Frente ao continuísmo
Independência e Socialismo

Neste número de outono as análises do editorial do Abrente som coincidentes na adjectivaçom que consideramos mais rigorosa para definir duas situaçons aparentemente diferentes, embora mantenham idêntico fio condutor. Referimo-nos ao actual regime vigorante no Estado espanhol, mas também aos primeiros cem dias da acçom do governo autonómico galego.

A actual monarquia espanhola representada na figura de Juan Carlos de Bourbon exprime com meridiana clareza o continuísmo do autoritarismo franquista que durante quarenta anos impujo o terror, opressom e exploraçom da vitória militar sobre a democracia burguesa republicana. Os estreitos limites democráticos do actual Reino de Espanha som inerentes a esse continuísmo que 30 anos após a morte de Franco logrou perpetuar os mecanismos de exploraçom do bloco de classes dominantes. A opressom nacional da Galiza e outras naçons sob a dominaçom espanhola, a exploraçom das classes trabalhadoras, e a específica discriminaçom das mulheres como mais de metade da força de trabalho social, som os três principais esteios deste regime.

Nom podemos negar que a alternáncia de partidos que caracteriza desde 1977 o sistema jurídico-político pactuado entre os sectores mais possibilistas do franquismo, a esquerda reformista espanhola e as burguesias basca e catalá, goza de evidente vitalidade que permite umha grande estabilidade.

Deste jeito, qualquer análise centrada na "decisiva importância" de apoiar criticamente posiçons "progressitas" frente às ameaças "conservadoras", sobrevalorizando os efeitos de etapas de maior abertura sobre as involucionistas, carece de qualquer valor mais alá do pírrico carácter epidérmico da natureza supostamente transformadora de quem as promove.

Esta lógica alternáncia nom determina o carácter mais ou menos democrático do regime, é basicamente fruto das necessidades conjunturais a nível interno, -mas também das pressons externas do imperialismo-, da fracçom burguesa que nesse momento hegemoniza a gestom do Estado por meio de um dos dous grandes partidos do regime: PSOE e PP. Nom nos enganemos, meras estruturas de poder e dominaçom praticamente idênticas no cerne: intransigente defesa do centralismo jacobino, do modo de produçom capitalista e do sistema patriarcal. Ou empregando termos mais populares: PSOE-PP, a mesma merda é. Obviamente as suas bases eleitorais som sociologicamente distintas, porém as suas elites compartilham praticamente os mesmos privilégios de casta política corrupta.

Qualquer projecto sociopolítico autodefinido de esquerda, cujo programa nom questione a monarquia borbónica e denuncie o carácter antidemocrático do actual regime, nom passa de ser umha farsa. Aqui está a linha divisória entre as posiçons genuinamente de esquerda e as que tam só adoptam umha roupagem mais ou menos esquerdista, mas que só com arranhar um pouco na sua superfície rapidamente se chega à conclusom de que é umha pantomima. Nom falamos exclusivamente de questons ideológicas, mas sim de política concreta. Quem continue a negar o direito da classe trabalhadora galega, basca ou catalá, a decidir o seu destino, ou seja, a exercitar o direito de autodeterminaçom, empregando o mesmo discurso da burguesia, nom se pode qualificar como esquerda. Ser de esquerda hoje, aqui, neste país, na Galiza, significa, -além de combater o neoliberalismo com um programa e intervençom socialista-, defender e promover em todos os ámbitos a autodeterminaçom. E, portanto, questionar a imposta unidade de Espanha que tam só favorece e interessa objectivamente à burguesia, que pretende por todos os meios perpetuar a unidade de mercado, de acumulaçom e expansom de capital, que hoje é este cárcere de povos chamado Estado espanhol.

E quem representa a permanência do Estado mais do que a monarquia? A defesa da I República, galega, obviamente, -pois reclamar a III (espanhola) significa negar o carácter nacional da Galiza-, tem de ser umha das pedras angulares de qualquer alternativa de resistência e luita polos direitos das maiorias sociais. @s comunistas galeg@s assim o vimos reclamando e manifestando desde a nossa constituiçom em 1996.

O respeito e subordinaçom aos limites que o sistema permite, a política real do BNG e IU, nom a imaginária que às vezes profressam alguns dos seus núcleos militantes em calculados alardes de confusionismo, constatam a sua plena integraçom no continuísmo franquista. Deste jeito devemos entender as propostas estatutárias do autonomismo, o patológico anti-independentismo de Quintana e Paco Rodrigues, as obssesivas mostras de adesom e submissom ao regime.

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Os três meses de novo Governo autonómico que susbtituiu Fraga na gestom das quatro províncias espanholas que conformam a Comunidade Autónoma Galega, é um período de tempo reduzido para realizar umha avaliaçom em profundidade do que vai ser e fazer esta Junta. Porém, tal como já manifestamos em Julho, a esquerda independentista nom depositava, nem deposita, a mais mínima expectativa sobre as possibilidades de mudança. Estes 100 primeiros dias apenas confirmárom os nossos pronósticos. A "revoluçom tranquila" de Quintana e a "mudança" de Tourinho som simples legendas vácuas, de marqueting, para manter adormecido o movimento popular.

Em Agosto, na Galiza, nom tivo lugar mais do que umha habitual e lógica expressom da alternáncia política que caracteriza as democracias burguesas. Neste caso, realizada de forma serôdia polas peculiaridades específicas da nossa particular estrutura de classes. Há que mudar com maior ou menor regularidade governos e partidos, mantendo idênticas políticas, para assim fortalecer a ditadura do Capital fazendo desta ilusom um muro de contençom frente o mal-estar geral que atravessa o estado de opiniom das maiorias sociais.

A pequena burguesia liberal está entusiasmada, amplos sectores obreiros e populares seguem expectantes, mas nada se pode aguardar do bipartito mais alá de "mudanças" superficiais nas formas, estilos, e isoladas medidas antagónicas a aquelas que vinha praticando o PP.

E todo isto tem lugar numha conjuntura propícia: o PP está em plena crise de sucessom, e os movimentos sociais protagonistas das grandes luitas desenvolvidas nos primeiros anos deste século estám aguardando que as promessas se convertam em realidades.

Mas se o PSOE de Tourinho e Paco Vázquez nom estám interessados em imprimir umha nova política económica, nem em incrementar o autogoverno galego, o BNG de Quintana e a UPG estám entusiasmados com a nova parcela de poder que lhes concedeu o regime. Uns controlam as molas do poder, os outros som a comparsa acomplexada.

Nos vindouros quatro anos, assistiremos à domesticaçom definitiva daquelas estruturas de massas do autonomismo que ainda nom se reciclárom completamente, mas também poderemos ver emergir a necessária ruptura de certos sectores da base social da esquerda nacionalista com a capitulaçom da sua direcçom.

Porém, o MLNG deve seguir com o rumo traçado, construindo força social e política. A nova esquerda independentista tem que continuar avançando sem ataduras, nem sucursalismos, participando activamente nas luitas populares com linha de massas, mas também espalhando a combatividade da resistência.

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As operaçons repressivas que a Guarda Civil realizou em Junho e Novembro deste ano contra BRIGA e AMI, além de respoderem à dialéctica interna de guerra surda no interior dos aparelhos do estado e do PSOE em relaçom com situaçom basca e catalana e as reformas estatutárias, procuram basicamente criar alarme social, criminalizando o conjunto da esquerda independentista, e frear o fortalecimento do nosso Movimento de Libertaçom Nacional.

As operaçons Cacharón e Castiñeiras fracassárom nos seus objectivos imediatos de descabeçar as organizaçons juvenis independentistas, embora continuem avante os objectivos de declará-las associaçons ilícitas.

Embora a esquerda independentista na actualidade continue a ser um movimento carente de apoio popular, os estrategas da contrainsurgência espanhola som conscientes das imensas potencialidades que tem o MLNG. Trata-se pois de gorar a consolidaçom organizativa, de evitar a acumulaçom geracional, de isolá-la socialmente mediante a intoxicaçom e linchamento mediático, para impedir que podamos ser um dos motores das grandes luitas sociais dos vindouros anos.

Sempre mantivemos que a repressom jurídico-policial, e a manipulaçom mediática, som fiéis companheiros de viagem dum processo revolucionário, mas também sempre defendemos que, perante qualquer processo repressivo, cumpre dar umha resposta massiva e unitária, suprapartidária. O conjunto da esquerda autodeterminista e os sectores realmente democráticos da esquerda nacionalista devemos denunciar o carácter repressivo do regime e todas aquelas atitudes condescendentes com a repressom.

Primeira Linha manifesta mais umha vez a solidariedade d@s comunistas galeg@s com @s últimos dez independentistas detid@s pola Guarda Civil, e solicita a liberdade de Ugio e Giana, pres@s polític@s galeg@s.

 

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