1º de Maio, Dia do Internacionalismo Proletário

CONTRA O CAPITAL, RESISTÊNCIA OPERÁRIA


Venhem tempos duros para a classe operária galega. O Capital acha-se em plena execuçom dum ataque de proporçons desmedidas contra as condiçons laborais e de existência das trabalhadoras e trabalhadores. Obedientemente, todas as instituiçons políticas operantes na nossa naçom tomam posiçons para darem cobertura à ofensiva. Os golpes chegam de todos os lados. A nível europeu, a Uniom aprova directivas como a Bolkestein ou a de ordenaçom do mercado de trabalho, que despejam o terreno para a rapina das multinacionais, generalizando a precariedade e a desprotecçom social. Simultaneamente, o bipartido de Tourinho e Quintana, aliado com empresários e dirigentes das centrais sindicais maioritárias, senta as bases de um "pacto social" que acabe de vez com a pouca capacidade de resistência que ainda resta à nossa classe.

Para fechar o círculo, umha nova reforma laboral cozinha-se desde há meses nos gabinetes madrilenos do patronato e das burocracias sindicais espanholas, sob a atenta tutela do governo neoliberal do PSOE. Em datas próximas, conheceremos os conteúdos exactos deste novo golpe de chicote nas costas do povo trabalhador, embora o pouco que durante o processo foi trascendendo nom augure mais do que terríveis conseqüências para o conjunto das massas exploradas. Vejamos alguns exemplos do que exploradores, negociantes e vende-obreir@s estám a preparar-nos:

- O despedimento será facilitado e ficará mais barato para os empresários por diversos meios. Eliminando os obstáculos legais para o despedimento colectivo; eliminando o despedimento nulo, que até a altura podia obrigar o empresário a reincorporar a despedida ou despedido; subvencionando o empresário até em 40% dos custos por despedimento (com dinheiro público!); Generalizando, em substituiçom da contrataçom indefinida, o chamado "contrato de fomento do emprego", que, entre outras "virtudes", tem a de reduzir as indemnizaçons por finalizaçom de contrato de 45 a 33 dias por ano trabalhado.

- Aprofundará-se a precarizaçom do mercado laboral, promocionando a subcontrataçom que, como bem conhecemos já na actualidade, tem lugar em condiçons deploráveis tanto no referente a salários como a segurança, jornada laboral, protecçom social e um longo e trágico etcétera. Criará-se, para tal fim, um novo modelo contractual que permite o despedimento automático com indemnizaçons de miséria.

- Promocionará-se a actividade das ETTs, no caminho de privatizar completamente os já inoperantes serviços públicos de emprego.

- As pensons verám-se reduzidas, eliminará-se o direito à reforma aos 60 anos e promocionará-se o trabalho além dos 65.

Novamente, a burguesia espanhola, desesperada na sua incapacidade para atingir umha posiçom cómoda no competitivo mercado europeu, pretende alargar a sua taxa de ganho radicalizando a exploraçom da nossa força de trabalho. Volta a ficar à vista de tod@s que, independentemente da cor política dos governos de turno na Galiza, em Espanha ou na Europa, na guerra que enfrenta os capitalistas contra nós, nom há trégua nem cessar-fogo.

Perante esta nova agressom que se aproxima, o movimento operário nom pode permanecer impassível ou contentar-se com umha tímida resposta dentro dos estreitos limites da paz entre classes. Está na hora de abandonarmos a resignaçom a que o discurso pactista das burocracias sindicais nos conduz, e botarmos abaixo esta reforma laboral com toda a contundência que for necessária, recorrendo sem medo a todos os métodos de pressom, mobilizaçom e luita de que dispomos, obrigando os sindicatos de classe a situarem-se do nosso lado e a abandonarem o imobilismo que apenas benefícia os promotores da ofensiva capitalista. Nos próximos meses, @s comunistas galeg@s estaremos pront@s a contribuir para organizar a resistência operária que bote por terra os planos do Capital.


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A tentativa, por parte do Estado francês, de actualizar os seus instrumentos de exploraçom específicos para a juventude, por meio do Contrato de Primeiro Emprego, vem de fracassar estrepitosamente, deixando atrás umha experiência que merece a nossa atençom por diversos motivos.

Em primeiro lugar, porque o povo trabalhador francês acabou de dar umha liçom histórica às exploradas e explorados da Europa ocidental. Implicando multitude de segmentos sociais -desde o proletariado industrial até o estudantado universitário- durante semanas de greves, cortes de tránsito, manifestaçons maciças, combates na rua e actos públicos; o CPE foi derrogado e o Estado ficou vencido. Devemos parabenizar as trabalhadoras e trabalhadores franceses nom só por terem atingido tam rotunda vitória, mas também por demonstrárem que na Europa, no centro do sistema capitalista, a mobilizaçom e a luita operária som ainda métodos válidos e eficazes para frear a ofensiva da burguesia.

Em segundo lugar, porque os acontecimentos som umha boa mostra do preocupante estado de saúde do nosso próprio movimento operário. Na Galiza, condiçons laborais muito semelhantes ou piores das que o CPE pretendia legalizar som dia após dia aplicadas a milhares de jovens em praticamente todos os ramos da produçom assalariada, sem que haja nem de longe dumha resposta de firmeza e contundência comparáveis com a que o Estado francês viveu nestes dias.

 

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O Abrente alcança o seu número 40 após dez anos de publicaçom regular e ininterrompida, após ter dado acolhida a decenas de vozes anti-sistémicas de diversas correntes da esquerda nacional e internacional, mantendo sempre a qualidade editorial, chegando às maos de milhares de trabalhadoras e trabalhadores galegos. Nesta Galiza de inícios de século, para umha revista das características da nossa, trata-se dum repto cuja superaçom nos enche de orgulho e de ilusom para o futuro. É por isso que nom podemos deixar passar a ocasiom sem dedicarmos umhas linhas de sincero agradecimento a quem tem feito isto possível: a tod@s @s camaradas de Primeira Linha, às nossas colaboradoras e colaboradores e, como nom, a todas e todos os que cada três meses procurades na caixa do correio, no centro social ou entre o tumulto da manifestaçom estas cinco colunas comunistas, independentistas e antipatriarcais.



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