AVANTE GALIZA!
mais esquerda, mais independentista

Os dias transcorridos entre 11 e 14 de Março marcárom um ponto de inflexom política no conjunto do Estado espanhol, pondo em evidência de umha parte que as políticas imperialistas e de agressom contra os povos do chamado Terceiro Mundo nom saem grátis. A guerra saiu a cena no coraçom do Estado espanhol, um dos três principais promotores da destruiçom e espólio do Iraque. As perto de 200 vítimas mortais, trabalhadores/as, estudantes e imigrantes, som umha mostra do que está a acontecer quotidianamente nos cenários bélicos activados polo imperialismo ao longo do planeta, tais como o Iraque, o Afeganistám, a Palestina ou a Chechénia, por citar quatro casos gritantes.

De outra parte, a mudança do Governo espanhol, caindo o da extrema direita aznarista, representou um alívio e satisfaçom para o conjunto das esquerdas e a maioria social dos povos do Estado. A situaçom de crescente restriçom de direitos e a ofensiva contra os movimentos de libertaçom nacional dos povos submetidos pola Constituiçom espanhola era insustentável.

Ao pé desse desabafo colectivo que expulsou o Partido Popular da Moncloa, as Eleiçons de Março mostrárom um certo fortalecimento dos nacionalismos periféricos nas suas versons reformistas e autonomistas, com a eloqüente excepçom do representado polo BNG e os seus sócios burgueses na Catalunha, Convergencia i Unió. Confirmou-se a fraqueza do projecto autonomista e reformista do Bloque, incapaz de manter os seus apoios eleitorais com a fórmula da moderaçom sem fim. Perdendo até um terço dos votos, o BNG confirma dia a dia a degeneraçom do projecto nascido em Riazor, confundindo-se com a social-democracia do PSOE e vendo-se mesmo ultrapassado nas reivindicaçons nacionais pola delegaçom catalá desse partido. Ante essa concorrência polo centro político e o autonomismo, o PSOE levou a melhor, como era de esperar, acentuando a crise de identidade do BNG. A confluência com as direitas catalá e basca nas Eleiçons europeias só confirmam essa crise.

A chegada ao Governo do PSOE abriu também falsas expectativas em sectores da esquerda social e os nacionalismos periféricos, que lhe outorgam qualquer virtualidade para efectivar mudanças de fundo na configuraçom do Estado e na rectificaçom das medidas autoritárias do Governo anterior, nomeadamente as que afectam a direitos fundamentais impunemente atropelados por Aznar e companhia. Alguns gestos para a galeria logo à chegada ao poder ajudárom a visualizar essa miragem reformista. A volta de tropas espanholas do Iraque foi o principal desses gestos, obrigado pola pressom social de tantas mobilizaçons e a certeza de ser esse compromisso um dos principais na mobilizaçom do voto anti-PP. Porém, a outra face da moeda está na manutençom da presença ocupante espanhola no Afeganistám, igualmente ilegítima, ou na própria aposta por umha Constituiçom europeia como a que se prepara, paradigma antidemocrático e imperialista de umha UE construída de costas viradas aos povos, as classes populares e as mulheres, e sustentada no capitalismo selvagem e o racismo frente à imigraçom.

Como exemplo da política gestual, de mera maquilhagem assistencial das políticas neoliberais, há que entender o anúncio de incrementar o Salário Mínimo Interprofissional (SMI) em trinta euros realizado em meados de Maio polo ministro do Trabalho. É um insulto para o conjunto das classes trabalhadoras apresentar o ridículo aumento do SMI, -que passa de 459 a 490 euros a partir do mês de Julho-, como mostra da política social do PSOE. E devém ainda mais ofensivo e obsceno quando o regime investe milionários fundos na organizaçom do casamento do herdeiro da Coroa nomeado por Franco. Enquanto se oferecem as migalhas de mais trinta euros mensais a umha das fracçons mais agredidas do povo trabalhador, a família real espanhola, entre a ostentaçom, o luxo, e o glamour, convida à parasitária realeza de meio mundo, as elites e a oligarquia, a uns fastos em que se dilapidam consideráveis fundos estatais extraídos do suor e o sangue da classe trabalhadora.

Nom menos significativa está a ser a manutençom da política relativa ao povo palestiniano. O Estado espanhol tem-se lucrado nos últimos anos com a venda de armamento a Israel no valor de 14 milhons de euros, segundo dados de Amnistia Internacional. O novo Governo presidido por Zapatero nom parece disposto a deixar de vender aos assassinos as armas com que se sabe que irremissivelmente continuarám a massacrar o povo palestiniano. Em lugar disso, durante a ofensiva terrorista do sionismo contra a Faixa de Gaza da segunda quinzena de Maio, o sinistro embaixador israelita no Estado espanhol saía em todas as televisons numha "homenagem" institucional em Madrid aos mortos e mortas do 11-M e armando-se em vítima do dito "terrorismo internacional", numha evidente operaçom de imagem permitida polo próprio Governo do PSOE. Coincidindo com esse acto mediático, helicópteros israelitas de fabrico ianque disparavam mísseis contra manifestaçons pacíficas em Rafah, fazendo 22 vítimas mortas palestinianas. O Governo espanhol, já com o PSOE à frente, nom mexe um dedo para deter a estratégia genocida de Israel, sucursal do imperialismo ianque no Oriente Médio. Ao contrário, vende armas aos assassinos.

Podíamos citar, ainda, a nomeaçom de Pedro Solbes como ministro da Economia, defensor incondicional do neoliberalismo, ou o apoio a Rodrigo Rato como novo presidente do FMI, como exemplos da manutençom dos fundamentos económicos e sociais das políticas anteriores. Porém, é na defesa da "unidade de Espanha" e nas medidas legislativas e executivas de excepçom contra o independentismo (nomeadamente o basco) que o PSOE tem demonstrado já nom passar de representar "o rosto amável de Espanha". A impugnaçom e anulaçom da candidatura abertzale às Eleiçons europeias é a melhor mostra. Continua o Apartheid político contra umha percentagem importante da populaçom basca, agora com o PSOE como principal responsável e, como sempre, com a cumplicidade da maior parte do organizaçons políticas institucionais, BNG incluído. Lembremos que esta força deu o seu aval político ao PSOE na sessom de investidura de Zapatero, nom se sabe se por estar à espera de algumha mudança significativa na política de Estado a respeito da nossa naçom. De qualquer maneira, semelhante esperança poderia ser mostra de ingenuidade se nom houvesse já precedentes da atitude do PSOE à frente do Governo espanhol. De resto, o próprio BNG governou e governa coligado com esse partido em diversas instituiçons, como governos municipais ou deputaçons provinciais. Mais do que ingenuidade ou desconhecimento, semelha tratar-se de coincidência de fundo entre as duas versons da social-democracia actuante na Galiza, a do PSOE e a do BNG, após a chegada ao poder do Estado da primeira delas.

A esquerda independentista galega tem já manifestado a sua desconfiança ante o novo Governo do PSOE. É preciso alertar as massas que nos últimos meses se mobilizárom contra o PP para que todos e todas sejamos realistas quanto às perspectivas que abre o Governo de Zapatero. Longe de lhe outorgarmos qualquer aval, devemos continuar a luitar e reclamar os nossos direitos nacionais, de classe e género, evitando umha desmobilizaçom geral ante o desencanto que umha expectativa diferente suporia nesses sectores activamente implicados em luitas de envergadura como a estudantil contra a LOU, a operária contra os recuos nos direitos laborais, a anti-guerra ou a histórica e massiva movimentaçom contra as marés negras.

O nosso independentismo deve continuar com passo firme, desde a modéstia de um movimento ainda pequeno, a avançar na sua consolidaçom organizativa e social iniciada há três anos com a constituiçom de NÓS-Unidade Popular. A importante capacidade de manobra política demonstrada ante as Eleiçons ao Parlamento europeu, ultrapassando as 15.000 assinaturas exigidas polo Estado espanhol para a concorrência e desenvolvendo umha campanha séria dentro das evidentes limitaçons económicas, servirá sem dúvida para a socializaçom do nosso projecto em novos sectores populares. É imprescindível continuarmos nessa linha, ganhando novas incorporaçons que nos permitam atingir novos e ambiciosos objectivos como movimento. Nas nossas fileiras nom deve haver lugar para o conformismo.

A militáncia de Primeira Linha, entregada desde o primeiro momento à construçom do novo independentismo, continuará a ocupar a vanguarda no trabalho e o compromisso diário, na defesa da língua, no trabalho nos movimentos sociais e no fortalecimento de um movimento plural e aberto ao Povo Trabalhador Galego, único agente político capaz de liderar a necessária conquista da soberania nacional e todos os direitos sociais para o nosso povo.


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