Editorial Abrente nº
25
A LUITA É O ÚNICO CAMINHO
O vigéssimo quinto
aniversário das primeiras eleiçons democráticos-burguesas
após a ditadura franquista, que encenárom e "legitimárom"
a nova forma que adopta a exploraçom de classe e a opressom nacional
e de género no espaço simbólico-material de acumulaçom
e expansom capitalista denominado Espanha, manifesta, de um lado, o seu esgotamento
interno, mas também a firme vontade do regime de perpetuar o sistema,
e de outro, a decisom de destacados sectores da classe trabalhadora, das naçons
periféricas e das mulheres, de superar esta situaçom.
O capitalismo espanhol
aproveitou o mês de Junho para realizar umha intensa campanha propagandística
de exaltaçom e apologia dumha "democracia", apresentada como
modélica, superadora das divisons sociais de um longínquo passado,
onde a igualdade de oportunidades, o progresso, e a modernizaçom do
país, devem ser motivo de orgulho para a cidadania. Assim, coincidindo
com o final do semestre da presidência da UE, Aznar, tentou capitalizar
mediaticamente a projecçom pública da Cimeira Europeia de Sevilha,
mas todo saiu mal: a greve geral foi um êxito, a ETA lançou umha
audaz ofensiva, e a manifestaçom antiglobalizaçom na capital
anadaluza foi novamente massiva.
Os principais partidos
sobre os que se alicerça o virtual pluralismo político que tolera
o capital, -PP e PSOE-, também coincidírom no diagnóstico
clónico da boa saúde da democracia espanhola, apesar da lacra
do terrorismo, assim como o conjunto de forças da esquerda reformista
de ámbito estatal (IU) ou autonómico, além do nacionalismo
burguês catalám.
A literatura política
empregada nom tem variado neste quartel de século, tam só se
produzírom leves mudanças terminológicas adaptadas às
alteraçons sociológicas da estrutura de classes e aos novos
rumos do imperialismo a escala internacional.
Esta aparente satisfaçom
que transmite a oligarquia descansa nos letais acordos para a classe trabalhadora,
a liberdade das naçons galega, basca, catalá, canária,
bem como a perpetuaçom da dominaçom patriarcal, atingidos com
o reformismo espanhol e com as burguesias da Catalunha e Euskal Herria entre
1974-1979, na chamada Transiçom, que supujo a prolongaçom do
franquismo com umha nova máscara denominada democracia.
Mas, vinte e cinco anos
após as eleiçons de 15 de Junho, a realidade é bem diferente
à que apresenta a TV e os corruptos políticos do sistema. A
greve geral do passado 20 de Junho e as nove anteriores realizadas na Galiza,
as intensas reivindicaçons nacionais, o ascenso dos protestos sociais,
o desenvolvimento do movimento antiglobalizaçom, a incorporaçom
de radicalizados sectores da mocidade trabalhadora e estudantil à luita,
som expressons do paulatino incremento do mal-estar existente. O regime é
consciente disto. Também o reformismo espanhol e autonomista.
Perante umha situaçom
económica delicada, em que a crise estrutural do modo de produçom
capitalista a nível internacional está a provocar sérios
problemas de estabilidade nos mercados internacionais, -agravado com as contínuas
fraudes de multinacionais como Enron ou Wordlcom-, Espanha responde como vem
fazendo nos últimos séculos: incrementando a repressom e intensificando
o seu racista e chauvinista nacionalismo.
A aprovaçom da
lei de partidos políticos, a iminente ilegalizaçom de Batasuna,
a criminalizaçom das reivindicaçons nacionais; a reforma laboral
permanente e a anunciada modificaçom da legislaçom sobre direito
a greve; o recorte das anémicas liberdades, o controlo social, a impunidade
policial e incremento dos maus tratos e torturas; a lei do botelhom e criminalizaçom
da juventude; a obscena manipulaçom e censura dos meios de comunicaçom;
as xenofobas políticas sobre imigraçom; configuram parte das
medidas da generalizada involuçom fascistizante que estám aplicando
os aparelhos do Estado espanhol, sob a direcçom do PP, ante a crise
estrutural do capitalismo.
Perante esta situaçom
só há duas alternativas: claudicar ou resistir.
O autonomismo social-democrata
galego optou pola primeira. A incorporaçom à vida política
institucional cristalizada na ceia de Beiras e Fraga em Dezembro, vem de somar-se
o esclarecedor Manifesto Bóveda, apresentado solenemente a 28 de Junho
em Bonaval, onde o BNG, sem ambigüidades nem complexos, reafirma a sua
lealdade à Espanha das autonomias e satisfaçom polo papel desempenhado
na consolidaçom do actual sistema institucional vigente.
A pequena burguesia, com
a cobardia que a caracteriza, tem conduzido nos últimos anos o Bloco
aos parámetros políticos-ideológicos imprescindíveis
para a sua expansom e reproduçom social.
Mas frente à lógica
pactista que, com vinte e cinco anos de atraso, tem incorporado a sua direcçom
com a passividade da filiaçom, acha-se a alternativa de resistência
e luita em que se situa o conjunto do MLNG.
A festa da democracia
espanhola coincide com o primeiro aniversário da criaçom de
NÓS-Unidade Popular. Um ano de rodagem compartilhado, de intervençom
social comum, de debates e análises conjuntos, entre centos de militantes
independentistas e de esquerda, som insuficientes para poder valorizar na
sua justa medida o cumprimento dos objectivos perseguidos, mas sim constatam
o acertado do processo iniciado em 1999 com a unidade de acçom, a posterior
criaçom de entidades políticas unitárias comarcais, o
salto qualitativo encetado com o Processo Espiral e a posterior ANC de que
nasceu a Unidade Popular e em que estamos integrad@s @s comunistas galeg@s.
O Dia da Pátria
de 2002 tem lugar numha conjuntura complexa a nível estatal e internacional,
com umha realidade social contraditória e adversa, mas também
com um panorama político nacional praticamente clarificado e umha onda
ascendente de luitas operárias, nacionais e populares.
Frente às forças do regime, nas suas variantes espanholas ou autonómicas, frente às diversas alternativas da oligarquia e da pequena burguesia, frente as demagógicas promesas reiteradamente incumpridas de mais emprego, bem-estar, futuro, no cada vez mais desprestigiado espectáculo eleitoral; frente ao incremento das políticas de isolamento e criminalizaçom; é necessário manter firmeza e confiança no projecto revolucionário. Embora os esforços investidos, a dureza do coerente e conseqüente compromisso diário, nom se visibilizem, nem materializem, -mais alá de discretos e modestos avanços-, sabemos que nom som baldios, mas sim imprescindíveis para a meio prazo gerir com êxito a acumulaçom de forças, a introduçom social, as estrategias de luita, a nova cultura política anti-sistémica, que agora sementamos.
Só existe umha
alternativa real para atingir umha sociedade alicerçada na justiça,
a liberdade, e a igualdade: a luita organizada das massas. Este é o
único caminho para superar o amargo presente e evitar continuarmos
a perder direitos e conquistas sociais. A burguesia espanhola e a sua subsidiária
burguesia galega tem iniciado umha ofensiva em todos os ámbitos para
manter, e mesmo incrementar, a sua taxa de ganho à custa das trabalhadoras
e dos trabalhadores, das naçons e as mulheres. E somos unicamente nós,
@s que podemos pará-los, com o imenso potencial de força da
nossa classe, ligado e inserido numha estratégia de libertaçom
nacional e emancipaçom de género. Nengum político profissional,
nengum burocrata dos corruptos sindicatos maioritários, nengumha alternativa
de inócuas e inofensivas terceiras vias, pretende acabar com a exploraçom
e a opressom, tam só suavizá-la, compartilhando os privilégios
que lhe concedem.
Adiante com a libertaçom
nacional e social de género.