Clamor mundial
contra a guerra imperialista
24 de Março

A mobilizaçom
mundial contra a guerra continua. No passado fim de semana forom muitas as
centenas de milhares de pessoas que em todo o mundo exigírom a retirada
ianque e o fim da agressom imperialista contra o Iraque. As mobilizaçons
som diárias e massivas, e se bem ainda nom conseguírom o seu
objectivo último, demonstram a recuperaçom da esquerda nas ruas
frente ao imperialismo. É impossível darmos conta de todas as
iniciativas internacionais contra a guerra. Sirva este resumo como mostra
de um movimento mundial que pode e deve continuar a crescer até dar
morte ao imperialismo.
Manifestaçons
de sábado 22 de Março
USA
Nos Estados
Unidos, milhares de pessoas concentrárom-se em frente à Casa
Branca, em Washington, e polo centro da cidade, em meio da tensom ante as
provocaçons das forças policiais. "Nom ao terrorismo de
Estado", "Deixem cair Bush e nom as bombas" e "Nom à
guerra por petróleo" fôrom algumhas das palavras de ordem.
Em Nova Iorque, a manifestaçom pudo decorrer finalmente após
várias tentativas repressivas da polícia. 250.000 pessoas exigírom
o fim da guerra e denunciárom o imperialismo do Governo do país.
Afinal, a polícia carregou contra a manifestaçom para obrigá-la
a dissolver-se, mostrando os limites do direito de manifestaçom no
que alguns chamam "país das liberdades".
Na Califórnia, centenas de latino-americanos e afro-descendentes liderárom
um agitado protesto em Los Angeles. A organizaçom "Latinos Contra
a Guerra no Iraque" mobilizou-se no centro da cidade. "A nossa mensagem
é simples: a guerra no Iraque nom se fai em nome da comunidade hispánica
dos Estados Unidos", dixo o manifestante René Aguirre, que caminhava
com a sua família, segurando o cartaz "nom ao petróleo
por sangue".
Houvo também protestos em San Francisco, Sacramento, San Diego, Chicago, Milwaukee, Atlanta e outras cidades americanas.
Reino Unido
400.000 mil ingleses enchêrom o Hyde Park numha grande manifestaçom
contra campanha militar no Golfo Pérsico e contra a participaçom
do seu Governo. Foi outro ponto alto das concentraçons programadas
por movimentos pacifistas em todo o mundo.
Vigiados a distáncia por forças de segurança, milhares de manifestantes cruzárom o centro de Londres, dirigindo-se ao Hyde Park. O protesto foi convocado pelo grupo Stop the War.
Houvo protestos
também diante da base aérea de Fairford, de onde saem os bombardeiros
B-52 para atacar Bagdad, Manchester, Exeter, Edimburgo e Belfast.
Espanha
Grande número de cidades espanholas vivêrom também manifestaçons antiguerra. O ministro do Interior, Angel Acebes, tentou desqualificar a manifestaçom de sexta-feira à noite em frente à Embaixada dos EUA em Madrid, que acabou sendo dispersada pola polícia com violenta repressom. Acebes dixo que a atuaçom da polícia foi "em todos os casos, proporcionada pola defesa dos cidadaos" e atribuiu, do alto de seu conservadorismo fascista, a resposta policial a "minorias violentas que, em nome da paz e da toleráncia, interrompem ruas, praças e estradas de maneira ilegal e apedrejam sedes de partidos e instituiçons". Felizmente, desta vez foi possível as pessoas verem por televisom como a polícia espancava brutalmente pessoas sem que mediasse qualquer acçom prévia destas.
Cerca de 500 pessoas ficárom feridas durante os incidentes com a polícia, segundo os serviços de emergência, e várias pessoas fôrom detidas.
A polícia começou a actuar contra os manifestantes quanto centenas de pessoas tentavam dirigir-se à sede do Partido Popular.
Em Barcelona
ocorreu o maior protesto de todos com 1 milhom de pessoas nas ruas, segundo
os organizadores. Num manifesto lido ao final do protesto, os participantes
convocárom a populaçom para umha greve geral de 15 minutos na
próxima quarta-feira.
Outras manifestaçons acontecêrom em Santander, Gijón,
Granada, Córdoba, Albacete, Ciudad Real, Cuenca, Toledo, etc.
Portugal
Em Portugal, cerca de 90 mil pessoas desfilárom pola Avenida da Liberdade, em Lisboa, noutro protesto contra a guerra no Iraque. "Sim à paz, nom à guerra", "Portugal, Portugal, dignidade nacional", diziam os manifestantes.
Houvo protestos também em várias outras localidades portuguesas como Porto, Évora, Beja, Coimbra, Setúbal, Faro, Vila Real, Viseu, Aveiro, Santa Maria da Feira, Leiria, Alcobaça, Marinha Grande, Barcelos, Braga, Familacão, Guimarães, Castelo Branco, Covilhã, Funchal, Horta e Ponta Delgada.
Indonésia
Na Indonésia, milhares de pessoas - o país tem a maior populaçom islámica do mundo - queimárom bandeiras norte-americanas e cartazes com imagens de Bush e Blair nas ruas da capital, Jacarta. Muitos manifestantes exibiam fotos de crianças iraquianas, feridas durante a 1ª Guerra do Golfo (1991). Um pequeno grupo tentou bloquear o acesso à embaixada dos EUA, ao escritório da ONU e um McDonald´s. Gritavam slogans anti-americanos diante da polícia que protegia a multinacional.
Malásia
Na Malásia,
país de maioria mussulmana, oito mil pessoas gritavam "destruam
a América!" durante umha mobilizaçom pacífica em
Kelantan (leste do país). As autoridades proibírom um evento
semelhante na capital, Kuala Lumpur.
Paquistám
O Paquistám, um aliado importante dos EUA na chamada guerra contra o "terrorismo", também assistiu a protestos. Na capital Karachi, os manifestantes pedírom o boicote a produtos dos EUA e queimárom bandeiras norte-americanas.
Bangladesh
Bandeiras também fôrom queimadas neste outro país islámico, onde os manifestantes convocárom umha greve geral de meio dia na capital, Daca.
Austrália
Na Austrália, a maior concentraçom ocorreu em Perth, reunindo cerca de 20 mil pessoas. Houvo manifestaçons e marchas também em Brisbane e Hobart. Estám programados mais protestos para os próximos dias.
Nova Zelándia
Cerca de 5 mil pessoas, tocando cornetas e tambores e alguns pintados com tinta vermelha imitando sangue, caminhárom até a embaixada dos EUA na capital Wellington. Cerca de 20 pessoas fôrom detidas por lançar garrafas com tinta vermelha e outros objectos contra o edifício. Em Auckland, milhares de pessoas figérom umha manifestaçom pacífica.
O governo nova zelandês nom apoiu a acçom militar no Iraque.
Taiwan
Em Taiwan, cerca de mil pessoas reunírom-se diante do Instituto Americano de Taipé - que representa os interesses dos EUA na ilha -, para condenar o ataque ao Iraque. A polícia interveu e alguns activistas recebêrom ferimentos leves.
Japom
No Japom, 10 mil pacifistas saírom às ruas novamente (há protestos no Japom quase todos os dias) para pedir o fim da guerra diante da base naval dos EUA, perto do Tóquio. Também houvo concentraçom nas proximidades de outra base naval norte-americana em Yokosuka.
Chile
No Chile, uma bomba caseira explodiu numa agência do banco de Boston em Nuñoa - na zona leste de Santiago. Nom houvo feridos, apenas danos. A polícia encontrou no local panfletos condenando a guerra.
Coreia do Sul
Três mil imanifestantes ocupárom as ruas de Seul para protestar contra o ataque ao Iraque, denunciando que esta guerra mostra que os Estados Unidos poderám atacar a Coreia do Norte na hora em que quigerem, exactamente do modo como figérom com o Iraque, sem o consentimento da ONU.
Já as autoridades da Coreia do Norte declarárom que a guerra dos Estados Unidos trará "conseqüências desastrosas". A populaçom também teme que a guerra interfira no seu país.
Egipto
O continente africano também foi palco de protestos. No Egito, milhares de estudantes saírom às ruas do Cairo.
Bahrein
Os árabes também protestárom. Na capital do Bahrein, Manama, a polícia usou bombas de efeito moral para dispersar protestos em frente à embaixada dos EUA.
Itália
Na Itália, mais de 200 mil pessoas voltárom às ruas de Roma para protestar, após umha semana em que a Itália foi parcialmente paralisada. Nas praças, universidades, locais de trabalho e estaçons ferroviárias, manifestantes convocavam a populaçom a pararem suas actividades. As universidades e escolas parárom e os estudantes conseguírom bloquear a circulaçom de comboios nas grandes cidades. Em Roma, manifestantes ocupárom a Via Veneto, e tentárom isolar a embaixada americana. Em Veneza, houvo confronto com polícia em frente a embaixada británica. Os três maiores sindicatos do país, representando 11 milhons de pessoas, prometêrom parar durante duas horas e os funcionários públicos farám umha greve de um dia.
França
Mais de 120.000 pessoas, jovens e mais velhas, fôrom às ruas neste sábado na França para protestar contra a guerra anglo-americana no Iraque, no dia seguinte aos maiores bombardeios em Bagdad desde o começo do confronto.
Os participantes passárom pola praça da República, seguindo um itinerário simbólico de manifestaçons na capital. Entre eles havia curdos, alguns iraquianos que vivem em França e norte-americanos.
Alemanha
No protesto ocorrido em Alexanderplatz, praça mais importante da ex-Alemanha Oriental, os manifestantes carregárom bandeiras do Iraque e da Palestina e placas com frases como: "Dresden 1945, Bagdad 2003: o mesmo crime", umha referência ao ataque sofrido pola Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial.
Cerca de 5.000 pessoas concentrárom-se em Düsseldorf e em Hamburgo, onde entoavam gritos de ordem como: "Nós nom queremos a sua guerra. Schröder, feche o seu espaço aéreo."
Suíça
Milhares de pessoas
marcharam também em Berna, capital da Suíça, pedindo
para que o ataque anglo-americano ao Iraque seja repensado. Os organizadores
estimaram em 30 mil o número de participantes.
O protesto em Berna foi organizado por uma coalizão de grupos pacifistas.
Os manifestantes carregavam cartazes onde se lia: "Pare a guerra no Iraque.
Não derrame sangue por petróleo".
No mês passado, Berna foi palco do maior protesto suíço
da década, quando 40 mil pessoas protestaram contra o conflito.
Finlándia
Cerca de 20 mil pessoas marchárom em Helsinque, na Finlándia, com gritos de protestos como: "Parem a guerra" e "George Bush e CIA: quantas crianças vam matar hoje?".
Dinamarca
Em Copenhaga, cerca de 10 mil pessoas participárom de um protesto que passou polas embaixadas dos EUA, Espanha e Reino Unido. O protesto terminou em frente ao Parlamento. Os manifestantes queimárom bandeiras dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Noruega
Em Oslo, capital da Noruega, centenas de pessoas participárom de uma manifestaçom, mas a polícia nom soubo precisar quantas fôrom.
Tailándia
Cerca de 300 mussulmanos tailandeses figérom um acto pacífico na frente da embaixada dos EUA em Bangcoc. Muitos dos manifestantes usavam camisetas com a foto de Osama bin Laden.
O sentimento antiimperialista ficou patente: "Bush quer que o mundo tenha umha única economia que poda controlar. Quando quer o petróleo do Iraque, invade. No dia em que quiger a nossa comida, invadirá-nos também."
Calcutá
Cerca de 15 mil reunírom-se numh manifestaçom em que os oradores acusárom os EUA de travarem umha guerra "contra o Islám e a humanidade".
Índia
Também houve manifestaçom em frente à embaixada dos EUA em Nova Déli, com 5.000 pessoas.
Canadá
Em Ottawa cerca de 50 mil manifestantes cercárom os escritórios de umha representaçom británica. Os canadianos saírom às ruas com retratos depreciativos de Bush e mostrando fotografias de cidadaos iraquianos vítimas da guerra.
Além de Ottawa, houvo protestos também em Toronto, Halifax, Calgary e outras cidades canadianas.
Iêmen
No Iêmen, trinta mil pessoas tomárom as ruas de Sanaa, capital do país, para protestar contra a guerra. Quatro pessoas morrêrom a tiros em confrontos contra a polícia.
Entre os mortos estám um polícia e umha criança de doze anos. A polícia abriu fogo depois de tentar contar com gás lacrimogêneo a multidom que se aglomerava em frente à Embaixada dos Estados Unidos.
Grécia
Sindicalistas convocárom umha greve de quatro horas para protestar contra os pesados bombardeios no Iraque.
Palestina
Em Gaza, 10 mil palestinos marchárom nas ruas em apoio ao povo iraquiano.
Manifestaçons da sexta-feira, 23 de Março
Nos próprios EEUU, manifestaçons como nom se lembram ocupam as ruas de Sam Francisco, Portland, Chicago, Pittsburgh, Nova Iorque, etc., e som reprimidas brutalmente polas forças policiais. A maior manifestaçom decorreu em Sam Francisco, na Califórnia, onde se cortou o tránsito. A polícia atacou com gás lacrimonogéneo, igual que em Pittsburgh. Mais de 2.000 pessoas detidas numha única jornada por manifestarem-se contra a guerra é o balanço provisório das mobilizaçons nos EEUU.
Na Europa, em Atenas e Roma decorrêrom as maiores manifestaçons, com 200.000 manifestantes cada. Também em Bruxelas, Paris, Londres, Berlim, Madrid, Barcelona e outras capitais houvo mobilizaçons multitudinárias e confrontos com as forças repressivas.
Em Atenas, as massas atacárom a embaixada norte-americana, ponto final da multitudinária manifestaçom. Três linhas de polícias protegiam a sede ianque, enquanto grupos de manifestantes lançavam tinta vermelha contra o prédio. A polícia atacou violentamente, recebendo tinta, garrafas, e outros objectos como resposta popular. Contentores a arder, cargas, bancos em chamas e cócteis molotov contra o museu militar completárom umha exemplar jornada de luita antiimperialista na capital grega. A comunidade iraquiana da Grécia, que participou na mobilizaçom, foi especialmente reprimida, resultando detidas várias pessoas dessa nacionalidade.
Na Ásia, houvo também grandes manifestaçons anti-guerra. 50.000 pessoas nas ruas de Tóquio, no Japom, e 25.000 nas de Melbourne, na Austrália, fôrom só algumhas das mais significativas.
No mundo árabe a jornada do 21 de Março serviu para mostrar de novo o generalizado rechaço ao imperialismo ocidental. No Iémen, os confrontos com a polícia nas proximidades da embaixada norte-americana acabou com três manifestantes mortos e vinte e cinco feridos. No Cairo, Egipto, milhares de pessoas saírom às ruas. A polícia atacou-nas causando dez feridos. Em Maan, na Jordánia, 25.000 manifestantes sofrêrom também agressons da polícia. Na Palestina, 28.000 pessoas protestárom, na Cisjordánia e em Gaza, contra a ofensiva anglo-norte-americana, denunciando a cumplicidade dos estados árabes com o imperialismo ocidental. Fôrom queimadas bandeiras ianques, inglesas e israelitas. No Paquistám e na Turquia, múltiplas manifestaçons enchêrom as ruas contra o imperialismo e fôrom duramente reprimidas polas forças policiais respectivas.
No Brasil, milhares
de trabalhadores e estudantes concentrárom-se nas ruas do Rio de Janeiro,
caminhando até a Assembleia Legislativa, queimando bandeiras ianques
e retratos de Bush. Em São Paulo, lançárom-se bombas
de chocolate contra o Consulado Norte-americano, enquanto se fazia barulho
com pandeiros, apitos, e gargantas contra a guerra. Também a capital,
Brasília, se mobilizou contra a agressom imperialista, ante a embaixada
dos Estados Unidos, o mesmo que no Salvador de Bahia, Campinas e outras localidades
do grande país americano.