A soluçom nom é olhar para outro lado
Igor Lugris
Nas comarcas
galegas da faixa oriental, o Berzo e a Cabreira, oficialmente em território
da província de Leom, a Seabra também oficialmente na província
de Samora (ambas as duas províncias da Comunidade Autónoma de
Castela e Leom), e no Eu-Návia (nas Astúrias), estamos a sofrer
as conseqüências da falta de decisom, valentia e coragem por parte
do conjunto do nacionalismo galego (incluído o independentismo) nos
últimos, como minimo, 30 anos.
Se bem praticamente
todas as organizaçons do nacionalismo no período assinalado
(e algumhas mesmo desde antes, como é o caso do periódico galego
A Fouce, editado na Argentina pola Sociedade Nacionalista Pondal), recolhiam
ou recolhem umha defesa, mais ou memos morna, mais ou menos decidida, segundo
os casos, da galeguidade destas terras, ou de algumha delas, o certo é
que desde o ano 1975 até a actualidade nom tem havido umha acçom
política real nesse sentido.
Como resultado
dessa inaniçom, hoje em dia as comarcas orientais, aquele território
que historicamente deu em ser chamado a Galiza irredenta, conhece um forte
e acelerado processo de perda de identidade lingüística, cultural
e política, ao tempo que avança sem praticamente achar resistência
umha identidade espanhola que pretende negar qualquer possibilidade de que
estas comarcas conheçam e/ou recuperem a sua memória, a sua
história e a sua identidade. Este processo, vive-se dumha maneira muito
mais virulenta no território do Eu-Návia, onde os sectores mais
reaccionários e antigalegos do nacionalismo e da esquerda nacionalista
asturiana, gasta mais esforços em combater a galeguidade daquelas terras
do que o próprio espanholismo que tenhem dentro do seu território.
Hoje em dia,
tam só NÓS-Unidade Popular mantém umha estrutura, fraca,
mais real, em algumha destas comarcas, visando construir também no
Berzo, tal como no conjunto da naçom, a esquerda independentista que
Galiza e o seu povo trabalhador precisam. Mas o trabalho político da
esquerda independentista no Berzo desenvolve-se numha situaçom muito
distinta à existente dentro da Comunidade Autónoma Galega.
Em primeiro lugar,
porque os sectores políticos, sociais, sindicais, juvenis, com os que
NÓS-UP mantém relaçons ou colabora, nom existem no Berzo.
Nom existe nengumha organizaçom (plataforma, grupo político,
organizaçom social, sindical, juvenil, etc.), que seja quem de dar
forma e de acumular forças no caminho de converter o Berzo numha comarca
com capacidade para se autogovernar e decidir livremente o seu futuro dumha
óptica de esquerdas.
Assumir realmente
a questom berziana (e o mesmo pode ser dito das demais comarcas arraianas),
supom denunciar e rejeitar a actual divisom político-administrativa
emanada da Restauraçom Borbónica, e abrir o que para os grandes
partidos de obediência espanhola é a Caixa de Pandora da reorganizaçom
territorial. Nengumhas das organizaçons de obediência estatal,
sejam partidos, sindicatos ou organizaçons juvenis, vam poder avançar
nesse sentido.
É dos
sectores progressistas, de esquerda, alternativos e revolucionários
de onde tem de vir a resposta. E aí deve estar presente a esquerda
independentista galega, dinamizando estruturas que possibilitem a confluência
desses sectores, trabalhando com eles, criando espaços comuns.
E para isso nom pode aplicar-se a mesma recita que o nacionalismo e o independentismo galego vem aplicando nas últimas décadas: resolver o problema da Galiza irredenta a olhar para outro lado.
Igor Lugris é
membro do Comité Central de Primeira Linha