Tal para qual

A grave crise incendiária que arrasou na primeira metade de Agosto –tam só na Comunidade Autónoma Galega, mais de 100 mil hectares de monte– e a irresponsável atitude adoptada polo Governo PSOE-BNG, som umha boa mostra do continuísmo do bipartido um ano e meio depois de ter ocupado as Conselharias de Sam Caetano.

Nom negamos a existência de umha criminosa trama incendiária que tentou pôr em xeque o Governo autonómico, tal como a morfologia dos incêndios evidencia, basicamente concentrados na faixa sul-ocidental e nas redondezas das grandes cidades e vias de comunicaçom. Tampouco desligamos este fenómeno endémico, que vem acompanhando nos últimos quarenta anos os veraos galegos, do modelo de subdesenvolvimento a que nos submete o capitalismo espanhol.

Por estes motivos, sem modificar radicalmente a política florestal, urbanística e agrícola que se vem aplicando sistematicamente, esta catástrofe ambiental e socioeconómica continuará a ser “o pam de cada dia” dos cada vez mais dilatados períodos estivais galegos. Porém, se no Verao de 2005 nom era possível modificar a errónea estratégia de combate ao lume que o PP tinha criado nos 16 anos de fraguismo, nesta ocasiom nom existe a mais mínima justificaçom para que, um ano depois, o bipartido nom tivesse substituído umha política que, temporada após temporada, manifesta a sua absoluta ineficácia. Tourinho e Quintana carecem de vontade política para fazerem frente às raízes deste problema, ou seja, para confrontar os interesses da indústria do papel e da madeira, do capitalismo especulativo que está assaltando a costa galega, reproduzindo a urbanizaçom selvagem que realizou no Mediterráneo desde a década de setenta. Porque, mais alá da retórica e da propaganda, a Conselharia de Meio Rural carece de um plano integral de fomento e recuperaçom das cada vez mais amplas zonas despovoadas da Galiza interior pola emigraçom, perante a inviavilidade em manter exploraçons agropecuárias por mor das draconianas condiçons e imposiçons da UE e do Estado espanhol.

Sem mudar a fundo o modelo socioeconómico que, por imposiçom, nos designárom Madrid e Bruxelas na sua divisom internacional do trabalho, sem superar os mecanismos perpetuadores do atraso económico e social a que nos condenam, nom há a mais mínima possibilidade de evitar que os incêndios arrasem os montes e que as águas da chuva inundem núcleos urbanos, tal como aconteceu ao longo de último trimestre de 2006. Acontecerá antes todo o contrário, cada ano que se passe esta situaçom tenderá a agravar-se, fruto da desfeita ambiental que a Galiza padece em conjugaçom com as mudanças climáticas globais provocadas polo aquecimento planetário.

Mas este diagnóstico, o do continuísmo da política regionalista e neoliberal da etapa Fraga, é aplicável ao conjunto da acçom de governo em todos os seus ámbitos, sem excepçom.

A política socioeconómica mantém-se inalterável. A Junta continua a apostar no neoliberalismo, a favorecer os interesses do capital, das grandes empresas, dos bancos e das multinacionais. Por enquanto, no se adoptárom as medidas de choque exigíveis a qualquer governo progressista para aliviar a grave situaçom da imensa maioria da classe trabalhadora que, ou bem continua desempregada, com contratos precários e eventuais, baixos salários, a sofrer indíces de sinistralidade laboral superiores à média europeia, perdendo ano após poder de compra e direitos laborais, ou entom fornecendo e alargando a pobreza e a exclusom social.

Um ano e meio depois da investidura do tandem Tourinho-Quintana, a língua e cultura nacional prossegue, respectivamente, umha imparável perda de falantes e de vitalidade perante o demolidor avanço do espanholismo na sua estratégia de plena assimilaçom. As respectivas conselharias e departamentos, ou exercem um criminoso autismo, ou som corresponsáveis por esta alarmante situaçom. A Junta do PSOE-BNG, finalmente, nom só optou por manter o megalómano projecto da Cidade da Cultura, senom que decidiu continuar com o escandaloso esbanjamento do dinheiro público para posteriormente abrir a gestom do recinto ao capital privado mediante a fórmula das fundaçons.

As duas forças políticas que sustentam o Governo autonómico carecem de vontade na hora de ligarem a grave situaçom socioeconómica, laboral, ambiental, cultural em que se acha Galiza, com a situaçom de dependência nacional que padece.

PSOE-BNG mantenhem práticas idênticas da etapa PP

O conjunto desses milhares de cargos públicos, funcionários e liberados das organizaçons, fundaçons, entidades e diversos “chiringuitos” feitos ad hoc, assessores, cargos de livre designaçom, o que se denomina classe política autonómica, conformam umha superestrutura com interesses próprios, desligada do povo trabalhador, umha espécie de “aristocracia” político-burocrática muito bem remunerada com fundos públicos, embora na prática actue como dócil assalariada do Capital para gerir e proteger os seus interesses, sob a fórmula de democracia representativa.

A lógica política das forças sistémicas, o funcionamento institucional autonómico está podre, completamente corrompido. Todo o mundo quer ocupar responsabilidades na Administraçom para se lucrar, desfrutar dos privilégios, ou ter magníficas possibilidades de fazer bons negócios. Todo o mundo aspira a ser presidente da Cámara ou vereador de Urbanismo, pois é sinónimo de enriquecimento express.

O bipartido prometeu transparência na contrataçom, e umha reduçom da mastodôntica Administraçom construída polo PP. Mas fijo todo o contrário, incrementando o número de assessores e cargos de livre designaçom, colocando familiares, amizades, a toda essa “mediocriodade” configurada polo parasita exército de quadros políticos que nom deixárom passar a oportunidade da sua vida, mas também mantendo intacto um significativo sector de responsáveis na Adminsitarçom, vinculados directamente com as estruturas caciquistas do PP.

Mas, se isto nom fosse pouco, PSOE-BNG, os que subírom os salários d@s deputad@s, optárom por bonificar com sobressalários milionários os altos cargos políticos de diversas Conselharias polos “serviços emprestados à Pátria” na crise incendíaria ou nas inundaçons. A CIG tem denunciado que, só Meio Rural, repartiu entre os chefes dos diversos departamentos mais de 670 mil euros para poder fazer frente ao incremento do turrom.

A fraude estatutária continua

Nestes 18 meses de bipartido, as elites políticas das três forças com representaçom no Hórreo, assim como umha boa parte das entidades satélites, optárom por concentrarem boa parte da agenda da política-espectáculo na denominada reforma estatutária. Partindo da inquestionável premissa da unidade espanhola, da negativa a reconhecer os direitos colectivos da Galiza e, portanto, impossibilitar o exercício de autodeterminaçom, construírom um falso debate superestrutural sobre a necessidade de introduzir modificaçons no actual Estatuto de 1980 para assim aperfeiçoarem o encaixe da Galiza no Estado espanhol. A montagem está tam viciada, é tam banal, adopta estilos tam grotescos, que nom logra a atençom da imensa maioria do nosso povo, que observa com desconfiança e desinteresse algo que acertadamente nom identifica com a possível melhoria da situaçom económica e laboral, ou como um caminho que freie os retrocessos atingidos em décadas de luita.

A perversa lógica antidemocrática sobre a que gira o debate exclui contar com a opiniom dos habitantes da Comunidade Autónoma até que PP, PSOE e BNG tenham cozinhado e bem atado o acordo. E com a voz d@s galeg@s que residem nos territórios excluídos da CAG já nem se conta.

Após terem atingido um acordo, depois de um dilatado processo de teatrealizaçom, só nesse momento é previsto realizar umha administrativa consulta popular, completamente amanhada, em que só se poderá optar por, ou apoiar as mornas e insubstanciais modificaçons atingidas, ou rejeitá-las, carecendo da mais mínima oportunidade de defender as múltiplas alternativas plausíveis e necessárias. Nom será possível optar por um outro modelo de relaçom da Galiza com o Estado espanhol, por defender a soberania nacional, a independência, umha confederaçom, um Estado federal, mediante o exercício do direito de autodeterminaçom. De facto, quando o conjunto da esquerda soberanista optarmos polo voto negativo, este poderá ser confundido e identificado com o de parte do espanholismo mais recalcitrante que opte por manter o actual Estatuto.

O denominado “Novo Estatuto” é um “batalha” que só pode interessar às elites políticas e económicas, pois som unicamente elas que se vam beneficiar do incremento de competências ou do aumento do orçamento da administraçom económica.

A definiçom nacional da Galiza no preámbulo, no articulado, ou onde quer que seja, é umha mera cortina de fumo que o autonomismo está a empregar para introduzir confusionismo em parte do seu corpo social em base a artificiais diferenças com o PSOE eo PP. Quintana e Paco Rodrigues há muito tempo que renunciárom à construçom da Naçom Galega, e só estám interessados em consolidar e alargar os particulares privilégios que eles e as suas respectivas camarilhas atingírom neste quartel de século de autonomia outorgada polo imperialismo espanhol. Que importáncia tem que a Galiza se defina como naçom, se vai carecer da mais mínima possibilidade jurídica de agir como tal?, ou seja, de dotar-se dum Estado, objectivo natural de qualquer projecto nacional. Nom passa de um calculado engano restringir o futuro da naçom a umha simples discussom semántica carente de conteúdo.

Reivindicar a autodeterminaçom

Aí é que se deve centrar boa parte do debate e, em conseqüência, a necessidade de articular espaços de intervençom e luita entre todos aqueles sectores sociais e políticos, independentemente da sua actual situaçom orgánica, que defendemos que boa parte das conquistas sociais e laborais, da construçom de umha sociedade alternativa ao caos do actual capitalismo está intimamente ligada ao exercício do direito de autodeterminaçom.

 

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