2 Junho: Manifestaçom ecologista em Ferrol

As contradiçons do nacionalismo reformista ficam em evidência

 

Com motivo do Dia Mundial do Ambiente, vem sendo norma a celebraçom de umha mobilizaçom ecologista nalgum ponto da Galiza especialmente marcado por algumha agressom concreta ou global.

Neste ano, Ferrol foi o lugar escolhido. Colectivos ecologistas de ámbito nacional como ADEGA ou a FEG, plataformas e associaçons locais como a de Defesa da Ria de Ponte-Vedra, organizaçons políticas como BNG ou IU, e sindicais como a CIG ou CCOO, entre outras, promovêrom a manifestaçom e um manifesto que eludiu qualquer referência aos dous maiores e imediatos problemas ambientais que a comarca tem colocados: umha perigosa planta de gás no interior da Ria de Ferrol e o chamado porto exterior na entrada da mesma. Curiosamente, entre as convocantes nom estava a Plataforma pola Defesa da Ria de Ferrol, entidade presidida no seu dia polo actual alcalde, Jaime Velho, e ultimamente polo secretário do BNG em Ferrol.

O movimento ecologista galego tem-se posicionado contra ambos os projectos, planta de gás e porto exterior, ao suporem graves agressons ao meio natural. Também a esquerda independentista agrupada em NÓS-UP tem feito público o seu rechaço, participando em acçons reivindicativas como a paralisaçom das obras do porto exterior em Ferrol, meses atrás, reivindicando o aproveitamento racional da riqueza pesqueira e marisqueira da ria e rejeitando a industrializaçom poluente e incontrolada que até hoje guiou os sucessivos governos municipais, galegos e espanhóis.

Por seu turno, o nacionalismo reformista galego, representado polo BNG e polo sector maioritário da CIG, apoia ambos os projectos. Os governos muncipais que controla (Ferrol, As Pontes, Fene,...) reclamam que as obras concluam o antes possível; o seu deputado ferrolano, José Diaz, exigiu recentemente no Parlamento galego que a planta de gás seja construida no próprio Mugardos, apesar do grave perigo (cientificamente contrastado) que suporá para a populaçom da comarca. Polo contrário, o alcalde de Ferrol, Jaime Velho (também do BNG), di preferir que a planta seja instalada no próprio porto exterior, um porto que representará umha sentença de morte para a Ria, ao empoçar as águas e impedir a renovaçom de marés mediante um dique que fechará 60% da entrada.

Ante esta situaçom, a manifestaçom ambientalista pujo em evidência as contradiçons do nacionalismo reformista, e enfrentou o movimento ecologista com a sua evidente dependência política. Nas reunions preparatórias da mobilizaçom, CIG e BNG vetárom qualquer referência ao porto exterior e à planta de gás no manifesto e na própria manifestaçom. ADEGA e as restantes entidades ecologistas assumírom o veto, o que provocou dissensons no seio do movimento ecologista ante a flagrante perda de referentes reais na campanha.

O resultado: umha pequena manifestaçom, com nom mais de 400 pessoas; nem sequer houvo representaçom visível de organizaçons convocantes como CCOO, os CAF, ou IU, todas elas pró-porto exterior e pró-planta de gás. A megafonia da organizaçom, a marcar palavras de ordem genéricas como “nom aos eucaliptos”, ou “por umha Ria limpa e produtiva”, e um grosso de manifestantes a aderir às palavras de ordem que as bases ecologistas e independentistas presentes na mobilizaçom impugérom contra a vontade das siglas convocantes: “planta de gás, nem dentro nem fora” (em alusom às duas alternativas baralhadas, no interior da ria ou no porto exterior), “nom, nom, nom, ao porto exterior”, “a ria é nossa, e nom de Reganosa” (empresa promotora da planta de gás).

Algum deputado nom podia dissimular o desagrado ante a assunçom geral de reivindicaçons que a sua organizaçom vetara. Tampouco muitos dos presentes podia perceber como Galiza Nova de Ferrol portava umha faixa com a legenda “Nom a SOGAMA”, enquanto o BNG promoveu e efectivou desde o Governo municipal dessa cidade a sua entrada no agressivo plano de tratamento do lixo da Junta da Galiza. As contradiçons do nacionalismo reformista som cada vez mais evidentes, e ante a inexistência de umha oposiçom no seu interior à imposiçom dessa linha, a sua capacidade mobilizadora diminui a olhos vistos.

A pequena participaçom e a disconformidade de umha boa parte da manifestaçom com a linha imposta por organizaçons alheias ao ecologismo deve fazer com que o movimento ecologista galego reflecta sobre a necessidade de manter a sua autonomia, situando os objectivos ambientalistas por cima dos compromissos e conveniências inconfessáveis de partidos e sindicatos reformistas e integrados no sistema. Nesse caminho, no caminho de luita sem concessons em defesa da nossa terra, do nosso mar, do nosso ar, contará com o apoio incondicional da esquerda independentista.

 

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