Livros e web (Abrente 43)

Tom Barry. A constitución da Irlanda Contemporánea. Dias de guerrilla en Irlanda. Toxosoutos, 2004. 236 páginas

Toxosoutos apresenta-nos a traduçom de um livro considerado umha das obras clássicas para conhecer a guerra que enfrentou o povo irlandês contra o imperialismo británico entre 1919 e 1921. Umha guerra que acabou com um acordo de paz entre británicos e irlandeses, ao qual se seguiu umha guerra civil dentro da própria Irlanda entre contrários e partidários do tratado.

A guerra de independência irlandesa apresenta um interesse especial, porquanto pode ser a primeira ocasiom na história em que se formula umha acçom de tipo político-militar numhas chaves ainda vigorantes. A sabotagem e a combinaçom da guerrilha rural e urbana som os elementos medulares de umha acçom militar que nom tenciona tanto o aniquilamento das forças inimigas como favorecer um cenário de negociaçom com a potência ocupante.

Em todo o caso, quem quiger conhecer em pormenor a luita independentista que levou à construçom da actual República de Eire terá que arranjar outras fontes, já que neste livro, para além de alguns apontamentos que contextualizam a acçom, vai encontrar o relato da experiência concreta de um comandante guerrilheiro numha regiom irlandesa, o Cork Occidental.

Tom Barry nom é nem um estudioso, nem um político no sentido comum do termo, mas um soldado, ou por melhor dizer um voluntário do IRA, que lembra com orgulho as gestas de que participou e chefiou em qualidade de comandante da Flying Column da West-Cork Brigade, umha das unidades com maior nivel de actividade do IRA na altura.

Serve, isso sim, o seu testemunho para sondar como se organizava o movimento republicano, qual era o seu nível arraigamento popular ou quais eram as ferramentas empregadas polo ocupante para manter um país submetido; em definitivo, para conhecer a concreçom prática de noçons que algumhas vezes ficam formuladas de um jeito um bocado vago no nivel teórico: repressom, colaboracionismo, mobilidade da força guerrilheira…

É, pois, umha leitura recomendada para quem quiger conhecer algo mais em profundidade a experiência irlandesa ou tiver interesse polas experiências práticas da acçom armada de tipo guerrilheiro.

Teresa Moure

Outro idioma é posible. Na procura dumha língua para a humanidade, Editorial Galaxia, Maio, 2005, 163 páginas

Cerca de 6.500 línguas existem hoje em dia. Delas, pouco mais de 200 tenhem mais de um milhom de falantes. A escritora e profesora Teresa Moure reflecte neste livro sobre a variedade e multitude de línguas e sobre os mitos, quase sempre negativos, que em volta dessa pluralidade tenhem sido criados, entre eles, o mais importante: fazer recair sobre essa variedade as disputas e confrontos entre seres humanos, com a escusa da incomunicaçom provocada pola incompreensom entre falantes de distintas línguas. A reflexom sobre a pertinência e utilidade de umha língua universal permite expor, analisar e criticar mentiras, preconceitos e falsidades sobre as linguas. A começar pola provocativa declaraçom de N. Chomsky, que afirmou, em meados do século passado, que se um marciano visitasse a Terra consideraria que toda a humanidade fala umha mesma língua, a autora, doutora em Lingüística Geral, realiza um percurso sobre os numerosos projectos que tenhem existido para criar umha língua artificial universal, desde a “Língua ignota” de Hildegarda de Bingen, no século XII, até o “Eurolang” de Philip Hunt, em 1995, passando por outras propostas mais ou menos conhecidas, como a “Pasigraphie” de 1797, o “Solresol” de 1827, o “Volapük” de 1879, o “Esperanto” de 1887, o “Latino sine flexione” de 1904, o “Novial”, de 1927, ou o “BASIC English” de 1935, por referir só alguns dos quase 150 projectos que a autora documenta ao longo do seu percurso no tempo, em que também fala de projectos que se desenvolvem graças à Internet, ou línguas artificiais como o “Klingon”, criadas a partir do filme de ciência ficçom Star Trek.

Esse importante número de projectos é que a leva a criticar a postura dos lingüistas, que tenhem prestado mui pouca atençom ao estudo da língua universal ou, por melhor dizer, de umha Língua Internacional Auxiliar (LIA), aceitando acriticamente a imposiçom do inglês como língua franca nas últimas décadas, nom pola sua ideoneidade para preencher essa funçom, mas por motivos político-económicos, dado que, mais umha vez, a língua (neste caso a inglesa) é a companheira do império.

De umha postura de compromisso com as línguas minorizadas e minoritárias, amenaçadas polo inglês e por outras línguas que, nos seus ámbitos, pretendem ser línguas poderosas e importantes, a autora propom-nos a necessidade de solventar a situaçom a partir de umha reflexom em que lingüistas e políticos, mas também o conjunto da humanidade, como falantes de umha ou várias línguas, tenhem muito a dizer. A necessidade de preservar a biodiversidade lingüística assim no-lo exige.

Línguas Cruzadas: o conflito lingüístico na reflexom d@s falantes

Nom é habitual acedermos a umha obra audiovisual em que som apresentadas, em primeira pessoa, as impressons e reflexons da nossa própria comunidade falante sobre o conflito lingüístico existente na Galiza. Especialmente relevante é vermos e escuitarmos representantes da geraçom mais nova de galegofalantes, e a interpretaçom que fam da situaçom crítica actual, junto a opinions de jovens da Galiza urbana que pertencem à geraçom que, maioritariamente, perdeu o idioma.

Preconceitos, autoafirmaçom, orgulho, complexos, contradiçons... som 50 minutos muito recomendáveis, estreados no passado Dia das Letras pola Televisom da Galiza e já disponível na rede.

Escrito e dirigido por María Yáñez e Mónica Ares, constitui umha excepçom no marasmo absoluto que sofre o estudo comprometido da situaçom sociolingüística galega no meio audiovisual. Um meio em que o espanhol é hegemónico inclusive nas produçons financiadas com o dinheiro de todos os galegos e galegas, em fitas só secundariamente traduzidas para a nossa língua.

Felizmente, contamos já com umha versom do documentário pendurado na Internet. Podes vê-lo na íntegra na secçom de vídeos de Primeira Linhe em Rede ou nos blogues da Fundaçom Artábria, C. S. A Revira e C.S. Henriqueta Outeiro, bem como no Portal Galego da Língua, entre outros.

http://www.primeiralinha.org

http://www.artabria.net

http://revira.agal-gz.org/

http://www.agal-gz.org

 

Voltar a Abrente 44

Voltar à página principal

 

 

orthopedic pain management