RECUPEREMOS OS MEIOS PÚBLICOS

A tosca manipulaçom informativa nos meios públicos galegos (TVG e RG mas também RTVE e RNE na Galiza) no seguimento do afundamento do petroleiro Prestige e da gestom governamental da catástrofe provocada pola maré negra nom fijo se nom evidenciar algo óbvio para quem trabalhamos nestes meios e também para muitos dos sectores mais conscientes da cidadania: o uso perverso que fai o poder político duns meios pensados e criados para garantir o direito da sociedade a umha informaçom veraz e plural.
A manipulaçom, a censura, o ocultamento, o sesgo interessado nas informaçons emitidas desde a Radio Galega e a Televisión de Galicia foi sempre umha constante por parte do Governo da Junta. Avonda lembrar o acontecido na crise das vacas loucas, nos incêndios que cada verao som reduzidos a meros "focos de lume" de acordo com as instruçons recebidas desde a Conselharia de Agricultura; é suficiente fazer reconto da infinidade de inauguraçons de infraestruturas ainda inexistentes ou, pola contra, fazer memória de todos aqueles conflitos laborais, sociais ou politicos que nom tivérom nunca cabimento nos telejornais da TVG para evidenciar o controlo exercido desde o Governo.
No seu nascimento, a rádio e a televisom públicas da Galiza pugérom-se em andamento da mao da Lei de Criaçom da Companhia. Essa tutela, ainda vigente, reflecte no seu texto o respeito à liberdade de expressom, à objectividade e imparcialidade das informaçons, assim como ao pluralismo político, social ou religioso, polo quais se devem reger os princípios da programaçom. Cumpridos os dezassete anos de andança destes meios, o panorama nom pode ser mais desolador. Se bem a teima polo controlo da informaçom foi sempre umha constante interessada por parte dos distintos poderes, resulta impossível lembrar um momento em que o desprezo e a burla à cidadania fossem tam evidentes.
Desde o começo, tentou-se minimizar umha catástrofe sem precedentes na história do mar. Quando jà os vertidos de fuelóleo tingiam de preto dúzias de vilas marinheiras do nosso litoral, a TVG e a Rádio Galega, em evidente cumplicidade com os porta-vozes do Governo de aqui e de acolá, tam só emitiam umha mensagem tranquilizadora, desmentida a cada minuto pola evidência da realidade. Nunca se questionou a falta de coordenaçom. Os informes emitidos por peritos imparciais fôrom pontuados de suspeitos e, com certeza, as vozes críticas com a desfeita institucional fôrom silenciadas.
E o pior está ainda por vir.
Por muito difícil que nos resulte agora imaginar umha maior quota de manipulaçom nos meios públicos galegos, está claro que, de aqui às eleiçons municipiais do mês de Maio, o controlo da informaçom vai ir em aumento. Nom só seguirám minimizando ou ocultando os efeitos da maré negra, mas tentarám recuperar a imagem do PP com novas mentiras, novas ocultaçons e umha maior censura.
Cumpre pois preparar-se e defender-se da ofensiva mediática que já está em marcha. E para isso é preciso que saibamos claramente as causas que propiciam e facilitam a manipulaçom informativa. Os meios públicos galegos, ao igual que os do resto do Estado, som herdeiros dumha concepçom franquista da informaçom. As mesmas leis que garantem nos seus principios prográmaticos a pluralidade, a veracidade, a objectividade e a ausência de partidismo, estabelecem mecanismos que possibilitam a manipulaçom e o controlo governamental. O director geral da Companhia de RadioTelevisión de Galicia é nomeado directamente pola Junta, por um período de mandato coincidente com a legisaltura do Parlamento da Galiza. Isto deixa em maos do Governo de turno a capacidade para nomear "a dedo" a pessoa que vai ter a responsabilidade máxima da programaçom e conteúdos informativos da rádio e a televisom. A prática demonstrou-nos que, longe de utilizar critérios de profissionalidae ou capacidade de gestom, os méritos dos diferentes directores gerais fôrom sempre os de serem afins aos posicionamentos idelógicos do PP, dobrar-se às ordens recebidas e actuar como mercenários do governo de turno convertendo os meios de comunicaçom em meras correias de transmissom da propaganda partidista do governo. Para corrigir esta situaçom, primeiro grande factor propiciador da manipulaçom, o pessoal da CRTVG promoveu umha iniciativa legislativa popular com que se pretendia que a nomeaçom do director geral se figesse desde o Parlamento com a maioria de três quartas partes d@s suas/seus integrantes, o que garantiria, quando menos, um maior consenso entre as diferentes forças políticas do leque parlamentar. A mesma lei estabelece também suspostos elementos de controlo da actuaçom deste director geral, instrumentos que som perversos na sua própria concepçom, já que tanto o Conselho de Administraçom da CRTVG quanto a Comissom de Controlo do Parlamento tenhem na sua composiçom a mesma proporcionalidade que a Cámara Autonómica, estando pois completamente supeditadas à vontade do grupo ou coligaçom política que possua maioria absoluta.
A manipulaçom vê-se, aliás, facilitada por uma situaçom interna em que o nível de precariedade laboral é cada vez mais alto. Bolseir@s, pessoal em práticas ou com contratos de formaçom, pessoal das ETT's ou com contratos de "obra" som o grosso do exército empregado pola direcçom da CRTVG na sua máquina de construir mentiras. A precariedade é utilizada como arma e ameaça. A maior parte do pessoal fixo é afastado das informaçons importantes, aquelas qualificadas de "material sensível" que som elaboradas sistematicamente por aquelas pessoas das quais tenhem garantida a submissom e a docilidade a menos, claro, que queiram perder o seu emprego (isto sem contar, evidentemente, com um grupo de pessoal fixo sempre disposto a acatar sem reparos qualquer ordem recebida em troca de algum substancioso complemento económico).
Leis herdeiras do franquismo e precariedade laboral seriam pois os elementos chave que permitem que o Governo de turno tenha um controlo absoluto dos conteúdos informativos dos meios públicos, uns meios utilizados para criar um falso consenso entre a sociedade com base em duas velhas máximas . "umha mentira longamente repetida torna umha verdade" e "o que nom sai nos meios nom existe".
Ante esta situaçom, evidenciada nas últimas semanas pola absoluta falta de conexom entre a "realidade" contada pola Radio e a Televisión de Galicia e a REALIDADE de que toda a cidadania era consciente, medram as vozes de protesto e de repulsa polo papel que estám a jogar os meios públicos na Galiza, meios que som maioritariamente financiados polo conjunto do povo galego. Mesmo há vozes que falam já da sua inutilidade e da conveniência de os fechar.
Polo contrário, considero que neste momento os meios púbicos som mais imprescindíveis do que nunca. Em tempos em que a comunicaçom está maioritarimente em maos de grandes grupos empresariais (que já nom som só grupos mediáticos senom que tenhem diversificados os seus interesses noutros ramos da actividade empresarial e bolsista) os meios públicos deveriam servir de contrapeso a umha informaçom manipulada em funçom dos interesses comerciais e/ou ideológicos das empresas privadas. O que é necessário é um debate, umha reflexom social sobre o modelo de televisom pública que queremos. A democracia participativa deve chegar também ao mundo da informaçom. A sociedade tem que tomar o controlo dos meios públicos se nom quer estar permanentemente manipulada, se nom quer que sejam interesses alheios a si própria quem determinem onde e como está o interesse informativo. Nom basta com pedir as demissons da actual equipa directiva responsável pola catástrofe informativa do Prestige, há que mudar as leis e implicar-se activamente na construçom dum modelo público de meios de comunicaçom que nos faga mais sábi@s, mais livres.

Begonha Caamanho
Presidenta do Comité Interempresas da CRTVG





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