Editorial Abrente nº 26
ANom à ilegalizaçom das esquerdas independentistas
ESPANHA APROFUNDA A VIA FASCISTA E GENOCIDA

O verao foi aproveitado polo governo do PP para acelerar a ofensiva espanhola contra a esquerda abertzale, no quadro dumha estratégia cujo objectivo final persegue fundamentalmente três grandes objectivos. Em primeiro lugar, derrotar o MLNB como principal muro de contençom e resistência popular de massas aos planos do capitalismo espanhol; em segundo termo, erradicar a construçom dos emergentes projectos independentistas da Catalunha e da Galiza, e em menor medida os activos grupos e organizaçons sociais anticapitalistas vinculados ao movimento antiglobalizaçom, e a eclosom de identidades próprias em determinadas zonas do Estado; para finalmente conseguir disciplinar definitivamente ao desarticulado movimento operário do Estado opressor. Se Espanha, como projecto simbólico-material da burguesia, nom atingir este triple objectivo, está irremediavelmente condenada ao fracasso como Estado-naçom, tal como hoje a conhecemos. Se os movimentos de libertaçom nacional e social de género nom dermos mantido viva a resistência nacional dos nossos respectivos povos, senom acumularmos forças na direcçom da independência, o socialismo e a emancipaçom de género, -portanto freamos e derrotamos o projecto expansionista espanhol-, estamos condenados a desaparecer na maré uniformizadora a que nos conduz o capitalismo.
Esta estratégia nom é nova, já foi ensaiada em várias etapas da história contemporánea espanhola. As primeira décadas do século XX, após a perda das colónias de ultramar e a ditadura primoriverista, o levantamento fascista contra a legalidade republicana, a posterior ditadura franquista, o autogolpe de estado de 1981, som alguns dos mais relevantes episódios da permanente involuçom da burguesia espanhola contra as naçons, a classe trabalhadora e as mulheres.
O bloco de classes oligárquico, que desde meados do século XIX, -com base numha aliança entre a burguesia industrial e financeira catalá e basca, os latifundiários andaluzes e estremenhos, sectores aristocratas, com a bençom da igreja católica, e da casta militar-, se dota dum Estado para garantir e defender os seus privilégios e aperfeiçoar e multiplicar a exploraçom d@s trabalhadores/as, as naçons e as mulheres, sobre a qual alicerça o seu poder, acha-se numha situaçom de extrema fraqueza.
Espanha cárcere de povos é um projecto nacional sem consolidar. Após mais de cinco séculos de trajectória criminosa e genocida, o capitalismo espanhol ainda nom foi capaz de derrotar, nem de erradicar, as arelas de liberdade dos povos que oprime, e perante a nova situaçom e tendências do capitalismo mundial precisa com urgência de consolidar Espanha, entendida como espaço de acumulaçom e expansom de capital, para poder manter a taxa de ganho ameaçada pola crise estrutural do modo de produçom, mas também polas dinámicas internas da Uniom Europeia, especialmente ligadas ao seu imediato alargamento e expansom face o Leste e o Mediterráneo.
O modesto, mas ascendente, aumento da conflituosidade operária, plasmada no êxito da greve geral de 20 de Junho, e especialmente, o incremento sustentado das luitas nacionais, som as verdadeiras ameaças contra um Estado que arrasta e acumula impotências estruturais provocadas pola debilidade histórica da burguesia e os erros genéticos da sua gestaçom.
Espanha acha-se em crise profunda, mas aparenta umha fortaleza virtual, mediante a hábil manipulaçom da realidade que realizam os meios de comunicaçom, e pola absoluta carência dumha esquerda real. As legítimas e verdadeiras razons que sustentam as reivindicaçons nacionais das classes trabalhadoras de Euskal Herria, Catalunha e Galiza, som desnaturalizadas pola maquinaria ideológica do capitalismo espanhol para coesionar a classe operária do seu Estado, e assim socializar e interiorizar entre as massas a ideologia racista e xenofoba que conscientemente emana para defender a unidade estatal, -ou seja os interesses económicos da burguesia-, e poder justificar as actuais políticas repressivas. A dependência ideológica da esquerda espanhola face o projecto nacional da sua burguesia explica a coincidência discursiva e a unanimidade da indivisibilidade de Espanha que dia a dia manifestam o PP, o PSOE e IU, com os sindicatos estatais, e mesmo sectores importantes da denominada esquerda alternativa ou do movimento antiglobalizaçom.
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O reforçamento e incremento da estratégia repressiva, plasmada na aprovaçom em Maio da Lei de Partidos, na posterior suspensom de Batasuna em Agosto (umha ilegalizaçom de facto), no estado de excepçom encoberto existente a dia de hoje em Euskal Herria, na utilizaçom massiva de práticas de detençons ilegais e tortura por parte dos corpos coercitivos, na manipulaçom dos meios de comunicaçom, na criminalizaçom de toda posiçom discrepante com a ofensiva espanhola, na anunciada reforma do Código Penal e espectacular incremento das forças policiais, é a desesperada resposta dum Estado por evitar e adiar um processo histórico: a independência das naçons trabalhadoras da sua periferia.
A dia de hoje, os mais inteligentes estrategas de Madrid sabem perfeitamente que tenhem perdida a batalha estratégica e só pretendem ganhar tempo para poder ressituar-se. Os autos que Garzón vem emitindo desde há meses atingírom a máxima expressom do delírio na recente acusaçom contra a esquerda independentista basca de práticas genocidas e de aplicar umha limpeza étnica de baixa intensidade nos últimos trinta anos. A inconsistência desta ridícula acusaçom procura, -aproveitando o clima de fascistizaçom que os governos de Bush e Blair pretende impor em todo o planeta justificado no combate ao terrorismo-, internacionalizar o conflito, e mediante espectaculares brindes ao sol deslegitimar as simpatias que desperta a luita basca contra o imperialismo espanhol entre amplos sectores da esquerda em todo o planeta.
Um Estado como o espanhol, alicerçado sobre as dezenas de milhons de cadáveres provocados polo maior genocidio organizado na história da humanidade durante a conquista, saqueio, colonizaçom e exploraçom do continente americano realizado entre 1492 e 1898; um Estado como espanhol, que desde 1492 vem aplicando sistematicamente políticas de l¡impeza étnica contra as minorias: judeus, mouriscos, árabes, expulsando centenares de milhares de pessoas das suas terras por motivos ideológicos; um Estado que colonizou dezenas de povos, que expandiu o terror e a morte da guerra imperialista pola América, Europa, África, e Ásia; pioneiro na utilizaçom de armamento químico e bacteriológico no norte de África a inícios do século XX; que ensaiou com centenas de milhares de prisioneir@s antifascistas os campos de concentraçom modernos, posteriormente aperfeiçoados polos nazis; que encadeou, torturou, violou, assasinou, dezenas de milhares de mulheres e homens entre 1936 e 1975; que provocou o êxodo, o exílio de mais de um milhom de pessoas após a vitória fascista de 1939; que nega a existência do povo galego, basco e catalám; que impede a entrada no seu território d@s pobres que fogem da miséria que contribui a construir, provocando anualmente milhares de mort@s no estreito de Gibraltar; que viola sistematicamente os direitos humanos; que conculca os direitos individuais e colectivos de centenas de pessoas; que nega o direito de autodeterminaçom; que destroi línguas e culturas; que aprova leis contra as liberdades democráticas; que justifica a censura; que fecha jornais, revistas e rádios; que ilegaliza organizaçons; nom é nem pode ser democrático.
A sua natureza imperialista e racista primigénia, e a sua actual deriva fascista, voltam a confluir, fechando um círculo. Hoje o projecto nacional de Aznar recupera sem ambigüidades o imaginário colectivo da reconquista dos Reis Católicos e do império de Felipe II, susbtituindo a terminologia expansionista da defesa da civilizaçom, da fé cristia, do combate ao infiel, pola apropriaçom desnaturalizada de conceitos e categorias que até há umha década eram exclusivamente utilizadas pola esquerda. Assim podemos compreender como a ofensiva fascista e xenofoba do espanholismo tilda de fascista e racista ao nacionalismo basco; como os que negam o exercício do direito de autodeterminaçom acusam de intolerante e imposiçom autoritária a desigual luita que leva a cabo a esquerda abertzale; as vítimas som transformadas em carrascos, @s agredid@s em agressores; as aspiraçons de liberdade e emancipaçom de amplos sectores da classe operária basca som definidos de insolidários por essa pseudoesquerda que pactuou a operaçom cosmética do fascismo por esta democracia burguesa cada vez mais próxima do bonapartismo.
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A ofensiva espanhola tem servido para constatar novamente a plena claudicaçom do BNG. A abstençom na votaçom sobre a ilegalizaçom de Batasuna, realizada em 26 de Agosto no Parlamento espanhol, exprime a cobarde atitude dumha organizaçom que renunciou aos princípios característicos dum projecto transformador para buscar acomodamento na Espanha do século XXI. O BNG, mais alá de retóricos posicionamentos face a sua militáncia e base social, utiliza a técnica da avestruz, agindo como se aqui nom passasse nada. Os sectores maioritários do partido comunista alemám no período de entreguerras também renunciárom ao confronto com o nazismo e a dia de hoje som bem conhecidos os resultados desta estratégia suicida. O autonomismo galego, autoderrotado, sob a hegemonia da pequena burguesia funcionarial, aposta por consolidar o prato de lentelhas que lhe ofereceu Espanha renunciando a seguir construindo o projecto nacional, numha centrípeta deriva involucionista. O silêncio perante os acontecimentos em curso, a passividade frente às agressons, só pode qualificar-se de colaboracionismo com o inimigo e cúmplice cobardia. Beiras e Paco Rodríguez estám mais preocupados polas eleiçons municipais, polo acordo institucional com Fraga, por manter os espaços de poder que lhes concedem, que por denunciar e mobilizar o nosso povo contra o fascismo espanhol, suavizando ou subestimando os verdadeiros objectivos dos heredeiros do Caudilho.
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Um povo oprimido como o galego, se nom se dotar dum Estado próprio, está condenado a desaparecer. Nom é possível sobreviver entre a dupla pressom exercida pola potência ocupante espanhola e a do capitalismo internacional. A classe trabalhadora galega, -a que padece directamente na suas carnes a trágica ausência de soberania-, necessita para poder emancipar-se da exploraçom de classe, encabeçar e fazer converger no projecto revolucionário os objectivos de independência nacional, socialismo e emancipaçom de género. Nem as falsas e enganosas alternativas "democráticas" de sectores da esquerda espanhola (patriotismo constitucional, federalismo, confederaçom), nem as fórmulas autonomistas baseadas num Estado plurinacional, som válidas para Galiza e o seu Povo Trabalhador. Sem Estado próprio, sem recuperarmos a independência nacional, nem é possível construir a naçom, nem é possível fazer umha revoluçom socialista. A actual fraqueza das teses independentistas entre os sectores mais avançados do proletariado e da classe operária galega é fruto dum conjunto de factores entre os que cumpre destacarmos o minimalismo nacional pequeno burguês do nacionalismo galego contemporáneo. A actual claridom dos seus verdadeiros objectivos devem ser aproveitados para lograrmos introduzir a necessidade de confluir luita de classes com luita nacional.
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As galegas nom somos nem queremos ser espanholas. Os galegos nom somos nem queremos ser espanhóis. Estamos orgulhos@s de sermos galeg@s, e a defesa da nossa identidade nacional nom só é um dos mais eficazes ataques ao coraçom do capitalismo espanhol; também é umha das nossas melhores achegas internacionalistas em prol da libertaçom dos povos e d@s trabalhadores/as do resto do mundo.
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@s comunistas galeg@s organizados em Primeira Linha fazemos parte dos medíocres, -termo utilizado polo líder do BNG para desqualificar e subestimar a ilegalizaçom de Batasuna-, preocupados com a ofensiva fascista do capitalismo espanhol e com as medidas legais tendentes a ilegalizar Batasuna e o conjunto do independentismo basco, com o qual manifestamos mais umha vez o nosso apoio e solidariedade internacionalista.


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