Um conto de terrorismo energético

Apresentamos a traduçom galega de um trabalho imprescindível para compreendermos a lógica material que subjaz nas guerras imperialistas dos últimos anos e nas que continuarám a desenvolver-se ante nós no futuro imediato. O inevitável esgotamento dos recursos energéticos e a luita interimperialista polo seu controlo explica a progressiva extensom de novos conflitos ao longo do planeta, tendência que se acentuará nos próximos anos se o capitalismo nom é derrotado.

 UM CONTO DE TERRORISMO ENERGÉTICO

 Pedro A. Prieto. Outubro de 2002

 As cada vez mais freqüentes façanhas bélicas dos EUA contra o chamado terrorismo e a sua férrea obsessom por arbitrar em exclusiva e ser parte interessada ao mesmo tempo, no mal chamado processo de paz do Médio Oriente, estám há bem tempo a suscitar debates sobre se se trata de novas tentativas de distrair a opiniom pública norte-americana de algum problema doméstico de saias, mais ou menos sujadas, no caso de Clinton, ou se se trata de beneficiar os negócios do papá e os seus amigalhons do cartel multinacional petroleiro, no caso de Bush.

 Ou, como às vezes se di, por desviar a atençom de temas domésticos ou eleitorais, esta última opçom apoiada por quem julga que todo na vida política se reduz a eleiçons locais ou mesmo nacionais, ou aspectos da economia nacional, que tam estreitamente vigiam os que exercem o controlo directo da mesma.

O empenho obsessivo por entrar agora no Iraque, trata de ligar, a qualquer custo, com o terrorismo, procurando os três pés de Bin Laden ao gato de Sadam Husein, ou tentando ver a palha das armas de destruiçom em massa no olho do Iraque, enquanto se ocultam as traves nucleares, químicas, bacteriológicas, génicas, transgénicas e sobretodo mediáticas no olho próprio ou no do amigo israelita, por nom estender a muitos outros igualmente culpados pola sua obsessom.

 Este artigo aponta para outra direcçom: o governo dos EUA, em  circunstancial conluio ou polo menos com umha evidente subordinaçom dos da Europa, com o silêncio oneroso do Japom e o ambíguo e calculado jogo da Rússia, estám a agir com umha muito calculada e nada errática política, tendente para o controlo absoluto do sistema energético mundial.

 A sua oculta estratégia é que, qualquer pessoa, grupo ou país que se opuger, questionar o dito domínio energético universal ou tratar de manejar os recursos do seu próprio subsolo, seja riscado imediatamente como “terrorista”, “radical”, “fanático”, “integrista” ou “fundamentalista”, e posto em listas pretas de terrorista mais procurado, grupo a exterminar ou país canalha.

 Qualquer que nom se submeter no absoluto, receberá um certificado de indesejabilidade, ou será considerado ameaça ao “processo” de paz ou à paz mundial, acusado de procurar a desestabilizaçom das democracias ocidentais e de fomentar e financiar o terror ou de pôr em perigo os tam sagrados como imprecisos “interesses nacionais”.

 Receberá bloqueios e exclusons terríveis da domesticada ONU e deverá preparar-se para umha mais do que possível invasom militar a ferro e fogo, quer auspiciada polas próprias Naçons Unidas, quer de forma até unilateral, polos EUA, dispostos a desprezar ou mesmo anular qualquer organismo que se opuger aos seus intuitos.

 Todos os meios de difusom disponíveis ajudam, com fervorosa insistência, a generalizar a imagem e criar o estereótipo, e até a indústria de Hollywood já substituiu o velho cliché obsessivo do Viet Name e está a despregar umha intensa actividade de bombardeamento psicológico das populaçons do mundo, com centenas de filmes e séries que fixam o conceito maniqueu do binómio CIA-Mossad, cheio de bons que salvam o mundo, sempre in extremis, de terroristas, radicais, fanáticos, integristas e fundamentalistas, modelo BinLaden ou Sadam Husein, sempre muito maus.

 Os atentados do 11 de Setembro tenhem servido de disparador, tenhem-nos dotado de carta branca para avassalar o direito internacional, tam trabalhosamente acordado entre as naçons y para contrapor estes ataques com umha violência de similar género e tam indiscriminado fim como o das Torres Gémeas.

 A cada vez mais surpreendente superposiçom da nova geografia do terror, com a dos países com maiores reservas de crude, assim o demonstra.

 Em primeiro lugar, os factos, começando pola Tabela 1.

 Tabela 1. PANORAMA ENERGÉTICO MUNDIAL ACTUAL

TABELA 1

PETRÓLEO

GÁS NATURAL

CARVOM

NUCLEAR

HIDRO-

ELÉCTRICA

 

Milhons de barris

Milhons de Mw x hora

Milhares de Milhons de m3

Milhons de Mw x hora

Milhons de barris equiv.

Milhons de Mw x hora

Milhons de Mw x hora

Milhons de Mw x hora

Produçom anual mundial

25.780

41.068

2.422

24.215

15.667

24.958

7.807

2.691

Reservas Provadas

1.046.450

1.667.014

150.190

1.501.589

3.649.612

5.813.898

520.000

Renovável. Ver nota 4

Duraçom est. em anos

 

41

 

61

 

232

67

 

Consumo de energia actual (em %)

 

40,7 %

 

24,1 %

 

24,8 %

7,7 %

2,7 %

 1. Os dados fôrom tirados basicamente do Relatório estatístico sobre energia de British Petroleum do ano 2001 e venhem coincidindo, no substancial e sobretodo em produçons e consumos, embora nem tanto em reservas provadas, com os da Agência Mundial da Energia, e muitos peritos mundiais no tema (Richard C. Duncan, Colin J. Campbell, Jean Laherrère, Youngquist, etc.) e os muitos que publicam diversas fontes do sector. Estes dados excluem os consumos de madeira e biomassa, sempre mais difícil de homologar.

 2. As reservas que se consideram provadas, contando com os métodos actuais de exploraçom e sondagem.

 3. As conversons a Megavátios hora (Mwh), figérom-se para homogeneizar, sobre os seguintes cálculos: 1 barril de petróleo = 1,593 Mwh; 1 metro cúbico de gás natural = 0,01 Mw.; o resto dos dados de energia nuclear e hidroeléctrica achega-os British Petroleum em milhons de barris ou milhons de toneladas (1 Tonelada = 7,33 barris) equivalentes de petróleo e reconvertem-se em Mwh para homogeneizar, ainda com o risco de sobreavaliar o contributo energético da energia nuclear.

 4. As reservas hidroeléctricas, estimadas no grau actual de ocupaçom de bacias mundiais de 25%; quer dizer, supondo que o aproveitamento total (agressons ecológicas à parte, como a barragem chinesa das Três Gargantas) pode multiplicar a produçom actual 4 vezes.

 Se bem que estes dados sejam totalmente públicos, surpreende o enorme desconhecimento das graves carências que anunciam a médio prazo para a Humanidade toda e, sobretodo, a ausência total de tratamento deste tema nos meios de difusom. Da Tabela 1, saem as seguintes conclusons imediatas:

 

1.  O SINAL VERMELHO ACENDE-SE NOS DEPÓSITOS MUNDIAIS

 Ao ritmo de consumo de 2001, resta no planeta petróleo para uns 40 anos; gás natural para uns 60; uránio para uns 67 anos e carvom para uns 232 anos. Isso todo, supondo que nengum destes combustíveis tenha que substituir os que primeiro se vaiam esgotando, sendo o petróleo o que antes vai esgotar-se e o que maior peso suporta no consumo humano actual: 40% de toda a energia fóssil e nuclear que o planeta consome.

 O gasto actual de combustíveis fósseis é de magnitude tal que convém pô-lo em perspectiva, para repararmos no que estamos a fazer ao planeta:

 O petróleo consumido e que se queima no planeta Terra, equivale ao do jacto que sairia por um cano de dous metros (se a viscosidade do petróleo o permitisse) a cerca de 150 km/h, as 24 horas de dia e os 365 dias do ano.

 O gás natural queimado anualmente equivale a um cubo de 14 km. de lado, se estivesse a pressom ambiental. 

 O carvom que se queima cada ano som uns mil e duzentos milhons de camions de cinco toneladas cada. Quer dizer, à roda de umha tonelada por pessoa sobre a Terra e ano. 

 A madeira consumida anualmente, se se pugesse em volume, ocuparia umha altura como a da torre Eiffel (300 m) e teria 3,5 km de lado. 

 A ausência total de propostas sérias de substituiçom energética, ou mais bem de mudança de modelo de consumo e crescimento incessante, já indica muito sobre as verdadeiras intençons dos governos mais consumistas. A escasseza de petróleo é a mais alarmante, pois é o combustível considerado de maior “qualidade”; quer dizer, é o de mais fácil extracçom, transporte e sobretodo armazenagem e combustom.

 2.  QUANTO MAIS FOR QUEIMADO, PIOR

 Se o que os organismos internacionais chamam de “reservas provadas” pudessem, digamos, até se duplicar, como alguns optimistas sugerem quando se vem confrontados com este terrorífico quadro, fosse por arte de magia ou por umha sobreexploraçom das jazidas existentes ou por umha desesperada busca e afortunada descoberta de novas jazidas, está ainda por ver se deveria queimar-se todo o combustível fóssil e nuclear que conhecemos nas reservas actuais e o que podamos encontrar e se o planeta, os seres vivos, em definitivo, o podem suportar, nom apenas pola poluiçom acrescida de partículas, que crescerá de forma exponencial, ao serem utilizadas as reservas menos puras, mas também porque consumir é aquecer e do que se trata é de nom aquecer mais o ambiente.

 As soluçons desesperadas do género da utilizaçom intensiva e exaustiva de biomassa, partindo de matéria orgánica que deveria se cultivada, para produzir metanol ou etanol, levariam a cultivos que duplicariam os 11 milhons de quilómetros quadrados actualmente cultivados para alimentaçom humana e animal, só para fermentar plantas com destino a combustível, se há que substituir todo o fóssil e nuclear que hoje é queimado.

 As buscas frenéticas de faixas betuminosas ou de carvons vários para convertê-los em petróleo som um outro exemplo de fugida para a frente que apenas prolonga a agonia das reservas por mais uns anos, para deixar o planeta muito mais poluído do que já está e aumentarám exponencialmente o efeito entrópico; quer dizer, o esforço energético extra e os efeitos secundários que custará ao planeta Terra pôr estes combustíveis tam impuros em condiçons de serem usados por motores de combustom interna.

 Para os irredutíveis optimistas que continuam a julgar que os seus governos “darám um jeito a tempo”, deve-se insistir, umha e outra vez, em que qualquer cousa que produza energia, produz calor e poluiçom e lança-os para o ambiente e o objectivo deve ser, precisamente, evitar isto, nom perpetuá-lo.

 A deplorável actuaçóm das principais potências industriais nas últimas conferências mundiais sobre ambiente e o seu posterior desprezo às recomendaçons, som um segundo sombrio indicador da sua nula vontade para resolver este delicado asunto e de que as suas vontades apontam mais para resolver isto pola via das armas, embora saibam de antemao que o pam que hoje comerám tirando-o aos mais, seja a fame de amanhá para eles próprios.

 Além do mais, os que acreditam a falácia de que o uso mais intensivo das novas tecnologias ajudará a aumentar as reservas e portanto a produçom, ou os que acreditam que quando aumentar o preço poderám justificar-se novas técnicas de exploraçom que agora nom som rendíveis para aumentar essas reservas e produçons, confundem os alhos das imperiosas leis da física com os bugalhos dos postulados economicistas, nada científicos, de resto.

 Porque, para pôr um exemplo, nos EUA, em 1950, custava um barril de petróleo de energia (exploraçom, perfuraçom, bombagem, transporte, refinaçom, distribuiçom, etc.) extrair 50 barris. Hoje, com um barril de petróleo extraem-se só cinco barris e já sabe todo o mundo que em mais umha década, extrair um barril de energia custará um outro barril na imensa maioria dos poços estado-unidenses.

 Nesta altura, e nesses numerosos sítios, já nom se extrairám mais barris de petróleo, embora o barril se pugesse a mil dólares, porque é umha impossibilidade física, nom económica. É o exemplo da mota que tem um reservatório com autonomia para andar 200 km e a bomba de gasolina mais próxima está a cem quilómetros. Acontece que a mota nom serve para nada mais do que para ir e vir encher o reservatório, independentemente do preço do combustível.

 3.  CONTRADIÇONS E CINISMOS ENERGÉTICOS

 As duraçons estimadas dos combustíveis fósseis e nucleares no planeta estám calculadas sobre duas hipóteses: umha contraditória e a outra cínica. A contraditória é que os dados da Tabela 1 suponhem que o consumo de 2001 se manterám estáveis até esgotar as reservas, ao passo que a realidade dos modelos económicos imperantes continua a planificar cegamente crescimentos económicos, ergo energéticos, dentre 2 e 6% cumulativo anual em quase todos os países.

 Umha outra cousa é que as leis físicas, nom as económicas nem as políticas, vaiam permiti-lo. Umha outra cousa é se é primeiro o ovo da recessom económica e por isso da queda da procura de combustíveis ou se se trata da galinha do limite máximo de produçom mundial de petróleo e isso é o que provoca o freio económico, embora ninguém queira confissá-lo.  

 De outra parte, o sacrossanto objectivo de crescer sem limites, 3 % de crescimento anual supom, matematicamente, duplicar o consumo nuns 25 anos e portanto, encurtar as reservas em proporçom. Como apontamento, nas três décadas dos anos 60 a 90, a Humanidade tem consumido, transformado ou queimado mais energia do que em toda a sua história anterior. Este modelo é insuportável e explodirá sem remédio antes de um quartel de século.

 A hipótese cínica é que os dados de duraçom de reservas da Tabela 1 estám a supor que os pobres do planeta, que representando 75% da populaçom humana, consumem escassamente 25% da energia, renunciam a conseguir o nível de bem-estar dos poderosos; quer dizer, renunciam ao “American way of life” ou mais exactamente, aceitam ficarem nos níveis de consumo actuais. 

 Se assim nom for, o consumo mundial viria a multiplicar-se umhas 9 vezes e as reservas mundiais encurtariam numha proporçom e com umha rapidez que, além de nom poder ser, como dizia o toureiro, resulta impossível. Isto também di muito sobre a atitude dos poderosos, continuamente anunciando, de forma hipócrita, que ajudarám os pobres, quando a realidade mundial está a gritar que nom há vontade nengumha de fazê-lo, enquanto se continuar com os modelos económicos e forma de vida actuais.

 4.  O PROBLEMA NOM SE INICIA COM O FIM DA PRODUÇOM, MAS COM O PICO MÁXIMO DA MESMA

 Embora restem escassamente quatro décadas para acabar o petróleo se se mantiver o ritmo de consumo actual e já se viu que nom se mantém, senom que nas últimas décadas tem crescido polo menos ao ritmo de 2% cumulativo anual, o principal problema da falta de energia colocará-se nom dentro de quatro décadas, senom que começará a manifestar os seus sintomas, logo que a produçom atingir o seu pico máximo de produçom, que é muito antes.

 Kim Hubbert, perito mundialmente famoso por predizer que os poços de petróleo seguem umha curva em forma de sino, desde o ponto de descobrimento, passando polo de pico máximo de produçom, para a seguir declinar inexoravelmente, realizou medidas de multidom de curvas de exploraçom de poços e chegou à conclusom de que a soma de sinos de cada poço produz um sino de exploraçom petrolífera de cada país e a somatória dos sinos de todos os países produtores impom umha curva de exploraçom do petróleo mundial, também em forma de sino.

 Hubbert predixo nos anos 50, com espantosa exactidom, que os EUA haviam de chegar ao seu topo de produçom em 1970. Os que na altura o julgárom um louco, hoje veneram-no como o pai das prediçons petrolíferas. Os EUA começárom o seu declínio, precisamente nesse ano e hoje produz menos de metade do que em 1970 e deve importar mais de metade do petróleo que sonsume.

 A curva de produçom e reservas dos EUA é a mais significativa, por ser a mais antiga (os seus poços fôrom os primeiros a ser explorados ao máximo) de cómo os recursos nom renováveis, como o seu próprio nome indica, se esgotam sem remédio e sem que a mais impressionante tecnologia, nem os recursos financeiros mais poderosos podam evitá-lo.

 Isto por sua vez tem umha evidente implicaçom no constante aumento da dependência dos EUA do outro negro e reflecte perfeitamente os nervosos movimentos de quem arranjou a corda que acabará por enforcá-lo e começa a ver-se abaixo da árvore, com a sua incessante voracidade e a sua fé cega e integrista em que o sistema do “American Way of Life” era o melhor dos possíveis e portanto, nom era matéria de discussom e só podia continuar a fazer o que sabia: crescer ad infinitum. O seguinte gráfico ilustra para onde é que vai o futuro nos EUA: 

 As curvas inexoráveis de Hubbert predim, segundo quem as interpreta, que o petróleo de todo o mundo chegará ao seu pico máximo de produçom entre 2004 e 2010 (Colin J. Campbell, Richard C. Duncan, Walter Youngquist, Jean Lahèrrére e muitas outras fontes que cita com grande respeito inclusive o grande guru Jeremy Rifkin no seu último livro sobre o assunto, intitulado “A economia do hidrogénio”).

 As diferenças de interpretaçom sobre quando é que se atinge o pico para cair de forma inevitável vam, no caso dos mais optimistas, até 2015 ou 2030 (Agência Internacional da Energia (IEA em inglês) ou o United States Geological Survey, USGS norte-americano. Afinal, ficamos na mesma, porque mesmo se isso fosse certo, já teria que estar toda a sociedade industrial em estado de máximo alerta, transformando-se para um outro tipo de consumo de consumo para chegar em tempo; mas nem há combustível alternativo aos 40% do consumo enérgetico humano, nem há tempo para transformar toda a sociedade industrial.

 De outra parte, estám os avisos a navegadores dos geólogos de maior reputaçom mundial, no sentido de que as suas próprias prediçons de chegar ao pico entre 2004 e 2010 poderiam resultar optimistas e podermos estar já a tocar o teito, se como receiam, os dados das reservas, feitos polos principais produtores mundiais nos anos 80 e 90, sempre em alta, sem relaçom com prospecçons reais, se tivessem dado por motivos espúrios, como que as quotas da OPEP se davam, em parte, polo volume de reservas que se lhes supunham, ou também porque quanto maior número de reservas, maiores créditos nos centros financeiros mundiais. 

 Mesmo o ano 2020 é amanhá mesmo, em termos históricos. E aí é que radica o grande problema. Nom em quando se esgotar totalmente (menos de meio século: também amanhá em termos históricos), mas em quando se começar a produzir menos em cada ano do que no anterior, sem remédio e para sempre, por imposiçom das leis físicas. Como vam reagir os políticos e economistas, que apenas sabem programar crescimentos? E estám à espera de quê?

 Porque esse é o momento da ruptura do sistema económico cujo dogma é o crescimento contínuo. É o momento em que os ministros da Economia e os primeiros-ministros tenhem que começar a reconhecer que as suas economias nom crescerám e nom sabem inventar outra cousa senom o crescimento económico numha fita sem fim. Veremos mais à frente quais deles som os países e grupos humanos que mais aginha começarám o seu pranto e ranger de dentes...

 5.  SOLAR E EÓLICA? SIM, MAS...

 As energias alternativas nom aparecem na Tabela 1, porque continuam a ser insignificantes a nível mundial em 2002. O problema de substituir com energia solar e/ou eólica os consumos tradicionais actuais e futuros, no pouco tempo de que se dispom, é que a sua produçom é basicamente em forma eléctrica e esta forma de energia é hoje só 12,5% do consumo total mundial (embora polos rendimentos mundiais de transformaçom tenham de queimar para isso cerca de 27% dos combustíveis fósseis e 100% dos nucleares).

 Assim, além de ter de produzir sistemas solares e/ou eólicos para substituir os combustíveis fósseis e nucleares nas poucas décadas disponíveis, o que poderia ser tecnicamente impossível, cumpriria reestruturar, no mínimo, três quartas partes da sociedade industrial mundial que hoje consome em forma nom eléctrica. E isso já é umha obra de envergadura ciclópica.

 Pensemos que, se ter a infraestrutura actual nos custou queimar metade da energia fóssil e cento e cinqüenta anos de trabalho em todo o mundo, transformar, no mínimo 70% da mesma em duas décadas pode levar-se o resto da energia fóssil disponível. E depois, quê?

 Um quereria acreditar que isto é também possível, como sugerem as organizaçons ecologistas e como acredita o inefável novo apóstolo do hidrogénio, Jeremy Rifkin, mas a partir da orientaçom puramente belicista que estám a tomar os países mais industriais à volta das fontes convencionais de energia, semelha que já descartárom essa opçom e movem-se apenas pola senda de extermínio bélico de todo potencial adversário dos recursos minguantes do planeta.

 Sistemas como a aviaçom civil mundial, os exércitos ou a maquinaria agrícola, como os tractores, som impossíveis de imaginar com propulsom eléctrica. O transporte marítimo, a maquinaria de obras públicas e mineira, de difícil aproveitamento e o transporte terrestre também, salvo que mudem drasticamente os modelos sociais, algo que nem sequer se vê bosquejado, de forma séria.

 Por último, convém precisarmos que a substituçom a esta escala planetária representaria, com as células fotovoltaicas de maior rendimento, ocupar entre 250.000 e um milhom de quilómetros quadrados de superfície de continentes em zonas muito ensolaradas e suporiam umha complicada transferência das zonas de produçom às actuais de consumo e das zonas diurnas às nocturnas e por ser também muito difícil o armazenagem das enormes quantidades de energia procuradas.

 Se bem que sempre preferível ao fóssil e ao nuclear, o solar devém em algo nom tam ecológico, se há que fazê-lo a essa escala. E isso sem considerar que, do ponto de vista energético é bastante duvidoso que umha célula fotovoltaica nom consuma mais energia (fóssil geralmente) na sua produçom, que a que vai gerar ao longo da sua vida útil toda, estimada nuns 30 anos. Algo similar acontece com a energia eólica.  

6.  NUCLEAR? NOM, OBRIGADO.

 Quanto às energias nucleares alternativas, fala-se na fusom, mas este artigo nem a considera, por várias razons. Umha delas som as ingentes perdas calóricas que teria (por volta de 80% da energia útil, que multiplicaria exponencialmente os problemas do aquecimento atmosférico).

 Aliás, semelha pouco realizável a instalaçom de cerca de 8.000 centrais nucleares que teriam de ser construídas, de potência similar às 430 actuais em serviço, que mal achegam hoje 7% das necessidades humanas de energia. Nem há dinheiro para fazer tantas centrais em tam pouco tempo, nem há reservas de uránio para alimentá-las, se se figessem.

 Porque se há agora uránio para 60 anos a 6 ou 7% de contribuiçom energética mundial, se a energia nuclear tivesse que atingir, digamos 50% do consumo energético mundial, restaria uránio para escassamente umha década, que é, como mínimo, o tempo que se demoraria a construir umhas 200 centrais nucleares, se houvesse dinheiro e fé em que havia de servir para qualquer cousa. O do toureiro: o que nom pode ser, nom pode ser e, além diso, é impossível.

 A energia de fusom, dim que poderia ser umha alternativa, mas é que se tivesse hipotese de estar comercialmente disponível antes de um século, o que é muito improvável, por nom dizer impossível supondo que os pobres podam pagar estas custosíssimas e pouco duradeiras estruturas e que o combustível, que se di ilimitado (quando se referem ao deutério), nom se esgota, como o uránio, porque a reacçom, no único modelo que se experimenta, requer também um isótopo radioactivo de trítio, que sai do lítio, que também é muito escasso na crosta terrestre.

Além, é claro, de produzir somente electricidade, com o problema que antes se assinalou ao respeito.

 7.  O HIDRÓGENIO E AS PILHAS DE COMBUSTÍVEL: O NOVO MITO OU O BÁLSAMO DE FIERABRÁS

 Desde há alguns anos, estám a desenvolver-se grandes campanhas que julgo intencionalmente planificadas, para fazer ver que o hidrogénio é a nossa fonte de salvaçom e que tratam de apresentá-lo como o combustível do futuro, limpo, ecológico, nom poluidor e ilimitado. A campanha tivo o apoio, como ramo, do famoso Jeremy Rifkin, autor de “O fim do trabalho”, quem agora publicou “A economia do hidrogénio”.

 Igual que com “O fim do trabalho”, o seu espectacular arranque de voo de perdiz, com montes de dados bem elaborados, que contam grandes verdades, conclui com um final de galináceo. Se, no fim do trabalho, a sua brilhante exposiçom sobre os males que afligem o mundo moderno, finda com um convite para que os postos que destrui o maquinismo e a brutalidade capitalista sejam supridos com voluntariados, ONG’s e restantes corpos de paz; em “La economia do hidrogénio, a sua nom menos brilhante exposiçom dos males que afligem o mundo industrial e capitalista e o esgotamento iminente e inexorável do petróleo findam com umha apologia do hidrogénio digna de melhor causa.

 A relevante posiçom de Rifkin, como assessor de muitos governos ocidentais em temas variados, cobrador de conferências e guru das sociedades modernas, tem feito com que a sua conclusom, nom por ser tam acientífica, como científica é toda a sua exposiçom prévia, nom tenha sido desprezada: a Uniom Europeia acaba de dotar mais de dou mil milhons de euros aos desenvolvimentos energéticos alternativos, nomeadamente os baseados no hidrogénio. Seguramente esse fosse o propósito: que os sumarentos fundos europeus fossem cair às maos dos que som assessorados por Rifkin; terminarám em maos de grandes multinacionais como BMW, Volkswagen, Mercedes e restantes multinacionais francesas e alemás que já levavam tempo a dizer que andam a investir nestes desenvolvimentos.

 Mas o problema do hidrogénio é que  nom é umha fonte de energia; é, no melhor dos supostos, um simples transportador de energia e mais acertadamente, um sumidouro de energia. Quer dizer, o hidrogénio nom se acha livre na natureza, como o petróleo, o gás ou o carvom e portanto, obter hidrogénio custa também energia.

 Quando alguém extrair xis unidades de energia da natureza e para isso empregar menos de xis unidades de energia, a matéria base obtida será denominada fonte de energia. Mas se, como no caso do hidrogénio, para separar este elemento do composto químico em que se achar (quer seja ele a água, muito abundante, ou o gás natural, de que actualmente se extrai metade do hidrogénio que se produz no mundo) gasta-se mais energia para obtê-lo do que o que a seguir proporciona o hidrogénio quando se queima, o assunto vai mal: temos um sumidouro de energia.

 Tal dim as leis da termodinámica e tal di o próprio Rifkin no início do seu livro, mas a seguir, como muitos outros, esquece a lei mais inquebrantável do universo e começa a brincar com as maquininhas de movimento perpétuo, proibidas expressamente pola física e pola razom, por muito bem que as pintem. Som equaçons tam bonitas e desejáveis quanto impossíveis: som como a escada fechada em quatro troços que pintam com falsa perspectiva e que sempre sobe ou desce indefinidamente.

 Se existissem essas máquinas de movimento perpétuo ou essas maravilhosas escadas, todos escolheríamos chegar ao ponto desejado descendo, que é mais cómodo, nunca subindo. Assim que os inventores do motor a água que nom polui, já podem ir explicando com que outra energia é que vam tirar o hidrogénio que impulsionará a sua sociedade futura. E tenhem de explicar com mais pormenor do que o Rifkin, para acreditarmos, porque se para tal recorrerem à energia eólica ou à solar, nom adianta tentarem.

 

UM ÓBVIO E PERIGOSO DESEQUILÍBRIO

 A evidência da premente escasseza energética das próximas décadas ou anos torna ainda mais patente para os grandes consumidores quando se analisa a desequilibrada relaçom entre as produçons, os consumos e as reservas dos principais países, como se vê nas Tabelas 2 e 3.

  

Tabelas 2 e 3. BALANÇO ENERGÉTICO DE PETRÓLEO E GÁS NAS PRINCIPAIS ÁREAS

Estatísticas de energia de British Petroleum 2001

Reservas de petróleo em finais de 2000 (em milhares de barris)

Produçom de petróleo em milhares de barris/ano

Consumo de petróleo em milhares de barris/ano

Relaçom reservas/produçom

Relaçom reservas/consumo

EUA

29.700.000

2.679.770

6.485.770

11,1

4,6

Canadá

6.400.000

937.660

614.150

6,8

10,4

Total Europa

19.100.100

2.406.430

5.510.050

7,9

3,5

Japom

 

 

1.911.650

0,0

0,0

TOTAL GRUPO 1

55.200.000

6.023.860

14.521.620

9,2

3,8

Federaçom Russa

48.600.000

2.261.110

856.350

21,5

56,8

Outros antiga URSS

700.000

44.980

39.790

15,6

17,6

China

24.000.000

1.122.770

1.674.640

21,4

14,3

TOTAL GRUPO 2

73.300.000

3.428.860

2.570.780

21,4

28,5

Kuwait

96.500.000

743.900

55.360

129,7

1743,1

Omám

5.500.000

332.160

 

16,6

 

Qatar

13.200.000

275.070

8.650

48,0

1526,0

Arábia Saudita

261.700.000

3.164.170

461.910

82,7

566,6

Emirados Árabes

97.800.000

870.190

96.880

112,4

1009,5

Iemem

4.000.000

152.240

 

26,3

 

Outros Oriente Médio

200.000

17.300

475.750

11,6

0,4

México

28.300.000

1.193.700

636.640

23,7

44,5

Brunei

1.400.000

67.470

 

20,7

 

TOTAL GRUPO 3

508.600.000

6.816.200

1.735.190

74,6

293,1

Irám

89.700.000

1.304.420

4.04.820

68.8

221,6

Iraque

112.500.000

908.250

 

123,9

 

Argélia

9.200.000

546.680

67.470

16,8

136,4

Líbia

29.500.000

510.350

 

57,8

 

Nigéria

22.500.000

728.330

 

30,9

 

Angola

5.400.000

254.310

0,99

21,2

 

Colômbia

2.600.000

245.660

79.580

10,6

32,7

Venezuela

76.900.000

1.119.310

171.270

68,7

449,0

Indonésia

5.000.000

494.780

368.490

10,1

13,6

TOTAL GRUPO 4

353.300.000

6.112.090

1.091.631

409

853

Azerbeijám

6.900.000

103.800

51.900

66,5

132,9

Kazakhstám

8.000.000

257.770

43.250

31,0

185,0

Turkmenistám

500.000

51.900

32.870

9,6

15,2

Uzbekistám

600.000

474.020

174.730

33,8

91,6

TOTAL GRUPO 5

16.000.000

474.020

174.730

33,8

91,6

TOTAL MUNDIAL

1.046.450.000

25.780.460

25.571.130

40,6

40,9

 

 

Gás natural. Estatísticas 2000

 

 

 

Importaçons 2000, em mihares de milhons de m3

 

País/Regiom

Reservas em milhares de milhons de m3

Produçom 2000. Em milhares de milhons de m3

Consumo 2000. Em milhares de milhons de m3

Por gasoduto

Por barco (gás liquado)

Relaçom reservas /produçom

Relaçom reservas /consumo

EUA

4.740

555,6

654,4

101,87

7,44

8,5

7,2

Canadá

1.730

167,8

77,8

1,67

 

10,3

22,2

TOTAL EUROPA

5.220

287,9

458,8

244,42

32,4386

18,1

11,4

Japom

 

 

76,2

 

72,43

0,0

0,0

TOTAL GRUPO 1

11.690

1.011

1.267

348

112

11,6

9,2

Federaçom Russa

48,140

545.0

377,2

 

 

88,3

127,6

Outros antiga URSS

20

0,4

7,9

 

 

50,0

2,5

China

1,370

27,7

24,8

 

 

49,5

55,2

TOTAL GRUPO 2

49.530

573

410

0

0

188

185

Kuwait

1.490

9,6

9,6

 

 

155,2

155,2

Omám

830

8,5

 

 

 

97,6

 

Qatar

11.150

28,5

14,5

 

 

391,2

769,0

Arábia Saudita

6.050

28,5

14,5

 

 

128,7

128,7

Emirados Árabes

6.010

39,8

33,4

 

 

151,0

179,9

Iemem

480

17.300

475.750

 

 

0,0

 

Outros Oriente Médio

290

7,5

21,6

 

 

38,7

13,4

México

860

35,8

35,5

3,33

 

24,0

24,0

Brunei

390

11,6

1.735.190

 

 

0,0

 

TOTAL GRUPO 3

27,550

188

162

3

0

987

1.270

Irám

23.000

60,2

62,9

2,63

 

382,1

365,7

Iraque

3.110

 

 

 

 

0,0

 

Argélia

4.520

89,3

24,4

 

 

50,6

185,2

Líbia

1,310

5,5

 

 

 

238,2

 

Nigéria

3,510

11,0

0,99

 

 

319,1

 

Angola

 

 

 

 

 

0,0

 

Colômbia

200

5,9

5,9

 

 

33,9

33,9

Venezuela

4.60

27,2

27,2

 

 

152,9

152,9

Indonésia

2.050

63,9

27,8

 

 

32,1

73,7

TOTAL GRUPO 4

41.860

263

148

3

0

159,2

282,5

Azerbeijám

850

5,3

5,4

 

 

160,4

157,4

Kazakhstám

1.840

10,7

8,0

 

 

172,0

230

Turkmenistám

2.860

43,8

12,6

 

 

65,3

227,0

Uzbekistám

1.870

52,2

49,8

 

 

35,8

37,6

TOTAL GRUPO 5

4.420

112

76

 

 

66,3

97,9

TOTAL MUNDIAL

150,190

2.422,3

2.404,6

 

 

62,0

62,5

As conclusons som também imediatas:

 1.  PRIMEIRO MUNDO: VORACIDADE SEM LIMITES

 No grupo 1, EUA e os países europeus tenhem umha produçom importante, mas umhas reservas alarmantemente esgotadas: só quatro ou cinco anos, se tivessem de viver com os seus próprios recursos e só um par de décadas, se mantenhem o nível de importaçom actual de petróleo estável (60% do total que consomem; semelha incrível que nom se esteja a falar deste facto incontestável!).O Japom, que nom tem nem produçom própria nem reservas, está numha situaçom ainda muito mais dramática e frágil e à vista da situaçom de esgotamento dos seus poços, cada ano mais a partir de agora, sem contarmos com que os seus programados aumentos de produçom económica obrigam a um aumento encessante da produçom energética, fazendo ainda mais aguda a dependência do exterior.

 Leve-se em conta que a Europa atinge nestes momentos o pico de produçom, que os EUA já o ultrapassárom em 1970, mas ao serem as suas reservas totais menores e o seu consumo quase tam alto como o norte-americano, o seu declínio será igualmente rápido e doloroso.

Todos eles necessitam com urgência as produçons dos países produtores, e os seus volumes de procura de petróleo importado, que nom cessam de aumentar para manter a maquinaria em funcionamento, exigem produtores importantes, além de secundários, para saciar momentaneamente tam tremendo apetite.

 No caso dos EUA ou a Europa, as suas reservas actuais abaixo do solo, somadas a umha política de armazenagem massiva em tanques (o que se denomina nos EUA a “reserva estratégica”, que é de uns seis meses de consumo nacional e na Europa deve andar por mais algo de três), permite-lhes salvar, com as suas produçons próprias, algum momento pontual de possível desabastecimento exterior, o que lhes confere umha certa invulnerabilidade estratégica a curto prazo.

 Mas o elevado consumo e as praticamente esgotadas reservas próprias dos países deste grupo tão voraz obrigam-nos, de forma cada vez mais premente, a assegurarem-se também da continuidade do fluxo energético dos países produtores a mais longo prazo.

O aumento da dependência petrolífera dos países ricos ocidentais do grupo 1 da tabela 2 é a verdadeira "mae de todas as batalhas", que está a criar tensons mundiais cada vez mais evidentes. As suas minguantes reservas nacionais e umha economia cada vez com mais apetite energético fôrom-nos obrigando a "submeter" cada vez mais países produtores às suas exigências de consumo.

 O grosso dos países que se poderiam denominar "amigos" no golfo Pérsico (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados, Qatar e outros), ou dos Brunei no sudeste asiático e o México no pátio traseiro dos EUA, asseguravam, até agora e ainda durante talvez mais alguns anos, um fluxo contínuo e barato de petróleo.

 75- Mas a procura dispara à medida que a economia cresce e os poços mundiais começam a atingir o teito e muitos já estám em franco declínio. Nom menos de 14 dos 42 países principais já estám na lado declinante da curva de Hubbert e cada ano consegue-se-lhes "mugir" menos petróleo.

 Este duplo efeito pom muito nervosos tanto os principais consumidores como os produtores. Assim, alguns países deixam de ser "estáveis" (ou seja, obedientes na oferta de um fornecimento contínuo e barato, como se lhes exige) e outros, que estavam fora da sua órbita de obediência ou dela se afastaram, vai-se-lhes "estabilizando" de bom grado ou pola força.

A bota militar norte-americana entrou na Arábia Saudita, no Kuwait e nos Emirados com a desculpa da invasom do Kuwait polo Iraque, em 1990, e todo indica que os 12 anos de presença infiel nos lugares mais santos do Islám vam-se converter numha eternidade tam grande quanto a duraçom das reservas que ali os mantenhem. Já ninguém se lembra da famosa visita da embaixadora norte-americana em Bagdad a Saddam Hussein no dia anterior à invasom.

 2) SEGUNDO MUNDO: AUTO-SUFICIÊNCIA BÁSICA A CURTO PRAZO

 A Rússia (com a Comunidade de Estados Independentes, CEI) e a China resolvem os seus consumos basicamente com as suas produçons actuais, mas nem sequer a Rússia passa do meio século com o seu próprio consumo e do quarto de século se continuar a exportar ao ritmo actual para obter divisas e pagar as dívidas que contraiu com o sistema financeiro capitalista mundial, especialmente agravadas após a queda do comunismo.

A Rússia, que tem metade da populaçom dos EUA, consome oito vezes menos energia e resta-lhe quase o dobro de reservas que as dos EUA –considerando a Chechenia parte indissolúvel da Rússia.

 É lógico que a sua posiçom estratégica quanto a isto seja defender, por todos os meios, as suas próprias jazidas dos apetites dos mais consumistas (a forma em que estám a esmagar as tentativas na Chechenia e o interesse ocidental em que a Rússia mantenha essa ferida aberta, possivelmente alimentando-a, assim parece indicar) e por outro lado que adoptem atitudes críticas quanto às tentativas do grupo 1 de ficar com a exclusividade das reservas dos países dos grupos 3 e 4.

 Os pouco mais de três lustros de produçom e consumo petrolífero que restam à China, com os seus recursos próprios, dam a este país um pouco mais de corda que aos EUA e Europa e um pouco menos que à Rússia. A China, que tem umha populaçom cerca de quatro vezes maior que os EUA, consome quatro vezes menos que o colosso. Isto significa que cada norte-americano equivale a 15 chineses, energeticamente falando.

 O grande problema da China é que, com o seu sistema híbrido de comunismo para consumo interno e capitalismo selvagem para o exterior, está muito comprometida com crescimentos económicos, ergo energéticos, da ordem dos 5% ao ano. Se conseguirem manter esse modelo de crescimento mais dez anos estarám a enfrentar os EUA e a Rússia na luita polos recursos do golfo Pérsico.

 A invasom do Afeganistám –que ao contrário do que dérom a entender os media ocidentais nom tem recursos energéticos (nem petróleo nem gás), mas é um país ponte entre a China e o golfo Pérsico– tem assim umha justificaçom económica e estratégica inquestionável.

Outros media destacaram que se o Afeganistám nom tem recursos, os países fronteiriços (aqueles do grupo 5 da tabelas 2 e 3) sim tenhem imensas reservas e esta é a razom oculta da invasom. Os dados da British Petroleum desmentem-no claramente: apenas uns 2% das reservas mundiais de petróleo e gás natural, cuja produçom actual, além disso, é consumida por eles próprios.

 Isso nom serve nem de aperitivo para a voracidade estado-unidense e europeia.

 

3) TERCEIRO E QUARTO MUNDO: OS PILHADOS

 As reservas dos grupos 3 e 4 som na realidade o grosso das reservas mundiais para o meio século que resta de existência à civilizaçom industrial. Para os países do grupo 1, o imediato é que essas reservas nom sejam reclamadas por ninguém como suas, ainda que no momento aceitem que pequenas quantidades se destinem a países terceiros.

 Isto resolve-lhes os próximos anos de consumo. Nom podem permitir que este princípio sagrado seja questionado nem por países terceiros nem por nacionais destes mesmos países. Nom podem permitir sequer que os seus proprietários nominais se atrevam a ditar-lhes nem sequer umha política de preços do crude. A cronologia dos factos na área desde finais dos anos 70 é reveladora quanto a isto.

 Umha imprevista mudança de governo e de controle do Irám, que realmente chega a aterrorizar os países do grupo 1 (este é o verdadeiro sentido do terror na área: o de que os países do grupo 1 podam perder o controle dos recursos energéticos dos países dos grupos 3 e 4).

 O subseqüente ataque iraquiano ao Irám, apenas um ano depois, muito promovido e apoiado polos países do grupo 1, que tivo como conseqüência a destruiçom de muitas vidas humanas e graves desastres sociais, económicos e militares no Irám e no Iraque, a perda da capacidade negociadora de ambos com os países do grupo 1, o afundamento dos preços do petróleo e o certificado de óbito operacional da OPEP.

 O preço do petróleo bruto nom só nom subiu nas duas décadas seguintes como baixou de uns 30 para uns 12 dólares por barril. Com os dados de produçom da Tabela 1 poderia-se fazer um cálculo grosso daquilo que deixárom de receber os países produtores e do que deixárom de pagar os principais consumidores. Excelentes notícias para o Ocidente.

 O aparecimento de militares norte-americanos na Arábia Saudita para, a partir dali, proporcionar um silencioso e efectivo apoio logístico (AWACS) ao Iraque, durante a sua primeira guerra com o Irám e as primeiras tímidas recusas de alguns sauditas, pola quantidade de tradiçons islámicas que violavam. Esta presença converteu-se em permanente.

A estranha invasom do Kuwait polo Iraque, em 1990, um dia depois da visita da embaixadora norte-americana em Bagdad a Saddam Hussein, que justificou a presença militar maciça, que umha década depois tornou-se claro que se converteu em permanente, dos exércitos dos países do grupo 1 no golfo Pérsico e que estes países poderiam pôr as reservas do Iraque em quarentena.

 Isto apesar de lhes ter custado que, na sua queda do cavalo, o despeitado Saddam Hussein, por duas vezes manipulado polos países do grupo 1, lhes queimasse 1% de todas as reservas mundiais de petróleo, dinamitando todos os poços kuwaitianos, antes da sua vergonhosa retirada deste país, criado também polos mesmos delinqüentes que criárom o Brunei.

De facto, a única cousa em que Saddam Hussein tivo razom foi em denominar a isto "a mae de todas as batalhas", ainda que a verdadeira seja, antes, aquela que se vai verificar até ao final em todo o grande resto dos recursos energéticos do golfo Pérsico. Se nom tivesse existido Saddam Hussein, os países do grupo 1 teriam que inventar um: é o tonto útil perfeito.
O que é mais importante, para os países do grupo 1, é que o Ocidente consagrou convincentemente o papel de terrorista, radical, fanático, integrista ou fundamentalista a todo aquele que se lhes oponha naquela área.

 A partir de agora, todo aquele que questione a presença de tropas estrangeiras (leia-se norte-americanas) no golfo Pérsico, ou que tenha tido a desgraça de possuir debaixo do seu solo importantes reservas das poucas que vam restando, sem ter subordinado a sua política e seus recursos a umha obediência cega ao Ocidente, será um terrorista mundial e, como tal, declarado inimigo público número 1 da civilizaçom ocidental e dos valores democráticos e servirá para justificar ainda mais a presença militar estado-unidense e os golpes baixos às infra-estruturas destes já castigados países.

 O caso de Bin Laden é de manual: enquanto o seu objectivo foi lançar russos para fora do Afeganistám, foi apoiado e abundantemente armado pola CIA e pola condescendente monarquia saudita, tam louvada entom quanto criticada agora.

 Ninguém, a nom ser os russos, questionava entom os seus métodos terroristas. Basta ir às videotecas e alugar Rambo III, se é que nom foi retirado por pudor para ocultar as misérias da propaganda de Hollywood.

 Nele, um asselvajado Silvester Stallone apoiava descaradamente os simpáticos talibáns. Os Bin Laden de entom eram bem louvados polo Ocidente como "Freedom Fighters", ou combatentes pola liberdade, enquanto punham bombas nos mercado de Cabul, rebentavam dezenas de civis para apanhar algum oficial soviético em compras.

Mas quando, umha vez expulsos os russos do Afeganistám, atreveu-se a fixar como objectivo que também os militares norte-americanos saíssem da sua terra, o que tivo de sair foi ele e agora todos os atentados do planeta, tenha-os ou nom cometidos, serám postos na sua conta e será perseguido sem quartel até à sua eliminaçom, como exemplo.

 Com esta estratégia, os países do grupo 1 dedicam-se a "mugir" intensa e cientificamente as reservas dos países controlados dos grupos 3 e 4. A alguns países, como o Iraque, a Líbia e o Irám, parecia ter sido atribuído o papel de reserva final do petróleo bruto mundial.

 Naturalmente estám a ser conscientemente mantidos, polos EUA e os restantes países do grupo 1, em estado de "animaçom suspensa", a golpes de bloqueio e isolamento económico e militar, como se deduz da Tabela 2 polas suas produçons actuais, até que as reservas dos demais dos grupos 3 e 4 se vaiam esgotando.

 Nos próximos anos assistiremos a progressivos endurecimentos destas condiçons nos países estigmatizados polas listas negras do omnipotente Departamento de Estado norte-americano, ou a castigos muito severos, sempre com a bandeira do anti-terrorismo, a todo aquele que tente mover-se e quando lhes chegar o momento, da sua maravilhosa conversom ao jogo democrático, com mudança do líder terrorista nom homologado por líder democrático homologado, que abrirá sem condiçons as últimas torneiras aos seus também democráticos colegas do Grupo 1.

 As recentes atitudes extremamente agressivas dos EUA em relaçom ao Iraque em particular e as intoleráveis atitudes racistas e de discriminaçom dos mil milhons de mussulmanos, aos quais o secretário da Defesa decidiu fichar se cruzarem qualquer fronteira dos EUA, nom som senom umha confirmaçom de que até as reservas que estavam em "animaçom suspensa" começam a ter de ser utilizadas. É o princípio do fim. O ditador e genocida Saddam só tem razom numha cousa: a mae de todas as batalhas vem aí.

4) O QUINTO MUNDO: AS NOM-PESSOAS. A MAE DE TODAS A BATALHAS JÁ CÁ ESTÁ.

O aviso final que este artigo tenciona dar aos cidadaos que vivem confortavelmente nos países do hoje privilegiado grupo 1 é que nom devem pensar que os males que padecem os países do grupo 3 e especialmente os proscritos ou semiproscritos do grupo 4, assim como a mortandade sem precedentes e sem preocupaçom do resto dos países da Terra, som boas notícias para eles e para o seu padrom de vida consumista e ocidental.

E menos ainda para os seus filhos e netos. Até mesmo no caso de terem êxito no seu empenho estratégico, ou seja, mesmo que consigam umha paz de cemitério nos países produtores enquanto eles continuam a consumir à larga, quando o quinto mundo estiver praticamente desaparecido e o terceiro e o quarto estiverem muito exauridos, terám de acabar luitando entre si.

 Algumhas reacçons de distanciamento ou dissensom da França e da Alemanha em relaçom a acçons dos EUA no Golfo e sobretodo no Magreb, ao qual a Europa nom pode renunciar devido aos fluxos de gás que a alimentam, ou as disputas em bolsas petrolíferas residuais, como as da R. D. do Congo ou Angola assim começam a indicar. A oposiçom da Rússia e da China, com muito medo e precauçom mas com insistência, às manobras de invasom permanente do golfo Pérsico também corroboram esta opiniom.

 O resto dos países do mundo, cujos magros consumos actuais serám previsivelmente os primeiros a deixar de serem abastecidos polos países produtores, quando a produçom mundial de bruto alcançar o topo, em muito poucos anos, talvez agora mesmo, e comece a cair pola pendente da curva de Hubbert.

 Em muito poucas décadas todos nós estaremos a luitar polos últimos barris das jazidas. De facto, a luita já principiou, ainda que os cidadaos dos países do grupo 1 ainda nom se tenham dado conta porque nom sofrêrom na sua carne (guerra Irám-Iraque; bloqueio e isolamento do Irám; bloqueio e isolamento do Iraque; segundo ataque "aliado" ao Iraque; guerra permanente em Angola; guerra aberta na Chechénia; ataque aéreo à Líbia; bloqueio e isolamento da Líbia; apoio mal dissimulado ao governo pró-ocidental argelino, para arrebentar umhas eleiçons que escapavam à rotina e perpetuaçom da situaçom de guerra civil por omissom activa; preparaçom de "forças de pacificaçom" do norte da África na NATO, como que por acaso, entre outros indícios) e sobretodo, a cunha artificial de Israel, imposta a ferro e fogo sobre o genocídio palestino e contra as tam numerosas quanto inúteis disposiçons de umha ONU manipulada e impotente à qual os EUA castigam com o veto reiterado, para dispor de um porta-avions ocidental na zona, a partir do qual descarregue os golpes contra todos os islámicos que se movam.

 Os serviços de inteligência do mundo ocidental sabem muito bem (se está até nas estatísticas públicas, como nom vam saber?) que os países da OPEP detenhem hoje mais de 78% das reservas mundiais de petróleo e que no ano 2008 da OPEP produzirá mais que o resto dos países produtores do mundo. No ano 2020, os cinco principais países da OPEP (Arábia Saudita, Iraque, Irám, Kuwait e Emirados Árabes Unidos) produzirám mais petróleo que o resto dos países do mundo e suas reservas serám mais de 90% das reservas mundiais de petróleo.Os serviços de inteligência e militares da maioria dos países sabem-no e tenhem de estar a trabalhar com as curvas publicadas e conhecidas das produçons actuais e previstas, com o estado das reservas provadas de petróleo e sobretodo com sua previsível evoluçom para baixo, em praticamente todos os casos, a partir da próxima década.

 Essas curvas, já mostradas para os EUA, a Europa e o mundo geral, som mais que dramáticas para as restantes grandes regions do planeta:

 

A experiência com a própria situaçom da produçom, consumo e reservas dos EUA é muito significativa; é essa trágica história que nem a mais sofisticada tecnologia, nem os gigantescos recursos financeiros tenhem podido evitar que escorregue, sem remédio, para baixo na curva de Hubbert (expressom do próprio Rifkin, que seguramente a tomou dos conceitos, já conhecidos polos geólogos, de “slope”, “slide” e “cliff” (declínio, escorregamento e precipício) para qualificar as três fases, cada umha mais marcada do que a anterior, da queda pola curva de Hubbert.

 O esgotamento imediato (em termos históricos) do petróleo é tam imparável, como a chegada ao topo de produçom máxima de produçom petroleira nos EUA. Mas há outros dados igualmente alarmantes: desde 1979, o consumo mundial per capita de energia tem ido diminuindo também imparavelmente, porque os crescimentos de última hora só pudérom ser, na parte encurtada superior da curva de consumo mundial, inferiores ao crescimento global da populaçom.

 Alguém, e esse alguém contabiliza-se em silenciosas centenas de milhons de seres humanos, está a perder poder energético, ergo económico e aquisitivo; quer dizer, vital, desde 1979, e nós, sem repararmos.

 Mas há um outro dado igualmente preocupante: desde 1969, os achados de novos poços petrolíferos nom fijo mais do que diminuir. Hoje acha-se um novo barril de petróleo por cada quatro que se consumem e como as reservas existentes estám taxadas, adivinha quem vem reduzir drasticamente estas. A falta de achados nom se deve a que se tenha perdido o interesse polo petróleo; muito polo contrário, tenhem-se feito investimentos gigantescos sem resultado. Hoje acha-se menos de 15% do que se achou em 1969.

 A queda dos achados também segue umha curva como a de Hubbert e já está muito abaixo. Se a matemática nom falha, ninguém pode achar mais petróleo do que se acha, logo o topo de achados de 1969 é o lôstrego que nos avisa que o inevitável trovom do topo máximo de produçom está a chegar.

 Estas som, seguramente, as primeiras partes de um todo na “mae de todas as batalhas” e aumentarám quando os países do grupo 4 conseguirem armas de destruiçom em massa, que os dos grupos 1 e 2 insistem em ter em exclusividade. Desde o do Paquistám e a Índia, estám mais perto.

 O gás natural, em que muitos situam as suas expectativas para a) substituir gradativamente o petróleo ou b) para produzir outros combustíveis, como o que mais na moda está, o hidrogénio, é claro que nom vam poder suportar essa pressom.

 Se agora o mundo industrial consome 40% de toda a sua energia em forma de petróleo e o gás mal consome puco mais de metade do seu equivalente energético (incluindo montes de variantes nitrogenadas para fertilizantes) e apesar desse menor consumo, restam-lhe reservas provadas similares às do exausto petróleo; se tivesse de substituir este, duraria o que um rebuçado à porta de umha escola, para nom falarmos das dificuldades materiais em toda a indústria para a sua substituiçom.

 Para além do mais, o gás natural tem umha pior capacidade de armazenamento e transporte. Ver a Tabela 3 com os movimentos mundiais é concluir que a maior parte de gás que se consome no mundo se fai a muito pouca distáncia dos poços de origem. O gás que se envia liquado em buques tanque ou por gasoduto entre países que nom sejam estritamente fronteiriços é irrelevante, salvo o caso do norte de África com o sul da Europa e da Rússia com o norte da Europa.

 No filme “2001, umha odisseia no espaço” da obra de Arthur C. Clarke, há umha cena, no início, em que dous grupos de primatas luitam entre si por umha poça de água durante umha seca. Os primatas representam um estádio muito primitivo da Humanidade.

 Quando a luita começa, um monolito, que simboliza um género qualquer de inteligência superior muito avançada ou umha materializaçom da divindade, incute a suficiente inteligência a um dos primatas de um grupo, de forma que aprende a usar um osso longo de animal como ferramenta ou arma de guerra. Com ele, destroçam o grupo antagónico que apenas sabia usar as maos e os dentes e tomam conta da escassa fonte de água.

 Esta descoberta, a passagem à condiçom de “homo habilis”, apresenta-se como um salto para a frente da Humanidade. Em questom de reservas fósseis, os seres humanos nom semelham ter progredido nada desde aquela altura e todos os indícios mostram que os governos mais poderosos, os que tenhem o cacete tecnológico, químico, bacteriológico ou nuclear vam dedicar-se a defender, a qualquer custo, as últimas bolsas de petróleo de aqueles que só podem usar as suas armas convencionais e a nom permitir que os grupos antagónicos utilizem qualquer género de estaca similar à que eles possuem na sua disputa pola escasseza.

 Nom há indícios sérios de que os norte-americanos nem os europeus ou japoneses estejam a pensar ou a planificar como reduzir a sua dieta dos cerca de 9.000 vátios de consumo permanente e continuo per capita (como se cada cidadao vivesse permanentemente com umhas 90 lámpadas de 100 vátios ligadas à sua cabeça!) aos 1.100 vátios permanentes de cada habitante chinês, ou melhor ainda, aos menos de 400 vátios permanentes de cada cidadao hindu, típicos de umha sociedade agrícola pré-industrial, nem se vê vontade de mudar o modelo social e de consumo, no escasso tempo disponível.

 No pior dos supostos, pensárom-no e concluírom que nom é possível. Apenas esta dramática conclusom final justificaria a atitude tam primitiva e selvagem, tam militarista, em resumo, de domínio e controlo dos grupos 3, 4 e do resto de países do mundo, por parte dos privilegiados países do grupo 1, incluindo o férreo controlo ideológico que estamos a ver nestes dias, disfarçado de luita contra o terrorismo islámico mundial.

 

 Pedro A. Prieto, Outubro de 2002.

 

[*] Pedro Prieto é engenheiro técnico de telecomunicaçons radicado e madrileno de origem, radicado na actualidade na Estremadura espanhola

 Referências:

·                     As tabelas extraídas do relatório público de British Petroleum, que se acha em formato .xls e .pdf na página http://www.bp.com/centres/energy2002/

  ·                     http://www.worldenergyoutlook.org/ Dados da Agência Mundial da Energia, apra contrastar e confirmar ou ajustar os dados de British Petroleum

  ·                     www.dieoff.com de Jay Hanson. Excelente página web, em que há múltiplos artigos sobre o tema da energia: gás, petróleo, carvom, hidratos, hidrogénio, uránio, etc.

  ·                     http://www.dieoff.com/42Countries/42Countries.htm Subconjunto da página anterior. (As curvas deste artigo tirárom-se de aquí, que por sua vez as toma de um dos últimos relatórios de Richard C. Duncan).

  ·                     www.energycrisis.com. De aí despreendem-se muitas outras páginas interessantes.

  ·                     www.hubbertpeak.com.

  ·                     “La economía del hidrógeno” de Jeremy Rifkin. Ediciones Piados Ibérica, S. A. Barcelona. 2002 (em espanhol). Título original em inglês “The hydrogen economy”. Penguin Putnam, Inc. New York. 2002.

  ·                     “Estrategia solar”, de Hermann Scheer. Plaza y Janés editores, 1993 (em espanhol).


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