Cuba: as suas luitas e o seu presente

Alejandro Fuentes

O primeiro de Janeiro de 1959, depois de umha feroz luita, triunfou a Revoluçom Cubana. O nosso povo derrotava assim umha das mais sangrentas ditaduras da América Latina,que oprimia e ensombreciao nosso céu com o apoio do governo norte-americano. Durante 7 anos, o solo cubano tingiu-se do sangue heróico de muitos dos seus filhos. A ditadura torturou, desapareceu e assassinou luitadores pola liberdade e a justiça social.

A conjugaçom da luita armada, principalmente nas montanhas do oriente do país, com a abnegada e valente resistência nas cidades, umha direcçom revolucionária da luita, encabeçada por Fidel Castro, e o apoio de amplas camadas da populaçom fôrom determinantes na consecuçom da vitória.

Na autodefesa de Fidel Castro no julgamento polos acontecimentos de Moncada, conhecida como A História me absolverá, Fidel deixou sentado o conceito que tinha de povo, quando dixo::

“Nós consideramos povo, se de luita se trata, os seiscientos mil cubanos que estám sem trabalho, desejando ganhar o pam honradamente sem terem que emigrar da sua pátria à procura dele; os quinhentos mil operários do campo que habitam em choupanas miseráveis, que trabalham quatro meses por ano sustento e passam fame o tempo restante, a compartilharem com os filhos a miséria, que nom tenhem um ferrado de terra para sementar e vivem umha existência que deveria inspirar mais compaixom se nom houvesse tantos coraçons de pedra; os quatrocentos mil operários industriais e jornaleiros, aos quais fôrom roubadas as quotizaçons que lhes dariam direito ao retiro e que lhes estám a ser arrebatadas as suas conquistas…, aos cem mil pequenos labregos, que vivem e morrem trabalhando umha terra que nom é deles… até morrerem sem chegarem a possui-la, que tenhem que pagar como servos feudais com umha parte dos seus produtos… que nom podemmelhorá-la nem enfeitá-la, nem plantar um cedro porque ignoram o dia em que virá um oficial de justiça com a guarda rural para lhes dizer que tenhem que ir embora; aos trinta mil mestres e professores tam abnegados, sacrificados e necessários para que as futuras generaçons tenham um melhor destino e que som tam maltratados e mal pagos; aos vinte mil pequenos comerciantes carregados de dívidas, arruinados pola crise e destruídos por umha praga de funcionários-públicos ladrons e corruptos; aos diez mil profissionais jovens: médicos, engenheiros, advogados, veterinários, pedagogos, dentistas, farmacêuticos, jornalistas, pintores, escultores, etc., que saem ds escolas com as suas habilitaçons, com vontade de luita e cheios de esperança, para depararem com um beco sem saída, fechadas todas as portas… Esse é o povo, o que sofre todas as coitas e é, portanto, capaz de luitar com toda a coragem!”.

E acrescentava: “O problema da terra, o problema da industrializaçom, o problema da habitaçom, o problema do desemprego, o problema da educaçom, o problema da saúde do povo; eis, concretizados, os seis pontos, para cuja soluçom, junto à conquista das liberdades públicas e a democracia política, estariam encaminhados resolutamente todos os nossos esforços!”.

De imediato, a Revoluçom começou a tomar medidas para resolver esses problemas prementes do povo, e de imediato surgiu a oposiçom irada do imperialismo norte-americano.

A promulgaçom da Lei de Reforma Agrária, a baixada do preço dos alugueres, a nacionalizaçom das empresas estrangeiras que se opunham às medidas revolucionárias, muitas das quais tratárom de fazer fracassar a Revoluçom; a campanha de alfabetizaçom; a luita por melhorar a saúde da populaçom; a procura de soluçons para conseguir un trabalho para todos os cubanos, e muitas outras medidas aplicou a Revoluçom na procura da justiça social.

A revoluçomcumpriu já 48 anos, que fôrom de constante combate, contornando perigos e dificuldades, enfrentando medidasirracionais e un bloqueio permanente da principal potência mundial.

Desde o início mesmo do nosso processo revolucionário, nos Estados Unidosgestárom-se, organizárom-se e executárom-se múltiplas acçons contra Cuba, que provocárom à volta de 3.500 cidadaos cubanos mortos e 2.100 incapacitados total ou parcialmente.Nestes anos, as acçons terroristas causárom mais de 54 mil milhons de dólares de perdas em recursos de toda a classe.

46 centrais açucareiras fôrom objecto de ataques terroristas; 249 embarcaçons pesqueiras fôrom atacadas a tiro, destruídas ou seqüestradas em direcçom ao território dos Estados Unidos; 36 navios mercantes cubanos ou estrangeiros fôrom alvo de acçons armadas; 78 avions civis fôrom atingidos por agressons, destruídos, sofrêrom tentativas de seqüestro ou acabárom em território dos Estados Unidos. O mais conhecido é a sabotagem ao avióm de Cubana de Aviación em que perdêrom a vida 73 cidadaos de Cuba, Coreia e Guiana, cujo autor, Luis Posada Carriles, está em liberdade graças ao apoio querecebeu do governo norte-americano, que se recusa a julgá-lo ou a deportá-lo para que seja julgado.

A sabotagem ao vapor francês La Coubre, em Março de 1960, que trasladou armas e muniçons de Bélgica a Cuba para defender a Revoluçom, a criaçom de bandos armados nas montanhas cubanas e a invasom pola Baía de Cochinos, com a conseguinte derrota em Praia Girón, som exemplos dessa política hostil e terrorista contra Cuba.

Contam-se mais de 150 agressons a escritórios diplomáticos cubanos no exterior; que custárom a vida a valiosos funcionários do Estado cubano.

Maos assassinas provocárom a 8 de Maio de 1980 um fogo num edifício de 10 andares onde se localizava o Círculo Infantil Le Van Tam, com 570 crianças e trabalhadores que fôrom resgatados por umha espontánea mobilizaçom popular.

Nos anos 90, as acçons terroristas executadas desde os Estados Unidos contra Cubacontinuárom e é assim como, a 30 de Junho de 1997, um fogo provocado destruiu o Teatro Amadeo Roldán. Várias acçons para danar a entrada de turistas a Cubadesenvolvêrom-se nestes anos, como o metralhamento em Março de 1994 do hotel Guitart Cayo Coco; a colocaçom de unha carga de explosivos C-4 num hotel de Varadero (felizmente detectada e desactivada); a explosom de umha carga de C-4 nas casas de banho da discoteca Aché do hotel Meliá Cohiba a 12 de Abril de 1997; a 30 desse mesmo mês fôrom descobertos outros explosivos nesse hotel. No mesmo ano 1997, o mercenário salvadorenho Raúl Ernesto Cruz León, recrutado polo já mencionado Luis Posada Carriles, fixo explodir bombas nos hotéis Capri e Nacional em Agosto, e nos hotéis Copacabana, Chateau, Tritón e o restaurante La Bodeguita del Medio em Setembro. Um desses artefactos assassinou o turista italiano Fabio di Celmo, quem, segundo declarou publicamente Luis Posada Carriles “estava no lugar errado, no momento errado”.

Nessa etapa, fôrom também detidos uns 10 “turistas-mercenários” chegados com explosivos a Cuba para realizarem diversos actos terroristas, incluindo a destruiçom do Memorial a Ernesto Che Guevara em Santa Clara, o Memorial Granma e o Museo da Revoluçom em Havana.

Nestes 48 anos fôrom múltiplas as acçons de guerra biológica contra Cuba queafectárom a produçom avícola, suína e diferentes colheitas. Também introduzírom doenças quecustarom a vida a muitos filhos de Cuba.

Nom menos de 600 planos para eliminar Fidel Castrofôrom preparadaos em todos estes anos, seguindo umha política terrorista aberta, que nom negam. Entre os documentos desclassificados ao longo deste tempo, aparece um mediante o qual, em Outubro de 1959, a Casa Branca aprovava o alargamento de acçons encobertas contra Cuba e proclamava o seu apoio aos elementos dedicados à subversom interna, a realizaçom de missons piratas aéreas e navais e à preparaçom de umha força militar contra Cuba. Nesse momento, o Chefe da Divisom da CIA no hemisfério ocidental, J.C. King formulou: “Deve dar-se séria consideraçom à eliminaçom de Fidel Castro”.

E em todos estes 48 anos, o governo norte-americano nom pode provar que de Cuba tenha partido a mais mínima acçom contra a integridade dos Estados Unidos. Cuba, o único que tem feito, é defender-se. E exemplo disto som os cinco cubanos, Heróis da República de Cuba, presos injustamente em cárceres dos Estados Unidos, polo único delito de terem penetrado em grupos terroristas cubanos para obterem informaçons que impedissem a realizaçom de actividades terroristas contra Cuba e outros países, incluídos os Estados Unidos.

Cuba resistiu, para desgraça dos Estados Unidos.

Quando, em 1990, desapareceu o campo socialista, houvo quem pensasse na queda da Revoluçom Cubana.

Da noite para a manhá, Cuba perdeu 85% do seu comércio exterior e o seu Produto Interno Bruto caiu em três anos 35%. Nengum país do mundo tinha suportado tam brutal golpe na sua economia. Os inimigos da Revoluçom fregárom as maos e muitos preparárom as suas malas para “regressarem” enquanto a Revoluçom Cubana caísse. Mas os que apostárom no fim do socialismo no nosso país enganárom-se. Primeiroestabilizou-se a situaçom com umha economia muito deprimida, com o passar do tempo e as medidas tomadas polo Governo Revolucionário, começárom a mostrar-se mornos progressos, depois melhores ritmos e avanços mais sustentados e já em2005 a economia cresceu 11%.

Apesar das dificuldades que enfrentou, no ano 2006 Cuba tivo avanços sérios no seu desenvolvimento económico e social e o crescimiento da economia atingiu os 12,5%. Nom é todo a que se aspira nem todo o que se deseja, mas tem havido avanços.

O desemprego colocou-se abaixo dos 2%. Isto conseguiu-se porque o Governo sepreocupou e ocupou-se com este assunto. Mais de 35 mil jovens que nomacederam a cursos universitáriosincorporarom-se a cursos e devinhérom trabalhadores sociais, que realizam um aplausível labor na sociedade. Muitos delescontinuárom estudos universitários enquanto trabalham. Embora tenham fechado70 centrais açucareiras, que nom eram rendíveis, a mais de 60 mil trabalhadores da indústria açucareiraoferecerom-se-lhes novos empregos e outros 40 mil começárom estudos de requalificaçom, cobrando o salário que rendiam na íntegra. Em Cuba apareceu um novo tipo de emprego: o estudo. Isto nom se considera umha despesa, mas um investimento que produzirá frutos a curto e médio prazos.

O ano 2006 foi denominado em Cuba “Ano da Revoluçom Energética”. Fôrom eliminados praticamente os cortes do serviço eléctrico que se produziam e afectavam à populaçom, à produçom e aos serviços. Actualmente, Cuba produz quase metade do combustível que consome, quer dizer, 3,9 milhons de toneladas de petróleo e gás. A outra parte recebe-se basicamente da Venezuela, mediante acordos justos assinados com esse país. Em 2006, fôrom instalados 1.300 megawatts de capacidade de geraçom eléctrica. Para tal, realizou-se a compra e a deslocaçom a Cuba de geradores de mediana potência e a sua instalaçom e incorporaçom ao sistema energético em muitos municípios do País, em fábricas de importáncia, em hospitais e outras dependências estatais. Ao mesmo tempo, tomárom-se medidas para poupar energia, como a substituiçom gratuita de todas as lámpadas de alto consumo por outras de baixo consumo, em todas as moradias e centros de trabalho do País;foi organizada entre a populaçom a substituiçom de aparelhos eléctricos de alto consumo por outros mais modernas e de consumo reduzido.

Em 2006 , fôrom construídas 113 mil habitaçons no País, o que equivale ao triplo do que tinha sido construído em 2005. O défice de vivendas atinge as 500 mil, sendo este o maior problema social que enfrenta Cuba.

Concluirom-se mais de 600 obras com destino social; delas, mais de 100 ligadas à educaçom e outras tantas à saúde. Mais de metade dos policlínicos do país fôrom reparados, alargados e reequipados com tecnologia de ponta, incluindo serviços de fisioterapia, o que pom este importante serviço ao alcance de toda a populaçom.

A investigaçom científicaconsolida-se mais a cada passo, econverte-se num ramo da economia.Som exportados produtos da biotecnologia e da indústria médica a mais de 50 países, e isto apesar do bloqueio e do monopólio que exercem as grandes empresas dos produtos médico-farmacêuticos.

A esperança de vida cresceu até os 77 anos (79 anos no caso das mulheres). A mortalidade infantil reduziu-se para 5,3 % e garantem-se 13 vacinas às crianças.

Em Setembro de 2006, mais de 3 milhons de alunos matriculárom-se nos diferentes níveis do ensino; o País conta com 650 mil estudantes universitários e há mais de 800 mil graduados universitários. A aplicaçom do programa da Universidade nos municípios foi um contributo inquestionável do sistema educativo cubano.

Em Cuba, chegou-se ao milhom e meio de reformados, que cobram pontualmente as suas pensons.

Por isso, podemos dizer hoje que a recuperaçom da economia cubana é irreversível, apesar do recrudescimento do bloqueio e da conjuntura internacional desfavorável. Nisto influemvantajosos acordos de cooperaçom que se assinárom, mais comércio, mais mercados e relaçons muito importantes com diversos países, entre eles a Venezuela e a China. A economia interna também tivo um melhor desenvolvimento.

Logicamente, nem todo está a correr na melhor. Existem dificuldades e deficiências. Quais som os problemas principais que enfrentamos na actualidade?

A política de isolamento internacional do governo dos Estados Unidos contra Cubafracassou. Hoje temos relaçons diplomáticas com 182 dos 192 países que componhem a Organizaçom de Naçons Unidas.

Durante 2006, decorreu em Cuba a Cimeira do Movimento de Países nom Alinhados, àqual assistirom 54 Chefes de Estado e de Governo, mais de 110 delegaçons de países membros e 984 jornalistas de órgaos de imprensa, rádio e televisom de todo o mundo. A Cimeira, no seu documento final, condenou o bloqueio imposto a Cuba polos Estados Unidos e chamou ao seu levantamento.

Também a Cimeira de Países Ibero-Americanos condenou o bloqueio a Cuba e instou o governo norte-americano ao seu levantamento.

Um êxito badalado obtivo Cuba ao ser eleita, por votaçom directa e secreta, membro do Conselho de Direitos Humanos das Naçons Unidas, novo órgao criado em substituiçom da já desprestigiada Comissom de Direitos Humanos. Um total de 135 países dérom o seu voto a Cuba nesta eleiçom. É interessante destacar que o governo dos Estados Unidos, depois de muitas manobras e pressons para que se adoptassem medidas discriminatórias na participaçom no novo Conselho, decidiu nom se postular para membro, portemor a ser derrotada a sua candidatura na votaçom secreta que se realizaria. A sua ausência no Conselho é umha derrota da mentira e umha puniçom moral à prepotência do império.

Ao longo de 2006 e nos primeiros meses deste 2007, o nosso povocontinuou a sua batalha por lograr a libertaçom dos 5 heróis prisioneiros do império, polo único delito de penetrarem em organizaçons terroristas de cubanos residentes nos Estados Unidos para evitarem actos que pudessem pôr em perigo as vidas e propriedades de cubanose norte-americanos. A dupla moral da Administraçom norte-americana, que se relaciona amigavelmente com terroristas cubanos enquanto julga e sanciona quem os combate, é umha mostra da imoralidade da sua política. Para conseguirmos a sua libertaçom, é imprescindível mobilizar aopiniom pública internacional, sobretodo a dos Estados Unidos.

Hoje, todos os cubanos e a humanidadeindignam-se perante a libertaçom do mais destacado terrorista da América, Luis Posada Carriles, autor intelectual da explosom de um aviom comercial com 73 passageiros em 1976, e de outros actos criminosos, reclamado pola Venezuela e Cuba para ser julgado e a quem o governo dos Estados Unidos encobre e protege.

É um dever de todosluitar pola justiça, e a justiça é a libertaçom dos cinco heróis cubanos e o encarceramento nos Estados Unidos do significado terrorista Luis Posada Carriles ou a sua deportaçom para a Venezuela, onde deve ser julgado.

O povo cubano vê o ano 2007 com optimismo. Isto deve-se a três questons principais:

Espera-se um crescimento de 10% na economia e planifica-se dedicar 71% das despesas correntes do orçamento à educaçom, à saúde pública, à segurança social, à assistência social, à cultura e ao desporto.

A unidade é precondiçom indispensável para a vitória epara a manutençom e desenvolvimento das conquistas da Revoluçom; para continuarmos a construçom de umha sociedade mais justa, humana e solidária. O povo conhece isto e está disposto a luitar para levar adiante estas ideias.

Alejandro Fuentes é Consul de Cuba na Galiza

 

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