Ofensiva
de classe frente aos ataques do Capital
O
ano que iniciamos vai ser crucial no combate que o Capital vem incansavelmente
travando contra as conquistas laborais e sociais atingidas pol@s trabalhadoras
e trabalhadoras em mais de século e meio de luita de classes.
Os
retrocessos nas nossas condiçons de trabalho e de vida, nos nossos
direitos democráticos, acelerados desde a década passada, som
fruto das dificuldades experimentadas polo movimento obreiro para manter umha
firme atitude de resistência e combate contra os objectivos da burguesia
de recuperar a taxa de ganho que se vira obrigada a distribuir para neutralizar
em Ocidente o avanço da luita da classe trabalhadora.
Dificuldades
derivadas da intensa subjectivaçom da derrota provocada pola implosom
do regime soviético e posterior vitória da globalizaçom
capitalista, com o conseguinte desmantelamento da frágil ordem keynesiana
e imposiçom do vigente caos universal a que nos está levando
o capitalismo na sua selvagem fase neoliberal.
A
morna resposta do sindicalismo tradicional, e dumha boa parte das organizaçons
e partidos de esquerda, inclusive os revolucionários, consistiu em
abraçar sem reservas o "diálogo social", esse perverso
instrumento empregado pola burguesia e os seus governos para ganhar tempo,
introduzir confusionismo, dividir a unidade de classe, cooptar as corruptas
aristocracias obreiras empoleiradas nos sindicatos financiados polo Capital,
e deste jeito ir aplicando sem grandes resistências os seus planos estratégicos.
A concertaçom significa, nem mais nem menos, consenso neoliberal.
Flexibilizar
e desregular o mercado laboral mediante contínuas reformas consistentes
no embaretecimento do despedimento, na precarizaçom laboral, no congelamento
salarial, alargamento da jornada laboral, na reduçom das pensons, supressom
das prestaçons sociais, combinado com a privatizaçom dos serviços
públicos e dos sectores estratégicos da economia, tenhem sido
os principais eixos desta ofensiva que pretende converter a mao de obra numha
simples mercadoria.
Mas
a burguesia é insaciável na sua ilimitada voracidade e, perante
a grave crise do sistema capitalista, nom se conforma com o recuperado nestes
anos de cessons por parte do movimento obreiro e popular. Necessita e quer
mais.
Assim devemos interpretar as diferentes iniciativas com que pretendem golpear-nos a escala da UE mediante a Directiva Bolkestein e a Directiva para a ordenaçom do mercado do trabalho, a nível estatal com a reforma laboral que CC.OO e UGT estám a pactuar com o patronato e o governo de Zapatero, e no ámbito autonómico com o pacto social promovido polo bipartido e a CEG com as grandes centrais sindicais.
Unidade de
classe para fazer frente às anunciadas agressons
A única
possibilidade, mas também a nossa melhor arma, para evitar que se consumem
estes novos ataques, reside na imensa potencialidade da classe trabalhadora
galega para empregar todos os meios de luita que considere oportunos para
fazer frente aos planos do capital transnacional, espanhol e autóctone.
Nom só
cumpre informar nas empresas e centros de trabalho, debater os objectivos
e conseqüências destes planos, também é necessário
injectar consciência, isolar a resignaçom e o conformismo, gerar
dinámicas de luita, demonstrar sobre o terreno a imensa força
da unidade operária, desmascarar as práticas colaboracionistas
do sindicalismo amarelo, ligar os objectivos tácticos do presente com
os estratégicos de superaçom do capitalismo, da opressom nacional
e marginalizaçom das mulheres por meio dumha Revoluçom Socialista.
A mobilizaçom convocada pola CIG no passado 14 de Fevereiro na Corunha contra a Directiva Bolkestein nom deveria ser um facto isolado, deve ser o arranque de um processo de mobilizaçom operária contra esta ofensiva. É necessária a recuperaçom da iniciativa por parte do movimento obreiro.
As promessas
incumpridas polos falsos governos "amigos"
No equador da
legislatura de Zapatero no governo espanhol, e mais de meio ano depois da
substituiçom de Fraga na Junta polo tandem Tourinho-Quintana, nengumha
das grandes promessas que seduzírom amplas massas trabalhadoras, logrando
o apoio eleitoral às suas candidaturas, fôrom cumpridas. Esta
é a crua realidade. Até o momento, o PSOE e os seus aliados
na Comunidade Autónoma Galega mantenhem umha política socioeconómica
idêntica à aplicada polo PP.
ZP governa seguindo
as directrizes de José María Cuevas e Tourinho-Quintana as de
António Fontenla. A classe trabalhadora é tam só um viveiro
de votos a que apelar para ganhar eleiçons. É simples carne
de canhom eleitoral.
Os partidos parlamentares
do sistema político imposto pola burguesia na reforma maquilhada do
franquismo defendem interesses semelhantes, embora mantenham bases sociais
diferentes.
O conjunto da
classe trabalhadora, e fundamentalmente o proletariado, nom podem seguir delegando
o apoio eleitoral às forças burguesas ou pequeno-burguesas.
A independência política da classe obreira é essencial
para que os movimentos de massas que contribuírom para a derrota eleitoral
da expressom mais reaccionária da burguesia, da direita autoritária
e espanholista representada polo PP, nom sejam instrumentalizados polas fracçons
liberais com falsas promessas; a independência política da classe
obreira é umha tarefa primordial para evitar estas fraudes "democráticas"
a que nos condena o sistema cada quatro anos. A classe obreira necessita contar
com umha genuína representaçom obreira nos parlamentos burgueses
para defender os seus interesses, ou seja, os da imensa maioria da populaçom
dum país como a Galiza.
Já passou
suficiente tempo para se desenganar sobre as virtuais expectativas depositadas.
Som horas de acordar desse doce sono que na dura realidade do dia a dia fomos
comprovando que nunca passou dumha ilusom.
O incremento dos produtos básicos tem ido acompanhado polo congelamento salarial, a precariedade laboral e o desemprego nom deixárom de subir, os acidentes laborais atingírom no ano passado na CAG umha das suas cifras recordes: 132 trabalhadoras/es morrêrom no trabalho, a juventude continua a emigrar, a pobreza é cada dia maior, atingindo a novos sectores operários: o working poor, aqueles assalariad@s que carecem polos seus baixos ingressos das mínimas condiçons para viver com dignidade.
A reforma
estatutária nom pode ser umha simples cortina de fumo
A anunciada reforma
do Estatuto de Autonomia da CAG, se nom reconhecer o exercício do direito
de autodeterminaçom, nom passará de um novo engano ao povo trabalhador
galego por parte das elites políticas das forças parlamentares.
Umha nova operaçom tendente a facilitar um novo encaixe da Comunidade
Autónoma nesse mercado unitário chamado Espanha que defende
a burguesia.
A prática
totalidade da grave situaçom que padecem as classes trabalhadoras está
indisoluvelmente ligada à dependência nacional a que se vê
submetida a Galiza polo projecto imperialista espanhol.
É a maioria
social quem padece as conseqüências desta dependência, e
portanto o proletariado nom pode ficar à margem do processo aberto.
Tem que dotar-se de voz própria, tecer umha ampla política de
alianças, denunciar o esgotamento do actual quadro-jurídico,
defendendo a única opçom democrática: o povo galego e
a Galiza som o único sujeito e ámbito soberano de decisom.
Sem soberania nacional, a classe trabalhadora nom poderá decidir o seu futuro.
A Junta carece
de vontade política para aplicar outra política
É possível
aplicar outra política no quadro de dependência nacional e economia
de mercado. A "Tabela reivindicativa de mínimos para o novo governo
autonómico", consistente em 444 medidas concretas para umha nova
política nacional e de esquerda, apresentada por NÓS-UP em Setembro
do passado ano ao governo bipartido, demonstra que o único que fai
falta é coragem e decisom política para mudar o rumo das nefastas
políticas aplicadas na Galiza nos últimos vinte e cinco anos.
Mas os inquilinos de Rajói carecem de ambas cousas.
Primeira Linha nom se surpreende com o que está a acontecer. @s comunistas galeg@s nunca depositamos a mais mínima confiança nas potencialidades deste governo. Nom podia ser de outro jeito. A composiçom do governo autonómico e as semelhantes evoluçons político-ideológicas das forças que o sustentam permitem compreender que o actual governo da Junta da Galiza esteja mais interessado em favorecer Amáncio Ortega, Manuel Jove ou o grande capital financeiro, do que em melhorar as condiçons de vida d@s trabalhadores, da juventude, das mulheres, d@s reformad@s. Eis a realidade. Porém, sabemos que os processos sociais tenhem o seu próprio tempo político. Que, por enquanto, a cada vez maior frustraçom popular ainda nom está madura para iniciar a vaga de luitas que pressione a Junta a cumprir com os compromisos adquiridos em Junho de 2005. Mas é necessário ir abrindo caminho.