Maurício Castro encabeça a nova Direcçom Nacional
REALIZADA III ASSEMBLEIA NACIONAL DE NÓS-UP

 

A 2 e 3 de Julho tivo lugar em Ferrol a III Assembleia Nacional de NÓS-UP, de carácter ordinário, culminando assim o processo de debate iniciado em Fevereiro.

Após o discurso de abertura a cargo do Responsável Comarcal de Trasancos, Carlos Garcia Seoane, foi aprovado o Informe de Gestom elaborado pola Direcçom Nacional e defendido por Bruno Lopes Teixeiro.

A principal característica desta cita assemblear foi o continuísmo em relaçom com os acordos e orientaçons adoptadas na anterior Assembleia Nacional celebrada na Corunha, assim como na aquitectura organizativa aprovada na Assembleia Nacional Constituinte realizada em Junho de 2001 em Compostela.

Os Estatutos e modelo organizativo aprovados na ANC nom fôrom debatidos, perante a ausência de qualquer emenda que assim o reclamasse, e a Tese Ideológica aprovada na Corunha foi revalidada por por 61% da filiaçom congregada.

A imensa maioria do corpo militante organizado na Unidade Popular rejeitou novamente as erróneas propostas tendentes a reduzir o conflito sócio-político galego a umha contradiçom principal, a do "nacionalismo galego-espanholismo", ratificando o inequívoco carácter de esquerda do projecto unitário, plural e de massas que representa NÓS-UP. "No nosso país a opressom de classe e a opresssom patriarcal dam-se através da opressom nacional, da negaçom da Galiza como umha naçom com direitos próprios, ao tempo que a opressom nacional é sinónimo da exploraçom capitalista das classes trabalhadoras e da opressom machista sobre as mulheres. Por tanto o correcto nom é definir a existência de três opressons diferenciadas senom dunha única, triplemente acrescentada, que denominamos opressom nacional e social de género que só pode ser superada se é entendida como um todo ao que há que enfrentar-se num processo revolucionáio de longo alcance".

Novamente foi desconsiderada a subordinaçom de umha opressom a outra, reafirmando-se a relaçom interdialéctica existente entre opressom nacional, opressom de classe e opressom de género, a interdependência entre as três opressons. É inviável analisar e conhecer em profundidade a nossa luita de libertaçom nacional desconsiderando a específica opressom que padece mais de metade da populaçom: as mulheres, e negando, ocultando ou infravalorizando o carácter de classe dos objectivos do nosso independentismo. A nova esquerda independentista reafirmou o carácter eminentemente materialista da luita de libertaçom nacional e social de género, negando todo o tipo de formulaçons milenaristas alicerçadas no imaginário da saudade, anacrónicos discursos enxebristas, enquadrados na idealizaçom ruralista do passado.

Nova Tese Política

A mais importante novidade da III Assembleia Nacional foi a aprovaçom da nova Tese Política que analisa as principais mudanças sócio-políticas experimentadas no período interassemblear, com destaque para a susbtituiçom do PP polo PSOE no Governo espanhol após a derrota eleitoral do aznarismo de 14 de Março, e as principais conseqüências negativas derivadas desta conjuntura: desmobilizaçom e refluxo do movimento de massas desenvolvido na Galiza entre 2001 e 2003.

A Assembleia Nacional de NÓS-UP acordou seguir desenvolvendo o espaço autodeterminista como tarefa prioritária nos vindouros dous anos, e também ratificou a posiçom mantida a respeito do fraudulento debate e acordos sobre as reformas estatutárias e da Constituiçom espanhola que venhem ensaiando as burguesias periféricas e a oligarquia, com o apoio das diversas variantes do reformismo autonomista.

Um dos debates mais importantes desenvolvidos na Tese Política estivo ligado à relaçom e caracterizaçom que a esquerda independentista realiza do BNG e das suas entidades satélites, o que denominamos autonomismo. Umha maioria da filiaçom, superior aos 68%, ratificou a imperiosa necessidade de seguir traçando umha clara e inequívoca demarcaçom com a claudicante linha do nacionalismo maioritário, optando por manter inalterável a crítica radical e implacável, sem concessons, ao que significa o reformismo autonomista, como cúmplice activo ou passivo da preocupante situaçom na que se acha a consciência nacional, e na desmobilizaçom de amplos sectores operários e populares. O BNG participa e promove acordos estratégicos em todos os ámbitos em que gere instituiçons ou em que tem representaçom institucional. A sua iminente entrada no Governo autonómico nom vai supor umha mudança de linha, mas sim vai aprofundar e agudizar as políticas entreguistas e legitimadoras do regime postfranquista.

A III Assembleia Nacional, frente a confusionistas e incoerentes propostas, negou entregar salvoconduto ao BNG, nengum cheque em branco, pois isso tam só provocaria situar o MLNG como um satélite radicalizado do autonomismo, convertendo-o numha sucursal.

A caracterizaçom do fraguismo e da sua futura crise, que com toda o probabilidade se acelerará após a perda das Eleiçons autonómicas, também fijo parte das análises assembleares.

Outro dos principais debates e acordos estivo vinculado a diagnosticar e definir a actual morfologia e tendências da sociedade galega, que foi caracterizada como de "transiçom", exprimindo "as características do desenvolvimento desigual e combinado promovido polo capitalismo", acordando que "a classe obreira é a base sobre a qual NÓS-UP e o conjunto do MLNG tem que centrar a sua atençom e propostas sócio-políticas".

As principais novidades

Além do reconhecimento de BRIGA como umha nova entidade do MLNG, as duas principais novidades desta Assembleia, o que podemos definir como os pratos estrela, fôrom por um lado a adopçom dumha posiçom contrária ao modelo de acumulaçom capitalista europeu, ou seja, manifestamente oposta à Uniom Europeia. "Para a Galiza, assim como para as naçons sem Estado, a classe trabalhadora e as mulheres de todo o território sob o controlo da UE, os réditos tirados do processo de construçom europeia tenhem nom sido já nulos senom que mesmo este tem significado umha depauperaçom das suas condiçons de existência. No caso dos povos carentes de soberania efectiva, a UE nom significa outra cousa que mais um entrave para a sobrevivência". Acrescentando que "Denunciamos isso que se chama europeismo como umha forma de chauvinismo ampliado, umha versom actualizada e melhorada do tradicional racismo europeu",.

E por outro lado, umha actualizaçom dos direitos lingüísticos galegos. A III Assembleia Nacional marcou os objectivos concretos da militáncia independentista nos diferentes ámbitos em que se desenvolve destacando que "é o independentismo que mais tem acreditado e defendido o espalhamento social do reintegracionisimo, levando-o às mobilizaçons operárias, aos muros, às fábricas, às plataformas sociais em que participa, ao ponto de já ninguém poder dizer que o galego reintegrado nom funciona ou seja rejeitado por um povo que "nom o entende". Os preconceitos históricos em torno do reintegracionismo tenhem demonstrado ser só iso: preconceitos. De resto, tem sido a esquerda independentista a principal força que mantivo e mantém a reivindicaçom do "monolingüismo social", entendido como necessidade de fazer do gaelgo a única língua nacional e oficial numha Galiza soberana, frente à decadência bilingüista do nacionalismo autonomista, cada vez mais penetrado por quadros, liberad@s, militantes e quotizantes espanholfalantes". Mas o máximo órgao de decisom da Unidade Popular nom só traçou linhas de trabalho externas nesta matéria, e realizando um juízo crítico das fraquezas, também definiu os mais importantes reptos a nível interno no que denomina "militáncia integral pola língua", pois "nom serve sermos monolíngües e reintegracionistas "só políticos". Se bem é certo que no nosso movimento nom se detectam deserçons lingüísticas como essas cada vez mais abundantes no nacionalismo de vocaçom autonomista, sim existem companheiros e companheiras que limitam o uso do modelo de correcçom reintegracionista que defendemos, limitando-o a qualquer cousa como umha "gíria política", usando, por própria autocensura, um galego isolacionsita na sua vida particular ou laboral".

Linhas de intervençom para o período 2005-2007

Som treze os eixos de intervençom prioritários nos que a Unidade Popular acordou centrar esforços e emprestar mais atençom nos vindouros dous anos:

-Impulsionar a actividade no ámbito local e comarcal, verdadeiro instrumento para promover o projecto do MLNG e demonstrar sobre a acçom teórico-prática a utilidade da esquerda independentista como instrumento defensivo das classes populares.

-Lograr um trabalho estável entre o movimento obreiro mediante o sindicalismo tradicional ou bem impulsionando comissons e assembleias de trabalhadores/as.

-Seguir articulando o espaço autodeterminista mediante as diversas estruturas actualmente existentes.

-Manter e alargar a unidade de acçom com o conjunto da esquerda independentista e todas as entidades de caracter autodeterminista e socialista.

-Manter e estabilizar espaços comuns de trabalho e luita com todas aquelas organizaçons que coincidam na necessária resistência a todas as formas de dominaçom e opressom consubstanciais ao capitalismo globalizado e na luita contra o fascismo e o imperialismo.

-Participar nas existentes ou promover organizaçons feministas com discurso nacional e de classe.

-Denunciar a espanholizaçom do país e impulsionar a defesa da língua e cultura nacional da óptica reintegracionista.

-Seguir avançando e madurecendo política, ideológica e organizativamente para catalisarmos face o espaço da esquerda independentista esse sector social politica e eleitoralmente orfo.

-Mediante umha intervençom basicamente política, devemos ganhar referencialidade e confiança entre os segmentos sociais da esquerda nacional insatisfeitos com a forças políticas institucionais.

-Seguir promovendo centros sociais que de parámetros nacionais e de esquerda contribuam para a construçom nacional da Galiza, a defesa do idioma e cultura nacional da óptica reintegracionista, e ao incremento da consciência de classe entre o povo trabalhador.

-Participar em todas aquelas luitas populares que questionarem o modelo de desenvolvimento esbanjador do capitalismo.

-Denunciar todas as formas de repressom, restriçom das liberdades e direitos, controlo social, e militarizaçom.

-Intervir na denúncia e combate de todas as formas de contaminaçom, e na defesa ecológica da Galiza e do conjunto do planeta.

O conjunto da Tese política foi ratificada com o apoio de 69% da III Assembleia Nacional.

Nova direcçom e acto de encerramento

Encabeçada por Maurício Castro, foi eleita umha nova direcçom paritária conformada por quinze companheiras e companheiros, que conjugam a experiência de direcçons anteriores com a necessária renovaçom representativa das novas geraçons de jovens que se vam organizando no MLNG. Esta equipa de coordenaçom, dinamizaçom e direcçom da Unidade Popular será reforçada com @s Responsáveis Comarcais, mais a Responsável Nacional da Mulher.

Após a leitura das resoluçons aprovadas, perante as delegaçons convidadas de ADEGA, AGAL, AGIR, AMC, BRIGA, Local Social A Revira e do nosso Partido, Maurício Castro encerrou a II Assembleia Nacional destacando que "sendo imprescindível, nom chega com contarmos com um programa e um funcionamento orgánico democrático, disciplinado e bem orientado. Cumpre também agirmos como independentistas, como galegos e galegas conscientes, e participarmos em todo o momento como tais na realidade das luitas mais imediatas que se desenvolvem em torno de cada um e cada umha de nós, levando a essas luitas a bandeira da nossa prática lingüística, da condena à discriminaçom de género, da defesa dos valores da esquerda e de um profundo patriotismo galego.

Som eles, os fascistas, os espanholistas, os inimigos da igualdade na diferença, os patrons, os polícias, os integristas católicos e agressores machistas e homofobos de variado pelame, que nos últimos tempos tentam tomar as ruas como no franquismo; som todos eles quem devem ver razons para se ocultarem a olhos de um povo que é o nosso povo. Quando assumirmos e praticarmos suficientemente esta verdade, teremos avançado mais um passo no caminho de naturalizar e estender o projecto libertador que representamos".


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