LIVROS (Abrente nº 25)

Boaventura de Sousa Santos. A crítica da razão indolente. Contra o desperdício da experiência, Edições Afrontamento, Porto 2000, 374 páginas.

Este é o primeiro volume dumha tetralogia. Seguirá um segundo sobre O Direito da Rua: Ordem e Desordem nas Sociedades Subalternas (onde pescudará respeito das luitas pola supervivéncia, pola orde e pola dignidade em sociedades dominadas pola exclusom). Um terceiro, Os Trabalhos de Atlas: Regulação e Emancipação na Redopolis (no que enfrontará a globalizaçom hegemónica à contra-hegemónica, os dominantes fronte aos oprimidos). O quarto, O Milenio Órfão: Para um Futuro da Cultura Política, proporá umha reinvençom do comunitário, umha expansom dos espaços públicos, umha democracia de alta intensidade, combinando o local, o nacional e o global.
Voltando ao primeiro: procede a umha crítica do paradigma da modernidade ocidental ao tempo que se ocupa da análise dos paradigmas emergentes e das suas possibilidades emancipatórias, investigando as subjectividades individuais e colectivas exploradoras de tais possibilidades. A intençom do autor nom é a de estabelecer umha nova teoria social das sociedades capitalistas do sistema-mundo, aliás "desteorizar a realidade social" para abri-la à utopia. O colapso da orde ou da desorde existente nom implica retornar à barbárie, do contrário, é a oportunidade de construir um novo sentido comum, próprio de seres humanos e que, lembrando as palavras de Marx no Prólogo á Contribuiçom à Crítica da Economia Política (1859), ponha fim à pré-história na que estamos instalados. Este primeiro volume tem três partes: umha primeira na que descreve a crise da ciéncia e do direito estatal modernos; umha segunda com vistas a identificar os limites de representaçom (ou o que vem a ser o mesmo: elaborar unha epistemologia da cegueira e perguntar-se porque as novas formas de "adequaçom cerimonial" nom regulam nem emancipam); e umha terceira onde esculca as estruturas poliédricas do poder e revisita, ampliando muito, as propostas utópicas apresentadas em Pela Mão de Alice (1994) por romper a filosofia unidimensional do Capital.
(Domingos Antom Garcia)

Tiago Matos Silva
País de Abril. Filhos de Novembro. Memória do 25 de Abril
Dinossauro Edições, Lisboa 2002. 174 páginas.

Transmite-se hoje a ideia de que Portugal tivo umha ditadura "branda", com um único opositor (Humberto Delgado), com umha polícia política que "nom era tam má como as outras", um colonialismo de "bons patrons", umha guerra colonial "de brincadeira" e até um ditador (Marcello Caetano) que queria acabar com a ditadura. Como seria de esperar, este país de excepçom democratizou-se com umha revoluçom de um só dia, pola acçom de um só homem (Salgueiro Maia) e, depois de um breve período de confusom causada por perigosos esquerdistas, "entrou nos eixos" normais de umha democracia parlamentar ocidental, rumo ao progresso e à paz social.
Tiago Matos Silva resolveu investigar a veracidade desta história e recolhe aqui os testemunhos de pais e filhos de diversas áreas ideológicas. Com as suas próprias conclusons.

Actuel Marx, nº 29. Critique de la propriété, Presses Universitaires de France, Paris 2001, 218 pág.

É umha revista, de periodicidade bianual, que se dirige a um extenso público de diferentes matérias: filosofia, economia, direito, história, ciéncias sociais, arte, cultura en geral. A colecçom "Actuel Marx Confrontations" é outra janela do seu programa. Organiza asimesmo anualmente um Congresso Marx Internacional e possui um suplemento electrónico multilíngüe no que se pode encontrar informaçom sobre as actividades anteriores, participar numha tribuna de discusom, informar-se de recursos… No Conselho de Redacçom figuram vultos conhecidos do leitor galego como Georges Labica ou Michael Löwy. A situaçom na Internet é www.u-paris10.fr/ActuelMarx/

Retornando ao número em questom assinalar que no "dossier" escrevem economistas (Christian Barrère, Jean-Claude Delaunay, Frédéric Lordon), juristas (Ludovic Hennebel, Roland Ricci), um politólogo (Tony Andréani) e um filósofo, o director da revista, Jacques Bidet. O triunfo do liberalismo quer submeter tudo à apropriaçom privada e entre os novos objectos apropriáveis destacam as tecnologias da vida e as da informaçom. E o movimento socialista fundado na ideia de apropriaçom social dos meios de produçom e de troca, de serviços públicos e bens comuns, de condiçons essenciais de vida garantidas universalmente, acha-se radicalmente interpelado. Onde as suas conquistas, as suas perspectivas, as suas íntimas convicçons? Vem de patentear os renovados jogos da ideologia, do dinheiro e do poder… Fora do "dossier" as "Interventions" de Frédéric Neyrat sobre a economia política em Marx como meio de acçom para pensar doutro jeito a política; as de Jean-Marc Lachaud e Nicolas Romeas respeito da funçom crítica da arte; a de Jean-Pierre Sarrazac arredor dum teatro crítico e público; e Emmanuel Renault que fai umha análise crítica do livro de Ève Chiapello e Luc Boltanski sobre "o novo espíritu do capitalismo". Tambén aparecem críticas de livros, etc… Um esforço por romper a filosofia unidimensional do Capital.
(Domingos Antom Garcia)

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