Sucesso das X Jornadas Independentistas Galegas

Dentro da série de actos e iniciativas políticas previstas polo nosso partido para este ano, o do décimo aniversário da fundaçom de Primeira Linha, a décima ediçom das nossas Jornadas Independentistas Galegas ocupava lugar de destaque. O nosso partido interpretou o actual como um bom momento para promover um debate a fundo sobre os desafios e necessidades da esquerda do século XXI. Para tal, e sempre com a Galiza como contexto referencial, conseguimos juntar à mesma mesa um grupo de pessoas representativas de diversas tendências dentro da esquerda actual.

Por diversos motivos, nom pudérom finalmente assistir o marxista brasileiro e especialista na questom nacional, Michael Löwy, o filósofo Santiago Alba, o professor da Universidade de Coimbra Boaventura de Sousas Santos, e o dirigente da esquerda revolucionária italiana Mauro Bulgarelli. Todos eles manifestárom a adesom às X Jornadas Independentistas Galegas e manifestárom a sua disponibilidade para poderem participar em vindouras ediçons deste evento.

Quem nos conhece e tem acompanhado a nossa trajectória política, sabe que Primeira Linha sempre se caracterizou pola sua abertura aos contributos dessa diversidade que caracteriza a esquerda. Sem ocultarmos a nossa identidade marxista e leninista, de partido comunista de nova planta, nom duvidamos da possibilidade de enriquecer um projecto revolucionário que, sem renunciar à sua matriz anticapitalista, sintetize o melhor dos contributos das diversas experiências e escolas da esquerda rupturista que nom se conforma com reformar o capitalismo.

Na décima ediçom, realizadas num hotel central da capital da Galiza a 18 de Março, as Jornadas Independentistas Galegas nom só se consolidárom como o espaço referencial de debate e reflexom marxista da Galiza, como demonstrárom mais umha vez essa característica do nosso partido, que tanto desconcerta aqueles que se cobrem com o manto do doutrinarismo teórico e a prática sectária para ocultarem as próprias carências como projecto emancipatório, quando nom a sua renúncia e integraçom no sistema que dim combater.

Desenvolvimento das Jornadas

Em sessons de manhá e tarde, as X Jornadas Independentistas Galegas, submetidas ao título "Desafios e necessidades da esquerda do século XXI", começárom o seu desenvolvimento polas 11 horas, com um debate moderado polo camarada Alberte Moço Quintela em que participárom José A. Brandariz, professor de Direito Penal na Universidade da Corunha e membro do Centro Social Atreu da mesma cidade; Igor Lugris, integrante da Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular e activista cultural na comarca galega do Berzo; Luísa Ocampo, militante da organizaçom feminista Mulheres Nacionalistas Galegas (MNG); e o professor de Ciências Políticas na Universidade Autónoma de Madrid e especialista em política internacional Carlos Taibo, velho amigo do nosso partido.

Foi um debate de interesse, com vozes diversas a reflectirem sobre as mudanças operadas na composiçom das forças populares susceptíveis de encabeçarem ou, no mínimo, integrarem um processo revolucionário que transforme o sistema mundialmente hegemónico após a queda dos sistemas ditos de "socialismo real". O protagonismo de formas de organizaçom plurais, assembleares e horizontais, e a articulaçom dos movimentos sociais numha perspectiva superadora do capitalismo, a importáncia do feminismo como ingrediente desse projecto, o estado actual do movimento antiglobalizaçom como expressom do mesmo, fôrom alguns dos pontos tratados primeiro polas pessoas que falárom à mesa e, logo a seguir, polo público que, em número superior à centena, assistiu ao debate da manhá.

Polas 17 horas, e prolongando-se durante mais de três horas, a sessom da tarde começou com a confirmaçom da ausência de um dos participantes previstos: o dirigente de Batasuna Joseba Álvarez, que tinha prevista a sua participaçom, enviou umha carta dirigida ao público e ao nosso partido, escusando-se pola nom assistência, que reproduzimos integralmente. A ameaça iminente de prisom por parte das forças repressivas do Estado espanhol impediu, mais umha vez, o diálogo entre os povos basco e galego, mas nom poderá impedir que a nossa camaradagem e mútuo reconhecimento solidário continue a fortalecer-se no futuro como até agora tem acontecido. Umha ovaçom geral das pessoas assistentes seguiu-se à leitura da carta remetida polo companheiro Joseba Álvarez. A camarada Íria Medranho deu leitura à comunicaçom que o dirigente da esquerda abertzale tinha previsto realizar.

O nosso camarada Francisco Martins Rodrigues, director da revista comunista portuguesa Política Operária; o líder histórico da expressom maioritária do nacionalismo galego, Xosé Manuel Beiras; e o secretário geral do nosso partido, o camarada Carlos Morais, expugérom nos seus discursos as particulares leituras do estado actual da esquerda na Europa e no mundo, suscitando um grande interesse nas quase duas centenas de pessoas que lotárom a sala de actos do Hotel Compostela. O público participou activamente também numha reflexom colectiva que quijo contribuir para a definiçom de espaços comuns de debate e acçom revolucionária com umha perspectiva nacional em nengum caso contraditória, senom dialecticamente imbricada, num internacionalismo que sempre foi sinal de identidade da esquerda anticapitalista. Polo seu interesse, este número especial do Abrente reproduz na íntegra a maioria das intervençons em ambas sessons.

A própria composiçom do público assistente, muito variado na sua procedência e definiçom ideológica dentro do campo da esquerda nacional, dá conta do acerto de fazer desta décima ediçom das nossas Jornadas um espaço de debate amplo que sirva para o fortalecimento do movimento revolucionário galego.

INTERFERÊNCIA DA AUDIÊNCIA NACIONAL

A nossa intençom como BATASUNA era participar neste interessante debate na Galiza sobre o futro da esquerda no século XXI, umha reflexom hoje mais necessária do que nunca, polo rumo que está a tomar o planeta guiado pola política neoliberal e o imperialismo norte-americano. Pensamos, aliás, que as naçons sem Estado, os povos oprimidos, temos a obrigaçom de contribuir com o nosso próprio ponto de vista, sem o qual a referida reflexom ficaria incompleta. Com esse intuito, íamos a Santiago de Compostela com dous trabalhos. O primeiro, "A esquerda no século XXI", para ser lido como introduçom ao debate; e o segundo, "A Globalizaçom e a questom nacional", como material de desenvolvimento.

Infelizmente, hoje ao meio-dia, sexta-feira e véspera do deslocamento, acabei de receber umha citaçom desse outro grande juiz substituto de Garzón, chamado Grande Marlaska, para me apresentar perante ele no próximo dia 22, quarta-feira, às 17.30 horas. Tendo em conta que nesta mesma dous dos meus companheiros, Juan Mari Olano de Askatasuna e Juan José Petrikorena de Batasuna já fôrom levados a prisom, é mais do que provável que o citado juiz ordene o meu encarceramento. Perante tal possibilidade, decidim passar este fim de semana com a minha família. Pido-vos desculpa por isso, mas nom tenho nengumha dúvida que entenderám a minha posiçom pessoal. Comprometo-me, sim, a voltar à Galiza logo que poda, oxalá seja na próxima quinta-feira, ou, entom, aginha que fique em liberdade.

Um abraço a tod@s e boa reflexom.

Joseba Álvarez
Donostia, 17 de Março de 2006



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