25 anos de farsa democrática espanhola
O debate do "Estado
da Autonomia" deste ano coincidiu com o vigéssimo quinto aniversário
da aprovaçom da Constituiçom espanhola com que o capital pretendeu
impor o actual regime como prolongaçom e apêndice do fascismo,
e com o primeiro do início da crise nacional provocada polo afundamento
do Prestige. As três forças políticas com presença
no parlamentinho do Hórreo, aparentando absoluta "normalidade
democrática", representárom um guiom de sobras conhecido.
Reclamaçom ou satisfaçom por mais ou menos competências;
críticas superficiais à gestom do autoritarismo fraguiano; comedidas
denúncias das incumpridas falsas promesas do Plan Galicia, do estado
actual da costa e da crise dos sectores produtivos ligados directa e indirectamente
com o mar; discursos vácuos, educados, carregados de cortesia parlamentar,
mas completamente arredados da realidade social, laboral, cultural, dos problemas
reais da maioria deste país.
O diagnóstico
e a implacável denúncia das causas estruturais da grave situaçom
em que se acham as classes trabalhadoras galegas estivo ausente mais um ano.
A dependência nacional que padece a Galiza por parte do projecto imperialista
espanhol, a necessidade de exercer o direito democrático de autodeterminaçom,
a democracia vigiada e em paulatino retrocesso, nom existírom para
@s deputad@s.
O PP recuperado
da crise de legitimidade provocada polo movimento de massas, articulado à
volta do Prestige e contra a intervençom imperialista no Iraque, graças
à direcçom pactista imposta polo autonomismo; o PSOE afortalado
polo oportunismo da sua hipócrita participaçom nesse movimento
social; e o BNG mais preocupado pola reconfiguraçom da correlaçom
interna de forças das suas elites e por demonstrar ser um aluno avantajado
na defesa crítica, mas defesa a fim de contas, do regime vigente que
por defender os interesses populares; encenárom umha farsa que os meios
de comunicaçom da burguesia apresentárom como a mostra mais
elaborada de umha sociedade democrática e pluralista alicerçada
nesse totem denominado pax social.
Tam só
a esquerda independentista estivo presente no espaço natural da luita
da classe operária e dos sectores populares, na rua, reclamando autodeterminaçom
e democracia para a Galiza, e portanto padecendo a violência sistémica
dum regime corrupto e mafioso. Tam só o MLNG voltou a expor a única
alternativa viável e realista para superar o caos do presente: dotar-nos
de um Estado próprio ao serviço d@s trabalhadoras/es. Eis a
radiografia sintética da actual situaçom da luita de libertaçom
nacional e social de género na Galiza.
Porque nunca
nos cansaremos de dizer que nom é viável transformar o sistema
desde dentro; que nom é possível mudanças substanciais
da ordem social vigente mediante reformas graduais. Após vinte e cinco
anos de farsa democrática espanhola somente a luita organizada do povo
trabalhador evitará mais recuos nas condiçons de vida, um maior
deterioramento dos serviços públicos, o incremento do desemprego,
da eventualidade laboral, da sobre-exploraçom das mulheres e da mocidade,
da destruiçom planificada do idioma e a cultura galega, do avanço
do fascismo.
Autoorganizaçom, autogestom, autodeterminaçom e autodefesa som
os eixos sobre os quais devemos seguir construindo o projecto revolucionário
galego.
Mas enquanto as corruptas elites do BNG se beneficiam das migalhas que lhes concede Espanha e o capital pola sua disciplinada obediência, o projecto espanhol continua a sua deriva fascista incrementando a sobre-exploraçom das naçons que oprime, da classe trabalhadora, e das mulheres, como fórmula para poder sair da crise económica e de legitimidade em que se acha. Enquanto os "debates" do autonomismo giram entre as duas faces da mesma moeda, sem divergências políticas e ideológicas, o grande capital, tal como solicitou há umhas semanas a Aznar José Maria Cuevas, -o patrom dos empresários espanhóis-, opta pola via fascsita, para continuar recortando direitos laborais e sociais, para continuar empobrecendo às massas, para continuar incrementando os gastos em armamento e a reforçar as intervençons militares imperialistas tuteladas polo amo ianque.
A resistência guerrilheira no Iraque e no Afeganistám, a revolta popular na Bolívia, o incremento das luitas dos povos pola liberdade e a justiça social em todo o planeta, constatam que o imperialismo, que o capitalismo nom é invencível. Nas ruas de Bagdad, nas montanhas da Colômbia, na Palestina massacrada, nas fábricas, nos bairros, nos campos e nos centros de ensino de meio mundo, cresce a resistência popular e fracassa a via reformista. Hoje, igual que em qualquer outra época da história humana, só há umha alternativa para atingir paz, igualdade, liberdade: luitar até vencer.
Para comemorarmos
o número trinta do Abrente, este exemplar tem mais páginas e
mais colaboraçons das habituais. A publicaçom decana da imprensa
da esquerda independentista congratula-se de continuar interrompidamente mais
de oito anos informando das luitas do povo trabalhdor galego, mas sobretodo
de contribuir para construir a imprescindível e insubstituível
corrente comunista no seio do MLNG.