LITERATURA
OPERÁRIA E OPERÁRI@S NA LITERATURA
Xosé María Dobarro
Num interessante
artigo, "Duelo entre dos literaturas", aparecido nas páginas
da revista de Lima Universidad, en Outubro de 1931, o grande poeta César
Vallejo reflexionava sobre o que entendia -apostando por ele- que ia ser o
futuro da literatura no mundo. Na sua opiniom o processo literário
capitalista nom conseguia fugir dos germes de decadência que lhe subiam
desde o baixo corpo social em que se apoiava. O signo mais claro da decadência
da literatura capitalista -que nom fazia mais que reflectir a lenta agonia
da sociedade de que procedia- era o esgotamento do conteúdo social
das palavras, fruto da confusom linguística derivada do individualismo
exacerbado em que estava a base da economia e a política burguesas.
O vocábulo afoga-se de individualismo. A palavra -forma de relaçom
social a mais humana entre todas- perdeu assim toda a sua essência e
atributos colectivos.
Tacitamente, na quotidiana convivência, tod@s sentimos e nos decatamos
deste drama social de confusom. Ninguém compreende a ninguém.
O interesse de um fala umha linguagem que o interesse do outro ignora e nom
entende. Como vam entender-se @ comprador/a e @ vendedor/a, @ governad@ e
@ governante, @ pobre e @ ric@?
@ escritor/a burguês/a construia as suas obras com os interesses e os
egoísmos da classe social a que pertencia e para a que escrevia. Nos
temas e tendências desta literatura nom havia mais que egoísmo
e, por isso, nom podia gostar dela mais que um/ha leitor/a burguês/a.
As outras classes de pessoas -operári@s, camponeses/as e até
@s burgueses/as liberad@s do classismo- nom podiam entendê-la, porque
falava um idioma diverso e estranho aos interesses comuns e gerais da humanidade.
Esse/a potencial leitor/a proletári@, ou simpatizante do proletariado,
fugia dessa literatura.
Perante esta situaçom, e frente a ela, manifestava Vallejo que da mesma
maneira que @ proletári@ vai cobrando rapidamente o primeiro posto
na organizaçom e direcçom do processo económico mundial,
assim também, vai ele/a criando-se umha consciência de classe
universal e, com esta, umha própria sensibilidade, capaz de criar e
consumir umha literatura sua, quer dizer, proletária.
O signo mais importante dela estava em que devolvia às palavras o seu
conteúdo social universal, enchendo-as de um substractum colectivo
novo e dotando-as de umha expressom e umha eloquência mais diáfanas
e humanas. @ operári@, de jeito diferente do patrom, aspirava ao entendimento
social de tod@s e por isso a sua literatura falava umha linguagem que queria
ser comum a todos os seres humanos.
À confusom de línguas do mundo capitalista, quer @ trabalhador/a
substituir o esperanto da coordenaçom e justiça sociais, a língua
das línguas.
Com a denominaçom de produçom literária operária,
Vallejo referia-se a toda aquela em que dominavam o espírito e os interesses
d@s trabalhadores/as, já polo tema, já pola sensibilidade d@
escritor/a. Refere-se a umha literatura de autores/as de diferente procedência
classista que fazem obras seladas por umha interpretaçom sincera e
definida do mundo d@s trabalhadores/as.
Porém, o poeta peruano errou no seu prognóstico de que pronto
adviria, com ofensiva arroladora, a literatura proletária para derrotar
e produzir a desbandada da literatura capitalista.
Nestas breves linhas -que nom podem abranger mais que um ligeiríssimo
percurso pola literatura galega contemporánea- entendemos a literatura
operária nesta linha, mais ou menos coincidente com a definiçom
que deu de publicaçons operárias Joaquim Molas, isto é:
todo o que se escreve do ponto de vista primordial de expor os males que afectam
à classe operária e manifestam as ideias que a juízo
do autor podem regenerá-la.
Nem que dizer tem que este nom é o tipo de literatura mais habitual
entre nós, pois, antecipemo-lo já, o que prevalece é
a criaçom literária gerada fundamentalmente por escritores que
pertencem às classes médias da sociedade galega, com as contadíssimas
excepçons de algum que outro autor do que se pode considerar proletariado,
e alguns outros, mais que os primeiros, que criam as suas obras ao serviço
da sua causa proletária.
E isto obedece a diferentes causas.
No último quartel do século XIX, quando a nossa literatura já
tinha dado os primeiros passos -alguns deles bem seguros, de certo, Frei Marcos
da Portela, aquele "doutor en Tioloxía campestre" que agachava
o nome de Valentim Lamas Carvajal (com a mais que provável colaboraçom
de Arturo Vázquez Núñez), nos meses finais de 1878 nos
referia, nos primeiros parágrafos do seu Catecismo da doutrina labrega
-un best seller da nossa literatura daquela, e de todos os tempos-, as penúrias
que passavam os trabalhadores do campo no seu malviver:
"P.- Que quere dicir labrego?
R.- Home acabadiño de traballos, caste de besta de carga na que tanguen
a rabear os que gobernan, ser a quen fan pagar cédula como ás
persoas pra tratala como ós cas, [...]".
É ocioso indicar que a estrutura do modelo da sociedade rural galega,
devido ao foro, conservava as características do Antigo Regime e, em
consequência, era diferente da doutros territórios do Estado
espanhol. A agricultura era, ademais, o suporte básico da economia
na Galiza.
Fruto da sua profunda religiosidade -algo que se cria que era consustancial
do povo galego-, Lamas nom podia deixar de usar como base o texto do catecismo
da doutrina cristá do Padre Astete (1576), o que se vinha utilizando
maioritariamente na Galiza -noutras terras predominava o do Padre Ripalda
(1591)-, ainda que é possível que conhecesse algum dos muitos
que circulárom de todas as cores, já que esta fórmula
catequética, como cousa jesuítica que era, resultava muito eficaz.
Anteriores ao do labrego houvo-os dos industriais, dos socialistas, positivistas,
revolucionários. Mesmo Engels, en 1847, escreveu um a jeito de preparaçom
do manifesto comunista:
"-¿Que é comunismo?
-O comunismo é a doutrina das condiçons de libertaçom
do proletariado.
-¿Que é o proletariado?
O proletariado é a classe da sociedade que saca a sua subsistencia
da venda do seu trabalho exclusivamente e nom do interese de um capital qualquer...".
O uso da fórmula catequística resultava, por outra parte, eficaz
porque ao haver um analfabetismo feroz a aprendizagem dos textos realizava-se
ouvindo-o e os destinatários tinham esta fórmula interiorizada
por via eclesial.
Os lavradores supunham nessa altura o grupo social maioritário da Galiza,
pois era no campo onde residia a imensa maioria da populaçom. Era,
pois, o campo o primeiro que havia que redimir, máxime quando os seus
trabalhadores nom eram os proprietários das terras e tinham que satisfazer
as correspondentes rendas forais. Tratava-se de auténticos escravos
da terra incapazes de sair da mais absoluta das misérias. Só
tinham como válvula de escape, frequentemente enganosa por outra parte,
a emigraçom, maiormente aos países americanos.
Já que logo, se a literatura queria reflectir a realidade do mundo
circundante nom achava outros protagonistas que os camponeses, rodeados de
todas as maldiçons, nem outros temas que o da miséria e o da
emigraçom, como lacra social derivada dela.
Labreg@s e marinheiros eram, ademais, os que conservaram o idioma, esse idioma
que se queria reivindicar como língua literária. Os residentes
nas vilas ou pequenas cidades utilizavam o espanhol ou aspiravam a fazê-lo.
Nom podiam, pois, aparecer nas obras - se se queriam críveis- falando
galego. Teriam que falar em espanhol, como acontece, por exemplo, na bilingüe
Majina ou a filla espúrea de Marcial Valladares. Em definitivo, que
o mundo rural era o que conservava as essências da galeguidade.
Mas essa primeira literatura que bota a sua olhada ao mundo do campo limita-se
a apresentar aos leitores a vida difícil dos seus habitantes acompanhada
de diferentes usos e costumes tradicionais, descriçom de paisagens.
etc. Em nengum momento, mesmo na obra do citado Lamas, quem mais páginas
escreveu prestando-lhe atençom, se presentam soluçons, simplesmente
se constata umha triste realidade. Assinalam-se os culpáveis da pobreza
e do atraso: os caciques, as cúrias civis e eclesiásticas...,
mas nom se achegam possíveis vias de saída cara ao cámbio.
Para acharmos obras que apresentem situaçons de enfrentamento -por
vezes violento- com o conflito teremos que aguardar aos começos do
século XX, quando surge o movimento agrário organizado. A literatura
do mundo do agro, pois, -à par que a que mirava a glorioso passado-
conformou-se como a autêntica literatura galega. Tanto é assim
que no final do XIX, en 1896, Francisco Álvarez de Nóvoa se
via forçado a iniciar o seu livro de contos Pé das Burgas com
"Dous parrafeos" justificativos do que ele fazia em consonáncia
com o que entendia que devia fazer a narrativa galega, manifstando, que do
que se tratava era de escrever em galego do que fosse, procurando, ao tempo,
nom fazê-lo do mesmo jeito que fala o povo ainda que se escreva para
ele, porque, pergunta-se, "¿Cando un home agasalla ou rifa un
can, ladra coma el?".
Mas o mundo do trabalho proletário seguia ausente desta proposta temática.
Só conhecemos um texto que supom a excepçom que confirma a regra,
sobre o que chamou a atençom Xesus Alonso Montero no seu Pedro Petouto.
Traballos e cavilacións dun mestre subversivo. Trata-se da traduçom
de Eugénio Carré Aldao recolhida nas suas Brétemas (1896)
como "Os tecelás de Silesia" do poema escrito por Heinrich
Heine -o poeta admirado por Carlos Marx, com quem colaborava no jornal Vorwärts,
publicando poemas políticos- a raiz dos sucessos que tiveram lugar
na sua terra natal.
OS TECELÁS DE SILESIA
(UN CONTO)
AO HISTORIADOR
GALLEGO
meu ilustre amigo
DON MANUEL MURGUÍA
Calados, sin a fe, ja non as bagoas
Mollan o vulto d'estes pobres servos.
Chaveas, marmulando cando abascas,
Cantos de morte que recolle o vento:
"Vella Alemaña, teu sudario branco
"Tecendo están n-o escuro nosos dedos,
"E n-a tea misturan nosos labres
"Da maldición e da carrage os feros.
"¡Tecemos! ¡Tecemos!
"Maldito
seia o Deus que fai ditosos
"Ao que nos chegan, non, os nosos prégos,
"Nin ve a fame que mirra nosos corpos,
"Nin a friage que tolle n-os invernos.
"Non nos sirven a fe que n-Él puximos
"Él nos vendeu cal fato de cordeiros...
"¡Tecemos! ¡Tecemos!
"Maldito
seia o rei, o rei dos ricos,
"Ao que pedindo de margura cheos
"Caridá para nos e para os nosos
"Por esmola, nos rouba o derradeiro...
"E danos por resposta aos nosos prantos
"Facernos metralar como juvencos.
"¡Tecemos! ¡Tecemos!
"Maldita
seia a patrea, si, maldita,
"Cando se ve aldraxada pol-o alleo,
"E non tendo carrage perde o folgo
"Sufrindo a canga sin morrer primeiro.
"Maldita a patrea que, de gionllos posta,
"Non sabe erguerse e defender seus eidos.
"¡Tecemos! ¡Tecemos!
"O canivete
vóa, o tear renxe;
"Día e noite sin parar tecemos.
"Vella Alemaña, teu sudario branco
"Tecendo están nosos dedos,
"E n-a tea misturan nosos labres
"Da maldición e da carrage os feros.
"¡Tecemos! ¡Tecemos!".
Estes sucessos
dos tecedores de Silésia, explorados polos industriais, tivérom
lugar no mês de Junho de 1844, a raiz da detençom dum dos trabalhadores
por cantar o seu hino contra os fabricantes. Produziu-se umha rebeliom que
seria esmagada polo exército prussiano. A raiz da sanguenta repressom,
Heine compujo o seu poema, que acadou êxito entre o proletariado. Tanto
é assim que os internacionalistas Spies, Fischer, Engel e Parsons o
recitárom a coro quando se dirigiam ao cadalso para ser enforcados.
Foram injustamente condenados à morte polos sucessos que tiveram lugar
durante a greve geral do 1º de Maio em Chicago, acordada polo Congresso
Operário do Canadá e os Estados Unidos de 1885 em demanda das
oito horas de trabalho. Mas estamos perante um caso excepcional da nossa literatura.
Mesmo operários da construçom naval em Ferrol, como Charlón
e Hermida, quando se pugérom a escrever teatro na década dos
anos dez do século XX, buscárom as personagens das suas peças
breves no mundo rural, um mundo que de facto nom era o seu.
É mais que sabido que Vicente Risco, umha vez que se vinculou ao nacionalismo,
influiu, ou tentou influir, no desenvolvimento do mesmo, incluída a
literatura. Mas tanto ele como o seu grupo mais próximo nunca tivérom
em conta nas suas obras e nos seus projectos a classe operária. Outro
nacionalista da época, Álvaro das Casas, referindo-se a este
grupo punha em boca do protagonista das Xornadas de Bastián Albor (1931)
estas palavras:
"Non hai un que sinta a política, e queren dirixir un movemento
exencialmente políteco. Fracasarán; é terribre, pero
fracasarán. [...] O autonomismo -hastra os lindeiros que sexan precisos-
virá cunha revoluzón e pra eso é preciso xuntar os esforzos
cos obreiros, cos partidos da esquerda, cos caudillos do agrarismo e do proletariado
industrial. Estes homes nunca o farán".
Partindo desta
premissa, sem dúvida muito próxima da verdade, é difícil
que se orientasse umha literatura ao serviço das classes populares
-agás o caso de Castelao cara aos labregos e marinheiros. Mesmo, deste
grupo que conhecemos como Nós, o único que escreveu textos relacionados
com o mundo do trabalho -mália nom ser e declarar-se nom marxista-
foi o gerente da revista desse nome, Arturo Noguerol, quem acabaria os seus
dias numha valeta da estrada entre Corunha e Ferrol no verao de 1936.
A própria literatura que tem como protagonistas os emigrantes procedentes
do campo, apresenta-os na sua luita polo sustento diário e co objectivo
de poupar algo para volver em quanto puderem. Apesar de ter o mar polo meio
semelha que nunca saíram da terra natal. Só após a guerra
aparecem na obra dalguns autores -Seoane ou Neira Vilas- emigrantes que trabalham
ou trabalharam em diferentes ofícios e que tenhem consciência
de classe operária e, em consequência, participam da luita polos
direitos da mesma.
No Fardel de
eisilado (1952) de Luís Seoane achamos alguns exemplos da luita no
mundo laboral de galegos emigrados. Um exemplo de clara exploraçom
num trabalho infra-humano presenta-no-lo no poema "A Ponte de Brooklyn.
Derradeiro terzo do século XIX".
As duas caras da emigraçom. A dos viles e a dos outros. A estes canta-os
p.e, na 2ª parte do Em "Outro cantos áos emigrantes.II. O
honor de Galicia" (A maior abondamento, 1972) canta a cara da emigraçom
dos que nom eram viles e luitaram cóvado com cóvado com os residentes
de velho por umha sociedade mais justa.
"Mais tamén están en América
os outros,
traballadores a maioría.
Asemade estiveron
os que loitaron polas libertades americáns,
teimadamente pola libertade,
[...]
Aquí, en Buenos Aires, medrou
o ferrolán Antonio Soto,
1,84 de outura, ollos azúes moi craros
que dirixiu o erguemento obreiro da Patagonia
con Outerelo, outro galego,
e Graña, tamén galego,
e dúceas de galegos,
en 1921. Cando uns dous mil peóns de estancias
[...]
loitaron pola diñidade do home,
pola libertade,
pola terra que traballaban,
deica morrer,
como así foi.
Asesináronos.
Tratábase di exército dos "verdes",
así chamaban ós galegos.
[...]".
Nalguns textos
narrativos Neira Vilas, como é sabido, emigrante em Buenos Aires oferece-nos
diferentes perspectivas do mundo do trabalho mais ou menos proletário.
Neira situa os 20 relatos de Xente no rodicio (1965) no mundo rural, mas nom
som ruralizantes no sentido de apresentarem usos e costumes. Ainda que se
trata de ambientes camponeses, dum mundo fechado, de quando em quando aparece
por eles o mundo do assalariado.
As 16 narraçons de Historias de emigrantes (Montevideo 1968) recolhem
as vidas e trabalhos destes na Argentina, preferentemente no mundo da grande
urbe, no Buenos Aires dos anos cinquenta. Quase todas contam a mesma história,
a do moço de aldeia que sem outro ofício que o de labrego decide
emigrar para trabalhar no negócio doutro galego emigrado. Mas só
se produz o traslado físico já que mentalmente segue na aldeia.
Umha perspectiva curiosa apresenta-no-la em Tempo novo (1987). As histórias,
de gentes reais, desenvolvem-se na Cuba revolucionária e os protagonistas
som emigrantes velhos que som ou fôrom pescadores, camponeses, ferroviários,
carvoeiros, obreiros do açúcar, artesaos...que chegaram de novos
à ilha. Aqui nom está presente a Galiza nem interessa o feito
da emigraçom, já que estes galegos nunca quereriam volver à
terra. Em "Traballador exemplar", a Ramón Calvos, que chegara
em 1924, dam-lhe um diploma por ser home de "patria o muerte". Fora
seu curmám Adolfo (que trabalhava fazendo carbom na Ciénaga
de Zapata) quem lhe abrira os olhos, quem lle dixera que os homes estám
divididos en classes e que cadaquem pensa e fai segundo a classe à
que pertença.
Também nos versos de Celso Emílio Ferreiro podemos achar exemplos
do mundo do proletariado. "O monólogo do vello traballador"
apresenta muito bem em chave poética o que significa a mais-valia.
"Os honoráveles" é um exemplo de crítica aberta
ao sistema explorador do ser humano. Frente à claridom ideológica
que mostram os seus versos, "Deitado frente ao mar" semelha-nos
umha contradiçom, pois se no começo o galego é para ele
a "Língoa proletaria do meu pobo" nos versos finais converte-se
no idioma dos sectores sociais que o conservárom, os "mariñeiros,
labregos do lingoaxe".
Como assinalava Mêndez Ferrim -mália que na sua obra, tanto poética
como narrativa achemos operários- referindo-se, em 1966, à chamada
Nova Narrativa, nas obra de Blanco Amor, Neira Vilas ou Eliseo Alonso "aparece
umha sorte de ignoráncia das técnicas vanguardistas do romance
que nos obrigam a ver na sua maneira literária a antítese justa
e cabal da actitude dos escritores da nova narrativa. A realidade, a tradiçom,
a vinculaçom aos estamentos populares da naçom galega oponhem-se
dialecticamente à evasom, à inovaçom técnica,
ao cosmopolitismo na temática presente na nova narrativa".
Nom obstante, em obras consideradas de renovaçom, ou mesmo catalogadas
na Nova Narrativa, detecta-se a presença do mundo operário.
Eis os casos de Cambio en tres, de Carlos Casares, ou de Adiós María,
de Xohana Torres.
Mas nom toda a nossa literatura é renovadora. Muita dela, sobretodo
durante o franquismo e a chamada transiçom, é política,
de combate, de denúncia e, contodo, a presença do mundo proletário
é a meu entender escasso. Ainda que se topam versos abertamente sindicalistas,
como o "Poema/democrático/sindical", nos Poemas pra construír
unha patria (1977) de Manuel Maria.
Haveria que aguardar quase ao dia de hoje para poder achar a palavra obreiro
no título de umha obra Tortillas para os obreiros (1996), de Fram Alonso.
Xosé María
Dobarro é catedrático de literatura galega na faculdade de Filologia
da Universidade da Corunha.