Abrindo espaços de libertaçom no ensino

Num contexto histórico como o contemporáneo, pouco propício ao sucesso de experiências revolucionárias comandadas pola mocidade, a esquerda independentista galega advirte orgulhosa a progressiva consolidaçom dumha corrente estudantil dentro do seu espectro global de acçom política.

Embora nom isentos de manifestaçons de rebeldia protagonizadas pol@s mais nov@s, caso das revoltas nos bairros periféricos das cidades francesas em semanas passadas, certo é que as dinámicas do capital projectam exitosamente grande parte do seu alienante poder mercantilista nas camadas etárias mais baixas, logrando que apenas momentos de especial conflituosidade e desesperança tornem idóneos para a encenaçom da força com que pode, sabe e deve erguer-se a juventude.

Acho acertado portanto afirmar com objectividade que, atravessando umha jeira de singular estonteamento associativo, cuja afectaçom na mocidade poderia agoirar um difícil porvir à aposta pola rebeliom organizada, @s estudantes do nosso país estamos a edificar a olhos de tod@s um projecto caracterizado pola congruência nos parámetros nacionais e sociais que solidificam a alternativa do independentismo na Galiza. Estamos a dar exemplo da superaçom das adversidades ambientais para pôr em andamento um projecto nada ortodoxo nem neutral no próprio contorno, salvando a pessimista idiossincrasia deste como hándicap incapacitante para o nosso programa revolucionário. Estamos, enfim, dando-nos ao prazer de criar confusom a respeito da conveniência de nom tolerarmos as cousas tal e como elas venhem dadas.

Em Novembro deste ano 2005, AGIR rememorava na sua quinta Assembleia Nacional os cinco anos de trabalho cumpridos dous meses antes. A constáncia na dedicaçom à superaçom do quadro jurídico-político imposto polo capitalismo espanhol, que condena a nossa pátria ao padecimento dum sistema de ensino impróprio, tornou a cita numha tomada de consciência a respeito do plausível labor que a nossa militáncia desenvolveu para fazer real a chegada a esta meta simbólica dos cinco anos de existência com a plena confiança e compromisso na perseveráncia combativa que certifica a tangível vitalidade do nosso projecto. As luitas do passado ficam asseguradas como umha carga experimental de inquestionável valor, e o pulo de que gozamos no presente constitui um sinal de verdadeiro optimismo no que se refere à capacidade de conjugarmos o potencial emancipador desde diferentes sectores da sociedade galega, o estudantil incluído. O legado dumha "primeira geraçom" militante que acabou de abandonar a nave por óbvias questons de política organizativa, arrasta-nos directamente a umha nova jeira em que esperamos albiscar o assentamento de AGIR, dentro do imaginário do nosso Movimento, como o buque insígnia do estudantado galego.


A consecuçom dum espaço próprio

Sendo este lustro um período de brevidade indiscutível, cumpre assinalar que é apenas o tempo transcorrido desde que a vaga incontestavelmente mais conseqüente de entre as que conformam o ermo panorama associativo estudantil galego inspirou a força expansiva da unidade, fundando esta entidade, AGIR, que com passo bem acaído até o dia de hoje deu chegado. Assim sendo, gabamo-nos dum atractivo que fijo com que a nossa referencialidade entre a comunidade educativa fosse possível, este é, o facto de aglutinar unitariamente abaixo do aríete das nossas siglas a dissidência real com o modelo de ensino ofertado.

Esta dissidência que presumimos resulta tanto mais factível num mundo juvenil onde a efervescência política, se surgir, fai-no adoptando fórmulas com freqüência revestidas dumha heterodoxia alegadamente enraizada na ingenuidade e a inexperiência, facilmente afluente, graças ao achegamento prático das contradiçons sistémicas bem perceptíveis nos conflitos educativos, numha enriquecedora e consciente vigorosidade revolucionária em progressivo madurecimento.

Para além do dito, cumpre contrastar a nossa originária personalidade organizativa sublinhando a distinçom que nos arreda do proceder subsidiário doutras entidades, agentes no mesmo campo que a nossa, cuja dependência funcional a projectos de maior envergadura subsumem o exercício das suas potencialidades num teatro de protagonismo oportunista e teledirigido.

Nom som portanto cinco anos de independentismo estudantil aquilo de que nos parabenizamos, senom cinco anos em que este se soubo manifestar unitariamente com a suficiente segurança, laboriosidade e efectividade como para nom ter cessado no empenho de sermos nós, o estudantado galego, quem nos responsabilizamos a partir da conseqüência revolucionária por darmos passos que visem o ensino galego público de qualidade, concebido sem tutelas das dinámicas capitalistas ou dos interesses do colonialismo espanhol.

Os logros atingidos no transcurso desta andaina nom podem ser ocultados polas eivas e pejas que necessariamente dificultam a luita por um outro e melhor ensino. Como exemplo do nosso importante avanço, olhemos brevemente atrás: quando AGIR botou a andar, fijo-o partindo dumha concentraçom absoluta da sua representatividade na Universidade de Santiago de Compostela. Se bem é este, por razons óbvias, um núcleo de enorme releváncia organizativa para qualquer colectivo estudantil galego que se precie, a aproximaçom de novas áreas geográficas e graus de ensino inferiores ou paralelos ao universitário nom é menos do que imprescindível para articular seriamente um projecto que entende o ensino galego na sua amplitude como hábitat natural. Nom somos umha organizaçom universitária, mas estudantil, e na constataçom da nossa influência em todo o tipo de escolas, liceus e faculdades do Norte e Sul do País é que radica a confiança posta no confronto ideado com a totalidade da vasta estrutura que sustenta o prédio do ensino espanhol na Galiza. Só é assim que hoje podemos erigir-nos com voz própria em artífices dumha resposta organizada às problemáticas gerais e estruturais, e/ou circunstanciais e específicas, do sistema educativo, estabelecendo através da prática em diferentes frentes umha evidência da aptitude das nossas ferramentas organizativas para darmos saída às necessidades d@s moç@s estudantes.

Em cinco anos, enfim, conseguimos espalhar a nossa presença a bastantes comarcas do País, nalgumhas das quais jamais antes se constituíram assembleias abertas com frutífero dinamismo de coordenadas independentistas.

Veja-se nesta realidade mais um atractivo que singulariza positivamente o projecto estudantil da esquerda independentista: somos o berço em que muit@s jovens adquirem o seu primeiro contacto com a teoria e a prática do nacionalismo galego, permitindo aliás que esta introduçom se realize lá onde outras entidades do MLNG nom encontram um nicho onde reproduzir-se. AGIR acha entom nas aulas um território permeável onde insuflar os ventos da rebeldia estudantil possibilitando desta forma a expansom do nosso Movimento, tarefa correlativa à primordial, para nós, de criarmos um ambiente proclive à luita do estudantado, e para a qual contribuímos com a ineludível dedicaçom de focar-nos sobre indivíduos que desconhecem o compromisso associativo devido à sua temperá idade.
Somos, em muitos casos e em definitivo, o petisco independentista que muit@s acedérom e acederám a encetar.

Retomando o tema da referencialidade conquistada, lavrada com o esforço de fazermos um espaço originado num reduzidíssimo quadro geográfico, devemos apreciar nesta altura os seus resultados, no tocante ao contraste da nossa emergência com a decadência exagerada que arrastam sem horizonte de soluçom marcas decanas e fortemente subsidiadas da "profissom" do sindicalismo estudantil. A significaçom da queda e prostraçom na Galiza de colectivos satélites de organizaçons maiores, caso dos CAF ou o Sindicato de Estudantes, entronca com a má saúde do associacionismo juvenil mencionada nas primeiras linhas. Doença aniquiladora esta de que, se bem nom somos indiferentes, torna se cabe mais palpável o independentismo estudantil, na medida em que AGIR transita este trecho com tanta afouteza como solidez, dissipando as dúvidas acerca da resistência e capacidade de agüentar do independentismo num mundo, o do associacionismo estudantil, fortemente sobmetido a umha vacilaçom impingida por elementos exógenos, da mais diversa índole, e endógenos, relacionados à flutuaçom militante.

Havendo portanto certa compreensom contextual à perda da influência doutras organizaçons, o meritório pola nossa parte nom tem sido o seu declínio; tem sido o borrom no seu guiom protagonista, trastocando os papéis preconcebidos e tomando a palavra com voz audível.


Encarando os novos tempos

Em seguimento dos fenómenos políticos em curso, e à hora de gizarmos umha estrategia própria sobre a sua vertente educativa, de AGIR vimos elaborando um posicionamento posto a debate por ocasiom do recente processo pré-assemblear, cujo conteúdo vinca na análise crítica do denominado Processo de Bolonha e da sonada Lei Orgánica de Educaçom.

Com esta aproximaçom aprovada no quadro da V Assembleia Nacional à bateria de medidas que aprofundarám na paulatina privatizaçom do ensino por instáncias europeias e espanholas, com a cumplicidade do novo Governo galego "de progresso" PSOE-BNG, que depressa manifestou a sua genuflexa anuência com a doutrina pseudo-educativa patrocinada polo capital, AGIR mantém convenientemente umha autonomia de critérios que dumha base teórica afortalam o desenvolvimento da nossa acçom quotidiana.

Prest@s a receber o embate do novo Espaço Europeu de Ensino Superior (meta do denominado e devandito Processo de Bolonha), em plena adaptaçom na Galiza, e expectantes ante o involucionismo promocionado pola mediatizada reacçom nacional-católica espanhola sobre a LOE, achamo-nos ante umha conjuntura em que a mobilizaçom estudantil urge para nom abandonarmos o ensino às perversas vontades de semelhante grei, somadas à covardia do Governo Zapatero no que atinge à possibildade de reformar convenientemente o modelo vigorante, tal e como é da sua responsabilidade à frente do poder executivo espanhol.

As cartas estám sobre a mesa e, tal como o estudantado encena noutros pontos do Estado, devemos reagir para evitar umha pretendida negligência pola nossa parte que facilite o maniqueu tira-puxa entre a direita montaraz, lançada à privatizaçom descomplexada, e a social-democracia mais desmascarada e desnorteada. Folga dizer que o galeguismo bem-entendido em franca decadência ética e eleitoral escusa oferecer umha alternativa que nom veicule entre as conhecidas apostas dos dous fictícios contendentes mencionados.

Nesta aparenta soidade, o caminho apresenta-se certamente árduo. Principalmente no tocante à necessidade de espalharmos a consciência crítica vencendo os entraves desta opaca burbulha da manipulaçom informativa, que renega de qualquer sincronia com os passos avante lenta e duramente dados polo estudantado mais conscientizado, aproveitando de resto para acolher-se à propagaçom simples do recreio do despiste em que se dam acomodada cabida o Patronato, a Igreja católica, os partidos políticos com representaçom institucional e os sindicatos amarelos. Os complexos inerentes ao autonomismo galego acrescentam no nosso país as dificuldades para convergir de fora do sistema numha aposta nacional pola defesa do ensino galego ante esta ofensiva da Europa e da Espanha do capital.

É a LOE, em qualquer caso, a figura normativa a cujo conteúdo havemos de dirigir especificamente a nossa resposta num futuro imediato. A sexta lei orgánica em matéria educativa desde a restauraçom monárquica, achega apenas as novidades forçosas a que o mutante percurso da história conduz as regulaçons legais dos modernos Estados europeus. Esta pretendida reforma em chave social-democrata caracteriza-se pola adaptaçom, pola reformulaçom menos explícita do padrom mercantilista que o PP respeitava na íntegra com as impopulares LOQE e LOU. Em consonáncia com este fracasso da linha dura encarregada à ultra-direita espanhola (fracasso em que o estudantado galego deu prova da sua capacidade mobilizadora e dos frutos desta), o PSOE empreende agora a mesma corredoira com a aparência social e progressista que à sua política confere o embate contumaz e instigador dos ardorosos e beligerantes núcleos de reminiscência franquista.

No entanto, de AGIR somos cientes de que assegurar os convénios com a rede privada de ensino; potenciar a hierarquizaçom dos centros públicos; afortalar, quando nom aumentar, os vencelhos de dependência escola-capital mediante a cessom de responsabilidades à patronal; absorver centripetamente as competências educativas a partir de Madrid, ignorando as necesidades nacionais do ensino na Galiza, impondo a cosmovisom histórica e cultural castelhanista; ou recusar um acompanhamento que detalhe o sustento orçamentário da Lei, nom constituem em modo algum inovaçons com que colmatar as exigências do estudantado mais comprometido deste país.

É por isto que nem ontem nem hoje o nosso projecto se esgota. A nossa independência organizativa radica na fidelidade inquebrantável que mostramos com as ideias que nos dérom e continuam a dar-nos razom de ser; razom de agir.

Por outros cinco anos, avante a luita do estudantado galego!

Iago Barros. Estudante da faculdade de Direito da USC e membro do Conselho Nacional de AGIR

 

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