maioritariamente o configurava se desloca face o autonomismo pactista com o capitalismo espanhol, e em conseqüência as classes trabalhadoras galegas, que padecem directamente a opressom nacional e social de género provocada pola carência de um Estado próprio.

Embora nom seja obviamente umha preocupaçom para o movimento independentista e socialista galego, tal como afirmavamos anteriormente, deste novo panorama também saiu prejudicada a fracçom liberal da burguesia espanhola representada polo PSOE, pois fica relegado ao papel subsidiário que veu cumprindo nos últimos anos, desde que o BNG logrou o sorpasso.

 

Perspectivas e possibilidades da esquerda independentista

Mais alá da valorizaçom sobre perdedores e ganhadores da X AN, é evidente que o oprojecto nacional galego sofre um enfraquecimento se a esquerda patriótica nom logra a meio prazo recuperar para o campo do soberanismo socialista a parte da massa social que, embora tenha apoiado criticamente as candidaturas autonomistas no mês e Outubro, ou tenha optado pola abstençom, ainda mantinha certas esperanças numha mudança do rumo dumha nau cujo inexorável destino se chama regionalismo social-democrata.

Mas o independentismo galego ainda nom logrou a madurez política mínima como para poder catalisar face as suas fileiras esse sector social, basicamente fracçons da classe trabalhadora sindicalizada e mocidade, que afastado da política do BNG, mantém reservas, desconfia ou nom acredita no projecto unitário, plural e de massas que estamos impulsionando, NÓS-Unidade Popular.

Sermos capazes de aproveitar as contradiçons internas do autonomismo que paulatinamente irám provocando saídas mais ou menos destacadas de coordenadas nacionalistas e de classe, superar as inércias de práticas e estilos de trabalho marginais e infantilistas, -à vez que profundamente reformistas-, que impedem avançar, reabrir pontes generosas de colaboraçom com o independentismo que há um ano optou por nom caminhar conjuntamente connosco, sincronizar e coordenar ao conjunto das entidades sectoriais do movimento de libertaçom nacional e social de género, som alguns dos eixos fundamentais que @s comunistas galeg@s consideramos imprescindíveis para poder entrar na fase de intervençom de massas a que aspira o MLNG, ocupando assim o espaço objectivo anti-sistémico que existe na nossa estrutura de classes e que ninguém é capaz de gerir.

As preocupaçons do nosso movimento devem centrar-se no trabalho de massas, na auto-organizaçom e auto-gestom popular, na coesom interna, no reforçamento da pluralidade ideológica, no reforçamento das bases estruturais essenciais para poder resistir os ataques do inimigo, isolando e superando as tendências autistas e suicidas que negam a realidade.

 

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