Sem luita nom há futuro

A greve do proletariado do naval de Vigo e a firme resistência protagonizada polos mariscadores da ria de Ferrol para evitarem a posta em andamento da planta de REGANOSA, som a outra cara da Galiza mansa e submissa que promovem as forças do sistema. A Galiza rebelde que nom se submete, nem cala, fai parte da realidade que nos querem ocultar e, sem o seu desenvolvimento e auto-organizaçom, a nossa classe e o nosso País carecem de futuro.

A vitória atingida novamente polo proletariado viguês dos estaleiros de Barreras, Vulcano, Freire e Methalships, após quinze dias de luita exemplar, e a coragem dos mariscadores e mariscadoras de Ferrol marca a rota a seguir se nom quigermos continuar a padecer retrocessos nas conquistas sociais e na destruiçom meio natural da Galiza por um capitalismo cada dia mais brutal e predador.

A classe operária de Vigo, seguindo a melhor tradiçom da sua brilhante experiência histórica, voltou a demonstrar que o patronato e a burguesia só podem ser vencidos mediante a unidade operária e a luita combativa. Sem ocupar a rua, questionar a falsa normalidade “democrática”, exercendo a democracia operária na orientaçom e direcçom da luita, é impossível conquistar direitos e evitar mais agressons.

Unidade e combate fôrom os elementos determinantes para lograr o que semelhava difícil de lograr: que o patronato das empresas do naval cumprissem o acordo atingido na greve do ano passado.

Desta forma, o naval de Vigo voltou a escrever umha das páginas mais brilhantes da história proletária da Galiza.

A planta de gás situada em Mugardos é umha autêntica bomba-relógio permitida polo PP, PSOE e BNG, numha zona tam densamente povoada como é a ria de Ferrol. Mas a defesa dos interesses privados de Tojeiro, de Caixa Galicia, Caixa Nova, Banco Pastor, Endesa e Fenosa por parte das instituiçons públicas e dos partidos vendidos aos mesmos estám a enfrentar umha firme oposiçom por parte dos sectores populares que vem perigar os seus meios de subsistência.

Esta resposta popular deve continuar e estender-se, e o novo Governo municipal de Ferrol, integrado por umha força política, IU, até hoje contrária à localizaçom de Reganosa em Mugardos, deverá tomar partido claro e urgente em defesa dos interesses da maioria.

Novamente, a liçom que se tira destas experiências é que sem luita nom há futuro. Mas também é necessário contarmos com amplas e flexíveis redes de auto-organizaçom operária e popular essenciais para impulsionar e orientar as luitas, complementares com as organizaçons revolucionárias que liguem os objectivos imediatos com os estratégicos. Suprimir a precariedade laboral ou frear projectos altamente contaminantes só será possível superando o capitalismo e a dependência nacional que padece Galiza.

 

As municipais de Maio

Os resultados das eleiçons municipais de 27 de Maio nom apresentam novidades significativas no panorama institucional da Comunidade Autónoma. Constata-se a lenta mudança no comportamento eleitoral do País, iniciada nas autonómicas de Junho de 2005, sintetizada no devalar paulatino do PP, no incremento do PSOE e no estancamento com tendência em baixa do BNG. Porém, estes dados gerais devem ser debulhados para podermos extrair um diagnóstico rigoroso.

O índice de participaçom foi menor ao de 2003, em plena ressaca dos efeitos do Prestige. Nesta ocasiom, 36.75% d@s votantes optárom por nom participar, frente aos 33.7% de há quatro anos. A abstençom confirmou a sua condiçom de "primeira força", a muita distância da segunda. 977.322 galegos e galegas optárom por nom ir votar nas eleiçons, o que representa um significativo aumento em relaçom a 2003.

O PP segue a ser a força mais votada com 39.8%, embora perda mais de 45 mil votos, quase 2%. O mais significativo é que nom poderá governar em nengumha das grandes cidades, ao perder a maioria absoluta que desfrutava em Ourense e a maioria aritmética que lhe possibilitavam os seus sócios de governo para continuar à frente de Ferrol. Também destaca a perda da Deputaçom Provincial de Lugo e que continua a retroceder na da Corunha. Ao contrário do que se podia pensar, o PP incrementa votos nas grandes cidades, destacando Vigo, Compostela e Ourense, embora insuficientes para governar.

O PSOE continua com a tendência alcista, 21 mil votos mais, 29.01%, dous pontos acima dos que tinha em 2003, situando-se como segunda força política e alargando a distáncia em relaçom ao BNG. Embora coloque os seus candidatos como presidentes de Cámara das principais cidades com o apoio do BNG, perde as maiorias absolutas da Corunha e Lugo, e recupera Vigo e Ourense.

O BNG segue com a queda paulatina que vem padecendo de maneira inenterrompida desde 2001. Nesta ocasiom, ainda que incremente o número de cargos públicos, perde 10 mil votos, 1.2%, basicamente nos grandes núcleos urbanos.

As candidaturas de Terra Galega situam-se como quarta força na Comunidade Autónoma, com 33 mil votos (2.05%), por cima de IU que, subindo algo mais de 3 mil votos, atinge mais de 22 mil.

Porém, nesta análise nom podemos obviar os apoios recebidos polas candidaturas denominadas “independentes”, que na imensa maioria dos casos representam cisons do PP e som projectos localistas sociologicamente enquadrados na direita.

Portanto, com este panorama, em que PP e BNG mantenhem a tendência em baixa, enquanto o PSOE e IU sobem, a única novidade é que PSOE, BNG e IU estenderám a fórmula ensaiada na Junta, caracterizada polo continuísmo e carência de vontade política para resolver os mais graves problemas populares. Em definitivo, mais do mesmo.

A posiçom da esquerda independentista

Se em 2003 NÓS-UP chamou a votar em “negro”, participando activamente na boicotagem da campanha eleitoral, nesta ocasiom a esquerda independentista optou por apelar a nom votar mediante a abstençom activa, ou por votar em branco ou nulo. Mas também impulsionava duas candidaturas, Ponte Areas e Vigo de Esquerda, com resultados desiguais. No caso de Ponte Areas, os resultados devem ser qualificados de dignos e moderadamente positivos, porquanto com 159 votos logra um apoio de 1.26%, o que significa multiplicar por sete os apoios recebidos por NÓS-UP nas eleiçons europeias de 2004 e nas autonómicas de 2005.

Em Vigo, a experiência deve ser qualificada de negativa, pois atingiu um resultado testemunhal claramente inferior às suas possibilidades e expectativas. Os 313 votos, 0.21%, de Vigo de Esquerda, nom logram mais que superar ligeiramente os resultados de NÓS-UP nas europeias e autonómicas, e situam-se abaixo dos 0,36%, 549 votos, da FPG.

Em Cangas, umha coligaçom da FPG com Izquierda Unida e outros colectivos, portanto nom exactamente enquadrável na esquerda soberanista, conseguiu um destacável resultado, com 3 vereadores, conseguindo condicionar a formaçom de um novo governo.

Contrariamente ao que se pode extrair desta modesta experiência eleitoral, a esquerda independentista tem que seguir construindo simultaneamente força social e aspirar a dotar ao movimento popular da representaçom política que a dia de hoje carece.

A recomposiçom da esquerda soberanista

A unidade de acçom de todas aquelas correntes políticas e sociais situadas nos parámetros da esquerda e o soberanismo é imprescindível para superar a actual fragmentaçom que impossibilita optimizar as potencialidades, agindo como um referente amplo, se bem que caracterizado pola pluralidade política e ideológica.

Tal como sempre defendemos e promovemos, Primeira Linha tem a firme determinaçom de consolidar todas aquelas experiências encaminhadas a superar um dos problemas crónicos da esquerda independentista. As possibilidades geradas na actualidade nom podem ser desaproveitadas, sendo necessário agir com a suficiente flexibilidade e olhar estratégico que permita abrir um processo de colaboraçom, somando vontades, multiplicando referencialidade e ocupando a rua, para situar o exercício do direito de autodeterminaçom como elemento chave e ineludível na construçom nacional da Galiza a partir da esquerda.

 

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