Algumhas reflexons sobre o sindicalismo realmente necessário

Berta Lopes Permui

Nada mais longe do objectivo deste artigo que diagnosticar com mágicas soluçons os múltiplos reptos e problemas do complexo mundo sindical desta Galiza de início de século. Unicamente trataremos apresentar algumhas reflexons que, sem serem novidosas, podem servir de guia, sempre parcial, para umha intervençom sindical transformadora e combativa, que traga soluçons aos limites que hoje se detectam arredor do sindicalismo nacional e de classe real, isto é, a Confederaçom Intersindical Galega.

A coerência demonstrada com a tradiçom histórica do sindicalismo galego, evitando ter assinado qualquer pacto ou acordo social com o Estado ou os representantes da burguesia, debuxando assim umha clara linha divisória entre umha prática sindical conseqüente com os interesses da classe operária e o submetimento e domesticaçom ao Capital do sindicalismo amarelo espanhol, da UGT e CCOO; o desenvolvimento organizativo e espectacular crescimento da filiaçom, ou o papel protagonista numha parte importante dos conflitos laborais, pequenos e grandes, presentes na Galiza de Norte a Sul, nom deve servir de álibi para discursos triunfalistas que ocultem os défices internos em democracia, pluralismo e na orientaçom da central. Nom só cumpre diagnosticar sobre estes problemas visíveis no dia-a-dia; é necessário adoptar medidas para a superaçom dos mesmos, pois do contrário porám em risco o actual avanço da CIG e desfigurarám ainda mais o primigénio projecto sindical comprometido com a soberania nacional e o combate ao capitalismo.

Cinco mudanças necessárias 

1-O crescimento organizativo do sindicato tem sido acompanhado por um cada vez mais abafante processo de institucionalizaçom e burocratizaçom, em que, passeninhamente, a filiaçom, basicamente @ trabalhador/a comprometido com o projecto, foi cedendo espaço à figura d@ liberad@ e d@ delegad@ em horas sindicais, que suplanta a participaçom do conjunto da classe organizada na central por assalariad@s do sindicato.

Obviamente entendemos que umha estrutura da magnitude que hoje atingiu a CIG seria inviável sem a existência de companheir@s dedicad@s em exclusiva às tarefas, muitas vezes ingratas, do trabalho sindical, e que é preciso aproveitar as vantagens de contar com centenas de delegad@s para fortalecer e possibilitar mobilizaçons e as mais diversas iniciativas. Isto é evidente. O que questionamos é a ausência, ao lado d@s liberad@s e delegad@s, de filiaçom militante, de homens e mulheres comprometid@s na luita polos interesses da nossa classe para além dos particulares e legítimas reivindicaçons concretas do seu posto de trabalho. Por parte da direcçom do sindicato, nom se promove a implicaçom do conjunto da filiaçom, apostando erroneamente em susbtituir a participaçom directa da filiaçom na orientaçom e tarefas da central sindical pola rede de liberad@s que, por sua vez, se apoiam basicamente sobre @s delegad@s, dominando em muitos casos até extremos abafantes os órgaos de direcçom. Isto provoca enormes défices democráticos, ao substituir a participaçom da classe operária pola burocracia e, simultanemanete, dificulta elevar o nível de consciência de milhares de trabalhadores e trabalhadoras cuja ligaçom com a CIG se circunscreve a pagarem umha quota, receberem o jornal e participarem esporadicamente em algumha mobilizaçom ou acto, quando som requerid@s. Isto, em parte, explica a baixa participaçom da filiaçom nas mobilizaçons sindicais de carácter mais “político”, como o 10 de Março ou o 1º de Maio, onde mesmo nem acode um considerável sector de liberad@s e, muito menos, de delegad@s. A classe trabalhadora organizada na CIG tem que ser a espinhal dorsal do projecto, nom pode ser susbtituída por uma mastodôntica rede de liberad@s, muit@s dos quais nem procedem do mundo do Trabalho.

2-Se na década de 70 foi principalmente a juventude operáriaquem pujo as bases do projecto no que hoje participamos, actualmente constatamos as enormes dificuldades para incorporar mocidade ao trabalho sindical. Som diversas as causas deste fenómeno, mas umha delas é determinante. A incorporaçom maciça de juventude ao mercado laboral está intimamente ligada à precarizaçom e eventualidade das relaçons contratuais que dificultam a sua vez reproduzir o modelo sindical tradicional. A CIG, independentemente das dificuldades objectivas que supóm intervir entre um segmento com tam baixa consciência de classe e muito influido por condutas alienantes, segue sem investir os esforços e energias necessárias para organizar à juventude operária no sindicato, como tampouco promove no seu interior a necessária renovaçom de estruturas promovendo quadros sindicais e responsabilidades entre a juventude actualmente enquadrada no seu seio.

3-Algo semelhante acontece no referente às dificuldades para que as trabalhadoras assumamos responsabilidades no interior da central. O número de companheiras que a dia de hoje fai parte da direcçom do sindicato é claramente inferior aos 38% de mulheres filiadas actualmente na CIG. Para nom falarmos de sectores produtivos em que a composiçom de género é basicamente feminina, como o têxtil ou a conserva. As sucessivas reformas operadas na estrutura organizativa para regular a presença da mulher nos organismos, assim como espaços para a auto-organizaçom feminina, tenhem demonstrado ser claramente insuficientes.

4-A pluralidade ideológica recolhida nos Estatutos é um princípio que nom passa na maioria dos casos de pura retórica. A central sindical continua a manter umha estreita ligaçom de dependência com o autonomismo, agindo em funçom dos interesses políticos eleitoriais e institucionais do BNG/UPG. O comunicado da Executiva sobre as eleiçons municipais do passado 27 de Maio é mais do que eloqüente: “Da CIG, fazemos um apelo a todos os trabalhadores e trabalhadoras galegas a que nom esqueçam, na hora de votarem, que o seu voto tem muito valor, que nom todas as forças políticas defendem os seus interesses, que os galegos e galegas temos que apoiar e dar o nosso voto às forças políticas nacionalistas de esquerdas, a aqueles que levam anos das instituiçons e das organizaçons sociais luitando pola melhoria das condiçons de vida e de trabalho dos galegos/as e por instaurar no nosso País umha democracia real. Com o nosso voto aos concelhos podemos contribuir para que a presença que hoje tem o nacionalismo nos Concelhos, no Parlamento Galego ou na Junta de Galiza, se veja consolidada e fortalecida, no caminho de fazer do nacionalismo um movimento social e político maioritário na sociedade galega”.

A actual situaçom que se vive no seio do autonomismo, com um importante contingente de quadros do sindicato recentemente cindidos da UPG, tem provocado umha certa relaxaçom no submetimento do projecto sindical aos interesses do BNG, mas a lógica interna assente em décadas de perseguiçom da dissidência independentista provoca um atmosfera de censura.

Pouco vale manter em determinados conflitos laborais umha posiçom coerente na defesa dos interesses d@s trabalhadoras/es, denunciando as práticas anti-obreiras das administraçons –municipais ou autonómicas– da chamada “mudança”, se em período eleitoral continuarmos a pedir o voto neles ou permitirmos que convertam manifestaçons do sindicato em obscenos actos eleitoralistas. O secretário-geral da central mantém atitudes que negam a pluralidade política e ideológica da central, agindo de forma partidista, mais como militante da UPG que como representante oficial do sindicato.

A esquerda independentista e socialista continua a ter enormes dificuldades para agir no interior da central. Continua a estar vetada, continua a padecer censura nos meios de comunicaçom do sindicato até o paroxismo, quando é ocultadaa sua presença nas mobilizaçons e acçons sindicais. Como exmplo, podemos referir como, nos últimos meses, o web da CIG tem censurado reportagens fotográficas em que eram visíveis as faixas de NÓS-UP e BRIGA, substituindo-as polas das juventudes do autonomismo.

Algo semelhante acontece na hora de ser exercida, no uso escrito da nossa língua, a liberdade normativa que os Estatutos vigorantes estabelecem.

5-Finalmente –estas cinco reflexons em voz alta de umha realidade que cumpre mudar– a CIG nom insiste suficientemente na mobilizaçom operária, para converter a classe trabalhadora no referente e sujeito indiscutível da transformaçom social. Essa dependência táctica e estratégica com os interesses do BNG impossibilita que a CIG poda converter-se num pólo real de luita e movimentaçom social em prol da soberania nacional e contra as receitas do neoliberalismo. A sua coerente posiçom a favor do direito de autodeterminaçom e contra as reformas laborais está limitada pola submissom à lógica do centrismo regionalista. No debate estatutário ou na reforma laboral impulsionada polo PSOE, a CIG só mantivo umha tímida oposiçom retórica, desaproveitando as oportunidades de sair à rua e movimentar.

A CIG tem que fazer da emancipaçom de classe a centralidade do seu discurso perante ambigüidades que dificultam continuar a avançar. A classe trabalhadora organizada na CIG nom “trabalhamos para fazerpaís” tal como se intitula a história em imagens da central nos primeiros quinquénio deste século, luitamos contra o Capital, por umha Galiza ceive sem exploraçom.

Berta Lopes Permui é membro da Executiva Comarcal da CIG-Saúde de Ferrol

 

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