Recuperando a memória da Galiza rebelde e combativa

Nos últimos anos, umha série de vigorosas iniciativas está contribuindo para resgatar a necessária recuperaçom da memória história da luita antifascista.

A resistência obreira e nacional contra o franquismo, os atropelamentos e crimes do regime, fôrom conscientemente ocultados nos vergonhosos acordos dessa fraude política denominada "Transiçom", entre o sector liberal do franquismo, a esquerda reformista e as burguesias nacionalistas basca e catalá. Esse pacto de silêncio condenou ao ostracismo dezenas de milhares de luitadores, ocultou o sofrimento e dor das vítimas e das suas famílias, tapou sob a lousa do esquecimento os/as milhares de galeg@s assasinad@s entre 1936 e 1975 polo novo Estado emanado do levantamento militar de 18 de Julho.

A pluralidade das iniciativas é simultánea à ofensiva revisionista que a extrema-direita espanhola está a realizar no campo da historiografia. Um feixe de pseudohistoriadores, -algum dos quais passou de teórico do maoísmo armado a legitimador do franquismo-, justifica, com base na mais burda manipulaçom documental e tergiversaçom dos acontecimentos, a "legitimidade" do levantamento militar contra a II República, e o papel instigador e activo apoiante da burguesia e a Igreja católica.

Perante esta ofensiva ideológica do fascismo, a imensa maioria da esquerda age cumha passividade temerária. Porém, nom podemos calar, nem olhar para outro lado. Nom podemos ficar à margem, é necessário fazermos frente a tanta ignomínia, a tanta infámia, a tanta intoxicaçom.

É tarefa e responsabilidade da esquerda independentista e do conjunto da esquerda soberanista, basicamente da corrente marxista revolucionária, recuperar na sua justa medida o que estava a acontecer na Galiza dos anos trinta, as causas do levantamento militar, as razons do fracasso da resistência, dar a conhecer, com nomes e apelidos, os responsáveis de ter convertido o nosso país num laborátório de repressom e do terror indiscriminado.

Embora desde os anos oitenta do século passado o nacionalismo institucional tenha dado atençom à recuperaçom parcial da etapa mais importante da nossa história contemporánea, sem a quel hoje nom poderiamos compreender na sua justa medida o presente, estas iniciativas tenhem-se caracterizado maioritariamente por serem sesgadas, ao sobrevalorizarem o galeguismo e infradimensionar as correntes da esquerda proletária e anticapitalista.

Cumpre, pois, resgatar o ronsel de organizaçons, iniciativas, factos históricos, processos de luita, batalhas políticas e sindicais, reivindicaçons, episódios combativos, mas também as figuras mais relevantes da Galiza dos anos trinta, da resistência ao fascismo, da guerrilha, do exílio, nas suas diversas expressons.

A recuperaçom da memória histórica antifascista nom é para legitimar o presente. A actual monarquia espanhola é a pedra angular do continuísmo franquista, da sobrevivência dos privilégios e opressons do capitalismo, de que Franco só foi seu fiel guardiám. Há que recuperar o nosso passado colectivo para entendermos o presente, para intervirmos no presente, nom para voltarmos a reproduzir falsas saídas em nome de hipócritas reconciliaçons.

É necessário realizar um acto nacional de desagravo, de profunda natureza popular, a tod@s @s que padecêrom o fascismo, honrar a memória d@s torturad@s, fusilad@s, exilad@s, d@s que perdêrom quase todo, inclusive a sua vida, por defenderem essa Galiza pola qual setenta anos depois nós continuamos a luitar.

 

Voltar a Abrente nº 38

Voltar à página principal

 

 

orthopedic pain management