Ibarretxe é apenas um impostor

Boltxe, Revista comunista basca

O Partido Nacionalista Basco é um partido complexo, sem qualquer dúvida. Presume de partido centenário, mas em Euskal Herria notou-se a sua ausência durante a longa noite de pedra, o tempo da Ditadura. Traidores em Santoña, negociárom a sua rendiçom às tropas italianas, contribuindo para erguer as pontes derrubadas pola resistência republicana cántabra, facilitando o tránsito dos tanques e camions mussolinianos; o objectivo italiano era tomar Santander. É pouco conhecida a história real da direita nacional-regionalista basca, o seu potente aparelho de propaganda tem impedido que se conheçam os pormenores das suas incontáveis e inconfessáveis intrigas e traiçons, marcadas por umha kafkiana relaçom amor/ódio com a direita imperialista espanhola e mesmo com o fascismo.

A sua última actuaçom assenta na vergonhosa posiçom perante a Constituiçom Imperialista espanhola, herdeira da decisom do carniceiro de Ferrol. Talvez seja pouco conhecida fora de Euskal Herria a actuaçom política de Xabier Arzalluz, o homem forte jelkide durante os últimos vinte e cinco anos; a sua intençom de votar favoravelmente a proposta consitucionalista, sendo evitado este facto in extremis pola rebeliom do Bizkai Buru Batzar, com umha executiva no Território Histórico de Biscaia encabeçada na altura por um independentista confessamente adscrito às posiçons mais conhecidas como sabinianas e secundada a mesma por todos os integrantes da época.

A decisom foi traumática e marcou a divisom entre o grupo parlamentar do PNB e o próprio partido. O recurso a Salomom solventou a controvérsia ao menos de modo aparente: nem NOM à Constituiçom monarco-franquista nem SIM à mesma. Umha outra questom foi a prática. Começou por ser descabeçada a Executiva Bizkaitarra, com expulsons. As oligarquias do PNB exigírom umha posiçom leal aos poderes fácticos políticos, mediáticos, económicos e umha clara vassalagem ao poder militar, netamente golpista. A resistência basca, entretanto, continuou o seu caminho arrementendo com força contra esses mesmos poderes fácticos, contra as suas pessoas e os seus bens.

E o PNB foi-se situando na nova situaçom. Frente única antiabertzale com as forças franquistas e os renegados social-democratas do PSOE, ao qual aderiu de maneira entusiasta o revisionismo carrilhista, esse morto vivente ao qual de maneira curiosa ainda há quem se refere através das siglas PCE. Os actores assumírom o seu papel com absoluta dedicaçom e lealdade. Começou um processo de travestismo político sensacional, republicanos convertidos através de umha simples papeleta em monárquicos, comunistas de confissom e comunhom, eurocomunistas que oferecêrom os seus favores e habilidades para todo aquilo que a Monarquia e os Poderes Fácticos precisassem. Começou a gestar-se a grande vigarice.

A esquerda Abertzale chamou à Abstençom e ao NOM

A posiçom da ETA Militar (ETA (m) foi de abstençom activa, enquanto os polimilis optárom polo NOM. A soma de abstençons desenvolvidas polos milis e o próprio PNB (resmungando), deu como resultado a derrota estratégica do constitucionalismo franquismo reformado em Hego Euskal Herria, começou a gestar-se aqui a maior das tragédias políticas contemporáneas para o Madrid imperial e caciquista desde a II Carlistada, já que a traiçom do PNB em Santoña evitou que a resistência basca jogasse um papel importante na guerra de frentes.

O vácuo produzido pola traiçom e a fugida jelkides foi largamente coberto mais tarde pola renovada Resistência Basca, com umha actividade armada de muito alto nível, desenvolvida por milis, poli-milis e comandos autónomos. ETA militar mantivo a sua posiçom política de coerência abstencionista em chave de rejeitamento, enquanto o PNB protagonizou umha indubitável marcha atrás, acatando a legislaçom neofranquista emanda do pacto entre reformistas e o regime franquista, apesar da sua abstençom exprimida.

O bando republicano e os nacionalismos periféricos burgueses ratificárom assim no terreno político a derrota militar sofrida por republicanos, nacionalistas, socialistas e anarquistas, o que Franco nom deu feito; a desapariçom da resistência; figérom-no possível os dirigentes ansiosos de poder e prebendas, algo que só o regime franquista podia oferecer. Começou a segunda parte da tragédia, o segundo crime contra as centenas de milhares de assassinados por parte dos militares, falangistas e requetés. Os dirigentes traidores da esquerda e o pseudonacionalismo enganárom um povo que quijo ganhar a guerra ao fascismo, e os herdeiros dos mesmos intrigantes que enviárom ao matadoiro a gente de que valeram durante três anos, repetírom a seqüência.

Milicianas e milicianos entregues à barbárie fascista antes e agora, definitivamente assassinados com aleivosia no terreno político, entre outros, com a cumplicidade do Euskadi Buru Batzar -algo que a esquerda Abertzale nunca aceitou. Nom se permitiu este segundo crime, o político, por umha esquerda tam conseqüentemente abertzale como antifascista. Posteriormente, umha parte dos polimilis atravessou para a outra margem, embora bom número de militantes peemes passárom a reunificar a ETA: nem milis nem polimilis, só ETA. À margem ficárom os Bandrés, Onaindia, Aulestia, Uriarte, Garayalde… a sucata do mundo peeme. Do NOM ao SIM, da luita armada de carácter político-militar à soldada monárquica, ao puro papel mercenário. Acabárom no lixo, onde jazem perfeitamente.

E agora, o Plano!

O PNB vê que o seu amigo, Aznar, definido por Arzalluz e o EBB como "o melhor amigo dos bascos", acabou com as ilusons de desenvolvimento estatutário; é a volta ao franquismo maquilhado por vezes, ou ao léu outras; a mesma percepçom tenhem os mais modestos EA e IU. Isto nom dá para mais, assim que a Executiva do PNB analisou a situaçom, vendo que também a Europa em que tanto confiárom PNB e EA lhes virou as cosas, a Constituiçom Europeia sacrifica as burguesias periféricas no altar dos interesses multinacionais e estas procuram desesperadamente um lugar ao sol dos novos repartos. Daí o jelkidismo ter recorrido à prestidigitaçom para aliciar o eleitorado abertzale na altura em que foi eleita a mais espanhola das executivas possíveis, presidida por elementos antinacionalistas confessos como Imaz, Urkullu, Zenarruzabeitia, Atutxa ou o próprio Ibarretxe. O próprio Egibar viu fulminantemente truncada a sua até agora meteórica carreira política a maos das "gorduras" políticas do PNB. O Plano tenta que os bascos nos sintamos à vontade em Espanha, questom esta em que as bases abertzales nom temos nem o mais remoto interesse.

Deixou escrito Sabino Arana que "sem o partido carlista, a independência difícil, com o partido carlista, impossível". Emulando Arana, o historiador José maria Lorenzo Espinosa no seu excelente documento-livro "A Renúncia Nacional do PNB" sentenciou que sem o PNB, a Independência difícil, com o PNB, impossível. Acreditade, amigas e amigos, nom dediquedes um só segundo do vosso valioso tempo ao estudo do inexistente Plano Ibarretxe, é apenas umha tentativa desesperada de roubar espaço eleitoral a umha esquerda abertzale que vive, combate e desenvolve cada dia a sua política, apesar do Estado de Excepçom em que sumírom o Sul e Norte de Euskal Herria. É um plano sem perspectivas, do qual nom adianta falarmos desde o momento em que se recusam a apresentar umha listagem única abertzale cujos resultados podam ser lidos em chave de referendo frente o imperialismo fascista espanhol ou francês.

Aconteceu antes com as conversaçons de Xiberta (Iparralde). A direita basca acudiu em solitário às primeiras eleiçons da monarquia com o ánimo declarado de acabar com o resto de forças abertzales e, nestes dias, o espanholaço e intoxicador Josu Jon Imaz ratificou a posiçom do seu partido exprimida em Xiberta há vinte e cinco anos, anunciando que continuarám polo mesmo caminho. Vinte e cinco anos de Estatuto da Moncloa tenhem proporcionado os elementos de análise suficientes para saber de que é que estamos a falar.

Pedimos às leitoras e leitores de Abrente e a Primeira Linha marcharmos juntas e juntos contra a Ditadura Monárquico-Franquista. Nom contedes com Ibarretxe e os seus para esta tarefa, estarám do outro lado. A luita continua, nem vencidos nem rendidos. Independência e Socialismo para os nossos povos. E as vanguardas, à tarefa!

 

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