LIVROS (Abrente nº 26)
Ediçom
de Paulo Porta Martínez
A guerra de Arturo Souto.
Edicións A Nosa Terra, Vigo 2002, 118 páginas.
Numha cuidada
ediçom a cargo do investigador Paulo Porta Martínez, Edicións
A Nosa Terra vem de tirar do prelo, -coincidindo com o centenário do
seu nascimento-, umha selecçom dos desenhos e gravuras antifascistas
do artista ponte-vedrês Arturo Souto, realizados durante a Guerra Civil
de 1936-39. A compilaçom da impressionante obra gráfica do desenhador
galego, -morto no exílio mexicano em 1964-, é umha nova iniciativa
que contribui para a imprescindível recuperaçom da memória
dumha das etapas menos conhecidas da nossa história contemporánea,
que o fascismo espanhol tentou fazer desaparecer sem êxito.
Umha considerável parte das imagens recolhidas neste livro-catálogo
eram praticamente desconhecidas, e fam parte das ilustraçons publicadas
em diversas revistas, boletins e jornais republicanos: El Comisario, El mono
azul, El buque rojo, Ataque, Unidad antifascista, Madrid, Cuadernos de la
Casa de la Cultura, Nueva cultura, em diversos livros e albuns de exposiçons
pictóricas contra o fascismo, realizadas em Valência ao longo
de 1937.
Arturo Souto, -membro da "Aliança de Intelectuais Antifascistas"-,
fai parte com Castelao, Fernández Mazas, ou Seoane, desse impressionante
grupo de galegos que com um destacado prestígio, -estava à espera
de participar na inauguraçom da Exposiçom Nacional em Madrid
depois de passar por Roma e Paris-, pugérom a disposiçom da
liberdade o seu talento e criatividade artística, e que após
a vitória fascista fôrom condenados ao mais absoluto ostracismo.
Parabéns a Paulo Porta e a A Nosa Terra por esta nova iniciativa, tam
necessária para o presente, aguardando que no futuro se localize, recupere
e edite integralmente a obra deste artista galego, comprometido com o seu
tempo e com a causa da classe trabalhadora. É a melhor homenagem que
se pode fazer aos milhares de homens e mulheres que morrêrom no combate
contra o facsismo espanhol, que novamente volta a rugir e ameaçar.
(Carlos Morais)
Noa Rios Bergantinhos
A esquerda independentista galega (1977-1995). Abrente Editora, Compostela
2002, 250 páginas.
O novo volume
da colecçom Construirmos Galiza persegue o objectivo tracejado pola
Abrente Editora de contribuir para a recuperaçom da história
do movimento de libertaçom nacional e social de género.
Este livro analisa a esquerda independentista no último quartel do
século passado, mais concretamente no período 1977-1995, em
que tem lugar o desenvolvimento da primeira etapa do independentismo após
a Guerra Civil espanhola. Estruturado em quatro capítulos, esta obra
realiza um rigoroso estudo da trajectória dumha etapa histórica
muito próxima, convulsa, ocultada ou mistificada pola maioria d@s protagonistas,
em funçom das suas particulares evoluçons políticas e
pessoais.
Afastada da perseguiçom ingénua dumha virtual objectividade,
a autora aprofunda e analisa com rigor e seriedade, utilizando umha profusa
documentaçom, -parcialmente publicada por primeira vez no anexo documental-,
e variadas fontes historiográficas, a evoluçom, desenvolvimento,
programas políticos, modelos e expressons organizativas, da história
mais recente de um movimento que necessita conhecer, assumir e reconciliar-se
com o legado do seu passado mais recente, no horizonte da superaçom
e consolidaçom.
Nom é, como a maioria das obras deste selo editorial, umha obra convencional;
embora a sua redacçom original parta de umha investigaçom académica,
está concebida como um instrumento político que contribua para
rearmar ideologicamente a esquerda independentista galega nos seus objectivos
revolucionários. (Abrente Editora)
Contretemps, nº 1. Le retour de la critique sociale. Marx et les nouvelles sociologies, Les éditions Textuel, Paris 2001, 157 páginas.
Estamos diante do primeiro número dumha revista que dirige Daniel Bensaïd,
bem conhecido polos seus inovadores estudos sobre Marx (em que tenta resgatá-los
das filosofias especulativas da história, da racionalidade positivista
das sociologias "empíricas" e da ciência positiva da
economia ao uso, pois a crítica da economia política acompanha
Marx mais da metade da sua vida e resiste a racionalidade parcelar e unilateral
do trabalho científico).
Trata-se dumha nova revista temática ao encontro de correntes de radicalidade
crítica que tenta viver ao ar do tempo e pensar a contratempo, de jeito
intempestivo, a contrapelo, diria Benjamin, ou contracorrente. Este "dossier"
preparado por Philippe Corcuff recolhe essencialmente umha jornada de estudos
realizada em Outubro de 2000 sob o sujeito das relaçons entre o marxismo
e as sociologias críticas que permitiu um diálogo entre filósofos,
sociólogos ou cientistas de referência marxista ou marxiana (Mateo
Alaluf, Daniel Bensaïd, Samuel Johsua, Pierre Role, Jean- Marie Vincent)
e sociólogos, ou historiadores, que se situam nas novas ciências
sociais críticas (Stéphane Béaud, Philippe Corcuff, Bernard
Lahire, Gérard Mauger, Dominique Preste, Michel Pialoux). Estes últimos
muito influenciados polas obras maiores de Pierre Bourdieu. Interroga-se a
respeito dos riscos de relativismo tam presentes nos pensamentos após-modernos
e da necessidade de repensar um novo universalismo, embora sem o disfarce
de opressons (nom se trata de universalizar excluindo). Incorpora umha secçom,
"Lu d`ailleurs", em que dá conta de ensaios importantes do
estrangeiro, nom traduzidos ao francês e em que também se poderám
incorporar traduçons, nos números a seguir, de textos de revistas
internacionais.
Seguirám números sobre a "Dominaçons imperiais e
mundualizaçom mercantil", "Ecologia política e história"),
"A política democrática a exame", "Feminismo,
género, identidades e comunidades", etc. Voltam Marx e o pensamento
crítico a estar na moda?. Nom estarám a fracassar mais umha
vez os seus enterradores?. (Domingos Antom Garcia).