POR
UM SINDICALISMO TRANSFORMADOR
Possivelmente resultaría digno de
compaixom o historiador que, tendo um mínimo de sensibilidade social e compromisso,
tivesse a encomenda de escrever sobre o movimento sindical nos últimos anos.
Com toda a certeza, a classe trabalhadora
viveu umha das épocas máis dificultosa da sua dilatada e intensa vida.

Os nossos direitos fôrom em claro
retrocesso; as velhas conquistas arrancadas em esforçadas luitas, fôrom perdendo-se
as mais delas; a repressom aumentou sem que mostrássemos capacidade de enfrentamento;
a indefensom converteu-se em sentimento generalizado; o entreguismo do sindicalismo
tradicional foi moeda de troca; a individualizaçom reina nas relaçons laborais...
Em soma, levamos tempo perdendo a partida contra o sistema.
Sem embargo, neste panorama, no que
as cabeças pensantes do capitalismo semelham apostar por umha grande, se nom
definitiva, volta de porca aos direitos mais elementares e pretendem impor
a sua lei anti-social e a sua concepçom das relaçons económicas, chegam a
surgir respostas de grandíssimo calado que golpeiam precisamente no coraçom
do Sistema: o Movimento Antiglobalizaçom.
Possivelmente a deste Movimento seja
a única resposta, com certa projecçom e peso internacional, ao aparentemente
sagrado sistema. E dita resposta vem produzir-se de fora das fileiras dos
Sindicatos e Partidos políticos tradicionais, aparentemente arreigados e com
ampla representaçom no conjunto da sociedade.
Este ressurgir mobilizador, juntamente
coas importantes luitas levadas adiante nos últimos tempos em diferentes países
pola Segurança Social universal ou polas 35 horas, podem ser os dados mais
significativos dumha recuperaçom da capacidade de luita da nossa classe, ainda
que seja a partir doutro modelo organizativo.
Também na Galiza vivemos, olhando
o passado recente, anos de frustraçom. A ilusionante unidade do sindicalismo
nacionalista nos princípios dos anos noventa nom frutificou em resultados
concretos: produziu-se um estancamento na nossa representatividade; perdemos
a iniciativa na direcçom sindical no país; confrontamos mais os lideratos
que os modelos; envolvemo-nos em liortas internas que nom perseguiam melhorar
a situaçom dos trabalhadores e trabalhadoras, senom a dos grupos que pelejavam
polo poder; vimos como de novo umha parte do sindicalismo nacionalista rompia
coa organizaçom; assediados pola patronal e polo sindicalismo estatal, nom
soubemos respostar em coerência e mesmo, nalguns casos, fomos caindo num modelo
que nunca foi o nosso.
Mais também no nosso país semelha
viver-se umha esperançadora recuperaçom da acçom sindical coerente e comprometida.
Umha recuperaçom em que tem muito a ver a Confederaçom Intersindical Galega,
da qual quem suscrevem fazemos parte, e que recentemente celebrou o seu III
Congresso.
Um anódino Informe de Gestom da Executiva
Confederal sainte deu passagem a umha série de debates sem que reinasse precisamente
o ánimo de consenso para, imediatamente, chegar ao que parecia ser o momento
culminante: a eleiçom dos cargos dirigentes.
Os mesmos que antes votaram favoravelmente
no Informe do realizado nos quatro anos anteriores, enfrontavam-se em listas
diferentes para dirigir o Sindicato nos quatro anos seguintes. Todo um considerável
despropósito.
Em qualquer caso, e tendo em conta
determinados comportamentos e algumha que outra intervençom e tese congressual,
o veradeiramente preocupante nom é que pessoa ocupe a Secretaria Geral, nem
tal ou qual cargo, senom que a maior expressom do sindicalismo nacionalista
organizado esteja controlada (nom falamos de incidência senom de controlo)
por umha organizaçom política. Mais ainda: nom temos garantia neste momento
de nom estar hipotecados ante o que num futuro pudesse ser um “governo amigo”.
Com certeza que nom se trata aqui
de defender o apoliticismo sindical, nem tampouco de cumprir o papel de “contras”.
Do que se fala é da imperiosa necessidade de que umha organizaçom obreira
defenda sempre, e dizemos sempre, os direitos da classe social que representa,
tenha em frente quem tiver.
A defensa da democracia interna,
da participaçom desde a base, da recuperaçom cada vez maior do dinamismo e
da direcçom sindical, da independência do sindicato a respeito de qualquer
grupo de poder e o respeito das minorias, som precisamente pilares fundamentais
em que assentamos aquelas persoas que apostamos pola CIG como praticante dum
sindicalismo transformador da realidade actual. Neste caminho estamos os homens
e mulheres que conformamos o Colectivo 10 de Março.
Mas nom todo o sindicalismo, mui
afortunadamente, se dirime em chave interna.
Também é justo reconhecer que no
nosso país estám a acontecer feitos que afundam na aposta de ruptura da dinámica
de retrocesso.
A convocatória de Greve Geral do
passado 15 de Junho tem umha importáncia vital para o sindicalismo nacionalista
e de classe que a CIG representa.

O feito de ser umha Greve Nacional,
de abrir-se umha fenda no sindicalismo estatal, de dar umha resposta netamente
obreira a umha política abertamente neoliberal e de que tivesse tam importante
repercussom e participaçom entre a classe trabalhadora (apesar do silenciamento
dos meios de comunicaçom e da covarde passividade dos grupos da oposiçom institucional)
pode representar o começo dum novo mapa nas relaçons laborais no nosso país.
Nom devemos pecar de excessivo optimismo:
O movimento demonstra-se caminhando e há que ver como se vai comportar a UGT
de aqui em diante nos temas fundamentais como a negociaçom colectiva, o quadro
de relaçons laborais ou a conflituosidade que puder aparecer. Nom temos garantia
nengumha de que a mudança vaia ser de grande calado.
Sem embargo, nom devemos esquecer
que é a primeira vez que um Sindicato estatal abandona o seu campo habitual
de acçom e vem jogar ao nosso, enfrentando-se aliás co seu aliado “natural”.
Assim que em grande medida depende
de nós mesmos provocar que esta situaçom se prolongue no tempo e nas decisons
sindicais importantes.
Devemos pois apostar por continuar
mantendo firmeza sindical e tomando iniciativas se quigermos realmente mudar
o estado de cousas e voltar a acadar conquistas para a nossa classe.
Quiçá a história do movimento sindical
poda ser mais optimista no futuro imediato.
Anjo Pérez Carvalho é membro da Direcçom
Comarcal da CIG de Ourense.