ABRENTE Nº 20
Abril-Maio-Junho
de 2001
CONTEÚDOS
- V Jornadas
Independentistas Galegas: Combatendo a globalizaçom capitalista
- Primeira Linha (MLN):
Cinco anos de luita
- Novos e velhos
paradigmas para o século XXI
-Abrente
Editora, livros para a construçom da Galiza livre
- Editorial:
Polo emprego digno e as liberades, contra a reforma laboral do PP. Greve Geral
Nacional
O pacote laboral, aprovado a inícios de Março polo governo espanhol mediante real decreto-lei, é umha nova agressom aos direitos e conquistas da classe trabalhadora. Desenvolvendo a funesta reforma laboral do ano 97, as actuais “Medidas Urgentes de Reforma do Mercado de Trabalho, para o incremento do emprego e a melhoria da sua qualidade” tam só pretendem aprofundar na linha estratégica de desregularizaçom e liberalizaçom do mercado laboral para facilitar ainda mais à patronal o barateamento do despedimento, incrementar a taxa de eventualidade e precariedade do emprego, debilitar o enfraquecido sindicalismo de classe e incrementar os fabulososos benefícios da burguesia.
Após mais de vinte anos de pactos e acordos entre o sindicalismo reformista espanhol, os governos e a patronal, –iniciado nos Pactos da Moncloa–, os únicos prejudicados temos sido os de sempre, o povo trabalhador. Cada ano que passa, perdemos poder aquisitivo, sofremos o terrorismo patronal das ETT’s, do desemprego estrutural, dos acidentes laborais, da precariedade e eventualidade, da ausência de futuro para aqueles colectivos sociais mais agredidos polo capitalismo: a mocidade, as mulheres, @s reformad@s, @s pobres. O diagnóstico é aterrador: a situaçom da classe trabalhadora galega é hoje muito pior do que a finais da década de setenta. Temos menos direitos, estamos mais desprotegidos, vivemos a padecer umha constante e sistemática agressom por parte dos diversos governos que gerírom os interesses da burguesia espanhola.
Mas estes ataques ainda nom
tocárom fundo. No horizonte imediato do governo do PP acha-se umha ofensiva
contra o sistema público de pensons e novas agressons contra o ensino e a educaçom,
além de prosseguir co paulatino recorte das liberdades democráticas.
Mas o processo de proletarizaçom
que vem caracterizando a estrutura social galega nos últimos anos nom se tem
traduzido –salvo contadas excepçons– num incremento da capacidade de luita e
resposta operária e popular às agressons da oligarquia espanhola, às lesivas
directrizes macroeconómicas de Madrid e Bruxelas, porque o capital tem logrado
atomizar-nos em trabalhadores e trabalhadoras com empregos fixos e eventuais,
dividir-nos em operári@s de empresas em crise, desempregad@s, e assalariad@s
com trabalhos fixos e estáveis, tecendo virtuais diferenças para impedir a
nossa uniom. A traiçom dos sindicatos e partidos da esquerda espanhola, a
burocratizaçom e capitulaçom da direcçom do sindicalismo nacionalista, unido à
trágica perda e carência de umha sólida consciência de classe, tenhem
favorecido e permitido que a actual ofensiva do capital semelhe um simples
passeio militar.
Mas está na hora de recuperarmos a
iniciativa, organizar-nos, sair à rua, mobilizar-nos, para frear tanta agressom
e impunidade. A esquerda independentista, em vésperas da sua unidade e
reorganizaçom, deve ser um dos motores fulcrais que atinja derrotar a
passividade e a alienaçom, contribuindo para unificar as reivindicaçons
populares, globalizar as luitas sociais, actualizando e renovando o discurso
anticapitalista numha estratégia de libertaçom nacional. O futuro da nossa
classe e o da nossa Naçom está inexoravelmente vinculado à capacidade de
dirixirmos do MLNG os grandes combates sócio-laborais que nos vindeiros anos
estalarám por toda a Galiza como fungos no outono. Eis um dos reptos que temos
que ultrapassar para conseguirmos ser um movimento ao serviço do povo
trabalhador galego e da Galiza.
Cumpre desde já sentar as bases
para umha contudente resposta de massas à última agressom do capitalismo
colonial mediante a intensificaçom das luitas populares e a sua catalisaçom
numha Greve Geral Nacional contra a nova reforma laboral, polo emprego digno e
as liberdades.
Neste ano, a celebraçom das V
Jornadas Independentistas Galegas coincide co V aniversário do nascimento de
Primeira Linha (Movimento de Libertaçom Nacional), germe do Partido Comunista
patriótico.
Combatendo a globalizaçom
capitalista. Luita nacional e internacionalismo no século XXI é a legenda coa
que nesta ocasiom realizamos umhas Jornadas que já se convertírom num inescusável
referente de debate e análise político-ideológica para a esquerda
independentista da Galiza.
A teoria revolucionária, o método
científico marxista de análise e compreensom das leis de funcionamento das
estruturas sociais, continuam a ser para @s comunistas galeg@s o nosso guia
prático para o agir diário, para umha correcta intervençom política que permita
avançar no caminho da liberdade nacional e a transformaçom social.
A vigéncia e ineludível
necessidade do modelo de Partido e de Revoluçom que Vladimir Ilich “Lenine”
teoriza no Que Fazer? e em O Estado e a Revoluçom, o conhecimento de outras
realidades de que aprender como a luita independentista e socialista dos Països
Catalans, e umha profunda análise da actual fase imperialista do capitalismo -a
denominada globalizaçom- configuram o programa das V Jornadas Independentistas
Galegas.
Aguardamos que sejam de utilidade
para o conjunto das mulheres e dos homes deste país que contra vento e maré,
frente à ofensiva da besta imperialista e reaccionária espanhola, do
capitalismo internacional, nos achamos embarcad@s, -armad@s de ilusom e razom-,
na fase final do processo de unidade orgánica do independentismo para dotarmos
esta Naçom e o conjunto do seu povo trabalhador de umha ferramenta de luita e combate
pola democracia e a liberdade, contra tanta miséria, opressom e exploraçom.
- Primeira
Linha (Movimento de Libertaçom Nacional)
Cinco anos nom som nada na
história de um movimento de libertaçom nacional, e muito menos na história de
um povo, mas som suficientes na vida de umha organizaçom para fazermos um alto
no caminho, olharmos para trás com certa perspectiva e, modestamente, avaliar o
seu contributo para o processo revolucionário da formaçom social concreta sobre
a qual opera: neste caso a Galiza e a reorganizaçom do MLNG.

Quando em 1996 um grupo de
mulheres e homes, armados de entusiasmo, corage e audácia, pugemos em marcha o
projecto revolucionário que hoje representa Primeira Linha (MLN) o panorama
político do nacionalismo galego era substancialmente diferente do actual,
embora o possibilismo, a perda de combatividade, a claudicaçom face a Espanha,
já eram parte dos elementos definitórios que caracterizávam a tendência
maioritária no seio da direcçom do BNG.
O núcleo de fundadores do Partido
nom eram alheios a esta realidade. No Manifesto Fundacional Por um Partido
marxista revolucionário. Por umha organizaçom de libertaçom nacional emitido
nos dias prévios ao 25 de Julho de 1996 manifestávamos a “nossa preocupaçom
pola prática presente e a orientaçom futura do nacionalismo galego estruturado
na Frente Patriótica”. Afirmávamos sem matizes que a “paulatina desatençom que
o BNG está a prestar à organizaçom e mobilizaçom do nosso povo como pedra
angular de qualquer projecto transformador, a excessiva energia destinada à
actividade institucional e ao papel jogado polos processos eleitorais, a
consolidaçom dessa cultura da “gestom” e governabilidade como máxima aspiraçom,
a permissividade coa média social e a legitimidade burguesa, a desideologizaçom
da nova militáncia, a moderaçom nas formas e o pragmatismo nos objectivos, som muito
mais que sintomas dumha situaçom, é o lamentável diagnóstico dos novos ares que
sopram no interior da Frente, cos quais nom só nom coincidimos, senom que nos
causam um fundo malestar”. Embora esta análise foi prudentemente redigida para
nom criar mais hostilidade qua a gerada pola nossa própria existência,
considerávamos viável vertebrar no interior do BNG umha organizaçom comunista
de prática independentista que agindo como um revulsivo aglutinasse aos
sectores descontentes, pensávamos factível que a pluralidade do “poliedro”
permitiria construir a sua expressom mais elaborada.
Ensaiamos esta via –a de
reconstruir o independentsimo revolucionário no seio do BNG, embora fôssemos
perfeitamente conhecedores das fracassadas tentativas precedentes– porque o panorama
político do independentismo que se achava fora do nacionalismo maioritário
caracterizava-se pola desorganizaçom, a fragmentaçom e o confusionismo. A APU
dissolvera-se um ano antes após a derrota do EGPGC, a FPG era umha organizaçom
inactiva, e a AMI ainda só era um emergente projecto juvenil que estava dando
os seus primeiros passos.
Nós desde o primeiro momento nom
só pretendíamos impulsionar o esmorecente independentismo no nosso país,
contribuir para resgatá-lo do subjectivo sentimento derrotista que se tinha
instalado no seu seio, queríamos fazê-lo dumha determinada óptica, conjugando-o
de jeito criativo e original co marxismo-leninismo e o pensamento alternativo
dos novos movimentos sociais, o feminismo, o ecologismo, o antimilitarismo.
No plano internacional, embora
continuássemos imersos naquele irracional cenário de estigmatizaçom e extrema
virulência da “nova orde internacional” contra o Socialismo, –após o rotundo
fracasso das experiências do modelo soviético e a vitória militar imperialista
na Guerra do Golfo–, umha tímida abertura conjuntural estava permitindo o
abrolhar de novos projectos comunistas e revolucionários em diferentes pontos
do planeta.
A firme determinaçom de pôr a
andar umha organizaçom destas características na segunda metade da década de
noventa, –com escassos recursos humanos e materiais–, sustentava-se numha
correcta análise da situaçom do nacionalismo galego, num acertado diagnóstico
da necessidade de construir um partido revolucionário orgulhoso de definir-se
marxista-leninista, quando a dinámica nacional e internacional caracterizava-se
pola anoxeria ideológica e a claudicaçom face o pensamento único que impunha o
capitalismo. Sempre fomos plenamente conscientes das enormes dificuldades, dos
imensos obstáculos, que teríamos que superar para poder consolidar um projecto
partidário com vocaçom de sermos umha das chaves na construçom nacional da
Galiza.


Para o conjunto do nacionalismo,
sem nengum tipo de excepçons, a nossa constituiçom supujo umha grande surpresa
que, embora nos primeiros momentos causasse indiferença, posteriormente se
traduziu em opossiçom e hostilidade. Quando pomos em movimento a criaçom de
Primeira Linha (MLN) sabíamos, tínhamos prognosticado, que seríamos umha força
política incómoda para o aparelho do BNG e um imprevisto “obstáculo” para a
reorganizaçom das outras correntes independentistas.
À medida que o Partido logrou umha
relativa expansom organizativa, se foi dotando de linha política em certos
movimentos sociais e organizaçons de massas, convertendo-se num conhecido
referente independentista integrado no BNG, agudizou-se a política de
confrontaçom co reformismo. A nossa simples existência converteu-se numha
enfermiça obsessom para o conjunto da direcçom do Bloco que se marcou como
objectivo a nossa expulsom, contribuindo para gerar um ambiente externo e
interno de criminalizaçom do Partido, um irrespirável clima de acossa que
impedia a nossa intervençom política, forçando que tivéssemos que destinar
ingentes energias e recursos a umha mera prática defensiva. Paralelamente,
fomos assumindo que a deriva política do BNG, as mudanças estratégicas, o seu
aggiornamento e evidente integraçom no quadro jurídico-político postfranquista,
impediam a nossa continuidade no seu interior, inviabilizavam construir umha
corrente independentista e comunista no seu seio.
A aliança táctica ensaiada com
Esquerda Nacionalista fracassara na sua globalidade. Os seus dirigentes
erroneamente calcularam que poderiam utilizar-nos exclusivamente como ponta de
lança na dialéctica interna do BNG, sem contrapartidas em que fundamentar o
acordo baseado na defesa do pluralismo e a democracia interna.
A 5 e 6 de Dezembro de 1998
celebramos o I Congresso, cristalizando assi a fase provisória iniciada em Maio
de 1996. Após um longo processo de debate interno e clarificaçom ideológica em
que logramos umha certa consolidaçom organizativa, dotamos o Partido de um
programa político, definimos umha estratégia e aprovamos um particular modelo
organizativo leninista adaptado às condiçons da específica formaçom social
sobre a qual intervimos. No I Congresso realizamos umha funda análise da
situaçom do país, debulhando os seus principais reptos e problemas, ofertando
alternativas viáveis que contribuam para paliar os graves problemas da naçom e
do conjunto do seu povo trabalhador numha estratégia de ruptura democrática coa
dependência colonial. Em Dezembro de 1998 logramos umha boa parte dos
objectivos imediatos, superando o anonimato, convertendo-nos num dos referentes
sociais do independentismo por mor dumha inteligente política de propaganda, e
a causa da grande ofensiva mediático-policial que, co apoio da direcçom do BNG,
se lança contra nós.
Se bem no I Congresso adoptamos a
decisom formal de continuarmos no BNG, umha parte da militáncia era consciente de
que os nossos dias no seu interior já iniciaram a conta atrás. Assi o Congresso
decide explorar vias de aproximaçom cos sectores independentistas alheios ao
Bloco promovendo “contactos, potenciando o conhecimento mútuo, possibilitando
campos de trabalho comuns, porque é necessário que neste país exista, que nesta
naçom se reivindique a Independência Nacional. Mas sem um forte movimento
unitário e plural, com peso real na sociedade galega, nom é sério pensar na sua
viabilidade futura”.
Nos primeiros meses de 1999
mantivemos reunions com a AMI, a FPG, outros organismos independentistas, e
militantes sem adscriçom partidária, co objecto de sentar as bases para acabar
coas desconfianças mútuas, lograr um compromisso de nom agressom, e
possibilitar fórmulas e espaços comuns de colaboraçom e trabalho.
A 10 de Abril, após os debates que
se vinham realizando desde o I Congresso, o Comité Central adopta por
unanimidade a decisom de convocar um Congresso extraordinário para referendar o
abandono do BNG. Para continuarmos Abrindo horizontes de revolta na Galiza, era
imprescindível alcançar a unidade da esquerda independentista. Em 5 De Junho de
1999, o II Congresso do Partido acorda por umha esmagadora maioria que o
projecto comunista de libertaçom nacional que representamos abandone o Bloco,
sentando as bases para a criaçom de umha força política unitária, plural e de
massas onde coincidirmos todas as correntes da esquerda independentista
actuantes no país.
Foi umha decisom arriscada, mas
imprescindível para poder contribuir para a construçom do actual cenário
político em que se acha o conjunto do independentismo, que supujo rompermos a
unidade interna do Partido e a perda de um considerável sector de militantes
que por diversos motivos, –oportunismo, covardia, comodidade, ingenuidade–,
optárom por continuar no BNG renunciando ao inconformismo que sustentou o nosso
nascimento.
O Dia da Pátria de 1999 marcou um
fito na história do independentismo galego ao recuperarmos, –após umha traumática
década de desencontros–, a unidade, logrando que umha só manifestaçom
independentista percorresse as ruas de Compostela, injectando ilusom e
esperança na base social. A unidade da acçom iniciada pola AMI, a FPG e o
Partido, pretendeu sentar as bases para a unidade orgánica de todo o
independentismo numha única força política unitária, plural e de massas,
cumprindo o anseio de umha imensa maioria d@s independentistas deste país.
O êxito desta primeira
convocatória e as campanhas conjuntas realizadas nos meses seguintes servírom
para activar muitas pessoas que optaram por abandonar a militáncia política
perante a situaçom de atomizaçom e falta de expectativas em que se achava o
MLNG.
Coincidindo com amplos sectores
patrióticos, sempre defendemos que esse 25 de Julho nom devia ser erroneamente
interpretado como um simples e fortuíto acordo pontual, fruto dumha determinada
conjuntura política, senom como o início de umha fase da unidade de acçom que
permitisse criar as condiçons subjectivas imprecindíveis para ultrapassar a
fraticida divisom do movimento mediante a criaçom dumha Unidade Popular.
Assi, no mês de Outubro, cria-se a
Comissom Nacional Unitária da Esquerda Independentista (CNUEIN) como um
“organismo de carácter permanente e estável, configurado por umha delegaçom
tripartita, co objectivo de desenhar e coordenar a unidade de acçom e avançar
no processo estratégico de sentar as bases para que a nosa naçom –Galiza–, e a
nossa classe –o Povo Trabalhador– se dote dumha estrutura plural e unitária de
massas coa que defender-se das agressons do capitalismo colonial espanhol e
dirigir o processo de libertaçom nacional e social face a Independência
Nacional e o Socialismo”.
Porém, a CNUEIN nom atingiu a
maioria dos objectivos para que fora criada por mor das contínuas reticências e
deslealdades da FPG para aprofundar na direcçom marcada. A sua unilateral
decisom de apresentar candidatura às eleiçons legislativas de Março de 2000,
negando-se previamente a debater co Partido e coa AMI a possibilidade de buscar
um acordo satisfatório neste tema, feriu de morte esse organismo, mas também
contribuiu para acelerar o actual processo de unidade orgánica.
Essa firme vontade da imensa
maioria do movimento de avançar e superar os desencontros cristalizou desde a
primavera de 2000 na criaçom das Assembleias Populares como exitosos ensaios
comarcais de construçom da organizaçom nacional que o Processo Espiral iniciou
em Dezembro desse ano.
As APCs, com todas as carências e
eivas, sentárom as bases do que deve ser o novo independentismo: umha força
política unitária e plural que superando as inércias do passado, logre
vertebrar e ocupar esse cada vez maior espaço sócio-político que à esquerda do
BNG, no plano social e nacional, objectivamente existe no país. Um referente de
luita e combate para os sectores mais avançados das massas, para tod@s
aqueles/as trabalhadores/as e mocidade que nom acreditam nos partidos políticos
tradicionais, e demandam umha nova forma de intervir socialmente dos parámetros
da esquerda e o independentismo.
A nossa aposta partidária sempre
estivo muito clara neste tema tal como refrendamos no II Congresso.
O acordo entre a AMI, as
Assembleias Populares de Compostela, Corunha e o Noroeste, mais o Partido, em
Novembro de 2000, que deu lugar ao Processo Espiral, evidencia a nova fase dum
independentismo em constante evoluçom e mudança, disposto a abandonar a
marginalidade e a divisom que arrasta, ultrapassando com valentia e decisom as
destrutivas inércias do passado para sermos desde agora mesmo úteis ao nosso
povo e a o nosso país.
Primeira Linha (MLN) aposta sem
nengum tipo de ambigüides ou reticências pola criaçom da Unidade Popular,
independentemente do resultado final da Assembleia Nacional Constituinte datada
para 2 e 3 de Junho deste ano.
O Partido, -embora nom se vaia
dissolver, pois a vertebraçom da pluralidade nom só é em si mesmo um valor,
representa um dos melhores contributos e garantias do êxito do processo em
curso-, vai sacrificar o seu protagonismo público em aras da consolidaçom da
Unidade Popular como o único referente político de massas do independentismo
galego. A nossa cultura política nitidamente democrática, afastada das erróneas
visons dirigistas de um modelo de socialismo que sempre combatemos, nunca será
um obstáculo para a convivência e o encontro, mais bem será um sólido contibuto
para o consenso e ao respeito mútuo que devem caracterizar o agir e o
funcionamento interno da nova organizaçom que entre tod@s estamos construindo e
cujas portas devem estar abertas a tod@ independentista, sem nengum tipo de
excepçom, que pretenda contribuir para a construçom nacional da Galiza desde a
esquerda.
@s comunistas galeg@s de prática
independentista entregaremos o melhor da nossa experiência militante, da nossa
singular e característica óptica ideológica, a fortalecer a Unidade Popular e a
construir o novo MLNG, para conseguirmos que nas primeiras décadas do século
XXI o independentismo galego seja umha realidade tangível, um movimento
político com peso e influência real na sociedade, um instrumento de luita
contra o capitalismio espanhol, pola libertaçom da Galiza e a emancipaçom da
classe trabalhadora e o resto das camadas populares.
Antes de finalizarmos o ano
celebraremos o III Congresso que, previsto inicialmente para Junho, foi
conscientemente adiado para nom interferirmos na fundaçom da Unidade Popular, a
prioridade que todo independentista deve ter desde agora. No III Congresso
reajustaremos a nossa intervençom política adaptando-a a reforçar a Unidade
Popular, e fortalecer as organizaçons de massas do independentismo e os
movimentos sociais.
1995
Começa a madurecer a necessidade
de vertebrar no seio do BNG umha força política comunista e independentista.
1996
• Em Janeiro, um reduzido grupo de
militantes de diversas estruturas do BNG, concentrados basicamente em
Compostela, Ourense, Val Minhor e Vigo, sistematizam os contactos para
articular umha organizaçom comunista e independentista.
• Entre Março e Abril tem lugar a
configuraçom do projecto político, a elaboraçom dos princípios ideológicos e a
definiçom do modelo organizativo.
• No 1º de Maio, numha reuniom
celebrada em Compostela, tem lugar a constituiçom formal da Promotora Nacional
de Primeira Linha (MLN).
• Entre Maio-Junho tem lugar a
redacçom do Manifesto fundacional “Por um partido marxista revolucionário. Por
umha organizaçom de libertaçom nacional”.
• A 5 de Julho realizamos um acto
público de apresentaçom, a porta fechada, na cafetaria Rua Nova de Compostela.
• Em 21 de Julho edita-se o
primeiro número do Abrente.
• Em 25 de Julho, sob a legenda
Terra e Liberdade. Independência e Socialismo, participamos na manifestaçom do
BNG no Dia da Pátria, repartindo milhares de Abrente e de auto-colantes co anagrama
do Partido.
• A 15 de Agosto, participamos na
manifestaçom nacional da ANOC celebrada em Cangas do Morraço distribuindo
massivamente o Abrente na entrada do I Festival Antimilitarista Galego.
• Em Outubro inicia-se a campanha
em solidariedade co insubmisso Marco Lôpez Martins sob a legenda Contra o
militarismo espanhol. Insubmissom. Independência.
• A 17 de Novembro perto de
trescentas pessoas secundam umha concentraçom em Compostela em solidariedade
com Marco Lôpez Martins convocada conjuntamente coa ANOC.
• A 18 de Novembro coincidindo co
seu juízo tem lugar umha mobilizaçom nacional em Ponte-Vedra.
• Constituiçom em Compostela da
primeira Assembleia Comarcal do Partido e inauguraçom da primeira sede no
Possigo de Abaixo 22.
• Ediçom do segundo número do
Abrente.
• A 14 de Dezembro participamos na
mobilizaçom nacional da CIG contra a política económica do governo sob a
legenda Contra a direita e a patronal. Luita obreira. Folga Geral.
• Esse mesma tarde também
participamos na mobilizaçom de apoio aos/às pres@s independentistas galeg@s.
1997
• Entre o 20 e 23 de Janeiro
tenhem lugar em Compostela as I Jornadas Independentistas Galegas (JIG) sob a
legenda O futuro: a independência.
• A 25 de Janeiro participamos na
mobilizaçom nacional da ANOC em solidariedade cos insubmissos nos quartéis.
• Em Fevereiro editamos o terceiro
número do Abrente.
• Primeiros passos para a
constituiçom do Partido em Trasancos, após ter sentado as bases em Vigo.
• Aparecem na imprensa as
primeiras intoxicaçons e criminalizaçom do Partido acusando-nos de ser a
ligaçom do Bloco com Jarrai e KAS.
• Em 10 de Março participamos nas
mobilizaçons do Dia da Classe Obreira Galega.
• Em Abril impulsionamos
conjuntamente com outras organizaçons políticas e sociais a plataforma Galiza
contra o neoliberalismo contra o foro vinculado ao BM e FMI que se celebrava em
Compostela.
• Na segunda quinzena de Abril
realizamos a campanha do 1º de Maio sob a legenda Há que reagir. Organiza-te e
luita.
• Ediçom do Abrente número quatro.
• Impulsionamos em Compostela e
Vigo, conjuntamente com outras organizaçons, actos em solidariedade co comando
do MRTA que ocupara a embaixada do Japom em Lima.
• No 1º de Maio participamos nas
mobilizaçons da CIG de Compostela, Ferrol e Vigo.
• Em 24 de Maio, sob a legenda
Contra o imperialismo Marxismo-Leninismo participarmos na manifestaçom
anticapitalista da plataforma Galiza contra o neoliberalismo.
• Nessa noite tem lugar em
Compostela um acto nacional para comemorar o primeiro aniversário do Partido.
• Em 12 de Julho, aderimos ao
Festival de apoio aos/às pres@s polític@s galeg@s celebrado em Vigo.
• Ediçom do Abrente número cinco.
• Em 24 de Julho assistimos com
faixa própria à manifesaçom nacional da ANOC para comemorar o Dia do
Antimilitarismo Galego.
• No 25 de Julho, o aparelho do
BNG tentou infrutuosamente ocultar as faixas do Partido na praça da Quintá.
• Umha delegaçom do Partido
assiste em Havana ao XIV Festival mundial da juventude e @s estudantes,
editando-se um folheto em quatro idiomas, Galiza, umha naçom em luita pola
Independência e o Socialismo, para difundir entre os milhares de assistentes.
Contínuos incidentes coa burocracia do BNG.
• Em Outubro, realiza-se umha
campanha comemorativa do 80 aniversário da Revoluçom bolchevique coa ediçom de
diversos materiais coa efígie de Lenine.
• Ediçom do número seis do
Abrente.
• Em Novembro tem lugar umha
reuniom coa responsável para a Europa das FARC-EP.
• Em Dezembro, participamos na
mobilizaçom de apoio aos trabalhadores do estaleiro vigués Barrerras.
• Impulsionamos em Vigo umha
plataforma cidadá em solidariedade coa luita de Chiapas.
1998
• Em Janeiro tenhem lugar em
Compostela e Vigo as II JIG sob a legenda Desde a cultura, a independência.
• Ediçom do Abrente sete.
• Em Fevereiro participamos com
faixa própria, Partido Popular=Partido policial, na mobilizaçom nacional a prol
da liberdade de expressom e contra a repressom policial do governo de Fraga.
• Campanha Defendamos a nossa
independência para comemorar o Dia da Mulher Trabalhadora.
• Em Abril edita-se o Abrente
número oito.
• Impulsionamos umha candidatura
própria, coa incorporaçom de Esquerda Nacionalista e independentes, na
Assembleia Nacional de Galiza Nova celebrada o 25 e 26 de Abril.
• No 1º de Maio participamos nas
mobilizaçons da CIG com faixa própria sob a legenda 35 horas já. Avancemos nas
conquistas da classe trabalhadora galega.
• No 17 de Maio emitimos o
manifesto A nossa língua o galego. A nossa Pátria, Galiza.
• A finais de Maio edita-se o
Manifesto Comunista, primeiro título da Abrente Editora, para comemorar o 150
aniversário da sua publicaçom.
• Ao longo do mês de Junho
realizamos a apresentaçom desta obra nas principais cidades do país no quadro
da campanha Significado e vigência do Manifesto Comunista.
• Participamos activamente na VIII
Assembleia Nacional do BNG defendendo as emendas que lográrom chegar ao
plenário.
• A 13 de Junho celebra-se em
Compostela umha ceia-acto político para comemorar o 2º aniversário do Partido.
• Em Julho sai editado o número
nove do Abrente e participamos com cortejo próprio na manifestaçom do Dia da
Pátria que convoca o BNG.
• Sob a legenda Moncho Reboiras,
alicerce da esquerda revolucionaria independentista, em 12 de Agosto celebramos
um acto político no cimitério de Imo, com posterior jantar de confraternizaçom,
no XXIII aniversário do assassinato do patriota pola polícia espanhola.
• Em Novembro edita-se o número
dez do Abrente introduzindo modificaçons no seu desenho.
• Em 14 de Novembro, umha
delegaçom do Comité Central desloca-se a Euskal Herria para participar no
Internazionalista Eguna e manter umha reuniom com Herri Batasuna.
• Nos dias 5 e 6 de Dezembro tem
lugar em Compostela o I Congresso do Partido sob a legenda Abrindo horizontes
de revolta na Galiza.
1999
• Em Fevereiro sai editado o
número 11 do Abrente.
• Em 6 de Março tem lugar a
primeira juntança Primeira Linha (MLN)-AMI concebida como “umha primeira
reuniom dum processo que tem como finalidade contribuir à reunificaçom
estratégica do MIG”.
• Entre o 15 e o 18 de Março
tenhem lugar em Compostela, Corunha, Ferrol, Ourense e Vigo as III JIG sob a
legenda Agitando vozes da rebeliom internacional.
• Participamos nas mobilizaçons
contra a intervençom na NATO na Jugoslávia e a prol da autodeterminaçom de
Kosova.
• A 10 de Abril, o Comité Central
aprova por unanimidade um documento a prol do abandono do BNG.
• O 17 e 18 de Abril tem lugar o I
Seminário de Marxismo-Leninismo.
• Em Abril, tem lugar a segunda
reuniom Primeira Linha (MLN)-AMI onde informamos da convocatória do II
Congresso (de carácter extraordinário) para decidir o abandono do BNG.
• Em Maio sai editado o Abrente
número 12.
• Em 13 de Maio, realiza-se a
terceira reuniom Primeira Linha (MLN)-AMI, em que se valoriza a necessidade dum
25 de Julho unitário.
• A 23 de Maio, umha delegaçom do
Partido reúne-se coa FPG.
• Em 25 de Maio, tem lugar a
primeira reuniom unitária para convocar o Dia da Pátria. Assistem AMI, FPG,
Primeira Linha (MLN), JUGA, CAR, MNG e EI.
• Em 5 de Junho, celebra-se em
Compostela o II Congresso do Partido, sob a legenda Pola unidade da esquerda
independentista, em que se decide abandonar o BNG e dar os passos para a
unidade orgánica do independentismo.
• Em 17 de Junho, numha
conferência nacional de imprensa, Primeira Linha (MLN) informa publicamente da
sua saída do BNG.
• @s estudantes do Partido
integrados na corrente independentista abandonam os CAF/CAE.
• Conjuntamente coa AMI e a FPG o
Partido convoca o Dia da Pátria sob a legenda A esquerda independentista unida
pola liberdade da Galiza.
• Edita-se o número 13 do Abrente.
• Em 12 de Agosto, em Imo e
Ferrol, convocamos conjuntamente coa AMI e a FPG o XXIV aniversário do
assassinato de Moncho Reboiras sob a legenda Morto para que Galiza viva.
• A 17 de Agosto, concentraçom em
Ponte-Vedra em homenagem a Alexandre Bóveda convocada pola AMI, FPG e Primeira
Linha (MLN).
• No 1 de Outubro, impulsionamos
com independentes a Federaçom Estudantil Revolucionária (FER).
• A 8 de Outubro constitui-se a
Comissom Nacional Unitária da Esquerda Independentista (CNUEIN) como organismo
coordenador da unidade de acçom entre o Partido, a AMI e a FPG.
• Ao longo de Setembro e Outubro,
convocamos conjuntamente com outras organizaçons políticas e socias em diversas
cidades do país actos em solidariedade co povo maubere e a prol da
independência de Timor-Lorosae.
• Em Outubro, impulsionamos a
Plataforma cidadá contra a videovigiláncia em Compostela.
• A 30 de Outubro assistimos na
Corunha, conjuntamente coa AMI e a FPG, à mobilizaçom nacional contra a
repressom policial sob a legenda A esquerda independentista contra a repressom
espanhola.
• Edita-se o Abrente número 14.
• Em Novembro e Dezembro
realizamos conjuntamente coa AMI e a FPG a campanha Galiza contra a Constituiçom
espanhola. Polo direito de autodeterminaçom com actos públicos, concentraçons e
umha manifestaçom nacional no dia 11 de Dezembro.
• A 16 de Dezembro, participamos
em Ponte-Vedra na mobilizaçom em solidariedade cos independentistas
represaliados por apoiarem a luita d@s vizinh@s de Vila Boa.
2000
• Em 7 de Janeiro, convocamos
conjuntamente coa AMI e a FPG um acto em Ferrol sob a legenda Queremos ver o
mar. Ferrol sem muralhas para solicitarmos a eliminaçom da muralha militar que
rodeia esta cidade.
• Em Fevereiro, sob a legenda
Independência e Socialismo iniciamos a pré-campanha das eleiçons legislativas
de Março.
• Edita-se o número 15 do Abrente.
• Contra a Constituiçom e pola
autodeterminaçom. Abstençom foi a legenda escolhida para realizar a campanha a
prol da abstençom nas eleiçons do 12 de Março.
• Em 24 de Fevereiro participamos,
conjuntamente com militantes da AMI e da FER, na acçom de boicotagem ao comício
inaugural da campanha eleitoral que Fraga realizava em Compostela.
• Em 6 de Março participamos na
Corunha na acçom de denúncia contra o Partido Popular no quadro da campanha a
prol da abstençom.
• A 8 de Março participamos
conjuntamente coa AMI e a FPG na mobilizaçom nacional do Dia da Mulher
Trabalhadora sob a legenda Avante co feminismo nacional e de esquerdas.
• Em 24 de Março conjuntamente coa
AMI e independentes impulsionamos a criaçom da Assembleia Popular da Comarca de
Compostela (APC), a primeira organizaçom unitária e plural independentista.
• Entre o 27 de Março e o 6 de
Abril tenhem lugar em Compostela, Corunha, Ferrol, Lugo e Vigo as IV JIG sob a
legenda Comunismo ou Caos.
• Ediçom do número 16 do Abrente.
• Participamos nas mobilizaçons do
1º de Maio conjuntamente coa AMI e a FPG sob a legenda Contra a precariedade
laboral e o desemprego. Viva o 1º de Maio.
• No 17 de Maio, participamos na
mobilizaçom em defesa do idioma galego no bloco reintegracionista e
independentista sob a legenda A nossa língua, com independência.
• Em 2 de Junho, participamos na
criaçom da Assembleia Popular da comarca da Corunha (APCC).
• Convocamos conjuntamente coa
AMI, APC, APCC e a FPG o Dia da Pátria sob a legenda Pola Independência e
Socialismo. Adiante coa unidade utilizando a fórmula Esquerda Independentista
Unida.
• Sai editado o número 17 do
Abrente.
• Em 12 de Agosto, realizamos em
Imo e Ferrol, conjuntamente coa AMI, APC e a APCC, actos comemorativos polo
aniversario da morte de Moncho Reboiras, Lola Castro e José Vilar sob a legenda
Morrêrom pola liberdade da Galiza.
• Umha delegaçom do Partido participa
na Diada Nacional de Catalunya convidada por Endavant (OSAN).
• A 30 de Setembro, participamos
na criaçom da Assembleia Popular do Noroeste (APN).
• Em 8 de Outubro, tem lugar a
primeira reuniom nacional para a unidade orgánica do independentismo, a que
assistem o Partido, a APC, APCC, APN e a AMI.
• Em 17 de Outubro, tem lugar a
apresentaçom pública do livro Para umha Galiza independente.
• Sai editado o Abrente número 18.
• A 30 de Novembro, fai-se público
mediante um manifesto em ANT o Processo Espiral.
2001
• Em Fevereiro sai editado o
Abrente número 19.
• Realizaçom do II Seminário de
Marxismo-Leninismo.
• Entre o 23 e 25 de Abril tenhem
lugar em Compostela as V JIG sob a legenda Combatendo a globalizaçom
capitalista. Luita nacional e internacionalismo no século XXI, no quadro dumha
série de actividades com que o Partido celebra o seu V aniversário.
• Edita-se o Abrente número 20.
Em Julho de 1996, com motivo das
comemoraçons patrióticas do dia 25, fôrom repartidos em Compostela vários
milhares de exemplares do primeiro número de umha nova publicaçom periódica
independentista que, recolhendo a sua denominaçom das tradiçons revolucionária
mundial e patriótica galega, servia naquele primeiro número como apresentaçom
de um novo projecto político, independentista e comunista, nascido poucos meses
antes: Primeira Linha (MLN).

Decorridos os primeiros cinco
anos, estamos em condiçons de fazer balanço quanto à funçom desenvolvida por
Abrente neste primeiro lustro de vida. Para já, deveremos reconhecer o pouco
habitual facto de um órgao de expressom partidário atingir cinco anos de
circulaçom permanente com estrito respeito à periodicidade marcada num
princípio.
Sabemos de multidom de projectos
editoriais, de muito diferente signo político, incapazes de ultrapassar o
primeiro número, e de outros que só conseguem sair em funçom de pulos
ocasionais e irregulares dos seus promotores, o que prova a dificuldade de
alcançar umha regularidade como a que Abrente vem respeitando.
Dentro da modéstia de meios que
correspondem a umha organizaçom pequena em período de implantaçom como a nossa,
a estabilidade atingida é motivo de orgulho nom só para o grupo humano que a
vem garantido, como para o conjunto da base social independentista que vê como
Abrente se converte na publicaçom político-partidária independentista com umha
maior permanência e regularidade na história do movimento soberanista galego.
Nestas páginas deixárom a sua
pegada teórica algumhas das melhores penas da Galiza actual, pertencentes a
ámbitos e ideologias diversas, sempre dentro de umha coerência quanto à
assunçom do facto nacional galego e ao carácter progressista de todas elas.
Grande parte das organizaçons políticas galegas vírom-se representadas através
de algumha das dúzias de colaboradoras e colaboradores que assinárom artigos no
Abrente. Em nom poucas ocasions, visons nom coincidentes com as do próprio
Conselho de Redacçom estivérom presentes, com o intuito de promover o debate de
ideias dentro da esquerda patriótica galega, nomeadamente da sua mais elaborada
expressom, a hoje representada pola esquerda independentista.
Também contamos com a colaboraçom
expressa de reconhecidas personalidades da esquerda revolucionária mundial:
Marta Harnecker, Michel Löwy ou Georges Labica som só alguns exemplos, que
incluem também representantes políticos de organizaçons revolucionárias e
movimentos de libertaçom nacional mais ou menos próximos da realidade galega,
como o catalám, o basco, ou a própria esquerda portuguesa.
No entanto, é mais salientável
para nós o espaço dedicado de maneira permanente ao conhecimento da realidade e
do activismo político, cultural e social nos diversos sectores em que este se
manifesta na Galiza: o ecologismo, a luita pola língua, o feminismo, o
sindicalismo, o antimilitarismo, o trabalho anti-repressivo, a luita da mocidade
galega e do estudantado,... achárom e acham nas nossas páginas secçom fixa
número após número, através de qualificad@s protagonistas, as mais das vezes
sem umha assinatura academicamente reconhecida, mas com o aval que dá umha vida
dedicada ao trabalho revolucionário em cada um dos ámbitos mencionados e
outros.
Neste senso, a importáncia do
Abrente pode estabelecer-se em duas direcçons: de umha parte, e conforme a
concepçom leninista do jornal como organizador colectivo, serviu e serve de
aglutinador para a própria organizaçom do nosso Partido, na medida que som
muit@s @s camaradas que garantem a sua viabilidade económica e editorial, bem
como a importante distribuiçom gratuíta
que alcança. Nom menos importante é a funçom formativa, quer mediante artigos
ou reportagens desse teor, quer pola recomendaçom de obras que servem a tal
objectivo. De outra parte, Abrente tem servido de foro aberto para o debate de
questons de actualidade no movimento independentista, como veu sendo nos
últimos dous anos o processo de construçom do novo independentismo e da sua
organizaçom política unitária e de massas. Foro em que toda a pluralidade
independentista, sem excepçons, tivo cabimento, sem por isso ocultarmos qual é
a aposta concreta do Partido que sustém o projecto de comunicaçom
revolucionário que hoje representa esta publicaçom.
Além do mais, o seguimento da
trajectória do Abrente permite hoje, cinco anos depois da sua saída às ruas
galegas, conhecer algumhas chaves dos acontecimentos e tendências verificados
na sociedade galega neste período, tirando-lhes a aparência de incerteza e
arbitrariedade com que costumam apresentar-se as tendências históricas. Com
efeito, Abrente contribuiu nestes anos para compor e interpretar a complexa
realidade de um povo, o galego, submetido ao confronto com forças políticas e
socioeconómicas ao serviço de umha potência estrangeira que pretende a sua
desapariçom como colectivo diferenciado e a incorporaçom definitiva da Galiza
ao projecto imperialista do grande capital espanhol e, através dele, das
potências do capitalismo ocidental.
Umha interpretaçom, a nossa, que,
longe da falsa neutralidade dos meios de comunicaçom oficiais do sistema, nom
oculta o seu compromisso com o combate ao empobrecimento e a ameaça que para o
género humano supom a loucura capitalista. Durante todo este tempo, e o que
venha doravante, a aposta do Abrente foi e será a da acçom consciente do povo
galego, que nom se resigna ao esmorecimento e se defende, com todas as
possibilidades ao seu alcance, contra as agressons do nacionalismo imperialista
espanhol.
A nossa é, a fim de contas, a
aposta polo abrente: a aposta pola independência e o socialismo.
- Novos e velhos paradigmas para o século XXI. Iñaki
Gil de San Vicente
De quando em quando, @s comunistas
devemos fazer um especial esforço de orientaçom prática e teórica. Ponhamos o
exemplo da tripulaçom do barco que no meio do temporal e entre recifes deve
fazer nesse momento um esforço de situaçom, quer dizer, de saber onde é que
está e aonde é que quer chegar. A tripulaçom nom quer deter a nave e necessita
conhecer a sua situaçom com mais exactitude do que outras vezes, quando o mar
está calmo e todo parece tranquilo. Qualquer marinheiro sabe que os temporais
som periodicamente inevitáveis e que é suicida nom preparar-se para superá-los;
qualquer marinheiro sabe que se embarcar acreditando que nom vai ter nengum
problema, e nom tomar as medidas necessárias, o mais provável é que, se deparar
com um tufom e no meio de um recife, afundará. Preparar-se com antecedência é
muito importante e nessa preparaçom é decisivo conhecer o melhor possível o
estado da sua nau e as suas qualidades náuticas porque, no meio da tempestade,
a confiança que produz tal conhecimento permite tomar decisons urgentes sem
medos nem temores que arrocham e paralisam a iniciativa.

As organizaçons revolucionárias, mais do que quaisquer outros colectivos humanos, som especialmente propensas para nom tomar essas precauçons e, sobretodo, para deixar-nos levar polos cantos de sereia que nos lança a imprensa e intelectualidade burguesas para, no meio da trevoada, fazer-nos acreditar nas suas promesas ou polo menos nas teorias de alguns dos seus intelectuais que nos oferecem o melhor dos mundos se abandonarmos o nosso objectivo e o nosso rumo e nos refugiarmos vencidos no seu porto. As razons da nossa indolência e despreocupaçom nesses mínimos requisitos, precisamente quando deveríamos ser nós os primeiros e melhores navegantes, som bons de compreender e debateremo-las noutro momento, porque o que nos interessa agora mesmo é aplicar e desenvolver a metáfora do marinheiro à nossa militáncia face o século XXI, que é do que se trata. Pois bem, nesse senso, o primeiro que cumpre perguntar-se é se o nosso buque, quer dizer, a corrente comunista que leva mais de século e meio a combater o capitalismo é a melhor nau, ou é a menos má, de aquelas de que podemos dispor. Nom é umha questom acessória, porque esse tem sido um debate estratégico desde antes inclusive de o comunismo aparecer como tal, oficialmente, em 1848.
Cometeríamos um erro muito
beneficioso para o capitalismo se tentássemos responder a esta pergunta segundo
o método burguês que reduz a história humana à história de indivíduos famosos.
Assim, este método trapaceia no debate entre capitalismo e comunismo ao
reduzi-lo ao debate entre a riqueza das burguesias norte-americana, europeia e
japonesa, como síntese de todo o humano, e “os erros de Marx”. Mas embora Marx
e Engels, e tantos outros e outras, sejam importantes no comunismo, este, como
movimento revolucionário que nasce das contradiçons objectivas do modo de
produçom capitalista, é mais do que esses indivíduos. De facto, Marx e Engels
nom poderiam ter desenvolvido a sua majestosa teoria, primeiro, sem a
experiência das massas oprimidas inclusive pré-capitalsitas; segundo, sem as
inovaçons teóricas dos economistas burgueses clássicos; terceiro, sem as
inovaçons teóricas dos políticos franceses; quarto, sem as inovaçons
filosóficas dos alemáns; e quinto, sem as inovaçons éticas dos socialistas
utópicos. @s comunistas, Marx e Engels os primeiros, nunca ocultárom as suas
dívidas intelectuais perante esses cinco blocos, e perante outros como as
luitas nacionais, as luitas feministas, as primeiras críticas ecologistas, os
avanços científicos da sua época, etc. Mais ainda, nom poupárom em reconhecer a
origem burguesa de muitas dessas inovaçons.
O mérito do comunismo, e em
especial de Marx mas também de muit@s revolucionári@s posteriores, é que soubo,
por um lado, sintetizar o essencial dessas achegas e, por outro, engarçar essa
síntese numha teoria da evoluçom humana –o materialismo histórico–
qualitativamente superior à que pudo elaborar a burguesia com todos os seus
instrumentos teóricos, universitários, intelectuais, etc. Para @ comunista o
materialismo histórico é como para o
marinheiro a ciência da navegaçom. Ambas demonstram-se na prática e os erros
cometidos obrigam-nos a melhorias e avanços. Comparando esta evoluçom com a das
teorias burguesas, a superioridade do materialismo histórico é inegável, ainda
que isto nom o exima da autocrítica permanente. Tem sido e é tam esmagadora a
superioridade que o capitalsimo, para freá-lo, só tivo o criminoso recurso da
brutalidade militar para derrotar o comunismo nalguns sítios, para abafá-lo
noutros e para atemorizar e alienar tanto as classes oprimidas que o resto dos
seus avanços tenhem sido sempre luitando contra a ameaça e a chantagem, quando
nom contra a repressom, a tortura e o assassinato. E é que, neste decisivo
asunto da prática humana, os resultados que validam ou negam as teorias
antagónicas nom se obtenhem após exaustivos exames neutrais realizados por
sisudos sábios, mas no campo de batalha das luitas de classes. A partir desta
constáncia histórica, que podem dizer contra o marxismo, contra o materialismo
histórico, as diferentes teorias sociológicas, económicas, filosóficas e éticas
burguesas que apenas se tenhem dedicado a defender os interesses das suas
classes dominantes, que som as que pagam os enormes salários dos seus
intelectuais?
Chegamos assim à segunda questom
importante, a de saber em que momento preciso do temporal é que nos achamos,
pois disto depende que decisons adoptemos. Se algo caracteriza actualmente o
pensamento burguês é a sua perplexidade, desconcerto e ignoráncia do que se
avizinha, e isso que os dados se acumulam e até a ONU, essa fiel legitimadora
do imperialismo, os envia a todos os governos. Se algo caracteriza o pensamento
comunista é a sua advertência de que se estám a esgotar os tempos para resolver
as crises actuais e a catástrofe global que se avizinha. Entre estes extremos,
crescem os sectores críticos que explícita ou implicitamente dam a razom ao
comunismo e em concreto a Marx, ainda que nom receiem assumir a coerência
prática da sua teoria. Lembremos que há umha década, quando ruiu a URSS, o
imperialismo se tinha por triunfador absoluto e definitivo. Hoje, por pôr umha
data, a economia ianque recua por umha crise já anunciada no essencial por O
Capital de Marx; pola sua parte, o Japom, a segunda economia do mundo, afunda
mais e mais após doze anos dumha crise imparável, e a Uniom Europeia nom
consegue em modo nengum chegar às taxas atingidas há trinta anos. E que nos dim
os burgueses do bluff da flamante “nova economia”? E só nos referimos à
situaçom económica do centro imperialista, falsa e mentirosa montra
propagandística para bajular alienados e incautos. A fame, as doenças, as mudanças
nas regularidades da natureza, a depauperaçom absoluta e relativa, nom som
independentes do capitalismo, acidentes fortuítos e azarosos ou castigos e
provas que nos mandam deuses crueis, senom efeitos da sua ferocidade egoísta.
O significativo é que, de umha
parte, o capitalismo tem vivido situaçons críticas similares ainda que menos
desenvolvidas em extensom, intensidade e interrelaçons sistémicas; de outra
parte, das crises de que saiu, porque nom saiu de todas, tem sido mediante
guerras, destruiçons massivas de forças produtivas e excedente social acumulado
e carregando sobre as costas da humanidade o sofrimento que isto todo gera e,
por último, que o comunismo já adiantara teoricamente esta constante do
capitalismo. Basta ler o Manifesto Comunista para comprovarmo-lo, e isso que
esta obrinha tem limitaçons lógicas e inevitáveis pola mocidade dos seus
autores e sobretodo porque em 1848 o capitalismo nom tinha desenvolvido ainda
todas as suas características essenciais, mas as anunciara. Trechos inteiros
deste genial e imprescindível livrinho som dumha espantosa actualidade e, desde
logo, fôrom com muito os melhores de todos os escritos naquela época. Desde
entom até agora, e inclusive podemos retroceder mais no tempo, o comunismo –como praxeologia revolucionária– sempre foi à frente de qualquer teoria
burguesa no estudo objectivo das contradiçons do modo de produçom capitalista.
E também marcou as grandes linhas de investigaçom do resto de estudos críticos
mas parciais e específicos do capitalismo. Semelhante capacidade de vanguarda
intelectual nasce do conteúdo do materialismo histórico como síntese dialéctica
dos melhores logros do pensamento humano.
Isto leva-nos à terceira questom
que queremos tratar, a da capacidade do comunismo para aprender e integrar no
seu corpo teórico outras inovaçons exteriores. Seria suicida, para continuarmos
com o exemplo do marinheiro, que este rejeitasse as ajudas de salvamento polo
simples facto de virem num barco de duplo casco e fibra de vidro, em vez de
umha desmanchada nau de ferro monovolume. A capacidade de sobrevivência de
qualquer cousa radica precisamente na sua flexibilidade adaptativa interior
frente às exigências exteriores e, nesse sentido, quando o comunismo ancilosou
e rejeitou umha das suas virtudes básicas
–estudar com fruiçom intelectual todo avanço teórico– começou a negar-se na sua mesma essência.
Esta é umha razom entre as várias que explicam o afundamento da URSS. Polo
contrário, o que caracterizou desde sempre os marxistas e em geral os revolucionários
tem sido a sua necessidade, desejo e prazer polo permanente estudo positivo e
integrador –dialéctico– de qualquer
avanço do conhecimento humano, bem como a permanente crítica implacável do
reaccionarismo intelectual. Note-se que falamos em necessidade, desejo e prazer
de e no estudo, quer dizer, para @ comunista o estudo nom é umha obriga
exterior, forçosa e até penosa, mas umha componente criativa inerente à sua
própria natureza. Na realidade, como se sabe, qualquer pessoa nom idiotizada
pola educaçom opressora sente umha similar necessidade, desejo e prazer polo
enriquecimento intelectual, artístico, etc; mas @ comunista, aliás, leva essa
característica nom alienada aos seus níveis mais altos de pensamento
integrador, global e sintético, o que lhe permite construir um pensamento
complexo e dialéctico dumha enorme riqueza mas, à vez, lhe exige umha
continuada alimentaçom intelectual desse pensamento.
Comparando esta capacidade
comunista, e de outros muitos criadores especializados em áreas particulares,
com a simploria especializaçom monotemática típica da burguesia, vemos que
aquela exige da liberdade e democracia socialista para crescer e expandir-se
enquanto esta, a burguesa, necessita da orde hierarquizadora, tecnocrática e
minoritária para impor o dogma capitalista. Face o século XXI, com os seus
formidáveis reptos de sobrervivência, este antagonismo entre a metodologia
comunista e burguesa serve para compreendermos a irredutibilidade dos dous
grandes e definitivos paradigmas. O primeiro, o comunista, formula que a
emancipaçom dos trabalhadores e trabalhadoras, e por extensom de todos os
oprimidos e da humanidade inteira, tem de ser obra dos trabalhadores mesmos ou
nom será, o qual supom que desde as mais nímias decisons sociais até os grandes
projectos planetários para entravar o desastre ecológico, passando pola
erradicaçom das doenças e a opçom por um outro modelo de vida, sem esquecer a
superaçom do poder tecnocientífico capitalista, isto todo ha de ser obra da
humanidade autoorganizada, proprietária colectiva das forças productivas e
reintegrada na natureza como mais umha parte desta. Porém, o paradigma burguês
que nos momentos críticos disciplina as múltiplas modas intelectuais e o
reformismo social-democrata, sustém que só a selecta elite monopolista pode
salvar a “civilizaçom”.
Estes som os dous grandes
paradigmas que no início do século XXI da cronologia ocidental se confrontam,
continuam confrontando-se, a morte. Tenhem componentes “velhas”, desde logo,
porque um como o outro nom duvidam em reclamarem-se das experiências muito
anteriores. A comunista, com orgulho, reivindica as mulheres, naçons e classes
oprimidas desde há mais de três mil anos. A burguesa, com ódio às masas,
reivindica as grandes contrarrevoluçons reaccionárias da história inteira.
Componente “velha” mas mais actual e viva do que nunca porque o permanente da
história humana desde que existe a exploraçom, dominaçom e opressom é a luita
entre um e outro bloco. À vez som “novos” porque, para luitar e triunfar,
tenhem que innovar, melhorar e alargar as suas forças. O comunista fai-no integrando dialecticamente
todos os avanços do conhecimento humano e tentando unir todas as luitas contra
todas as injustiças; e o burguês, melhorando e multiplicando as forças
repressivas e o sistema de exploraçom da força de trabalho. Presos entre ambos
extremos essenciais, as sucessivas modas e reformismos, abalam dum lado para
outro, ganhando força segundo os momentos mas extinguindo-se ao pouco e
defendendo o capitalismo nos momentos fulcrais como os partidos
social-democratas. Nom pode ser de outro modo porque se bem nos tempos de
relativa ou pouca luita ou repressom, estes projectos “alternativos” chegam a
ter audiência e seguidores, quando se polarizam os extremos e sai à tona a
importáncia do que está em questom –propriedade privada das forças produtivas,
apropriaçom burguesa do excedente colectivo, supeditaçom do ser humano à
máquina, ditadura do valor de troca, opressom de género e nacional, espólio
destrutor da natureza, etc–, entom, já neste nível de antagonismo
irreconciliáveis, essas posiçons intermédias desaparecem do cenário.
Portanto, para concluirmos,
enquanto perviver o modo de produçom capitalista, só existirám dous paradigmas
sociais decisórios em última instáncia, o comunista e o burguês. Nom existe
nengum dado histórico que permita pensar que umha “terceira via” vaia
suplantá-los e menos ainda sintetizá-los numha espécie de “nova alternativa”.
Todas as tentativas de consegui-lo fracassárom mais cedo do que tarde.
Iñaki Gil de San Vicente é
comunista basco membro da Rede Basca Vermelha
- Abrente
Editora: Livros para a construçom da Galiza livre
A esquerda independentista nom
conseguirá nengum dos objectivos estratégicos marcados se nom começar a
concretizá-los desde já, aproveitando as condiçons actuais e as possibilidades,
maiores ou menores, que se oferecem ao emergente movimento soberanista galego.

É dentro desta concepçom
sociopolítica do papel que deve jogar o nosso movimento na construçom nacional
da Galiza que Primeira Linha (MLN) decidiu impulsionar o seu próprio projecto
editorial, já no mesmo momento do seu surgimento como organizaçom comunista e
patriótica.
Um projecto editorial
independentista e com um perfil politicamente bem marcado, que caminha ao ritmo
que a própria fortaleza partidária permite em cada momento, mas que sem dúvida
está a preencher um espaço necessário nom só para a opçom política que
representamos, como para a própria pluralidade da oferta cultural nom
mediatizada pola lógica do lucro económico no nosso país.
Dentro das limitaçons económicas
próprias de qualquer projecto como o nosso, Abrente Editora pode orgulhar-se de
ter promovido nestes anos a publicaçom de alguns títulos importantes para o
público leitor em geral, e para a formaçom dos sectores mais implicados na
luita política de parámetros revolucionários em particular. As quatro colecçons
iniciadas –Biblioteca Galega de Marxismo-Leninismo, Internacional, Documentos e
Textos Políticos, e Construirmos Galiza– dérom a lume obras como o Manifesto
Comunista, os textos congressuais de Primeira Linha (MLN), ou a mais ambiciosa
publicaçom independentista até a altura –Para umha Galiza independente–, volume
de quase 500 páginas com grande quantidade de documentos, ensaios e informaçom
sobre a história do independentismo galego. A análise do contexto internacional
actual, a reflexom sobre as experiências históricas socialistas desenvolvidas
no último século, a situaçom actual do nosso idioma nacional, fôrom outros
temas tratados nas obras editadas por Abrente Editora até hoje.

O mais recente dos títulos
publicados é o segundo dentro da Biblioteca Galega de Marxismo-Leninismo;
trata-se da primeira ediçom galega das obras de Lenine O Estado e a Revoluçom e
Que fazer?, reunidas num só volume. Esta iniciativa trata de dar continuidade
ao labor empreendido por Abrente Editora, empenhada em ofertar aos sectores
mais progressistas da nossa sociedade as obras clássicas do marxismo. Neste
caso, trata-se provavelmente das duas obras fundamentais de Vladímir Ilich
Uliánov, de leitura inescusável para tod@ militante revolucionári@, como via de
conhecimento directo da teoria leninista do Estado e da construçom do partido
comunista.
A boa acolhida que os títulos até
agora publicados recebêrom do público galego animam-nos a incrementar os
recursos dedicados à publicaçom de novas obras de interesse para o avanço do
projecto sociopolítico que defendemos. Vários títulos estám já em preparaçom,
polo que esperamos que os próximos meses continuem a incrementar a biblioteca
independentista e revolucionária das galegas e os galegos.
