Livros e web

Ernesto Guevara
Até a vitória sempre. Escolma de artigos do Che Guevara. Agita Ediçons, Compostela, 2004. 55 páginas.

Coincidindo com o trigésimo sétimo aniversário da queda em combate do Ché Guevara, no mês de Outubro saiu, editado por AGIR, um caderno com seis textos do revolucionário argentino-cubano. Com um breve prólogo do Conselho Nacional da organizaçom estudantil da esquerda independentista, esta interessante iniciativa, inédita no panorama editorial galego, reproduz dous textos vinculados com o ensino: "Reforma universitária e Revoluçom" e o discurso realizado quando recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Las Villas.

Em "O socialismo e o homem em Cuba" e "O que deve ser um jovem comunista" recolhem-se umha parte considerável do pensamento e os valores do modelo de socialismo guevariano, antagónico ao economicismo reformista do stalinismo. O caderno também inclui o último capítulo de "Passagens da Guerra Revolucionária", concretamente "A ofensiva final. A batalha de Santa Clara", na que se teoriza sobre a experiência concreta da luita guerrilheira realizada em Cuba polo Exército Rebelde do Movimento 26 de Julho na sua guerra vitoriosa contra a ditadura de Batista. Finalmente, o caderno finaliza com a famosa carta de despedida do Ché dirigida a Fidel e ao povo Cubana datada em 1 de Abril de 1965.

Umha boa iniciativa para difundir o rico e desconhecido legado teórico deste grande dirigente comunista, que cumpre manter e alargar. Porém, sugerimos que nas seguintes iniciativas de Agita Ediçons sejam introduzidas umha série de melhorias na ediçom, concretamente na necessidade de datar os textos e contar com créditos.

(Inácia Fontefria)

Francisco Sampedro
Louis Althusser
Baía Edicións, Corunha 2004, 103 páginas

A colecçom Baía Pensamento vem de editar um livro de bolso sobre o marxista francês Louis Althusser, da autoria do professor Francisco Sampedro. A obra é concebida como um manual para difundir a figura e a obra de Althusser e portanto arrasta evidentes limitaçons de espaço compensadas polo grande esforço de síntese realizado. Dividido em três partes, arranca com umha biografia de Althusser, para imediatamente dissecar e definir as suas achegas teóricas, enquadrando-as como fruto dos grandes debates e polémicas ideológicas do marxismo do século vinte, e definindo-o como um "crítico de esquerda ao stalinismo". Para Sampedro, é absurdo considerar Althusser como estruturalista, embora reconheça que compartilha um "certo ar de família, porquanto combate o humanismo e a falta de rigor das chamadas ciências humanas, à hora de construçom dos objectos teóricos". O coraçom da obra está centrado em dar a conhecer e portanto a interpretar os elementos medulares do pensamento althusseriano: o continente história, a filosofia como linha de demarcaçom, a ruptura epistemológica, o anti-humanismo teórico e a teoria da ideologia. Finalmente, o livro apresenta umha selecçom de textos de Althusser como apoio à interpretaçom que Sampedro realiza da sua obra.

Embora nom desenvolva as causas da dogmática e empobrecedora leitura de Marx realizada por umha das alunas mais conhecidas de Althusser, a chilena afincada em Cuba Marta Harnecker, este livro é um sopro de ar fresco no lánguido panorama editorial galego centrado na literatura e nos ensaios academicistas.

(Carlos Morais)

Daniel Baggioni
Linguas e nacións na Europa
Edicións Laiovento, Compostela, 2004, 387 páginas

O volume número 187 de Edicións Laiovento apresenta-nos a traduçom da principal obra do sociolingüista francês Daniel Baggioni, falecido em 1998. Linguas e nacións na Europa é o título de um exaustivo estudo da relaçom histórica entre língua e naçom no contexto europeu, com umha inusual óptica social para além do puro filologismo tam habitual neste tipo de obras de divulgaçom.

Conceitos como "língua nacional", "padronizaçom", "ecolingüismo" ou "monolingüismo territorial", som analisados numha abordagem "sócio-histórica e sociopolítica", segundo se reconhece no prefácio, revendo os diferentes modelos de oficializaçom das línguas nos estados-naçom europeus, numha perspectiva temporária (nascimento dos estados-naçom) e espacial (processos nacionalitários em curso actualmente).

Especial interesse merece o estudo que Baggioni fai do surgimento nas últimas décadas de novos estados na Europa e da funçom outorgada às respectivas línguas nesses processos de construçom nacional, tais como o checo, o eslovaco, o moldavo, o croata, etc. Outros contextos analisados enquadram-se na própria Europa ocidental, em casos como o belga, o suíço, ou nos estados escandinavos.

Reconhecendo a solidez e dimensons do ensaio de Baggioni, nom podemos deixar de detectar doses de paternalismo e conformismo próprios da perspectiva de um francês que exerce de tal. Assim, julga inevitável a perda das línguas que chama "minoritárias", apostando para o futuro por um modelo de plurilingüismo europeu só atinente às línguas dos principais estados, e em nada contraditório com o teor imperialista que os sustentou e sustenta.

Apesar de redigido consoante o padrom ortográfico isolacionista, salienta ainda na ediçom que comentamos a qualidade do galego empregue na traduçom de Fernando Vasques Corredoira e Mário J. Herrero Valeiro, muito por cima do que é habitual no mercado editorial da Galiza.

(Maurício Castro)

BRIGA
www.briga-galiza.org

Comentamos nesta ocasiom umha novidade dentro do espaço ocupado pola esquerda independentista na Internet. Há já alguns anos que o MLNG encetou um trabalho a sério na rede de redes como via de socializaçom do projecto revolucionário e independentista que representamos. Daí que valorizemos também como positiva a iniciativa imediata da nova entidade juvenil independentista, BRIGA, que de maneira quase simultánea à sua constituiçom em Ferrol a 16 de Outubro de 2004 apresentou o web nacional em que informa das suas actividades.

O web é de recente criaçom, daí que os conteúdos nom sejam ainda muito numerosos. Porém, oferecem-se já os textos aprovados no Congresso Nacional Constituinte, bem como as novidades relativas a campanhas e comunicados públicos de BRIGA, e um arquivo gráfico com numerosas imagens do citado Congresso, da participaçom de BRIGA em mobilizaçons e das campanhas que a entidade juvenil da esquerda independentista está já a desenvolver nas ruas da Galiza.

As actualizaçons tenhem umha periodicidade razoável, o que torna conveniente visitar freqüentemente este novo web da juventude mais combativa.

 

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