POR UM SINDICALISMO TRANSFORMADOR. Publicado no nº 21 de Abrente (Julho de 2001)

Etelvino Blanco e Anjo Pérez

 

Possivelmente resultaría digno de compaixom o historiador que, tendo um mínimo de sensibilidade social e compromisso, tivesse a encomenda de escrever sobre o movimento sindical nos últimos anos.

Com toda a certeza, a classe trabalhadora viveu umha das épocas máis dificultosa da sua dilatada e intensa vida.

Os nossos direitos fôrom em claro retrocesso; as velhas conquistas arrancadas em esforçadas luitas, fôrom perdendo-se as mais delas; a repressom aumentou sem que mostrássemos capacidade de enfrentamento; a indefensom converteu-se em sentimento generalizado; o entreguismo do sindicalismo tradicional foi moeda de troca; a individualizaçom reina nas relaçons laborais... Em soma, levamos tempo perdendo a partida contra o sistema.

Sem embargo, neste panorama, no que as cabeças pensantes do capitalismo semelham apostar por umha grande, se nom definitiva, volta de porca aos direitos mais elementares e pretendem impor a sua lei anti-social e a sua concepçom das relaçons económicas, chegam a surgir respostas de grandíssimo calado que golpeiam precisamente no coraçom do Sistema: o Movimento Antiglobalizaçom.

Possivelmente a deste Movimento seja a única resposta, com certa projecçom e peso internacional, ao aparentemente sagrado sistema. E dita resposta vem produzir-se de fora das fileiras dos Sindicatos e Partidos políticos tradicionais, aparentemente arreigados e com ampla representaçom no conjunto da sociedade.

Este ressurgir mobilizador, juntamente coas importantes luitas levadas adiante nos últimos tempos em diferentes países pola Segurança Social universal ou polas 35 horas, podem ser os dados mais significativos dumha recuperaçom da capacidade de luita da nossa classe, ainda que seja a partir doutro modelo organizativo.

Também na Galiza vivemos, olhando o passado recente, anos de frustraçom. A ilusionante unidade do sindicalismo nacionalista nos princípios dos anos noventa nom frutificou em resultados concretos: produziu-se um estancamento na nossa representatividade; perdemos a iniciativa na direcçom sindical no país; confrontamos mais os lideratos que os modelos; envolvemo-nos em liortas internas que nom perseguiam melhorar a situaçom dos trabalhadores e trabalhadoras, senom a dos grupos que pelejavam polo poder; vimos como de novo umha parte do sindicalismo nacionalista rompia coa organizaçom; assediados pola patronal e polo sindicalismo estatal, nom soubemos respostar em coerência e mesmo, nalguns casos, fomos caindo num modelo que nunca foi o nosso.

Mais também no nosso país semelha viver-se umha esperançadora recuperaçom da acçom sindical coerente e comprometida. Umha recuperaçom em que tem muito a ver a Confederaçom Intersindical Galega, da qual quem suscrevem fazemos parte, e que recentemente celebrou o seu III Congresso.

Um anódino Informe de Gestom da Executiva Confederal sainte deu passagem a umha série de debates sem que reinasse precisamente o ánimo de consenso para, imediatamente, chegar ao que parecia ser o momento culminante: a eleiçom dos cargos dirigentes.

Os mesmos que antes votaram favoravelmente no Informe do realizado nos quatro anos anteriores, enfrontavam-se em listas diferentes para dirigir o Sindicato nos quatro anos seguintes. Todo um considerável despropósito.

Em qualquer caso, e tendo em conta determinados comportamentos e algumha que outra intervençom e tese congressual, o veradeiramente preocupante nom é que pessoa ocupe a Secretaria Geral, nem tal ou qual cargo, senom que a maior expressom do sindicalismo nacionalista organizado esteja controlada (nom falamos de incidência senom de controlo) por umha organizaçom política. Mais ainda: nom temos garantia neste momento de nom estar hipotecados ante o que num futuro pudesse ser um “governo amigo”.

Com certeza que nom se trata aqui de defender o apoliticismo sindical, nem tampouco de cumprir o papel de “contras”. Do que se fala é da imperiosa necessidade de que umha organizaçom obreira defenda sempre, e dizemos sempre, os direitos da classe social que representa, tenha em frente quem tiver.

A defensa da democracia interna, da participaçom desde a base, da recuperaçom cada vez maior do dinamismo e da direcçom sindical, da independência do sindicato a respeito de qualquer grupo de poder e o respeito das minorias, som precisamente pilares fundamentais em que assentamos aquelas persoas que apostamos pola CIG como praticante dum sindicalismo transformador da realidade actual. Neste caminho estamos os homens e mulheres que conformamos o Colectivo 10 de Março.

Mas nom todo o sindicalismo, mui afortunadamente, se dirime em chave interna.

Também é justo reconhecer que no nosso país estám a acontecer feitos que afundam na aposta de ruptura da dinámica de retrocesso.

A convocatória de Greve Geral do passado 15 de Junho tem umha importáncia vital para o sindicalismo nacionalista e de classe que a CIG representa.

O feito de ser umha Greve Nacional, de abrir-se umha fenda no sindicalismo estatal, de dar umha resposta netamente obreira a umha política abertamente neoliberal e de que tivesse tam importante repercussom e participaçom entre a classe trabalhadora (apesar do silenciamento dos meios de comunicaçom e da covarde passividade dos grupos da oposiçom institucional) pode representar o começo dum novo mapa nas relaçons laborais no nosso país.

Nom devemos pecar de excessivo optimismo: O movimento demonstra-se caminhando e há que ver como se vai comportar a UGT de aqui em diante nos temas fundamentais como a negociaçom colectiva, o quadro de relaçons laborais ou a conflituosidade que puder aparecer. Nom temos garantia nengumha de que a mudança vaia ser de grande calado.

Sem embargo, nom devemos esquecer que é a primeira vez que um Sindicato estatal abandona o seu campo habitual de acçom e vem jogar ao nosso, enfrentando-se aliás co seu aliado “natural”.

Assim que em grande medida depende de nós mesmos provocar que esta situaçom se prolongue no tempo e nas decisons sindicais importantes.

Devemos pois apostar por continuar mantendo firmeza sindical e tomando iniciativas se quigermos realmente mudar o estado de cousas e voltar a acadar conquistas para a nossa classe.

Quiçá a história do movimento sindical poda ser mais optimista no futuro imediato.

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Etelvino Blanco Rodriguez é o Responsável Comarcal da CIG em Ourense.

Anjo Pérez Carvalho é membro da Direcçom Comarcal da CIG de Ourense.

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