20 anos de evoluçom do feminismo na Galiza

Luísa Ocampo Pereira

A sublevaçom militar fascista contra a segunda República supujo um grande retrocesso para as mulheres, direitos conseguidos nessa época como o divórcio, o aborto, os metódos anticoncepcionais, o casamento civil, a igualdade entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, a co-educaçom, … e que deixárom de sê-lo durante todos os anos de ditadura fascista.

Na Galiza haverá que aguardar até o ano 1968 para que apareçam grupos de mulheres organizados propiciados polo PC à volta das siglas de "Movemento Democrático de Mulheres". Seu trabalho estava mais ligado ao movimento sindical e às reivindicaçons polos direitos democráticos que à luita polos direitos das mulheres.

Nom vai ser até o ano 1976 que veremos na Galiza um movimento feminista organizado com o nome de "Asociación Galega da Muller" (AGM). Na sua criaçom, vam participar mulheres de diferentes partidos da esquerda: MC, LCR, PT e mulheres independentes. A ideia que partilhavam era pensar que as mulheres podiam permanecer unidas numha única organizaçom apesar das diferenças políticas e ideológicas. A AGM tinha presença nas principais cidades galegas e estava coordenada a nível estatal através da "Coordenadora Estatal de organizaçons Feministas".

É preciso reconhecer que estas organizaçons foram as pioneiras quanto a revulsivo para criar auto-organizaçom das mulheres assim como na criaçom de consciência feminista e jogárom um papel muito importante.

Estas primeiras organizaçons participam de umha ideologia nom nacionalista se bem é certo que o nacionalismo na Galiza nom tinha mostrado nengum interesse no feminismo.

A partir do ano 1978 começam a produzir-se cisons no seu seio das quais a primeira foi a FIGA, e aliás produz-se umha diminuiçom na militáncia e na força desse movimento feminista.

Nos anos 80 depois de atravessar um período de divisons vam consolidar-se umha série de organizaçons locais que já nom se unificam com o nome de AGM, mas vam manter umha coordenaçom a nível nacional e estatal.

Nascimento de MNG

É no ano 1984, quando um grupo numeroso de mulheres organizadas no seio do BNG começamos a reflectir sobre a necessidade da autorganizaçom das mulheres galegas para a luita antipatriarcal desde umha estratégia de libertaçom nacional. Nesse contexto nasce Mulheres Nacionalistas Galegas (MNG), analisando que na Galiza nom existia umha organizaçom de mulheres feminista e nacionalista e pensando que a libertaçom da mulher no nosso pais só podia conseguir-se de umha organizaçom que tivesse em conta estes dous supostos ideológicos.

No 15 e 16 de Novembro de 1986 com a legenda -Mulheres livres na pátria libertada-, depois de muitos meses de debates internos, 300 mulheres de toda a Galiza realizámos a Assembleia Constituinte de MNG na Faculdade de Geografia e História de Compostela. Sendo a primeira e a única organizaçom feminista e nacionalista de ámbito nacional existente na Galiza até hoje.

Os princípios aprovados naquela Assembleia e que iam inspirar a prática de MNG, fôrom principalmente dous: Antipatriarcado e Nacionalismo. Nascíamos como umha organizaçom feminista com umha estrutura autónoma mas com representaçom nos organismos de direcçom do BNG. O que resulta evidente é que MNG ao formar parte da estrutura organizativa do BNG tínhamos sequestrada a nossa independência.

Começámos um andamento no qual partíamos de ter muito empenho e vontade de trabalhar, assim como bastantes meios materiais e humanos, mas com pouca teoria e pouca prática feminista Desde o movimento feminista organizado nesse momento na Galiza, acusava-se-nos de nom ser umha organizaçom feminista e que só éramos umha plataforma mas do BNG para atrair mulheres ao nacionalismo.

No 8 de Março de 1987 será a primeira vez que MNG convoca esta data com a mesma legenda que a da nossa Assembleia Constituinte, e em Maio desse mesmo ano saiu à rua o número 1 dá nossa revista Area, da qual editamos 11 números. A partir de 1992 o nosso jornal passou a denominar-se Deliberadamente.

Em Outubro de 1987 ao observarmos que diferentes problemas acontecidos no nacionalismo a essa altura estavam a ter umha grave repercussom na nossa organizaçom, umha parte da mesma propugemos a celebraçom de umha Assembleia Extraordinária para a desvinculaçom organizativa do BNG e de qualquer outra organizaçom política defendendo a necessidade da auto-organizaçom das mulheres com total independência.

De facto esta Assembleia Extraordinária nom chegou a realizar-se já que o sector maioritário da organizaçom se opujo à celebraçom da mesma. Apesar da nossa tentativa de minimizar as repercussons aconteceu umha fractura importante no seio de MNG.

Será na II Asembleia nacional de MNG celebrada em Novembro de 1988 sob a legenda de "Livres para medrar, medrar para sermos livres" onde se decide a desvinculaçom de qualquer organizaçom política e a nossa independência organizativa, que continuamos a defender durante todos estes anos, como um elemento imprescindível para sermos as próprias mulheres as que marquemos a nossa política feminista.

Mais tarde no ano 1989, formalmente MNG já éramos umha organizaçom independente.
Embora mais umha vez os problemas políticos surgidos no seio do nacionalismo independentista criará conflitos insuperáveis, que rematam com o abandono da organizaçom das mulheres vinculadas ao PCLN, mas com a curiosidade que tentam ficar com a propriedade das siglas e portanto da organizaçom.

Até mesmo, em algumhas zonas, durante algun tempo em campanhas unitárias apareceram as assinaturas de "Mulleres Nacionalistas Galegas" (sector de mulheres do PCLN) e "Mulheres Nacionalistas Galegas" (mulheres que representavam à actual organizaçom de MNG).

Durante todos estes anos apesar dos problemas internos a actividade própria de MNG foi muito intensa em toda a Galiza, desenvolvendo multidom de campanhas, debates, mobilizaçons, ...

A vontade de MNG, desde os seus inícios, foi a de impulsionar respostas unitárias no feminismo ante problemas concretos, e assim figemos chamadas para convocar unitariamente o 8 de Março, chamadas que nom tivérom resposta positiva até o ano 1997.

Com o passar do tempo as MNG fomo-nos consolidando, adquirindo a traves do debate, a reflexom e o estudo umha adequaçom da nossa prática mais de acordo com as necessidades de luita contra o patriarcado na Galiza assim como um corpo teórico feminista.

A nível ideológico MNG consideramos que a luita feminista deve ser superadora da simples desigualdade entre os géneros e considera o feminismo como umha luita global em si própria. Som objectivos estratégicos para nós a luita antipatriarcal e anticapitalista e a construçom de umha sociedade livre de exploraçons, sob os valores da equidade, o respeito e a independência.

Um dos objectivos de MNG é o de recuperar a nossa própria história e com esta ideia temos editado várias publicaçons com a finalidade de romper com a desmemória e recuperar a voz das mulheres que o Poder quer premeditadamente manter silenciada.

Em 1990 iniciámos a ediçom da única Agenda Feminista Galega que se vem editando sem interrupçom e que dedicamos cada ano a um tema monográfico.

Para MNG é muito importante a reflexom e por isso organizamos desde nossos inícios jornadas de debate assim como jornadas de formaçom das quais temos várias publicaçons. Esta importáncia da reflexom está sempre realizada com a orientaçom da melhor adequaçom das nossas mobilizaçons à realidade.

Marcha Mundial das Mulheres

Para MNG o trabalho unitário sempre foi um objectivo muito importante, como assim o temos demonstrado no esforço realizado na formaçom da plataforma de organizaços de mulheres, da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza no ano 2000, na qual MNG temos trabalhado muito intensamente para alcançarmos a sua criaçom, a sua extensom tanto a nível galego como a nível internacional, tentando que nela participassem o maior número possível de organizaçons de mulheres do nosso país, trabalhámos também para que a sua prática fosse feminista e adequada à realidade das mulheres galegas, assim como que a Galiza estivesse representanda como país a nível internacional. MNG esforçamo-nos na organizaçom da mobilizaçom europeia que se realizou em Vigo em Maio de 2004 e que esta tivesse a importáncia que finalmente tivo, relegando inclusivamente o trabalho específico da nossa organizaçom durante esses quatro anos.

Pola primeira vez conseguiu-se na Galiza umha plataforma unitária que aglutinasse no seu seio organizaçons de mulheres de tam diferentes politicas e ideologias, logrando que convivam no seu seio o uso do reintegrado e a normativa oficial, respeitando as diferenças.

Para MNG continua a ser importante a necessidade da luita unitária e a continuidade da plataforma de organizaçons de mulheres da MMM pola que continuamos a apostar, mas neste momento consideramos fundamental recuperar o nosso trabalho específico como organizaçom própria para garantir o futuro do feminismo nacionalista.

Para MNG na actualidade os objetivos prioritários som fortalecer a nossa organizaçom, a mobilizaçom, a formaçom teórica e autoconsciência.

As mulheres na Galiza temos avançado muito nos últimos tempos, mas sem dúvida nunca nos foi dado nada, mas os avanços conseguidos fôrom resultado das luitas do movimento feminista e sabemos que as MNG temos contribuído, na medida de nossas possibilidades, a estes avanços de diferentes campos e hoje mais que nunca, e com a perspectiva que nos dam os nossos vinte anos de história, sabemos da importáncia do feminismo, da necessidade de continuarmos nesta luita pola destruiçom do sistema patriarcal e a construçom de umha sociedade livre de exploraçons e o compromisso com a luita da Galiza pola consecuçom da sua independência nacional.


Luísa Ocampo Pereira é militante de MNG

 

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