A mulher no
movimento estudantil e juvenil galego actual
Berta Lôpez Permui

Exporei a seguir a minha visom sobre qual é a situaçom da mulher em AGIR, organizaçom do estudantado da esquerda independentista, baseando-me nas minhas vivências pessoais e nas minhas experiências como miltante desta organizaçom.
Mas para que todas e todos podamos achegar-nos um pouco mais do tema que tenho pensado abordar, cumpriria fazer umha breve analise da situaçom da mulher galega numha faixa de idade que abrange dos 15 aos 25 anos, aproximadamente a que atinge à miltancia das organizaçons estudantis e juvenis.
Antes de nada, devo pedir desculpa por ter que me cingir só aos dados referidos à CAG, e nom ao conjunto do País, mas é muito difícil obter dados que nos permitam fazer umha análise nacional correcta.
Análise
da sociedade juvenil galega
Começarei falando da mulher no ensino nestes últimos anos. É
evidente a evoluçom que se pruduziu quanto a número de mulheres
escolarizadas; ainda que na Galiza fiquem ainda umhas 1900 mulheres analfabetas,
esta situaçom nom afecta, evidentemente ao sector juvenil da populaçom
feminina galega, entre outras cousas pola obrigatoriedade do ensino primário
e secundário. Referindo-nos ao ensino actual, temos de ter em conta
a queda demográfica que estamos a sofrer na Galiza, bem como o envelhecimento
da populaçom; as taxas de escolarizaçom femininas ultrapassam,
no ensino nom universitário, as taxas masculinas, estando matriculadas
quase 100% da populaçom feminina dentre 15 e 17 anos tanto no ESO e
Bacharelatos quanto em Ciclos de Formaçom Profissional. Além
disto, é maior também o número de mulheres que nom acumulam
atrasos e superam sem dificuldades os estudos do Ensino nom universitário.
Um exemplo é que no ano 2000 ultrapassárom o ESO aos 14 anos 51,5% dos nenos matriculados frente a 70, 2 % de mulheres.
Mas estes dados, que parecem esperançadores, mostram a sua face mais preta de reproduçom social e delatam a opressom do capitalismo sobre a mulher quando chegamos a cursos superiores, em que as mulheres tenhem que decidir sobre o seu futuro. Os dados falam por si mesmos e, centrando-nos na LOGSE, vemos que só 6,8% das alunas matriculadas escolhem a Rama Tecnológica face a 34,5% dos alunos matriculados, e porém continuam sendo superiores as percentagens femininas quando falamos de Humanidades ou Ciências Naturais e da Saúde.
Portanto temos que continuar a falar de distribuiçom de roles de género e transmissom de valores diferenciados no sistema educativo, por mais que tentem vender-nos umha mudança substancial no ensino com as reformas educativas, através da coeducaçom e igualdade de oportunidades.
Esta situaçom continua ao chegarmos ao ensino universitário, onde as mulheres ultrapassam os 50% do total de matriculadas e matriculados nas três universidades galegas, estando a USC na cabeça com 63,5% de mulheres matriculadas sobre o total no ano lectivo passado, e com certeza continua também a distribuiçom de carreiras por géneros tendo a maior percentagem de matriculadas carreiras como magistério, enfermagem ou trabalho social (carreiras historicamente destinadas às mulheres) e a menor percentagem em carreiras técnicas.
Esta situaçom do ensino nom se afasta muito do mundo laboral, já que continuamos a ser as mulheres, e mais as mulheres novas, as que estamos à cabeça nas taxas de desemprego, estando em situaçom de desemprego 34, 5% das mulheres dentre 16 e 19 anos face a 26,3% de homens, e 33% de desempregadas dentre 20-24 anos frente a 16,3% de homens. Além disto, os postos de trabalho ocupados maioritariamente por mulheres som os de dependentas, caixeiras, administrativas,... caracterizados pola sua eventualidade, precariedade, exploraçom, imposiçom de estereótipos...
Quanto ao tema da sexualidade, que nom devemos obviar, e mais a estas idades, nom há muitos avanços, nom contamos ainda com umha educaçom sexual plena e sem tabus tanto na educaçom escolar quanto noutros ámbitos da sociedade;, os serviços socias preenchem muito precariamente as necessidades das jovens quanto a assistência, informaçom e sobretodo à possibilidade de aborto.
(Dados publicados polo Conselho social e económico da CAG)
Caracterizaçom
das organizaçons estudantis juvenis galegas
Ao falarmos de organizaçons formadas polo sector de populaçom
analisado anteriormente, nom devemos obviar todos os dados oferecidos, pois
as organizaçons juvenis-estudantis nom deixam de ser um reflexo da
sociedade em que desenvolvemos a nossa actividade.
Também teremos em conta a educaçom que as mulheres recebemos durante o nosso período de formaçom e socializaçom, nom só o que atinge ao ámbito escolar, senom também ao contorno familiar e círculos de amizades, onde se nos transmitem umha série de atitudes e valores que repercutem no terreno da participaçom activa na política em termos de carácter, agressividade ou conformismo.
Isto reflecte-se no aspecto quantitativo no que di respeito à militáncia política dentro destas organizaçons. Às mulheres custa-nos mais decidir-nos a passar à militáncia activa na política, por causas jà citadas.
Aliás, polos dados que vimos anteriormente, as mulheres dedicam mais tempo aos seus estudos, polo que som mais reticentes a ceder parte desse tempo à militáncia, quer por pressons externas, quer por pressons próprias, exigimos muito mais a nós próprias em todas as actividades que desenvolvemos, talvez por vivermos numha sociedade muito competitiva, na qual estamos em clara desvantagem.
A isto há que acrescentar que, para militar numha organizaçom destas características, tanto juvenil quanto estudantil, além do trabalho interno de militáncia, tem-se que realizar um trabalho, ainda muito mais custoso, que consiste en converter-se em referente no contorno em que desenvolvemos a actividade política. Se já é dificil para nós enfrentar e tentarmos melhorar situaçons quotidianas e socialmente aceites, muito mais difícil resulta afrontar situaçons mais controvertidas e que quase sempre suponhem um choque com o considerado normal.
Todos estes factores
influem muito directamente nom só em que umha mulher dê o passo
para auto-organizar-se, ainda que a sua linha ideológica coincida de
cheio com a da organizaçom, senom também na própria militáncia
das mulheres já organizadas.
AGIR
Em AGIR, tentamos aplicar a estratégia que nós consideramos
correcta para tenta paliar todos estes aspectos que dificultam a militáncia
das mulheres. Um passo da nossa estratégia é a discriminaçom
positiva. Com esta, tentamos potencializar as qualidades militantes das mulheres
da Organizaçom que por carácter, pola educaçom que recebemos
e pola repercussom da opressom do sistema capitalista na nossa actividade,
nom mostraríamos, por medo ou simplesmente por falta de autoestima.
Portanto, nós evitamos a imagem da mulher como umha posse, quer dizer, evitamos que a discriminaçom positiva seja um puro formalismo, e que a mulher que participa dumha tarefa que sempre é desempenhada por homens, o faga activamente.
O facto de militar numha organizaçom revolucionária exige muitas atitudes que para nós é muito mais difícil mostrar, além da repressom, acrescentada à nossa própria, do sistema capitalista e do Estado espanhol, também temos outros factores que nos influem negativamente, como pode ser a família, o grupo de amigos e, o que é mais freqüente neste tipo de organizaçons, que os referenciais som, na imensa maioria das ocasions, homens.
Ser mulher e militante na política implica um maior esforço para atingir as metas que nos propomos na nossa militáncia, de umha parte pola necessidade de ultrapassar as balizas que o sistema capitalista nos pom de cara à sociedade em geral, por umha diferença de género, balizas que se podem observar desde que nos dim que a política nom é para mulheres até o simples facto do medo cénico à hora de ser cara pública.
De outro lado, a militáncia dificulta-se também dentro da própria organizaçom, onde é preciso fazer um duplo esforço para demonstrar as tuas qualidades de militante, para ser referente e escuitada em igual condiçons que outros companheiros da Organizaçom. Este facto é muito mais comum entre homens militantes do que entre as mulheres, quer dizer, um novo militante que entra a organizaçom, na grande maioria das vezes, busca antes como referente um militante do que umha militante, tendo que se ser a actividade da mulher para manter-se e promocionar na organizaçom substancialmente maior do que a de qualquer homem da organizaçom.
Outro problema acrescentado é que a própria dinámica da organizaçom levou a umha distribuiçom de tarefas por géneros, que graças a um trabalho diário de conscientizaçom, quer das mulheres, quer dos homens, estamos conseguindo ultrapassar, tentando atingir o equilíbrio necessário para a igualdade no reparto de tarefas, entre as mais e menos valorizadas entre a militáncia.
Por último um problema muito menos visível, acha-se numha falsa emancipaçom, muit@s militantes, homens na sua maioria, que consideram que nom tenhem atitudes discriminatórias com as mulheres da organizaçom, ou polo menos que tenhem o tema da discriminaçom muito superado, dificultando deste jeito poder corrigir infinidade de acçons discriminatórias imperceptíveis pola sua normalizaçom e interiorizaçom, que podem minar a actividade política de qualquer mulher militante.
Com o nosso trabalho diário, e com a nossa preocupaçom por corrigirmo-nos, levamos muito caminho andado, e somos conscientes de que nos resta muito por andar, quiçá o mais difícil, por ser o mais imperceptível.
Intervençom
de Berta Lôpez Permui a 8 de Maio de 2003 nas VII Jornadas Independentistas
Galegas celebradas em Compostela.