O comunismo, meta da humanidade

O período compreendido entre a queda do Muro de Berlim, em 8 de Novembro de 1989, e a dissoluçom da Uniom Soviética, anunciada a noite de natal de 1991, marcou um ponto de inflexom na permanente ofensiva ideológica do capital contra o mundo do trabalho, provocando umha comoçom no conjunto das organizaçons revolucionárias, na esquerda mundial, de que o nosso país nom foi umha excepçom. A criminalizaçom do marxismo polos apologetas do capital contribuiu para que movimentos políticos progressistas, como o nacionalismo galego, aproveitassem essa desfavorável conjuntura subjectiva para acelerar a sua evoluçom face posiçons centristas. Em poucas semanas, as diversas expressons do falsa consciência necessária, desde a diversas correntes social-democratas até a direita mais reaccionária, pugérom em movimento umha das maiores campanhas ideológicas contra o pensamento e a teoria libertadora traçada por Marx e Engels, desde que o proletariado russo realizara a Revoluçom Socialista de 1917. A interessada identificaçom da derrota da URSS com o fracasso do marxismo, a popularizaçom da anti-materialista teoria do fim da história, fôrom habilmente aproveitadas pola reacçom para assestar novos golpes à classe trabalhadora e aos povos do mundo.

O desconcerto e desilusom emanada deste "derrota" subjectiva provocou umha profunda recomposiçom da esquerda, que em múltiplas estruturas de classes tivo como conseqüência a sua claudicaçom e plena integraçom no sistema político burguês. O estigma da era após-soviética agudizou a descomposiçom ideológica e política dos velhos partidos comunistas que ou optárom por imprimir umha refundaçom dos dogmas mantendo umha formal oposiçom ao capitalismo, ou maioritariamente se inclinárom pola reconversom acelerada abraçando entusiasticamente as teses do livre mercado, e abandonando umha simbologia molesta.
A criminalizaçom de uns regimes que incorrectamente se identificavam com o Comunismo provocou umha profunda convulsom no seio do movimento operário e popular em todo o globo. Há agora umha década assistíamos à difusom e interiorizaçom por amplíssimos sectores da esquerda do falaz axioma sustentado em identificar fracasso do comunismo com a derrota da URRS. Nada mais longe da realidade. Embora no desigual processo histórico da luita organizada contra o capital encetado com a publicaçom do Manifesto Comunista em 1848 até a actualidade, assistíssemos ao fracasso de diversas experiências socialistas (socialismo utópico em 1871, socialismo da II Internacional em 1914, socialismo eurocomunista a meados da década de oitenta do século XX, socialismo soviético ou estalinista em 1991), nom podemos compartilhar a identificaçom destas quatro evidentes derrotas com o fracasso do marxismo.

Desde a Comuna de Paris até a capitulaçom de Berlinguer, Marchais e Carrillo, ou seja, do eurocomunismo italiano, francês e espanhol, a superaçom das crises e posterior recuperaçom da teoria e prática revolucionária tem sido um fenómeno constante. A queda do socialismo soviético nom é umha excepçom. A mais de umha década do seu fracasso constatamos como os amargos dias da derrota proclamada aos quatro ventos polo conjunto dos aparelhos propagandísticos da burguesia e do bloco de classes dominantes mundial, ainda latentes no período de constituiçom de Primeira Linha a meados da década de noventa, embora assistamos a um violento recrudescer da ofensiva involucionista do imperialismo após o ataque militar contra os centros de poder financeiro e militar dos USA, tenhem sido parcialmente superados com o desenvolvimento de novas vagas de luita, com a incorporaçom de novas geraçons de militantes, com a constituiçom e reorganizaçom de novas forças revolucionárias, em que os movimentos de libertaçom nacional e o fenómeno do movimento antiglobalizaçom som os seus principais expoentes.

Comunismo ou caos
Em Dezembro de 1998, no I Congresso do Partido afirmavamos que o "Comunismo constitui-se como a única alternativa para o século XXI: a única possibilidade de que a humanidade, no seu conjunto, progresse e melhore. A única possibilidade efectiva de fazer frente à indignidade, à opressom e à injustiça". Posteriormente, em Março de 2000, nas IV Jornadas Independentistas Galegas realizadas sob a legenda Comunismo ou Caos, afirmávamos que "a regeneraçom teórica, política e moral da esquerda, a capacidade de combate e direcçom do proletariado mundial, a superaçom de experiências que em nome do Socialismo promovêrom o dirigismo, autoritarismo, imperialismo e todo aquilo que nega o seu autêntico carácter libertador, som as premissas imprescindíveis para que o Comunismo seja a alternativa ao caos capitalista".
A experiência fracassada do socialismo soviético é para @s comunistas galeg@s um modelo antagónico com o socialismo com que nos identificamos e que, portanto, nom queremos que se repita nem na Galiza, nem em nengumha outra latitude geográfica. Sabemos que tipo de socialismo nom queremos, sabemos que o capitalismo fracassou estrepitosamente como sistema incapaz de satisfazer nem sequer as mínimas necessidades da gente, que está conduzindo o conjunto da populaçom do globo face a absoluta miséria, dor e morte, e que também está pondo em perigo a própria continuidade do planeta por mor da sua ilimitada agressom ao meio natural. Sabemos que o comunismo é a única esperança, a única alternativa séria e viável para salvar o planeta e atingir a felicidade, fartura e paz entre os seres humanos.

Hoje, igual que desde a implantaçom da propriedade privada e o patriarcado, é legítimo exercermos o direito à rebeliom, é necessário sairmos à rua a defender os direitos democráticos e as conquistas laborais, é mister construir força social a favor dos direitos nacionais conculcados por Espanha.
Mas qualquer reforma do capitalismo de parámetros de esquerda é umha falácia, umha fraude aos sectores populares. Só poderemos defender as conquistas com a luita organizada, com a mobilizaçom social, mas sem ligá-la a umha alternativa global e estratégica, a comunista, tam só continuaremos prolongando o sofrimento e a exploraçom da imensa maioria da humanidade por uns poucos.

O III Congresso de Primeira Linha, seguindo os clássicos do marxismo, mas também a teoria revolucionária emanada da aprendizagem concreta das experiências de mais de século e meio de processos revolucionários sob os parámetros do materialismo histórico, bem como da nossa própria experiência particular na estrutura de classes sobre a que agimos, Galiza, consideramos fundamental que o original e genuíno socialismo que temos que construir na Galiza, como fase transitória e consciente face o Comunismo, siga os seguintes princípios:

1- Um socialismo que sintetize no seu seio a destruiçom da dominaçom patriarcal, que desde o primeiro dia questione sem matizes nem ambigüidades, que combata sem trégua, o poder dos homens sobre a mulheres.

2- Um socialismo respeitoso com a natureza, que submeta qualquer desenvolvimento económico, à defesa da bioesfera, dos recursos naturais, dos ecossistemas. Portanto, um socialismo antagónico com o consumismo e o falaz conceito burguês de felicidade baseado na propriedade privada e na riqueza material.

3- Um socialismo que desenvolva a verdadeira democracia e a plena liberdade individual e colectiva. Um socialismo pluralista, assemblear, conselhista e horizontalista, articulado e enraizado no pleno poder de um povo organizado numha rede associetária sem qualquer limite e/ou espartilho, emancipado de qualquer controlo ou tutelagem do Estado operário.

4- Um socialismo que desde o primeiro dia sente as bases para a plena aboliçom da propriedade privada dos meios de produçom, para a aboliçom do dinheiro, a nacionalizaçom e socializaçom de todas as forças produtivas. Um socialismo que erradique a exploraçom do salário mediante a aboliçom da lei do valor.

5- Um socialismo que após destruir e expulsar o exército da burguesia espanhola e todos os seus aparelhos coercitivos -militares, policiais, judiciais, administrativos- entregue a defesa das conquistas operárias e populares, a defesa da independência nacional, às massas organizadas, renunciando a dotar-se de qualquer estrutura profissionalizada, depositando o sistema defensivo no povo em armas, numha estrutura voluntária que combine de forma criativa a defesa popular e os métodos de resistência e desobediência civil.

6- Um socialismo que estimule e fomente a criatividade humana, a livre relaçom entre as pessoas e os povos do mundo, a ilimitada dimensom dos sentimentos, a sensibilidade e o amor entre os seres humanos, entre estes e o conjunto da natureza. Um socialismo que caminhe face a construçom de novos seres humanos, desprovistos de todos os vícios e defeitos de séculos de capitalismo, de milhares de anos de propriedade privada e patriarcado. Um socialismo cumha nova vivencialidade psicofísica e sexual.

7- Um socialismo com visom global, solidário com as luitas de todos @s trabalhadores/as e povos do mundo. Um socialismo que sem deixar de ser independentista seja nitidamente internacionalista, pois é inviável construir umha sociedade nova num mundo velho. Nom pode construir-se o socialismo na Galiza sem apoios internacionais, com todos os povos do nosso contorno geográfico sob a opressom do capital. O nosso internacionalismo baseia-se na universalidade do mundo, na pertença a umha mesma espécie, a humana, a umha mesma classe, independentemente da cor, da língua e cultura a que pertençamos.
Na Galiza, @s comunistas somos independentistas, mas em qualquer outra estrutura social sem opressom nacional seríamos exclusivamente comunistas. Para nós ser comunistas é estar em luita permanente contra qualquer forma de exploraçom, opressom e/ou dominaçom, independentemente da sua origem.

 

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