Do Plano Ibarretxe ao drama da direita vascongada

Joseba Izaga "Kanito"

O Partido Nacionalista Basco pretende com o plano Ibarretxe tirar mais um coelho da cartola. Os dados económicos jogam contra os seus tempos de esplendor. A burguesia basca vê com grande preocupaçom como a oligarquia espanholista que na altura representou um Neguri cada dia mais decadente é substituída no seu papel até agora preponderante por outros grupos financeiros mais leais e menos hesitantes com Madrid que a finiquitada direcçom do BBVA. Para ninguém é um segredo que o ostracismo a que tenhem sido condenados os velhos dinossauros do Banco Bilbao Vizcaya, Ibarra e Oriol supujo um golpe terminal ao controlo desta entidade financeira por parte de um sector centrista demais em relaçom à guerra fratricida que desenvolvem a oligarquia basco-espanholista de Neguri e o aparelho de Estado, definido claramente por um antibasquismo militante. De facto, Aznar nom perdoou a linha dubitativa do máximo expoente mediático do BBV em relaçom às eleiçons autonómicas do 13-M. O nacional-imperialismo espanhol exigiu a guerra total face a direita basca e os mass media (absolutamente poderosos em Biscaia e Guipúscoa) nom respondêrom adequadamente às exigências mesetárias. A debacle constitucionalista foi palpável e Mayor Oreja colheitou o seu penúltimo fracasso na política basca, algo que Aznar e os poderes fácticos nem esquecem nem perdoam.

A política económica espanhola a respeito de Hego Euskal Herria é diáfana. Nengum investimento de relevo, o novo franquismo continua a considerar como em 1936 figeram a Biscaia e Guipúscoa como "províncias traidoras". Obviamente, tal traiçom di respeito à resistência nacional basca ao fascismo antes e ao novo falangismo que o PPSOE representa na actualidade, e o seu efeito material consiste em desviar as ajudas europeias dos Fundos de Coesom para Madrid fundamentalmente. Assim, a "villa y corte" tem recebido 35,05% dos mencionados fundos, junto da Catalunha, enquanto as Astúrias, as Canárias, Cantábria, as duas castelas, Valência, a Extremadura, a Galiza, Múrcia, Ceuta e Melilha recebêrom 43,85% dos fundos totais, sendo exorbitante a diferença de populaçom entre Madrid e a Catalunha e os 58,95% do resto de naçons e regions estatais aludidas. Eloqüentes dados. A oligarquia espanhola decidiu centralizar todo o poder económico directamente em Madrid; como pormenor ilustrativo, podemos observar a posta à venda da sede de Iberdrola em Bilbau, o PP-PSOE tentam que as empresas multinacionais tributem em Madrid. E frente a este ataque estratégico em toda a regra, o PNB, representante genuíno dos interesses oligárquicos nacional-regionalistas quase nem dá balbuciado algumha reclamaçom. Igual acontece com as chamadas férias fiscais ofertadas polas deputaçons dos territórios históricos a umha boa listagem de multinacionais, que agora ameaçam com levarem as suas empresas à Ásia ou à Latino-América se as representaçons sindicais das suas empresas nom admitirem sérias e decimonónicas restriçons em matéria de jornada e soldo respectivamente.

O PNB navega à deriva, mas nom o governo Ibarretxe. Este Executivo fai parte da ala extrema do liberalismo económico mais brutal e do pragmatismo espanholizante mais irrisório. As suas campanhas políticas tenhem como objecto exclusivamente obter o placet de Madrid ao modo e maneira do negro dócil dos romances antirracistas norte-americanos. Ibarretxe nom é mais do que o pobre Tio Tom face a insolência facciosa espanhola. Antes fijo este denigrante papel Xabier Arzalluz e agora é Josu Jon Imaz o caceteiro vocacional da nova conjuntura.

O PP segue o carreiro traçado polo PSOE de González, dar prioridade à finaceirizaçom face o capital industrial. Especulaçom enfrentada a produçom, com a conseguinte sangria que vem supor na drástica reduçom de mao de obra. Mas, nisto, também coincide o PNB. De facto, saltou à arena multinacional da mao de MCC Corporaçom, expoente do imperialismo de terceira fila vascongado, mas extremamente perigoso para qualquer deriva soberanista que o PNB pudesse ter pretendido desenvolver. Nom perdamos de vista o fim da carreira política do defim de Arzalluz, o defenestrado Joseba Egibar. A deriva ultraliberal impom-se na direita basca e isso supom um sério trauma para algum dos sectores que tradicionalmente tenhem sustentado a hegemonia do PNB. Saiu à tona a recuperaçom da unidade de acçom entre as centrais sindicais maioritárias bascas, LAB-ELA, com o fim de responder de maneira contundente à entente Governo Vascongado-Confebask (Confederaçom Empresarial Vascongada), UGT-CCOO.

O secretário geral de ELA queixa-se publicametne do absoluto desprezo a que a sua formaçom (ultrapassa os 100.000 filiados e filiadas) se vê submetida polo gabinete ultraliberal que chefiam Ibarretxe e Zenarruzabeitia. Mas isso é o que há, mais do que as fantasias manejadas por ELA possivelmente partilhadas também por Aralar.

A gestom do gabinete Ibarretxe é brutalmente liberal, caracterizada polo mais atroz nepotismo e as cunhas nas empresas públicas procedentes da privatizaçom crescente dos serviços públicos, em matéria de gestom de pessoal este governo nom deu levado avante umha só Oferta Pública de Emprego sem que a mesma se tivesse visto atingida por um sem-fim de recursos judiciários e entre os seus planos a acçom sindical sobra definitivamente, valorizando como muito o indignante servilismo do novo sindicalismo vertical e amarelo que representam UGT-CCOO.

O PP rege-se polo princípio de nom dar nem água às burguesias periféricas e o PNB-EA vem com preocupaçom que o seu lugar central na deslegitimaçom da esquerda abertzale já nom lhes é necessário. Mais ainda ao verificar que o confronto no Parlamento vascongado que Socialista Abertzaleak desenvolve com o Estado fascista espanhol nom se resolve nos parámetros em que a oligarquia madrilena, as baronias do PSOE, (Bono, Ibarra…) exigem para exasperaçom destes novos sectores cujas posiçons anda perto de aquelas inscritas nos princípios do movimento fascista.

A direita basca caminha para um beco sem saída e correm boatos insistentes de que da mesma Casa Real se tem urgido o PSOE para evitar o choque de comboios que pretende o PP perante o temor que a Espanha da reforma nom tenha umha outra alternativa que voltar a enfrentar-se com os seus velhos demónios de pistoleirismo policial e militar contra as vanguardas democráticas que exigem abertamente o fim da opressom nacional e a restituiçom de outras formas de governo distintas da imposta polo herdeiro imposto polo carniceiro de Ferrol. Provavelmente, os capítulos mais duros estám por chegar, a deriva militarista do subimperialismo espanhol nom agoira nada de bom para a juventude e a sociedade civil, cada exculpaçom das responsabilidades criminosas dos corpos e forças de "segurança" da oligarquia, as FOP, Ertzaintza, Exército ou o flamante Centro Nacional de Inteligência -CNI-.

Observamos a desvirtuaçom mais atroz da profissom jornalística, convertida já em mero elemento de propaganda ao serviço dos interesses das empersas editoras, ligadas todas elas aos interesses económicos concretos do grande capital.

E ante isto, a posiçom marxista basca nom difere um ápice de aquelas que devem desenvolver-se em qualquer parte do Estado ou do Mundo. Fazemos nossa a acertada reflexom de pensar globalmente e agir localmente. E a primeira exigência do marxismo revolucionário basco, corrente de que Blotxe indubitavelmente reivindica fazer parte, nom é outra que denunciar inflexivelmente a farsa eleitoralista da direita regionalista representada polo PNB, mas também por EA, alertando de jeito claro de que por tras da palavrada do PNB apenas existe umha desesperada tentativa da burguesia nacionalitária basca (nom abertzale, atençom!) para recuperar o diálogo com o Estado e os poderes fácticos de maos dadas com um PSOE que nas Vascongadas começa a olhar timidamente para o catalanismo calculado do PSC após a delirante direçom exercida por aquele pobre idiota que foi Nicolás Redondo Terreros. Patxi López, novo secretário geral, começa a suavizar o tom anti PNB, particularmente a seguir do triunfo de Imaz e a defenestraçom de Arzalluz e Egibar.

O problema estriba-se na extrema voracidade do PP e na existência de umha ala fascista dentro do PSOE, encabeçada por Maite Pagazaurtundua, Gotzone Mora, Savater ou Calleja entre muitos outros. Socialmente, Ibarretxe nom oferta mais que ultraliberalismo e nacionalmente a aposta estratégica do Lehendakari e a sua presidência é a procura imediata de um acordo com o PSOE que permita prescindir de EA e IU-EB. Os marxistas e os marxistas bascos, entretanto, continuamos em frente com o compromisso de estabelecermos as conculcadas liberdades democráticas em Hego Euskal Herria e em fazermos parte desse imparável movimento que leva Euskal Herria à reunificaçom territorial, a Independência e o Socialismo apesar de Ibarretxe e o PNB.

 

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