Unidade contra Espanha e o Capital

No titular da capa do anterior número do Abrente dizíamos que sem luita nom há futuro. Nom nos cansaremos de afirmar e de aplicar na nossa acçom teórico-prática que a luita é o único caminho para lograrmos avançar nos direitos, nas melhorias e conquistas concretas, aqui e agora, da classe trabalhadora, das mulheres e da juventude, numha estratégia de libertaçom nacional e social de género. Eis umha das linhas divisórias entre a prática reformista e a revolucionária.

A existência de Primeira Linha, como partido comunista de libertaçom nacional, está intimamente ligada a este objectivo: sermos um instrumento útil e eficaz de combate operário, nacional e de género.

Somos umha expressom diferenciada, com umhas características, um programa, umha táctica e estratégia próprias, de um movimento mais amplo, o MLNG, compartilhando similares concepçons e objectivos com NÓS-UP, BRIGA, AGIR e entidades, colectivos e centros sociais de carácter local ou comarcal. Este movimento, por sua vez, fai parte de um outro mais amplo, onde existem outras expressons políticas e sociais com que, embora mantenhamos divergências políticas e ideológicas profundas, também compartilhamos boa parte dos objectivos. A pluralidade da esquerda independentista é, pois, umha realidade intrínseca e tangível dos sectores populares que teimamos em construir umha ampla ferramenta de luita e combate independente do autonomismo neoliberal. Fazemo-lo porque é necessário, porque é imprescindível para evitarmos a destruiçom definitiva do projecto nacional galego, e para frear a escalada permanente de retrocessos laborais, sociais e democráticos que padecemos com a ofensiva do capitalismo neoliberal.

Somos conscientes de que, para o sucesso e eficácia, para logramos referencialidade, confiança e representatividade sócio-política, é necessário criar espaços e estruturas comuns de intervençom e luita. Sem amplas unidades, nom é viável contar com apoios sólidos, deixarmos de ser marginais e passarmos a ser umha força minoritária e com influência, com capacidade para incidir no modelo de País e sociedade que defendemos.

De facto, este objectivo tem consumido boa parte dos nossos esforços de praticamente a nossa génese. A breve, mas intensa, história da esquerda independentista desde 1999 está vinculada com as diversas iniciativas promovidas por Primeira Linha. O Dia da Pátria unitário desse ano e do seguinte, a unidade de acçom realizada nesse intervalo de tempo, a criaçom das plataformas unitárias comarcais, as APCs, o Processo Espiral, a resposta anticapitalista contra a cimeira da UE em Compostela em 2002, a campanha contra a Constituiçom Europeia em 2004-2005, o processo de concorrer conjuntamente às eleiçons autonómicas de Junho de 2005 com umha candidatura unitária do soberanismo de esquerda, nom se podem entender sem a firme aposta d@s comunistas galeg@s em criar e desenvolver espaços unitários de luita. Sem esta determinaçom e coerente prática política, nom existiriam NÓS-UP, AGIR ou as Bases Democráticas Galegas.

A nossa presença nestas iniciativas sempre estivo determinada por duas ideias-força: honestidade e generosidade. Sempre agimos guiad@s coerentemente por estes dous parámetros.

O resultado de todas estas iniciativas é bem conhecida, tanto as que tivérom sucesso, como aquelas que nom chegárom a frutificar. A nossa trajectória é sobejamente conhecida. Assumimos com orgulho o percurso realizado, com as luzes e sombras, com os acertos e erros cometidos. Porém nunca ocultamos que qualquer iniciativa tendente a procurar fórmulas de intervençom unitárias, englobadoras das diversas correntes, devia respeitar três princípios inegociáveis e indiscutíveis para contarem com a nossa presença:

Sob estes eixos explícitos, temos sempre promovido e participado nas iniciativas mencionadas. Porém, tal como temos manifestado em diversas ocasions, nom vamos aderir a nengumha plataforma ou processo negador do carácter de esquerda da luita pola autodeterminaçom ou do pluralismo político, ideológico e organizativo do soberanismo galego. Eis os parámetros irrenunciáveis de Primeira Linha. Sempre que se derem estas condiçons, assumiremos projectos de mínimos, inclusive se estivermos em franca minoria.

No caso contrário, nom existem as condiçons mais elementares para encetar aventuras que estám condenadas ao fracasso. A corrente da qual fazemos parte, tal como as outras existentes, é insubstituível, é essencial para o êxito colectivo da esquerda independentista. Sem nós ou contra nós, nom há a mais mínima possibilidade de construir um amplo e plural movimento social pola autodeterminaçom. Como tampouco haveria condiçons de fazê-lo se outra das correntes ficasse excluída polas draconianas condiçons impostas, que impossibilitassem a sua cómoda participaçom.

Confundem-se aqueles que, pretendendo alargar legítimos projectos partidários com ou sem partido, - embora nom coincidentes com o nosso, disfarçam este fim com “altruístas objectivos” em que a retórica pluralista se traduz na exclusom e na beligerância permanente, em que a bem intencionada procura do consenso, na hora da verdade, é simples e pura imposiçom mediante tretas e manobras da pior calanha, em que a síntese de ideias nom passa de umha virtual e hipócrita declaraçom. É óbvio que Primeira Linha está disposta a participar em plataformas contra a reforma estatutária e pola autodeterminaçom. De facto, a que convoca este Dia da Pátria é fruto de um processo que nós contribuimos para iniciar, por muito que teimem em negar, ocultar ou minusvalorizar aqueles que pretendem usurpar ilegitimamente a iniciativa.

Participaremos em Causa Galiza sempre que se reconduza a situaçom, sempre que exista umha clara vontade de cumprir e respeitar com os acordos constituintes. Se nom for assim, connosco nom se pode contar. A nossa participaçom nom é possível a qualquer preço. Com cartas marcadas e sem a mínima honestidade política que deve caracterizar as forças e pessoas que nos situamos nas posiçons anti-sistémicas, nom se dam as condiçons mínimas para avançar. Assim nom é possível caminhar conjuntamente.

Temos a consciência tranquila na carência de qualquer responsabilidade neste possível fracasso que agora anunciamos. Tal como se gestou o processo desde os primeiros momentos constatamos mensagens e infames práticas bem conhecidas, tendentes a impossibilitar a presença do MLNG no interior dessa plataforma. Mas quem age de forma tam irresponsável, pensando que está protegido por umha invisível impunidade, algum dia terá que dar a cara, retirar a máscara, e submeter-se ao implacável, mas sempre justo veredicto da História.

Os atalhos nunca fôrom eficazes para percursos com um elevado grau de dificuldade. A experiência histórica do movimento operário, das luitas de libertaçom nacional ou de género estám cheias de exemplos que assim o constatam. O caminho da unidade de acçom do soberanismo galego é tarefa necessária, mas complexa, e nom pode ficar em maos de amadores, de quem tem demonstrado por activa ou por passiva ser contrário ou incapaz de o fazer. Nom se pode agir com fórmulas ultrapassadas, com sectarismo e prepotência, nom se pode pretender protagonizar iniciativas usando tamanhos superiores àqueles que se podem empregar.

Poderá haver umha coincidência táctica na hora de excluir a nossa corrente, mas o preço a pagar nom compensa. Erram aqueles que se consideram proprietários da reivindicaçom pola autodeterminaçom e que calculam mal na hora de fazer contas sobre quem é ou quem nom é prescindível.

Primeira Linha nom vai agir de comparsa de ninguém, como tampouco vai obstaculizar iniciativas condenadas inexoravelmente ao fracasso em questom de tempo. Participamos neste Dia da Pátria, assumindo as condiçons impostas que nom compartilhamos, mas após o Verao nom seguiremos se nom se produz umha mudança profunda na hora de orientar a luita autodeterminista e facilitar a convivência do ronsel de pessoas e entidades que coincidimos plenamente na necessidade de que a Galiza tenha direito a decidir para podermos construir umha República Socialista Galega.

É dramático que isto tenha lugar dous anos depois da chegada do tandem PSOE-BNG ao governinho da Junta da Galiza. Dous anos depois em que as expectativas e esperanças nas mudanças anunciadas por Tourinho e Quintana se transformárom em decepçom e desmobilizaçom social. A prática demonstrou com os factos do dia a dia o continuísmo das políticas regionalistas e neoliberais aplicadas polo fraguismo nos seus 16 anos de poder absoluto. Frente à irreversível deriva neoliberal e autonomista do BNG, nom é possível mudá-lo a partir do seu interior, nom é viável regenerá-lo a partir de dentro. É mais necessário que nunca reconfigurar a esquerda soberanista para podermos ocupar essa cada vez maior espaço sócio-político orfo que reclama passos firmes e sólidos para levantar com responsabilidade e generosidade umha ampla e plural alternativa.

Nós seguiremos empenhad@s nesta tarefa, construindo umha das correntes essenciais para o seu sucesso. Apesar da necessidade objectiva, talvez tampouco poda ser desta vez, mas a convergência será umha exigência que ninguém poderá evitar. Nom temos a menor dúvida.

Viva Galiza ceive, socialista e nom patriarcal!

 

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