A UNIDADE INDEPENDENTISTA E OITO IDEIAS SOBRE AS QUE CUMPRE REFLECTIRMOS. Publicado no nº 17 de Abrente

Comité Central de Primeira Linha (MLN)

Este documento nom pretende realizar umha valorizaçom sobre o último ano político do independentismo iniciado coa unidade de acçom entre a AMI, a FPG e Primeira Linha (MLN) na campanha do Dia da Pátria de 1999. Unicamente queremos tratar de forma aproximativa umha série de apontamentos e reflexons sobre diversos aspectos importantes que cumpre abordar colectivamente no processo de reorganizaçom política em que está imersa a esquerda independentista.

1- Um cenário político volúvel

O processo de unidade de acçom, tal como se focou no último ano, está superado pola própria dinámica interna do movimento e porque, tal como estava concebido, após contínuos reajustamentos, nom pode dar mais de si. Manter umha unidade de acçom sem um objectivo mais tangível e "estratégico" do que realizar campanhas conjuntas em determinadas datas litúrgicas nom tem nengum sentido político, se nom for acompanhado por um debate político e ideológico e umha praxe comum que permita aproximar posiçons para ir construindo umha identidade nova, síntese da sua pluralidade. Se três organizaçons decidem unir as suas forças para intervirem conjuntamente na estrutura social sobre a que operam é porque há suficientes pontos de unidade que permitem tender para simplificar a sua acçom política.

A unidade orgánica nom pode ser umha desejável utopia; é um objectivo imediato que permitirá umha maior eficácia política e umha maior capacidade de intervençom social num processo estratégico no longo prazo. A unidade orgánica nom é um fim em si mesmo, os nossos objectivos som a Independência e o Socialismo. Mas se umha das partes nom mostra disponibilidade para cristalizar a unidade orgánica, nem para elaborar um calendário sobre o qual trabalhar com este objectivo, nom deve condicionar, nem vetar, a possibilidade de que o resto do movimento político caminhe para a reorganizaçom co ritmo que considerar oportuno.

A criaçom das Assembleias Populares Comarcais que recolhem a prática totalidade da pluralidade da militáncia independentista, tenhem contribuido para mudar substancialmente o panorama político com que se abriu esta etapa. O actual cenário nom é idêntico ao de Julho passado porque há novos protagonistas que representam correntes ideológicas, sensibilidades políticas, nom exactamente coincidentes coas três organizaçons que configurárom a CNUEIN. Porque entre tod@s logramos incorporar activamente decenas de independentes ao processo de reorganizaçom, e porque conseguimos que o entusiasmo e a ilusom na base social que derivou na grande mobilizaçom do Dia da Pátria do ano passado nom se evaporasse novamente.

Embora os receios e as desconfianças sigam sendo um elemento presente nas relaçons políticas do independentismo, --como nom podia ser doutro jeito após tantos anos de enfrentamento e incompreensom mútua, tenhem-se dado significativos passos para solventar esta situaçom. A criaçom das APCs, como expressons avançadas da meta a alcançar, venhem marcando, som um referente do caminho da unidade a seguir a nível nacional.

Paralelamente, a unidade de acçom entre as organizaçons estudantis independentistas (EI e FER) tem contribuído para descongestionar umha complexa situaçom, que semelhava enquistar-se, avançando na via da unificaçom que permita contar cumha única organizaçom estudantil a nível nacional a que devem somar-se todos aqueles colectivos e independentistas sem organizar. O sucesso das mobilizaçons de Maio em Compostela demonstrou que com unidade e iniciativa política o independentismo pode converter-se no curto prazo num referente para o estudantado galego.

2- A pluralidade como sinal de identidade

O independentismo revolucionário como movimento sócio-político que tem como objectivo comum dotar a Galiza dum Estado próprio cumha sociedade socialista é, e deve seguir sendo, um movimento plural em que convivam em harmonia todas aquelas correntes patrióticas e anticapitalistas que hoje o configuram. Ninguém possui as essências do movimento, ninguém representa a linha histórica, nom existem plus de antigüidade, porque o movimento independentista carece de continuidade organizativa e até o momento foi incapaz de manter umha acumulaçom sustentada de forças e experiências. A actual fragmentaçom e fragilidade organizativa som expressom dumha atípica situaçom caracterizada pola inexistência dumha organizaçom ou grupo de militantes históricos com suficiente prestígio e capacidade política para acelerar processos, resolver absurdas disputas e impedir o processo de descompossiçom dos anos noventa, e que agora temos colectivamente o firme propóstito de solventar.

É condiçom sine qua non para o êxito dumha das mais arriscadas e ineludíveis operaçons políticas da história do nosso movimento patriótico que o processo constituinte que estamos iniciando mantenha um escrupuloso respeito polas diversas ideologias e modelos organizativos das forças políticas e sociais que configuramos o MLNG. Cada corrente, cada colectivo, cada partido, cada grupo organizado existente hoje ou que se vinher a configurar no futuro, responde a condiçons materiais, é resultado de prismas ideológicos diferentes, mas complementares e imprescindíveis para atingir o objectivo prioritário do independentismo na actualidade. Nom podemos defraudar novamente os sectores sociais que demandam a unidade organizativa da esquerda independentista. Eis o grande repto que temos que superar as organizaçons independentistas e tod@s @s militantes sem adscriçom partidária. Sem dirigismos, nem sectarismos, mas também sem precipitaçom e espontaneísmo, e si com generosidade, audácia e inteligência revolucionárias.

3- Sintetizar o melhor de todas as tradiçons

A Unidade Popular que colectivamente pretendemos construir deve recolher no seu seio o legado político-ideológico de todas as experiências e tradiçons do independentismo contemporáneo, e também apreender dos ensaios anteriores a 1936. O reconhecimento -sem nengum tipo de exclusom- e a reivindicaçom de todas as vias abertas para construir umha força política independentista desde 1977 até hoje, significa garantir a coesom política, organizativa e ideológica da força unitária e nacional que devemos impulsionar nos próximos meses. Devemos respeitar a trajectória e o passado do conjunto do movimento, sem complexos nem prepotências.

O independentismo revolucionário que queremos construir deve alicerçar sobre consensos amplos e profundos, em que a cultura da negociaçom e o acordo se imponha sobre a imposiçom e as nefastas tentativas hegemonistas que parcelarmente provocárom a desfeita que ainda hoje colectivamente sofremos.

Nestes parámetros ideológicos plurais nom tem cabimento qualquer força ou corrente política allheia ao país, que nom cumprir o requisito primário da auto-organizaçom. A esquerda espanhola por mui radical que for, e por muito que dixer defender o direito democrático de autodeterminaçom, nom deixa de ser parte do projecto imperialista que nos nega como povo. A classe trabalhadora espanhola tem assumido o discurso imperialista da sua burguesia e está alinhada sem nengum tipo de vacilaçons e ambigüidades com ela.

4- O modelo organizativo

Som diversos os modelos que permitem construir umha força política unitária, plural e de massas que adopte a forma de Unidade Popular. Primeira Linha (MLN) veu defendendo o modelo frentista como o mais acaído para a situaçom sócio-económica deste país, para o processo de libertaçom nacional e para a situaçom interna do movimento, mas tampouco vai fazer desta questom um casus belli que dificulte articular a organizaçom unitária de toda a esquerda independentista.

Assi, todas as APC tenhem adoptado o modelo assemblear de filiaçom individual, e a sua prática até o momento tem demonstrado sobre o terreno o seu correcto funcionamento. Cumpre manter umha grande flexibilidade fugindo dos esquemas que emanam dos manuais. Devemos mostrar madurez e capacidade política para assumir e compreender a necessária introduçom de mudanças na nossa prática diária se pretendermos abordar com êxito o novo cenário político que estamos construindo, que entre tod@s estamos a configurar.

O processo unitário sobre o que temos que ir avançando é duplo para o conjunto do movimento, mas para a militáncia comunista adquire umha tripla vertente.

Em primeiro lugar, temos que construir umha organizaçom política que aglutine todo o independentismo. Mas paralelamente devemos interrelacionar e sincronizar este processo coa reorganizaçom do MLNG, entendidas esta siglas como o conjunto de organizaçons políticas e sociais que se sentem parte dum mesmo projecto estratégico e portanto tenhem objectivos comuns. O MLNG deve configurar-se como umha rede de entidades, organizaçons de massas e correntes ideológicas interrelacionadas por uns vasos comunicantes, cujo referente político é a organizaçom independentista unitária. O MLNG constituirá a unidade sobre a que alicerçar a construçom dumha nova sociedade, dotada de todo um modelo e umhas pautas de vida que, cum universo imaginário, moral e cultural próprio, sejam o referente, o ensaio imperfeito, da sociedade emancipada e a pátria libertada por que luitamos.

A esquerda independentista é umha força político-social anti-sistémica, que nom pretende jogar no quadro jurídico-político espanhol buscando a sua hegemonia eleitoral. É um projecto político revolucionário que pretende lograr a independência da Galiza e construir umha sociedade socialista. É um movimento que nom acredita no parlamentarismo burguês, que pretende derrubar a actual legalidade espanhola mediante umha luita de libertaçom nacional em que todos os métodos som legítimos e necessários. Por isso tem que dotar-se dumha estrutura organizativa coa forma de movimento com presença em todos os sectores sociais e frentes de luita que lhe forem possíveis. O MLNG deve ser um conglomerado de organizaçons políticas e sociais que com discursos específicos e especializados ao campo sobre o que actuarem, mantenham um cordom umbilical e umha coordenaçom táctica e estratégica com base na retroalimentaçom e a coesom ideológica e política. Cada passo à frente que dê umha das suas organizaçons contribui para avançar a o conjunto do movimento. Cada fracasso dalgumha das suas organizaçons influi negativamente no movimento.

Embora, tal como definimos anteriormente, a pluralidade seja um sinal identitário do movimento, é necessário evitar a fragmentaçom organizativa e a duplicidade de estruturas com semelhantes postulados ideológicos. Primeira Linha (MLN) é umha organizaçom comunista, mas sabe que no conjunto do MLNG há muit@s comunistas que nom militam no nosso partido. É necessário para o sucesso do movimento que tod@s @s comunistas galeg@s de prática independentista militemos na mesma organizaçom. Cumpre reformular a actual situaçom e construir o Partido Comunista patriótico que sintetize as diversas trajectórias e culturas marxistas-leninistas presentes hoje no seio do movimento; embora este objectivo deva subordinar-se às duas prioridades imediatas: unificar a esquerda independentista e reorganizar o MLNG.

As siglas som unicamente um meio para conseguir um objectivo. Na reorganizaçom do MLNG devemos renunciar, sem nengum tipo de resistência, às siglas actuais, se isto contribuir para dar passos firmes e sólidos na direccçom da unificaçom.

5- Um movimento anti-sistémico

Somos, queremos e devemos ser um movimento que nom se adapte às raquíticas possibilidades de intervençom política que permite a democracia burguesa espanhola. A desobediência civil, os métodos de luita nom estritamente "legais", som imprescindíveis para alicerçar um movimento sócio-político revolucionário. A teoria e a praxe devem ser ambas as caras da mesma moeda. Mas que sejamos um movimento político anti-sistémico nom significa que tenhamos vocaçom suicida, que actuemos sem planificaçom nem estratégia.

O independentismo tem vários reptos que superar neste terreno. O Estado espanhol pretende conduzir-nos para o seu campo preferido, apresentar-nos perante o conjunto do nosso povo como um mero problema de orde pública que deve ser erradicado o antes possível. A sua estratégia repressiva centra-se no que eles denominam prevençom, ou seja, intoxicaçom informativa, manipulaçom e ocultamento das nossas propostas, deturpaçom da nossa identidade, criminalizaçom da nossa luita. Pretendem levar-nos exclusivamente a entrar na dialéctica da espiral da acçom-repressom-acçom que, polas experiências anteriores, tem demonstrado que está condenada ao fracasso e apenas acelera a liquidaçom do projecto.

A esquerda independentista sofrerá -na actualidade conta com nove pres@s polític@s e perto de quarenta repressaliad@s- todo o tipo de repressom por Espanha, mas isto nom significa que monopolize o seu discurso no campo anti-repressivo, que centre o conjunto dos seus recursos e capacidades em fazer frente à repressom. A organizaçom política unitária tem que ser capaz de fazer política táctica para o presente, disputar ao autonomismo parte da sua base social, ser um referente para sectores da classe trabalhadora, atrair a mocidade rebelde às suas fileiras. A reorganizaçom do MLNG significa que o movimento tem que dotar-se o antes possível dumha entidade anti-repressiva que cumpra as actuais carências das JUGA e dos CAR neste campo. A superaçom da actual fase deve dar passage à reformulaçom dos actuais organismos, impulsionando a criaçom dumha nova organizaçom com recursos humanos suficientes, com meios jurídicos e económicos, com grande preparaçom política, pois vai ser umha das peças básicas do MLNG que temos que construir, já que a esquerda independentista nom pode renunciar à auto-defesa.

Temos que assumir que a repressom do capitalismo espanhol (policial, judiciária, laboral, informativa) vai ser proporcional aos êxitos políticos, à introduçom social e consolidaçom do movimento.

6- O nosso espaço político objectivo

Nunca o independentismo tivo umhas condiçons objectivas tam favoráveis para avançar no seio do conjunto do nacionalismo galego, ultrapassando a marginalidade que, salvo contadas excepçons, vem historicamente ocupando. O PGP e Galiza Ceive (oln) nos anos da Transiçom, a FPG e a APU no final da década de oitenta e inícios de noventa, tinham que disputar o espaço independentista, o discurso anti-sistémico, a umha UPG/BNPG/BNG que, por muita prática possibilista que mantivesse, ainda nom tinha aparentemente renunciado aos princípios básicos do movimento de libertaçom nacional e mantinha um discurso conseqüente.

A deriva autonomista e social-democrata do BNG deve ser aproveitada pola esquerda independentista mediante movimentos e gestos políticos tendentes à ocupaçom do espaço que esta força vem abandonando de maneira progressiva nos últimos anos, mas que nos últimos meses é cada vez mais patente para certos sectores -ainda nom significativos e suficientes- da sua tradicional base social.
Seria um grave erro táctico e estratégico construir um MLNG alicerçado no exclusivista discurso anti-Bloco que confunda o inimigo principal co adversário político. O BNG nom é o nosso inimigo político. O inimigo político do independentismo é o imperialismo espanhol e as suas expressons políticas na Galiza: o Partido Popular e o PSOE, a esquerda espanhola, as forças de ocupaçom, os diversos aparelhos do estado, os poderes económicos, mediáticos. Se bem dos sectores mais reaccionários do BNG nom podemos esperar mais nada que umhas duríssimas campanhas de calúnias e injúrias e mesmo a aberta colaboraçom com Espanha para aniquilar-nos políticamente, nunca devemos voar todas as pontes abertas com sectores da sua militáncia, co conjunto da sua base social, porque quando o processo de libertaçom nacional estiver avançado havemos de ter que somá-los ao nosso projecto soberanista ou dinamitá-lo do seu interior para recuperar aqueles sectores sociais que nom tiverem consumado a fractura.

Do independentismo, devemos seguir con atençom os movimentos e debates internos que se produzem no interior do BNG e as suas repercusons para o conjunto da sua/nossa base social.
Nos últimos meses, por mor de erróneos cálculos e análises da sua direcçom, as ambiciosas expectativas eleitorais depositadas no 12 de Março nom alcançárom as metas perseguidas, provocando umha certa frustraçom em determinados sectores do seu eleitorado. Esta conjuntura está sendo aproveitada pola UPG e os seus aliados para recrudescer as luitas intestinas de poder centrando o alvo dos seus ataques no José Manuel Beiras. A rocambolesca renúncia de Pilar Garcia Negro, as declaraçons do Rodríguez Penha no congresso do PNG sobre a necessidade de manter a unidade interna, a virulenta polémica sobre a linha discursiva de Beiras, som pontas do icebergue do grande debate estratégico que se está dando no seio do BNG, entre a UPG e o precário liderato de Beiras. Debate que em muitos aspectos, no essencial, expressa duas concepçons -moderada e radical- da mesma linha política possibilista. As acusaçons dirigidas contra o Beiras de ser o máximo responsável polo "fracasso eleitoral" por manter um discurso muito agressivo com Fraga e o PP, fundado em ataques ao seu passado político e mediante a utilizaçom de categorias políticas (fascismo) impróprias dum sistema democrático, já que o questionamento da biografia política de Fraga, a invalidez do quadro jurídico espanhol, nom se podem empregar como armas eleitorais, somente revelam até que ponto a direcçom do Bloco tem plenamente interiorizada a derrota do colonizado frente a Espanha. O BNG está assumindo como própria, com perto de vinte e cinco anos de retraso, a perversa lógica da amnésia histórica que impugérom os pactos da Transiçom a respeito do franquismo, e que naquela altura contou coa firme oposiçom do conjunto do nacionalismo. Esta é parte da portage que o BNG deve pagar para ser aceitado como mais umha organizaçom do sistema.

Mas esta fractura, que rompe o tradicional hermetismo da organizaçom frentista, também afecta à UPG que igual que o BNG tem adiado os seus respectivos congresso e assembleia nacional.

A vergonhenta gestom dos governos municipais das grandes cidades, a filosofia do manifesto O país em positivo. Um compromisso responsável com Galiza, apresentado há poucas semanas, som mais do que hipotéticas valorizaçons, prognósticos apocalípticos dos radicais, som a evidência da aposta estratégica do BNG polo autonomismo radical e um programa social-democrata.

Nom devemos obviar que no último inquérito do CIS a "opiniom pública" situa o BNG à direita do PSOE.
Todo este panorama nom pode ser desaproveitado pola esquerda independentista. Esta tem que agir coa suficiente inteligência e agilidade como para nom perder a oportunidade de aproximar das suas teses parte do descontentamento que se gera, ou pode vir a gerar-se, no interior do Bloco.

7- Os perigos da esquerda revolucionária

Todas as organizaçons e militantes do independentismo nom estamos isentos dumha série de tentaçons e perigos que historicamente venhem caracterizando o agir da esquerda revolucionária no conjunto do Planeta. A fascinaçom pola radicalidade estética vácua, polas práticas maximalistas, pola acçom pola acçom, provoca umha dramática grupusculizaçom, umha incapacidade por ligar-se à realidade e por manter umha intervençom política baseada na constáncia, na actividade sistemática com visom táctica.

O que correctamente se vem definindo por esquerdismo está engaiolado pola comodidade, pola satisfaçom infantil do artificial bem-estar da endogamia e do gheto, desaproveita e despreza o trabalho coas massas. Umha incorrecta percepçom da realidade, umha errónea valorizaçom da sociedade e do país leva-o a desconsiderar a vital importáncia do trabalho quotidiano, dessa muitas vezes desagradável e decepcionante intervençom diária, mas imprescindível e básica para obter avanços reais que garantam os sucessos estratégicos, que permitam dar passos firmes no caminho da liberdade.

O esquerdismo considera mais satisfatório participar em actividades inúteis que nom contribuem para elevar o nível de consciência popular, nem a agudizar contradiçons, que só satisfazem o ego pessoal, e que muitas vezes podem provocar graves retrocessos ou liquidar modestas acumulaçons de forças, resultado de imensos sacrifícios, que em realizar trabalho político real, desprovisto do hiperideologismo de que som incapazes de desprender-se.

Um movimento como o nosso, cumha composiçom caracterizada pola grande juventude dumha parte destacável da militáncia, sempre corre o perigo de nom desprender-se do consignismo estratégico.
Outra preocupante tendência da qual, insistimos, nom está isenta nengumha das organizaçons do actual MLNG, é a que mantém umha oposiçom sistemática às mudanças tácticas, a que se resiste irracionalmente aos reajustamentos estratégicos, que qualquer força inserida na realidade deve continuamente realizar para garantir a sua capacidade de actuaçom política.

É evidente que o independentismo nom deve basear a sua estratégia política na participaçom nos processos eleitorais. Mas disto nom se desprende umha doutrina abstencionista ou de boicotage permanente a todo processo eleitoral. O independentismo nom pretende manter-se na marginalidade política, mas si tem vocaçom de superaçom, de converter-se num projecto sócio-político de massas, polo que nom deve renunciar à utilizaçom de todas aquelas vias que o sistema político da democracia burguesa espanhola permite, sempre que servirem para acumular forças e difundir a nossa mensage entre amplos sectores populares. As eleiçons autonómicas de Outubro de 2001 som umha cita eleitoral que devemos ir pensando em como resolver satisfatoriamente.

8- As carências do movimento

Umha das maiores eivas do actual movimento, que arrasta desde a sua génese, é a carência de elaboraçom teórica em que fundamentar umha acçom política com vocaçom de massas. Devemos centrar grandes esforços, destinar inumeráveis energias em dotarmo-nos de discurso geral e de alternativas programáticas tácticas. Temos que dar forma aos objectivos estratégicos de Independência e Socialismo. As organizaçons de massas do MLNG, as correntes independentistas nos sindicatos patrióticos tenhem que elaborar umha identidade própria, um discurso alternativo, um programa de mínimos cos que acumular forças e disputar a hegemonia ao autonomismo em primeiro lugar e ao espanholismo posteriormente.

Outra das grandes dificuldades que vamos ter que ultrapassar é a ausência de recursos financeiros imprescindíveis para umha acçom política eficaz. A Unidade Popular, o conjunto do MLNG, necessitará ingentes fontes de financiamento ordinárias com que alimentar a su actividade.

Devemos dotar-nos o antes possível dum meio de comunicaçom próprio que sirva para informar, coesionar e fortalecer ideologicamente o movimento. Nom estamos referindo-nos aos vozeiros das diferentes organizaçons políticas ou sectoriais do MLNG, mais si a um jornal -semanário, quinzenal, mensal, dependendo das possibilidades, que, desde a pluralidade e com vocaçom de seriedade profissional, contribua para vertebrar o nosso movimento, para romper o cerco e a intoxicaçom policial que sofremos por parte da imprensa da burguesia espanhola e o sectarismo do semanário do autonomismo.

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