O BNG adere ao panegírico oficial pola morte de Garcia Sabell
5 de Agosto de 2003

Com a morte de Garcia Sabell, desaparece umha das figuras mais funcionais ao espanholismo para a domesticaçom do sentimento nacional galego nas últimas décadas. Na altura da chamada Transiçom em que o poder espanhol arranjou o autonomismo como vacina contra a ruptura democrática propugnada polo nacionalismo galego, o Estado espanhol achou em personagens como Garcia Sabell umha inestimável ajuda. Com efeito, figuras como Garcia Sabell, Ramom Pinheiro ou Filgueira Valverde, com um passado galeguista, pugérom-se ao serviço da estratégia de liquidaçom do movimento nacionalista galego dando um verniz "galeguista-bem-entendido" à proposta autonómica do chamado "café para todos" na Galiza.

Nom esqueçamos que Garcia Sabell, em concreto, fijo parte da organizaçom Realidade Galega, representantiva do culturalismo pinheirista que acabou por alimentar as fileiras do PSOE na Galiza. Detivo o cargo de Delegado do Governo (espanhol) na Galiza durante 15 anos (1981 a 1996), coincidindo com os Governos do PSOE em Madrid, cargo desde o qual freou iniciativas que o Estado espanhol considerava "excessivas" por parte da autonomia galega, como a primeira versom da Lei de Normalizaçom Lingüística que estabelecia a obrigatoriedade do conhecimento do galego no nosso país. Graças à denúncia de Sabell, o espanhol mantivo esse privilégio no texto definitivo e hoje em vigor. Trata-se de um significativo exemplo do papel jogado por Garcia Sabell na imposiçom do sistema actual, negador dos direitos nacionais e lingüísticos do povo galego.

Nom deixa de dar nas vistas comprovar como o BNG aderiu já ao coro oficial na louvança de tam nefasto personagem, como já aconteceu aquando da morte do pró-franquista e espanholista Camilo José Cela. Nom esqueçamos que durante o governo presidido polo BNG em Ferrol foi dedicada umha praça a esse escritor anti-galego. Desta vez, o BNG "lamenta" a morte de Garcia Sabell, ao tempo que salienta o que considera a sua "fecunda tarefa nos ámbitos intelectual, social, científico e político". A formaçom maioritária do nacionalismo galego, convertida ao autonomismo, nom duvida em afirmar que Garcia Sabell "passará à história da Galiza".

Garcia Sabell passará unicamente à história negra da Galiza negada, acrescentamos nós desde as posiçons históricas rupturistas do nacionalismo galego que hoje ocupa em solitário a esquerda independentista.





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