25 de Julho Com Espanha nunca mais

O Dia da Pátria deste ano tem lugar numha singular conjuntura política e social, a escala nacional e internacional, caracterizada polo incremento das agressons contra a naçom, a classe trabalhadora e as mulheres galegas por parte do capitalismo espanhol que, ao igual que a oligarquia mundial, vai paseninhamente recuperando e adoptando a forma fascista.
Galiza encara este 25 de Julho em pleno refluxo do movimento de massas que, inicialmente contra a maré negra e posteriormente contra a agressom imperialista no Iraque, durante meses ocupou as ruas do país movimentando centenas de milhares de trabalhadoras/es, jovens e diversos sectores sociais.
Esta circunstáncia condiciona a jornada de reivindicaçom nacional da esquerda independentista, reforçando o seu eminente carácter de luita e combate frente à institucionalizaçom folclórica e de vácua processom imprimida polo autonomismo claudicante.
Mas se o Dia da Pátria de 2003 estava previamente modulado polo Prestige e a guerra, a decisom do governinho colonial de Fraga Iribarne de entregar a medalha de ouro de Galicia ao ministro espanhol de Fomento do actual governo Aznar, -no que nom pode ser mais que interpretado como umha inadmisível provocaçom fascista-, exige umha resposta contundente, combativa e clara dos sectores populares mais conscientes do significado desta ignomínia.
Que o dia nacional da Galiza seja aproveitado para entregar a máxima condecoraçom da instituiçom autonómica a um dos responsáveis directos polo ataque terrorista contra este país e a sua classe trabalhadora, -o ministro espanhol Francisco Álvarez Cascos-, além de ser umha imensa burla, é um oprobioso e desmedido vexame espanhol contra a dignidade do povo galego que nem deve nem pode ficar impune.
Os lacaios locais da Espanha que nos nega, oprime, explora e domina, os politiquinhos de Sam Caetano, os meios de comunicaçom subsidiados e submissos com o poder, os "intelectuais" de estômagos agradecidos, a burguesia indígena, renderám vasalagem a quem desde a incompetência, o criminoso desinteresse, a ineptidom, destruiu parte da costa galega, mentiu reiteradamente até a saciedade sobre o acidente do Prestige, e impingiu um novo golpe à já de por si deteriorada e doente economia dum país tam interdependente do mar e as suas riquezas. A Álvarez Cascos, entre outros, Galiza deve-lhe a triste honra de estar assistindo aos primeiros episódios da quarta reconversom que padece a economia nacional, após a industrial da primeira metade de oitenta, a agrária de finais de essa década, e a pesqueira na primeira parte de noventa.
A Galiza que ocupou as ruas denunciando os responsáveis, a que reivindicou a sua prisom e demissom, a que demonstrou que um povo unido e mobilizado é capaz de combater e superar com imaginaçom e criatividade, com meios próprios, as maiores agressons às que se vê abocado, nom pode ficar passiva, à espreita, na casa, renunciar à denúncia colectiva e activa, desta infámia contra o que somos e queremos ser como galegas e galegos conscientes e orgulhos@s de pertencermos a umha naçom nom disposta a deixar-se insultar, a imolar-se sem luitar, perante a prepotência e a chularia castiça do imperialismo espanhol. A Galiza daquele mejam por nós e dizemos que chove deve ser água passada, nom pode voltar a repetir-se.
Entregar qualquer condecoraçom a Cascos só pode ser obra de mentes doentes ou tam colonizadas que já raiam a esquizofrenia. Algúem no seu sao juízo poderia entender que Abu Mazen entregasse umha medalha da Autoridade Nacional Palestiniana a Ariel Sharon polos serviços emprestados à paz e à confraternidade?; alguém em perfeitas condiçons psicossomáticas poderia compreender que umha organizaçom de mulheres homenageie um agressor sexual?; que um sindicato de classe entregue umha placa de agradecimento à patronal?.
Na tarde deste 25 de Julho, a diferença de outras ocasions, deve continuar a jornada de luita. Cumpre umha resposta adequada a este agravo nacional mediante umha mobilizaçom unitária e plural, em que tenham cabimento diversas vozes da esquerda patriótica política e social, para respostar como merecem a este oprobiosa iniciativa.

A segunda característica deste 25 de Julho é que o projecto político unitário, plural e de massas do independentismo galego, NÓS-Unidade Popular, após a sua constituiçom em 2001, vem de celebrar a II Assembleia Nacional na cidade da Corunha. Sob a legenda Um futuro independentista para Galiza, em 21 e 22 de Junho, a filiaçom, num participativo processo, consolidou o projecto revolucionário do independentismo ratificando e esclarecendo o indiscutível e intrínseco carácter de emancipaçom de classe e género que caracteriza o MLNG que impulsionamos.
As decisons dos intensos debates, os resultados das reflexons teóricas realizadas, das análises políticas tácticas e estratégicas adoptadas, constatam a existência de umha rica pluralidade ideológica que @s comunistas galeg@s sempre defendemos e defenderemos. As correntes organizadas que actualmente convivemos no seio da Unidade Popular e no conjunto do MLNG, as que se venham a constituir e somar, som umha das características consubstanciais do modelo de movimento socio-político que estamos construindo, adaptado às necessidades da nossa particular estrutura de classes, e aos reptos e objectivos que devemos superar.
Primeira Linha, como partido comunista patriótico, como umha das expressons ideológicas do actual movimento de libertaçom nacional e social de género, tem adquirido, desde que se impulsionou o Processo Espiral do que emanou NÓS-UP, um escrupuloso respeito polas decisons e acordos democraticamente adoptados nas estruturas do MLNG de que fai parte e participa. Temos sido garantes da democracia e o pluralismo que errónea e absurdamente se tem querido negar. No futuro seguiremos cumprindo esta funçom de higiene democrática, de garantes do pluralismo do poliedro, conscientes que o projecto de mínimos que representa hoje NÓS-UP nom é, nem nunca deve ser, homologável com o modelo organizativo, as tarefas tácticas, e os objectivos estratégicos comunistas, nem idêntico ao de nengumha outra corrente interna.
A II AN marca um ponto de inflexom porquanto fecha umha etapa de incerteza, mas basicamente porque consolida, reforça e aperfeiçoa o instrumento unitário e plural do que se tenhem dotado diversos sectores do independentismo galego para intervir e transformar a nossa adversa realidade socio-política.
Tal como correctamente assinalam as teses aprovadas, NÓS-UP como casa comum da esquerda patriótica, tem que abrir vias de diálogo e debate, tender pontes, criar espaços comuns de colaboraçom e intervençom com o independentismo que nom aderiu ao Processo Espiral. Tem que abrir linhas de aproximaçom com todos aqueles colectivos, grupos, entidades, dispostas a trabalhar conjuntamente na resistência organizada contra o fascismo e o imperialismo espanhol, contra a globalizaçom capitalista, sem mais condicionantes que o respeito pola identidade nacional da Galiza.
Mas também, tal como acertadamente acordou a II AN, o independentismo galego, com as suas diversas expressons políticas e sectoriais, com todas as suas actuais ferramentas de trabalho, deve sincronizar a intervençom, ajustá-la ao seu específico espaço de intervençom. Hoje o actual MLNG, configurado por AGIR, AMI, CEIVAR, NÓS-UP e Primeira Linha, deve compactar e coesionar as suas análises e reflexons, para fortalecer o movimento no seu conjunto, pois cada avanço, cada recuo de qualquer das entidades que o configuram, influi directamente no resto.


Voltar a Abrente nº 29

Voltar à página principal