O imenso poder da unidade do proletariado

Na primavera o nosso país tivo oportunidade de assistir com nitidez às duas formas antagónicas que marcam a linha divisória entre a praxe política burguesa e operária. Referimo-nos à greve do metal do sul da Galiza e ao processo consultivo para elaborar a reforma estatutária.

Por um lado umha exemplar luita de massas, de carácter unitário e combativo, que emprega a fábrica e ocupa a rua como espaço primordial de intervençom, que se desenvolve ao calor da mobilizaçom, que se dota de um modelo da democracia operária assemblear, e supera os rígidos limites impostos pola ditadura do Capital na sua forma de democracia burguesa para incidir e pressionar, e cujo desenlace nom se conhece de antemao. É fruto da capacidade de luita e das forças movimentadas.

Do outro lado um planificado e ordenado calendário de comparecências, que nom permite imprevistos, nem sobressaltos, baseado na política espectáculo, na projecçom mediática, encerrado entre os luxos das instalaçons autonómicas, com umha idêntica finalidade, que todos, -salvo as excepçons que confirmam a regra-, partilham.

Ambos os modelos exprimem duas concepçons do mundo. De quem tem que luitar para defender os seus direitos e assegurar as mais elementares condiçons materiais de existência, quem padece a exploraçom surda, mas real, do capitalismo neo-liberal, mas também a repressom violenta dos instrumentos coercitivos que o Capital possui para impor a sua "ordem".

E por outro lado a política profissional, conformada por elites afastadas da realidade diária do mundo do Trabalho, das suas angústias e misérias. Por umha casta conformada por oportunistas desclassados e quadros burgueses cuja tarefa é representar umha permanente funçom que aparentando pretender melhorar as condiçons do presente, só aspira a aperfeiçoar os mecanismos de alienaçom que submetem amplos contingentes populares na superstiçom e numha virtual realidade que contribui a anestesiar, dividir e paralisar os processos de luita como o desenvolvido polo sector metalúrgico.

Aqui, sem aditivos, nem corantes, sem utilizar recursos retóricos e apelos doutrinais, podem-se contemplar, em estado puro, as divergências e profundas diferenças, e portanto, o carimbo que caracteriza os reformismos e as organizaçons revolucionárias. Os que utilizam a luita de massas com exclusivos fins eleitorais e para dotar-se de activos que permitam reforçar as suas capacidades de negociaçom no jogo institucional, e as organizaçons de classe que cedem a sua experiência teórico-prática para conseguir melhoras aqui e agora, mas também para incrementar a consciência média do proletariado e da classe trabalhadora para avançar na emancipçom e ligar as luitas imediatas, parciais com o Socialismo. E este nom emana de umha maioria aritmética num parlamento e numhas instituiçons desenhadas para perpetuar a dominaçom da burguesia. Será resultado do dialéctico processo da luita de classes, com as suas fases e períodos de calma e de luita, de fluxos e refluxos, mas que inexoravelmente só poderám atingir a plena emancipaçom e libertaçom mediante umha transformaçom radical do presente. E isto só é possível mediante a Revoluçom, com maiúsculas e sem maquilhagens.


A democracia burguesa é puramente instrumental

O período sobre o que vimos reflectindo também permite constatar umha evidência que define o marxismo da charlatanice: o carácter instrumental da democracia para a burguesia.

Refererimo-nos à concepçom minimalista e restringida da democracia, entendida nom como o sistema político cuja fonte de soberania reside no conjunto do povo, mas como a ditadura disfarçada de umha minoria sobre a maioria, de forças políticas, instituiçons e governos subordinados aos ditados do Capital e dos seus interesses. Porém este travestismo a que o capitalismo conduziu a democracia, -acelerado desde que o imperialismo norte-americano pom em andamento a guerra contra o conjunto da humanidade sob a justificaçom do combate ao "terrorismo"-, ciclicamente nom pode evitar ocultar o seu carácter perverso.

Após pressionar durante anos para que os territórios ocupados da Palestina se dotassem de um modelo de democracia ocidental, e renovassem representantes no parlamento de Ramala, Ocidente nom reconhece os legítimos resultados eleitorais nos que Hamas logrou maioria absoluta, e castiga ao povo palestiniano por ter escolhido "erradamente" mediante sufrágio universal e as normas ditadas polos organismos internacionais aos seus represenantes políticos, retirando a ajuda humanitária internacional. A UE e os USA, que competem polas essências da democracia, nom assumem que o povo palestiniano tenha escolhido livremente seus dirigentes porque nom coincidem com os seus interesses.

Umha situaçom semelhante aconteceu na Argélia em 1991 quando o FIA (Frente Islámica de Salvaçom) ganhou as eleiçons e Ocidente avalou o golpe de estado que afogou o país árabe numha dilatada guerra civil que ainda nom deu superado.
Mas este tipo de sucessos nom som exclusivos da periferia do mundo rico e opulento, também na área ocidental e sob o Estado espanhol que nos oprime, temos exemplos que desqualificam polo seu próprio peso a democracia burguesa.


Os processos de reforma estatutários

Quando Zapatero afirmou solenemente num comício do PSC em Barcelona durante as eleiçons autonómicas de 2003 que dérom lugar à derrota da hegemonia de CiU, que acataria fosse qual fosse a vontade soberana do povo de Catalunha sobre a reforma estatutária, diferentes expressons do reformismo vertêrom rios de tinta para reforçar as teses de que umha nova era democrática substituia a etapa de Aznar.

Posteriormente a realidade constatou que as promessas as leva o vento, e que o PSOE como fiel garante da unidade de Espanha que necessita o capitalismo espanhol, nom respeitou a "soberania do povo catalám" desfigurando completamente o Estatut aprovado no parlamento autonómico com o respaldo maioritário da Cámara, salvo o PP.

O texto foi amputado polo Congresso espanhol impondo deste jeito o cenário que o regime necessitava: ruptura do tripartito, um referendo com maioria de votos afirmativos embora sob umha abstençom maciça, renúncia de Maragall a repetir como candidato nas eleiçons antecipadas, profunda crise em ERC pola sua errática trajectória, e condiçons para que a direita catalanista recupere a Generalitat.

A Espanha plural de Zapatero vai desvelando-se. Tal como acontecera antes rejeitando o documento aprovado polo parlamento autónomo basco, o denominado "Plano Ibarretxe", Madrid tam só procura umha tímida revisom e reajustamento da arquitectura institucional que reformou o franquismo na actual democracia espanhola.

Para eles a democracia só é legítima se ganham. Em caso contrário nom duvidam em cerceá-la ou mesmo suprimi-la. A experiência republicana de 1936, e posteriormente da Unidade Popular de Allende em Chile nunca deve ser esquecida polo movimento operário, polos povos oprimidos.


O caso galego

Novamente a singularidade do nosso País nom vem determinada por termos também sido agredidos por Madrid. A dia de hoje, após finalizar o processo consultivo para iniciar a elaboraçom da reforma do Estatuto de 1981, nom está ainda claro se a mimética iniciativa que conforma um dos pontos estrela do governo bipartito que gere a CAG vai poder descolar. O PP, a única força imprescindível para iniciar a reforma estatutária, ainda nom decidiu que vai fazer finalmente, se vetar o processo ou permitir que arranque. Dependerá do que for mais produtivo do ponto de vista eleitoral.

Porém para @s comunistas da Galiza está questom é secundária. A reforma do Estatuto é umha monumental fraude que só procura facilitar um melhor encaixe dos territórios galegos que conformam a CAG na Espanha autonómica, e só vai beneficiar as elites económicas e políticas.

A classe operária e as camadas populares voltarám a ser mais umha vez as grandes perdedoras deste processo que nega o direito de autodeterminaçom e ao povo galego e Galiza como único sujeito e ámbito soberano de decisom.

Nem queremos, nem apoiamos o actual Estatuto, nem nengum arremedo como essa falácia regionalista denominada pomposamente Estatuto de naçom, queremos poder decidir sem ingerências externas o nosso futuro como povo, e isto só é possível exercendo o direito de autodeterminaçom. O mesmo que avalizárom há menos de dous meses em Montenegro e aqui nom permitem exercer.


Dia da Pátria

Primeira Linha transmite a sua satisfacçom pola convocatória realizada polas Bases Democráticas Galegas para o 25 de Julho deste ano. A iniciativa desta entidade social para aglutinar e contar com o apoio das expressons da esquerda soberanista é umha boa notícia para o movimento autodeterminista, que deve estar por cima das diferenças e confrontos partidários.

@s comunistas galegos apoiamos a manifestaçom das Bases polo seu carácter integrador e unitário, por pretender ressituar no centro de gravidade da acçom política galega a carência de soberania nacional, e por manter umha inequívoca posiçom contra o fraudulento espectáculo da reforma estatutária que nos querem impor espanholistas conservadores e social-liberais e a direcçom regionalista do autonomismo.

 

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