Livros e web (Abrente 43)

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Blogues AGAL-GZ: umha plataforma digital para a expressom em galego

A Associaçom Galega da Língua vem fazendo nos últimos anos um magnífico trabalho de divulgaçom das teses reintegracionistas na Internet, através do Portal Galego da Língua, do qual falamos já nesta mesma secçom no número 30 do Abrente. Se no seu dia foi pioneira no lançamento da informaçom sobre o conflito lingüístico na Galiza, neste momento está a protagonizar a posta em comum do boom informativo e comunicativo que nos últimos tempos representam os blogues.

Para tal, a AGAL disponibiliza espaço às entidades que, utilizando a forma escrita tradicional e de futuro, a reintegracionista, quigerem contar com um meio de expressom próprio na rede, dando inclusive assessoramento técnico e de maneira gratuita, como forma de dinamizar a presença galega e em galego na net.

Assim, no servidor de blogues do Portal Galego da Língua podemos já aceder aos sítios de associaçons, entidades e iniciativas diversas que coincidem no uso do galego-português. Centros sociais como A Revira de Ponte Vedra, A Esmorga de Ourense, Artábria de Ferrol, Aguilhoar de Ginzo, Henriqueta Outeiro e A Gentalha do Pichel de Compostela ou a Baiuca Vermelha de Ponte Areas contam já com blogues em que informam do desenvolvimento das suas actividades praticamente a diário.

Também campanhas como a do Voluntariado pola Língua mantenhem informados os sectores mais interessados na defesa da língua num blogue específico, e recentemente inclusive AGIR e BRIGA se incorporárom ao servidor de blogues com um dedicado monograficamente à Escola de Formaçom que organizam anualmente desde 2004.

O Colectivo Gai de Compostela e o Viveiro e Observatório de Galescolas (nom as da Junta, atençom!) tenhem blogue próprio.

Além da vertente colectiva, o servidor disponibilizado pola AGAL oferece blogues particulares a pessoas interessadas em comunicar directa e abertamente mediante essa via. Recomendamos conhecer este espaço horizontal e participativo de comunicaçom, que permite estar em dia de muita cousa feita na base de umha parte do movimento popular galego.

Aurora Marco

Dicionario de Mulleres Galegas, Aurora Marco, A Nosa Terra, Março 2007, 566 páginas.

Perto de dous milhares é o número de mulheres a que fai referência este pioneiro dicionário: trabalhadoras dos mais diversos ofícios, (impressoras, jornalistas, prateiras, merceeiras, cigarreiras, curandeiras, etc), artistas, desportistas de muitas e variadas disciplinas (desde qualquer das modalidades do atletismo até desportos aquáticos como o caiaque ou a canoagem), milicianas, religiosas, vereadoras, bandoleiras, militantes de partidos e organizaçons políticas de amplo espectro idológico, sindicalistas, soldadeiras medievais, escritoras, mulheres que destacárom nas luitas labregas de início do século XX, e um longuíssimo etcétera. Estes nomes descobrem-nos umha outra realidade das nossas antecessoras, muito afastada da foto fixa que representa as mulheres galegas de antano como abnegadas maes e esposas que tinham no lar e na igreja o seu suposto “habitat natural”. Nomes de mulheres tam conhecidas como o de Rosalia de Castro, Maruxa Mallo ou Maria Casares, acompanham muitíssimos outros completamente desconhecidos e sentenciados ao esquecimento se nom fosse por esta e outras imprescindíveis iniciativas. Resultará surpreendente para a leitora e o leitor descobrir que no anos 30 já havia mulheres camionistas, como Maruja Martinez Cartamil, de Mugia; ou Chichona Patinho, primeira mulher galega a obter o diploma de aviadora na década de 10 do século passado. O quadro cronológico estudado é extremamente amplo, desde as origens até o ano 1975, e nele recolhem-se alguns dos dados disponíveis de centenas de mulheres que, de umha maneira ou outra, conseguírom que a sua pegada na sociedade galega sobrevivesse até os nossos dias. Numerosas fotografias acompanham estas mulheres, ajudando-nos a pôr rostos a estes nomes. Só um ingente e paciente trabalho investigador como o cá desenvolvido por Aurora Marco, permite recuperarmos, embora seja às vezes com escassos dados, o nosso passado colectivo e como mulheres, enchendo o vazio histórico a que séculos de dominaçom patriarcal nos tinha condenado. Do Abrente, queremos parabenizar este importante contributo para a recuperaçom da nossa memória, como galegas, e como mulheres. (Noa Rios Bergantinhos).

 

José Gómez Abad

Como o Che enganou a CIA. Edições Avante, Lisboa 2006, 566 páginas.

No quarenta aniversário da morte do Che na Bolívia, fai-se necessário nom só estudar e reivindicar o seu exemplo de revolucionário integral, mas também desmontar as falácias sobre a sua trajectória e as reflexons teóricas promovidas pola reacçom e a social-democracia, mas também polo estalinismo.O livro de Pepe Gómez contribui para desvendar e esclarecer umha parte dos episódios menos conhecidos da biografia de Ernesto Guevara: os preparativos da gesta internacionalista boliviana. Em 23 de Outubro de 1966, o Che partia, dando início a 11 intensos meses a tentar criar um foco guerrilheiro, tam bem plasmados no seu Diário. Anteriormente, outros destacados quadros revolucionários cubanos tinham saído para o país sul-americano como avançada para preparar a logística, entre as quais destaca Tamara Bunke Bíder, mais conhecida como “Tánia”. Em 1966-67, o daquela jovem José Gómez Abad –filho do inesquecível dirigente comunista galego José Gómez Gaioso, assassinado no garrote vil polo fascismo na Corunha a 6 de Novembro de 1948– já era um destacado membro da Direcçom-Geral da Informaçom do Ministério do Interior de Cuba, e posteriormente converteu-se no Ajudante Executivo do também galego Manuel Pinheiro Lousada “Barbarroja”, chefe da DGI. Foi enviado a Praga, onde estivo destinado muitos meses na preparaçom política, ideológica e militar de Tánia e outros combatentes cubanos, e apoiando o Che –que se achava de passagem após a fracassada experiência do Congo– antes da sua partida para a Bolívia via Cuba. Pepe Gómez, tal como relata com mestria nestelivro, fazia parte do reduzido grupo de pessoas responsabilizadas pola segurança e treino do Che, que conseguírom enganar a CIA e os serviços de espionagem europeus e latino-americanos. Participou activamente na transformaçom física do Che, na elaboraçom do disfarce empregado para penetrar na Bolívia sem levantar asmais mínimas suspeitas rumo ao seu histórico objectivo.Portanto, este livro, apoiado numha ingente documentaçom, inédita até o momento, está escrito por alguém que viveu directa e intensamente estes acontecimentos. Pepe Gómez Abad foi um activo protagonista de umha das maiores gestas revolucionárias de todos os tempos. Novamente, pois tenho a honra de conhecê-lo, quero transmitir o que ele já sabe: muito obrigado, Pepe, por teres dedicado milhares de horas a realizar este livro. Aguardo poder acompanhar-te no vindouro ano na homenagem do 70 aniversário de José Gómez Gaioso no cemitério de Santo Amaro, na Corunha.
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Carlos F. Velasco Souto

1936. Represión e alzamento militar en Galiza. Edicións A Nosa Terra. Vigo, 2006. 376 páginas.


A última obra do historiador e professor de História Contemporánea na Universidade da Corunha, Carlos Velasco, dá continuidade à anterior aproximaçom divulgativa da Galiza da II República, publicada na mesma editora e já comentada no seu momento nestas páginas. Tal como acontecia no seu Galiza na II República, este novo trabalho consegue conjugar o rigor histórico com o eminente teor divulgativo, resultando um produto que, sem dúvida, supera polo seu carácter abrangente os numerosos ensaios precedentres dedicados à mesma temática.

Coincidindo com o chamado “Ano da Memória”, A Nosa Terra publicou este novo título dentro da colecçom “Historia de Galicia”, deixando, mais umha vez, em evidência o desleixo da editora ao incluir, sem nengum rigor, na mesma capa os nomes espanhol e galego do nosso país.

A intensa repressom sofrida polo nosso povo em 1936, cuja verdadeira dimensom ainda nom pudo ser exactamente quantificada, acha nesta obra um altifalante que denuncia, depois de ordenados os dados e apresentados sectores sociais e ámbitos geográficos, o terror fascista que exterminou toda umha geraçom de luitadores e luitadoras galegas, e de cujos efeitos ainda hoje padecemos seqüelas constatáveis em forma de amnésia histórica, castraçom ideológica e alienaçom colectiva.

Velasco parte do estudo dos nom poucos ensaios de ámbito local e comarcal dedicados a estudar a repressom franquista, publicados nas últimas décadas, compondo um olhar de conjunto sobre a naçom galega, e acrescentando a imprescindível análise histórica e política de uns factores que determinárom a maneira como decorrêrom os acontecimentos no nosso país a partir do golpe de Estado e nos meses que se seguírom: a rápida queda da Galiza no campo fascista, as fugidas, a brutal caça ao vermelho, o exílio, a luita antifascista no interior e no exterior, a repressom comarca por comarca... o exaustivo estudo do professor ponte-vedrês constitui, em definitivo, um referente imprescindível para quem quiger ter umha ideia global do que supujo o golpismo franquista e a guerra que se seguiu. Sendo aqueles anos determinantes na configuraçom da história da Galiza no século passado, continuam a dar chaves para a interpretaçom de nom poucos mecanismos políticos vigentes nestes primeiros anos do século XXI. Mais um motivo para recomendarmos entusiasticamente a leitura das quase 400 páginas que componhem este 1936. Represión e alzamento militar en Galiza.

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