Um
conto de terrorismo energético
Apresentamos
a traduçom galega de um trabalho imprescindível para compreendermos a lógica
material que subjaz nas guerras imperialistas dos últimos anos e nas que continuarám
a desenvolver-se ante nós no futuro imediato. O inevitável esgotamento dos
recursos energéticos e a luita interimperialista polo seu controlo explica
a progressiva extensom de novos conflitos ao longo do planeta, tendência que
se acentuará nos próximos anos se o capitalismo nom é derrotado.
UM CONTO DE TERRORISMO
ENERGÉTICO
Pedro A. Prieto. Outubro de 2002
As
cada vez mais freqüentes façanhas bélicas dos EUA contra o chamado terrorismo
e a sua férrea obsessom por arbitrar em exclusiva e ser parte interessada
ao mesmo tempo, no mal chamado processo de paz do Médio Oriente, estám há
bem tempo a suscitar debates sobre se se trata de novas tentativas de distrair
a opiniom pública norte-americana de algum problema doméstico de saias, mais
ou menos sujadas, no caso de Clinton, ou se se trata de beneficiar os negócios
do papá e os seus amigalhons do cartel multinacional petroleiro, no caso de
Bush.
Ou,
como às vezes se di, por desviar a atençom de temas domésticos ou eleitorais,
esta última opçom apoiada por quem julga que todo na vida política se reduz
a eleiçons locais ou mesmo nacionais, ou aspectos da economia nacional, que
tam estreitamente vigiam os que exercem o controlo directo da mesma.
O empenho obsessivo por entrar agora no
Iraque, trata de ligar, a qualquer custo, com o terrorismo, procurando os
três pés de Bin Laden ao gato de Sadam Husein, ou tentando ver a palha das
armas de destruiçom em massa no olho do Iraque, enquanto se ocultam as traves
nucleares, químicas, bacteriológicas, génicas, transgénicas e sobretodo mediáticas
no olho próprio ou no do amigo israelita, por nom estender a muitos outros
igualmente culpados pola sua obsessom.
Este artigo aponta para outra direcçom:
o governo dos EUA, em circunstancial
conluio ou polo menos com umha evidente subordinaçom dos da Europa, com o
silêncio oneroso do Japom e o ambíguo e calculado jogo da Rússia, estám a
agir com umha muito calculada e nada errática política, tendente para o controlo
absoluto do sistema energético mundial.
A sua oculta estratégia é que, qualquer
pessoa, grupo ou país que se opuger, questionar o dito domínio energético
universal ou tratar de manejar os recursos do seu próprio subsolo, seja riscado
imediatamente como “terrorista”, “radical”, “fanático”, “integrista” ou “fundamentalista”,
e posto em listas pretas de terrorista mais procurado, grupo a exterminar
ou país canalha.
Qualquer que nom se submeter no absoluto,
receberá um certificado de indesejabilidade, ou será considerado ameaça ao
“processo” de paz ou à paz mundial, acusado de procurar a desestabilizaçom
das democracias ocidentais e de fomentar e financiar o terror ou de pôr em
perigo os tam sagrados como imprecisos “interesses nacionais”.
Receberá bloqueios e exclusons terríveis
da domesticada ONU e deverá preparar-se para umha mais do que possível invasom
militar a ferro e fogo, quer auspiciada polas próprias Naçons Unidas, quer
de forma até unilateral, polos EUA, dispostos a desprezar ou mesmo anular
qualquer organismo que se opuger aos seus intuitos.
Todos os meios de difusom disponíveis ajudam,
com fervorosa insistência, a generalizar a imagem e criar o estereótipo, e
até a indústria de Hollywood já substituiu o velho cliché obsessivo do Viet
Name e está a despregar umha intensa actividade de bombardeamento psicológico
das populaçons do mundo, com centenas de filmes e séries que fixam o conceito
maniqueu do binómio CIA-Mossad, cheio de bons que salvam o mundo, sempre in
extremis, de terroristas, radicais, fanáticos, integristas e fundamentalistas,
modelo BinLaden ou Sadam Husein, sempre muito maus.
Os atentados do 11 de Setembro tenhem servido
de disparador, tenhem-nos dotado de carta branca para avassalar o direito
internacional, tam trabalhosamente acordado entre as naçons y para contrapor
estes ataques com umha violência de similar género e tam indiscriminado fim
como o das Torres Gémeas.
A cada vez mais surpreendente superposiçom
da nova geografia do terror, com a dos países com maiores reservas de crude,
assim o demonstra.
Em primeiro lugar, os factos, começando
pola Tabela 1.
Tabela
1. PANORAMA ENERGÉTICO MUNDIAL ACTUAL
|
TABELA 1
|
PETRÓLEO
|
GÁS NATURAL
|
CARVOM
|
NUCLEAR
|
HIDRO-
ELÉCTRICA
|
|
|
Milhons de barris
|
Milhons de Mw x hora
|
Milhares de Milhons de m3
|
Milhons de Mw x hora
|
Milhons de barris equiv.
|
Milhons de Mw x hora
|
Milhons de Mw x hora
|
Milhons de Mw x hora
|
|
Produçom anual mundial
|
25.780
|
41.068
|
2.422
|
24.215
|
15.667
|
24.958
|
7.807
|
2.691
|
|
Reservas Provadas
|
1.046.450
|
1.667.014
|
150.190
|
1.501.589
|
3.649.612
|
5.813.898
|
520.000
|
Renovável. Ver nota 4
|
|
Duraçom est. em anos
|
|
41
|
|
61
|
|
232
|
67
|
|
|
Consumo de energia actual (em %)
|
|
40,7 %
|
|
24,1 %
|
|
24,8 %
|
7,7 %
|
2,7 %
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
1. Os dados fôrom tirados basicamente do
Relatório estatístico sobre energia de British Petroleum do ano 2001 e venhem
coincidindo, no substancial e sobretodo em produçons e consumos, embora nem
tanto em reservas provadas, com os da Agência Mundial da Energia, e muitos
peritos mundiais no tema (Richard C. Duncan, Colin J. Campbell, Jean Laherrère,
Youngquist, etc.) e os muitos que publicam diversas fontes do sector. Estes
dados excluem os consumos de madeira e biomassa, sempre mais difícil de homologar.
2. As reservas que se
consideram provadas, contando com os métodos actuais de exploraçom e sondagem.
3. As conversons a Megavátios
hora (Mwh), figérom-se para homogeneizar, sobre os seguintes cálculos: 1 barril
de petróleo = 1,593 Mwh; 1 metro cúbico de gás natural = 0,01 Mw.; o resto
dos dados de energia nuclear e hidroeléctrica achega-os British Petroleum
em milhons de barris ou milhons de toneladas (1 Tonelada = 7,33 barris) equivalentes
de petróleo e reconvertem-se em Mwh para homogeneizar, ainda com o risco de
sobreavaliar o contributo energético da energia nuclear.
4. As reservas hidroeléctricas,
estimadas no grau actual de ocupaçom de bacias mundiais de 25%; quer dizer,
supondo que o aproveitamento total (agressons ecológicas à parte, como a barragem
chinesa das Três Gargantas) pode multiplicar a produçom actual 4 vezes.
Se bem que estes dados sejam totalmente
públicos, surpreende o enorme desconhecimento das graves carências que anunciam
a médio prazo para a Humanidade toda e, sobretodo, a ausência total de tratamento
deste tema nos meios de difusom. Da Tabela 1, saem as seguintes conclusons
imediatas:
1. O SINAL VERMELHO ACENDE-SE
NOS DEPÓSITOS MUNDIAIS
Ao ritmo de consumo de 2001, resta
no planeta petróleo para uns 40 anos;
gás natural para uns 60; uránio para uns 67 anos e carvom para uns 232 anos.
Isso todo, supondo que nengum destes combustíveis tenha que substituir os
que primeiro se vaiam esgotando, sendo o petróleo o que antes vai esgotar-se
e o que maior peso suporta no consumo humano actual: 40% de toda a energia
fóssil e nuclear que o planeta consome.
O gasto actual de combustíveis fósseis é
de magnitude tal que convém pô-lo em perspectiva, para repararmos no que estamos
a fazer ao planeta:
O petróleo consumido e que se queima no
planeta Terra, equivale ao do jacto que sairia por um cano de dous metros
(se a viscosidade do petróleo o permitisse) a cerca de 150 km/h, as 24 horas
de dia e os 365 dias do ano.
O gás natural queimado anualmente equivale
a um cubo de 14 km. de lado, se estivesse a pressom ambiental.
O carvom que se queima cada ano som uns
mil e duzentos milhons de camions de cinco toneladas cada. Quer dizer, à roda
de umha tonelada por pessoa sobre a Terra e ano.
A madeira consumida anualmente, se se pugesse
em volume, ocuparia umha altura como a da torre Eiffel (300 m) e teria 3,5
km de lado.
A ausência total de propostas sérias de
substituiçom energética, ou mais bem de mudança de modelo de consumo e crescimento
incessante, já indica muito sobre as verdadeiras intençons dos governos mais
consumistas. A escasseza de petróleo é a mais alarmante, pois é o combustível
considerado de maior “qualidade”; quer dizer, é o de mais fácil extracçom,
transporte e sobretodo armazenagem e combustom.
2. QUANTO MAIS FOR QUEIMADO,
PIOR
Se o que os organismos internacionais chamam
de “reservas provadas” pudessem, digamos, até se duplicar, como alguns optimistas
sugerem quando se vem confrontados com este terrorífico quadro, fosse por
arte de magia ou por umha sobreexploraçom das jazidas existentes ou por umha
desesperada busca e afortunada descoberta de novas jazidas, está ainda por
ver se deveria queimar-se todo o combustível fóssil e nuclear que conhecemos
nas reservas actuais e o que podamos encontrar e se o planeta, os seres vivos,
em definitivo, o podem suportar, nom apenas pola poluiçom acrescida de partículas,
que crescerá de forma exponencial, ao serem utilizadas as reservas menos puras,
mas também porque consumir é aquecer e do que se trata é de nom aquecer mais
o ambiente.
As soluçons desesperadas do género
da utilizaçom intensiva e exaustiva de biomassa, partindo de matéria orgánica
que deveria se cultivada, para produzir metanol ou etanol, levariam a cultivos
que duplicariam os 11 milhons de quilómetros quadrados actualmente cultivados
para alimentaçom humana e animal, só para fermentar plantas com destino a
combustível, se há que substituir todo o fóssil e nuclear que hoje é queimado.
As buscas frenéticas de faixas betuminosas
ou de carvons vários para convertê-los em petróleo som um outro exemplo de
fugida para a frente que apenas prolonga a agonia das reservas por mais uns
anos, para deixar o planeta muito mais poluído do que já está e aumentarám
exponencialmente o efeito entrópico; quer dizer, o esforço energético
extra e os efeitos secundários que custará ao planeta Terra pôr estes combustíveis
tam impuros em condiçons de serem usados por motores de combustom interna.
Para os irredutíveis optimistas que continuam
a julgar que os seus governos “darám um jeito a tempo”, deve-se insistir,
umha e outra vez, em que qualquer cousa que produza energia, produz calor
e poluiçom e lança-os para o ambiente e o objectivo deve ser, precisamente,
evitar isto, nom perpetuá-lo.
A deplorável actuaçóm das principais potências
industriais nas últimas conferências mundiais sobre ambiente e o seu posterior
desprezo às recomendaçons, som um segundo sombrio indicador da sua nula vontade
para resolver este delicado asunto e de que as suas vontades apontam mais
para resolver isto pola via das armas, embora saibam de antemao que o pam
que hoje comerám tirando-o aos mais, seja a fame de amanhá para eles próprios.
Além do mais, os que acreditam a falácia
de que o uso mais intensivo das novas tecnologias ajudará a aumentar as reservas
e portanto a produçom, ou os que acreditam que quando aumentar o preço poderám
justificar-se novas técnicas de exploraçom que agora nom som rendíveis para
aumentar essas reservas e produçons, confundem os alhos das imperiosas leis
da física com os bugalhos dos postulados economicistas, nada científicos,
de resto.
Porque, para pôr um exemplo, nos EUA, em
1950, custava um barril de petróleo de energia (exploraçom, perfuraçom, bombagem,
transporte, refinaçom, distribuiçom, etc.) extrair 50 barris. Hoje, com um
barril de petróleo extraem-se só cinco barris e já sabe todo o mundo que em
mais umha década, extrair um barril de energia custará um outro barril na
imensa maioria dos poços estado-unidenses.
Nesta altura, e nesses numerosos sítios,
já nom se extrairám mais barris de petróleo, embora o barril se pugesse a
mil dólares, porque é umha impossibilidade física, nom económica. É o exemplo
da mota que tem um reservatório com autonomia para andar 200 km e a bomba
de gasolina mais próxima está a cem quilómetros. Acontece que a mota nom serve
para nada mais do que para ir e vir encher o reservatório, independentemente
do preço do combustível.
3. CONTRADIÇONS E CINISMOS
ENERGÉTICOS
As duraçons estimadas dos combustíveis
fósseis e nucleares no planeta estám calculadas sobre duas hipóteses: umha
contraditória e a outra cínica. A contraditória é que os dados da Tabela 1
suponhem que o consumo de 2001 se manterám estáveis até esgotar as reservas,
ao passo que a realidade dos modelos económicos imperantes continua a planificar
cegamente crescimentos económicos, ergo energéticos, dentre 2 e 6% cumulativo
anual em quase todos os países.
Umha outra cousa é que as leis físicas,
nom as económicas nem as políticas, vaiam permiti-lo. Umha outra cousa é se
é primeiro o ovo da recessom económica e por isso da queda da procura de combustíveis
ou se se trata da galinha do limite máximo de produçom mundial de petróleo
e isso é o que provoca o freio económico, embora ninguém queira confissá-lo.
De outra parte, o sacrossanto objectivo
de crescer sem limites, 3 % de crescimento anual supom, matematicamente,
duplicar o consumo nuns 25 anos e portanto, encurtar as reservas em proporçom.
Como apontamento, nas três décadas dos anos 60 a 90, a Humanidade tem consumido,
transformado ou queimado mais energia do que em toda a sua história anterior.
Este modelo é insuportável e explodirá sem remédio antes de um quartel de
século.
A hipótese cínica é que os dados de duraçom
de reservas da Tabela 1 estám a supor que os pobres do planeta, que representando
75% da populaçom humana, consumem escassamente 25% da energia, renunciam a
conseguir o nível de bem-estar dos poderosos; quer dizer, renunciam ao “American
way of life” ou mais exactamente, aceitam ficarem nos níveis de consumo actuais.
Se assim nom for, o consumo mundial viria
a multiplicar-se umhas 9 vezes e as reservas mundiais encurtariam numha proporçom
e com umha rapidez que, além de nom poder ser, como dizia o toureiro, resulta
impossível. Isto também di muito sobre a atitude dos poderosos, continuamente
anunciando, de forma hipócrita, que ajudarám os pobres, quando a realidade
mundial está a gritar que nom há vontade nengumha de fazê-lo, enquanto se
continuar com os modelos económicos e forma de vida actuais.
4. O PROBLEMA NOM SE INICIA
COM O FIM DA PRODUÇOM, MAS COM O PICO MÁXIMO DA MESMA
Embora restem escassamente quatro décadas
para acabar o petróleo se se mantiver o ritmo de consumo actual e já se viu
que nom se mantém, senom que nas últimas décadas tem crescido polo menos ao
ritmo de 2% cumulativo anual, o principal problema da falta de energia colocará-se
nom dentro de quatro décadas, senom que começará a manifestar os seus sintomas,
logo que a produçom atingir o seu pico máximo de produçom, que é muito antes.
Kim Hubbert, perito mundialmente famoso
por predizer que os poços de petróleo seguem umha curva em forma de sino,
desde o ponto de descobrimento, passando polo de pico máximo de produçom,
para a seguir declinar inexoravelmente, realizou medidas de multidom de curvas
de exploraçom de poços e chegou à conclusom de que a soma de sinos de cada
poço produz um sino de exploraçom petrolífera de cada país e a somatória dos
sinos de todos os países produtores impom umha curva de exploraçom do petróleo
mundial, também em forma de sino.
Hubbert predixo nos anos 50, com espantosa
exactidom, que os EUA haviam de chegar ao seu topo de produçom em 1970. Os
que na altura o julgárom um louco, hoje veneram-no como o pai das prediçons
petrolíferas. Os EUA começárom o seu declínio, precisamente nesse ano e hoje
produz menos de metade do que em 1970 e deve importar mais de metade do petróleo
que sonsume.
A curva de produçom e reservas dos EUA
é a mais significativa, por ser a mais antiga (os seus poços fôrom os primeiros
a ser explorados ao máximo) de cómo os recursos nom renováveis, como o seu
próprio nome indica, se esgotam sem remédio e sem que a mais impressionante
tecnologia, nem os recursos financeiros mais poderosos podam evitá-lo.
Isto por sua vez tem umha evidente implicaçom
no constante aumento da dependência dos EUA do outro negro e reflecte perfeitamente
os nervosos movimentos de quem arranjou a corda que acabará por enforcá-lo
e começa a ver-se abaixo da árvore, com a sua incessante voracidade e a sua
fé cega e integrista em que o sistema do “American Way of Life” era o melhor
dos possíveis e portanto, nom era matéria de discussom e só podia continuar
a fazer o que sabia: crescer ad infinitum. O seguinte gráfico ilustra
para onde é que vai o futuro nos EUA:
As curvas inexoráveis de Hubbert predim,
segundo quem as interpreta, que o petróleo de todo o mundo chegará ao seu
pico máximo de produçom entre 2004 e 2010 (Colin J. Campbell, Richard C. Duncan,
Walter Youngquist, Jean Lahèrrére e muitas outras fontes que cita com grande
respeito inclusive o grande guru Jeremy Rifkin no seu último livro sobre o
assunto, intitulado “A economia do hidrogénio”).
As diferenças de interpretaçom sobre quando
é que se atinge o pico para cair de forma inevitável vam, no caso dos mais
optimistas, até 2015 ou 2030 (Agência Internacional da Energia (IEA em inglês)
ou o United States Geological Survey, USGS norte-americano. Afinal, ficamos
na mesma, porque mesmo se isso fosse certo, já teria que estar toda a sociedade
industrial em estado de máximo alerta, transformando-se para um outro tipo
de consumo de consumo para chegar em tempo; mas nem há combustível alternativo
aos 40% do consumo enérgetico humano, nem há tempo para transformar toda a
sociedade industrial.
De outra parte, estám os avisos a navegadores
dos geólogos de maior reputaçom mundial, no sentido de que as suas próprias
prediçons de chegar ao pico entre 2004 e 2010 poderiam resultar optimistas
e podermos estar já a tocar o teito, se como receiam, os dados das reservas,
feitos polos principais produtores mundiais nos anos 80 e 90, sempre em alta,
sem relaçom com prospecçons reais, se tivessem dado por motivos espúrios,
como que as quotas da OPEP se davam, em parte, polo volume de reservas que
se lhes supunham, ou também porque quanto maior número de reservas, maiores
créditos nos centros financeiros mundiais.
Mesmo o ano 2020 é amanhá mesmo, em termos
históricos. E aí é que radica o grande problema. Nom em quando se esgotar
totalmente (menos de meio século: também amanhá em termos históricos), mas
em quando se começar a produzir menos em cada ano do que no anterior,
sem remédio e para sempre, por imposiçom das leis físicas. Como vam reagir
os políticos e economistas, que apenas sabem programar crescimentos? E estám
à espera de quê?
Porque esse é o momento da ruptura do sistema
económico cujo dogma é o crescimento contínuo. É o momento em que os ministros
da Economia e os primeiros-ministros tenhem que começar a reconhecer que as
suas economias nom crescerám e nom sabem inventar outra cousa senom o crescimento
económico numha fita sem fim. Veremos mais à frente quais deles som os países
e grupos humanos que mais aginha começarám o seu pranto e ranger de dentes...
5. SOLAR E EÓLICA? SIM, MAS...
As energias alternativas nom aparecem na
Tabela 1, porque continuam a ser insignificantes a nível mundial em 2002.
O problema de substituir com energia solar e/ou eólica os consumos tradicionais
actuais e futuros, no pouco tempo de que se dispom, é que a sua produçom é
basicamente em forma eléctrica e esta forma de energia é hoje só 12,5% do
consumo total mundial (embora polos rendimentos mundiais de transformaçom
tenham de queimar para isso cerca de 27% dos combustíveis fósseis e 100% dos
nucleares).
Assim, além de ter de produzir sistemas
solares e/ou eólicos para substituir os combustíveis fósseis e nucleares nas
poucas décadas disponíveis, o que poderia ser tecnicamente impossível, cumpriria
reestruturar, no mínimo, três quartas partes da sociedade industrial
mundial que hoje consome em forma nom eléctrica. E isso já é umha obra de
envergadura ciclópica.
Pensemos que, se ter a infraestrutura actual
nos custou queimar metade da energia fóssil e cento e cinqüenta anos de trabalho
em todo o mundo, transformar, no mínimo 70% da mesma em duas décadas pode
levar-se o resto da energia fóssil disponível. E depois, quê?
Um quereria acreditar que isto é também
possível, como sugerem as organizaçons ecologistas e como acredita o inefável
novo apóstolo do hidrogénio, Jeremy Rifkin, mas a partir da orientaçom puramente
belicista que estám a tomar os países mais industriais à volta das fontes
convencionais de energia, semelha que já descartárom essa opçom e movem-se
apenas pola senda de extermínio bélico de todo potencial adversário dos recursos
minguantes do planeta.
Sistemas como a aviaçom civil mundial,
os exércitos ou a maquinaria agrícola, como os tractores, som impossíveis
de imaginar com propulsom eléctrica. O transporte marítimo, a maquinaria de
obras públicas e mineira, de difícil aproveitamento e o transporte terrestre
também, salvo que mudem drasticamente os modelos sociais, algo que nem sequer
se vê bosquejado, de forma séria.
Por último, convém precisarmos que a substituçom
a esta escala planetária representaria, com as células fotovoltaicas de maior
rendimento, ocupar entre 250.000 e um milhom de quilómetros quadrados de superfície
de continentes em zonas muito ensolaradas e suporiam umha complicada transferência
das zonas de produçom às actuais de consumo e das zonas diurnas às nocturnas
e por ser também muito difícil o armazenagem das enormes quantidades de energia
procuradas.
Se bem que sempre preferível ao fóssil
e ao nuclear, o solar devém em algo nom tam ecológico, se há que fazê-lo a
essa escala. E isso sem considerar que, do ponto de vista energético é bastante
duvidoso que umha célula fotovoltaica nom consuma mais energia (fóssil geralmente)
na sua produçom, que a que vai gerar ao longo da sua vida útil toda, estimada
nuns 30 anos. Algo similar acontece com a energia eólica.
6. NUCLEAR? NOM, OBRIGADO.
Quanto às energias nucleares alternativas,
fala-se na fusom, mas este artigo nem a considera, por várias razons. Umha
delas som as ingentes perdas calóricas que teria (por volta de 80% da energia
útil, que multiplicaria exponencialmente os problemas do aquecimento atmosférico).
Aliás, semelha pouco realizável a instalaçom
de cerca de 8.000 centrais nucleares que teriam de ser construídas, de potência
similar às 430 actuais em serviço, que mal achegam hoje 7% das necessidades
humanas de energia. Nem há dinheiro para fazer tantas centrais em tam pouco
tempo, nem há reservas de uránio para alimentá-las, se se figessem.
Porque se há agora uránio para 60 anos
a 6 ou 7% de contribuiçom energética mundial, se a energia nuclear tivesse
que atingir, digamos 50% do consumo energético mundial, restaria uránio para
escassamente umha década, que é, como mínimo, o tempo que se demoraria a construir
umhas 200 centrais nucleares, se houvesse dinheiro e fé em que havia de servir
para qualquer cousa. O do toureiro: o que nom pode ser, nom pode ser e, além
diso, é impossível.
A energia de fusom, dim que poderia ser
umha alternativa, mas é que se tivesse hipotese de estar comercialmente disponível
antes de um século, o que é muito improvável, por nom dizer impossível supondo
que os pobres podam pagar estas custosíssimas e pouco duradeiras estruturas
e que o combustível, que se di ilimitado (quando se referem ao deutério),
nom se esgota, como o uránio, porque a reacçom, no único modelo que se experimenta,
requer também um isótopo radioactivo de trítio, que sai do lítio, que também
é muito escasso na crosta terrestre.
Além, é claro, de produzir somente
electricidade, com o problema que antes se assinalou ao respeito.
7. O HIDRÓGENIO E AS PILHAS
DE COMBUSTÍVEL: O NOVO MITO OU O BÁLSAMO DE FIERABRÁS
Desde há alguns anos, estám a desenvolver-se
grandes campanhas que julgo intencionalmente planificadas, para fazer ver
que o hidrogénio é a nossa fonte de salvaçom e que tratam de apresentá-lo
como o combustível do futuro, limpo, ecológico, nom poluidor e ilimitado.
A campanha tivo o apoio, como ramo, do famoso Jeremy Rifkin, autor de “O fim
do trabalho”, quem agora publicou “A economia do hidrogénio”.
Igual que com “O fim do trabalho”, o seu
espectacular arranque de voo de perdiz, com montes de dados bem elaborados,
que contam grandes verdades, conclui com um final de galináceo. Se, no fim
do trabalho, a sua brilhante exposiçom sobre os males que afligem o mundo
moderno, finda com um convite para que os postos que destrui o maquinismo
e a brutalidade capitalista sejam supridos com voluntariados, ONG’s e restantes
corpos de paz; em “La economia do hidrogénio, a sua nom menos brilhante exposiçom
dos males que afligem o mundo industrial e capitalista e o esgotamento iminente
e inexorável do petróleo findam com umha apologia do hidrogénio digna de melhor
causa.
A relevante posiçom de Rifkin, como assessor
de muitos governos ocidentais em temas variados, cobrador de conferências
e guru das sociedades modernas, tem feito com que a sua conclusom, nom por
ser tam acientífica, como científica é toda a sua exposiçom prévia, nom tenha
sido desprezada: a Uniom Europeia acaba de dotar mais de dou mil milhons de
euros aos desenvolvimentos energéticos alternativos, nomeadamente os baseados
no hidrogénio. Seguramente esse fosse o propósito: que os sumarentos fundos
europeus fossem cair às maos dos que som assessorados por Rifkin; terminarám
em maos de grandes multinacionais como BMW, Volkswagen, Mercedes e restantes
multinacionais francesas e alemás que já levavam tempo a dizer que andam a
investir nestes desenvolvimentos.
Mas o problema do hidrogénio é que nom
é umha fonte de energia; é, no melhor dos supostos, um simples
transportador de energia e mais acertadamente, um sumidouro
de energia. Quer dizer, o hidrogénio nom se acha livre na natureza, como o
petróleo, o gás ou o carvom e portanto, obter hidrogénio custa também energia.
Quando alguém extrair xis unidades de energia
da natureza e para isso empregar menos de xis unidades de energia, a matéria
base obtida será denominada fonte de energia. Mas se, como no
caso do hidrogénio, para separar este elemento do composto químico em que
se achar (quer seja ele a água, muito abundante, ou o gás natural, de que
actualmente se extrai metade do hidrogénio que se produz no mundo) gasta-se
mais energia para obtê-lo do que o que a seguir proporciona o hidrogénio quando
se queima, o assunto vai mal: temos um sumidouro de energia.
Tal dim as leis da termodinámica e tal
di o próprio Rifkin no início do seu livro, mas a seguir, como muitos outros,
esquece a lei mais inquebrantável do universo e começa a brincar com as maquininhas
de movimento perpétuo, proibidas expressamente pola física e pola razom, por
muito bem que as pintem. Som equaçons tam bonitas e desejáveis quanto impossíveis:
som como a escada fechada em quatro troços que pintam com falsa perspectiva
e que sempre sobe ou desce indefinidamente.
Se existissem essas máquinas de movimento
perpétuo ou essas maravilhosas escadas, todos escolheríamos chegar ao ponto
desejado descendo, que é mais cómodo, nunca subindo. Assim que os inventores
do motor a água que nom polui, já podem ir explicando com que outra energia
é que vam tirar o hidrogénio que impulsionará a sua sociedade futura. E tenhem
de explicar com mais pormenor do que o Rifkin, para acreditarmos, porque se
para tal recorrerem à energia eólica ou à solar, nom adianta tentarem.
UM ÓBVIO E PERIGOSO DESEQUILÍBRIO
A
evidência da premente escasseza energética das próximas décadas ou anos torna
ainda mais patente para os grandes consumidores quando se analisa a desequilibrada
relaçom entre as produçons, os consumos e as reservas dos principais países,
como se vê nas Tabelas 2 e 3.
Tabelas 2 e 3. BALANÇO ENERGÉTICO
DE PETRÓLEO E GÁS NAS PRINCIPAIS ÁREAS
|
Estatísticas de energia de British Petroleum 2001
|
Reservas de petróleo em finais de 2000 (em milhares de barris)
|
Produçom de petróleo em milhares de barris/ano
|
Consumo de petróleo em milhares de barris/ano
|
Relaçom reservas/produçom
|
Relaçom reservas/consumo
|
|
EUA
|
29.700.000
|
2.679.770
|
6.485.770
|
11,1
|
4,6
|
|
Canadá
|
6.400.000
|
937.660
|
614.150
|
6,8
|
10,4
|
|
Total Europa
|
19.100.100
|
2.406.430
|
5.510.050
|
7,9
|
3,5
|
|
Japom
|
|
|
1.911.650
|
0,0
|
0,0
|
|
TOTAL GRUPO 1
|
55.200.000
|
6.023.860
|
14.521.620
|
9,2
|
3,8
|
|
Federaçom Russa
|
48.600.000
|
2.261.110
|
856.350
|
21,5
|
56,8
|
|
Outros antiga URSS
|
700.000
|
44.980
|
39.790
|
15,6
|
17,6
|
|
China
|
24.000.000
|
1.122.770
|
1.674.640
|
21,4
|
14,3
|
|
TOTAL GRUPO 2
|
73.300.000
|
3.428.860
|
2.570.780
|
21,4
|
28,5
|
|
Kuwait
|
96.500.000
|
743.900
|
55.360
|
129,7
|
1743,1
|
|
Omám
|
5.500.000
|
332.160
|
|
16,6
|
|
|
Qatar
|
13.200.000
|
275.070
|
8.650
|
48,0
|
1526,0
|
|
Arábia Saudita
|
261.700.000
|
3.164.170
|
461.910
|
82,7
|
566,6
|
|
Emirados Árabes
|
97.800.000
|
870.190
|
96.880
|
112,4
|
1009,5
|
|
Iemem
|
4.000.000
|
152.240
|
|
26,3
|
|
|
Outros Oriente Médio
|
200.000
|
17.300
|
475.750
|
11,6
|
0,4
|
|
México
|
28.300.000
|
1.193.700
|
636.640
|
23,7
|
44,5
|
|
Brunei
|
1.400.000
|
67.470
|
|
20,7
|
|
|
TOTAL GRUPO 3
|
508.600.000
|
6.816.200
|
1.735.190
|
74,6
|
293,1
|
|
Irám
|
89.700.000
|
1.304.420
|
4.04.820
|
68.8
|
221,6
|
|
Iraque
|
112.500.000
|
908.250
|
|
123,9
|
|
|
Argélia
|
9.200.000
|
546.680
|
67.470
|
16,8
|
136,4
|
|
Líbia
|
29.500.000
|
510.350
|
|
57,8
|
|
|
Nigéria
|
22.500.000
|
728.330
|
|
30,9
|
|
|
Angola
|
5.400.000
|
254.310
|
0,99
|
21,2
|
|
|
Colômbia
|
2.600.000
|
245.660
|
79.580
|
10,6
|
32,7
|
|
Venezuela
|
76.900.000
|
1.119.310
|
171.270
|
68,7
|
449,0
|
|
Indonésia
|
5.000.000
|
494.780
|
368.490
|
10,1
|
13,6
|
|
TOTAL GRUPO 4
|
353.300.000
|
6.112.090
|
1.091.631
|
409
|
853
|
|
Azerbeijám
|
6.900.000
|
103.800
|
51.900
|
66,5
|
132,9
|
|
Kazakhstám
|
8.000.000
|
257.770
|
43.250
|
31,0
|
185,0
|
|
Turkmenistám
|
500.000
|
51.900
|
32.870
|
9,6
|
15,2
|
|
Uzbekistám
|
600.000
|
474.020
|
174.730
|
33,8
|
91,6
|
|
TOTAL GRUPO 5
|
16.000.000
|
474.020
|
174.730
|
33,8
|
91,6
|
|
TOTAL MUNDIAL
|
1.046.450.000
|
25.780.460
|
25.571.130
|
40,6
|
40,9
|
|
Gás natural. Estatísticas 2000
|
|
|
|
Importaçons 2000, em mihares de milhons de m3
|
|
|
País/Regiom
|
Reservas
em milhares de milhons de m3
|
Produçom
2000. Em milhares de milhons de m3
|
Consumo
2000. Em milhares de milhons de m3
|
Por gasoduto
|
Por barco
(gás liquado)
|
Relaçom
reservas /produçom
|
Relaçom
reservas /consumo
|
|
EUA
|
4.740
|
555,6
|
654,4
|
101,87
|
7,44
|
8,5
|
7,2
|
|
Canadá
|
1.730
|
167,8
|
77,8
|
1,67
|
|
10,3
|
22,2
|
|
TOTAL EUROPA
|
5.220
|
287,9
|
458,8
|
244,42
|
32,4386
|
18,1
|
11,4
|
|
Japom
|
|
|
76,2
|
|
72,43
|
0,0
|
0,0
|
|
TOTAL GRUPO 1
|
11.690
|
1.011
|
1.267
|
348
|
112
|
11,6
|
9,2
|
|
Federaçom Russa
|
48,140
|
545.0
|
377,2
|
|
|
88,3
|
127,6
|
|
Outros antiga URSS
|
20
|
0,4
|
7,9
|
|
|
50,0
|
2,5
|
|
China
|
1,370
|
27,7
|
24,8
|
|
|
49,5
|
55,2
|
|
TOTAL GRUPO 2
|
49.530
|
573
|
410
|
0
|
0
|
188
|
185
|
|
Kuwait
|
1.490
|
9,6
|
9,6
|
|
|
155,2
|
155,2
|
|
Omám
|
830
|
8,5
|
|
|
|
97,6
|
|
|
Qatar
|
11.150
|
28,5
|
14,5
|
|
|
391,2
|
769,0
|
|
Arábia Saudita
|
6.050
|
28,5
|
14,5
|
|
|
128,7
|
128,7
|
|
Emirados Árabes
|
6.010
|
39,8
|
33,4
|
|
|
151,0
|
179,9
|
|
Iemem
|
480
|
17.300
|
475.750
|
|
|
0,0
|
|
|
Outros Oriente Médio
|
290
|
7,5
|
21,6
|
|
|
38,7
|
13,4
|
|
México
|
860
|
35,8
|
35,5
|
3,33
|
|
24,0
|
24,0
|
|
Brunei
|
390
|
11,6
|
1.735.190
|
|
|
0,0
|
|
|
TOTAL GRUPO 3
|
27,550
|
188
|
162
|
3
|
0
|
987
|
1.270
|
|
Irám
|
23.000
|
60,2
|
62,9
|
2,63
|
|
382,1
|
365,7
|
|
Iraque
|
3.110
|
|
|
|
|
0,0
|
|
|
Argélia
|
4.520
|
89,3
|
24,4
|
|
|
50,6
|
185,2
|
|
Líbia
|
1,310
|
5,5
|
|
|
|
238,2
|
|
|
Nigéria
|
3,510
|
11,0
|
0,99
|
|
|
319,1
|
|
|
Angola
|
|
|
|
|
|
0,0
|
|
|
Colômbia
|
200
|
5,9
|
5,9
|
|
|
33,9
|
33,9
|
|
Venezuela
|
4.60
|
27,2
|
27,2
|
|
|
152,9
|
152,9
|
|
Indonésia
|
2.050
|
63,9
|
27,8
|
|
|
32,1
|
73,7
|
|
TOTAL GRUPO 4
|
41.860
|
263
|
148
|
3
|
0
|
159,2
|
282,5
|
|
Azerbeijám
|
850
|
5,3
|
5,4
|
|
|
160,4
|
157,4
|
|
Kazakhstám
|
1.840
|
10,7
|
8,0
|
|
|
172,0
|
230
|
|
Turkmenistám
|
2.860
|
43,8
|
12,6
|
|
|
65,3
|
227,0
|
|
Uzbekistám
|
1.870
|
52,2
|
49,8
|
|
|
35,8
|
37,6
|
|
TOTAL GRUPO 5
|
4.420
|
112
|
76
|
|
|
66,3
|
97,9
|
TOTAL MUNDIAL
|
150,190
|
2.422,3
|
2.404,6
|
|
|
62,0
|
62,5
|
As conclusons
som também imediatas:
1. PRIMEIRO MUNDO: VORACIDADE SEM LIMITES
No grupo 1, EUA e os países europeus tenhem
umha produçom importante, mas umhas reservas alarmantemente esgotadas: só
quatro ou cinco anos, se tivessem de viver com os seus próprios recursos e
só um par de décadas, se mantenhem o nível de importaçom actual de petróleo
estável (60% do total que consomem; semelha incrível que nom se esteja a falar
deste facto incontestável!).O Japom, que nom tem nem produçom própria
nem reservas, está numha situaçom ainda muito mais dramática e frágil e à
vista da situaçom de esgotamento dos seus poços, cada ano mais a partir de
agora, sem contarmos com que os seus programados aumentos de produçom económica
obrigam a um aumento encessante da produçom energética, fazendo ainda mais
aguda a dependência do exterior.
Leve-se em conta que a Europa atinge nestes
momentos o pico de produçom, que os EUA já o ultrapassárom em 1970, mas ao
serem as suas reservas totais menores e o seu consumo quase tam alto como
o norte-americano, o seu declínio será igualmente rápido e doloroso.
Todos eles necessitam com urgência
as produçons dos países produtores, e os seus volumes de procura de petróleo
importado, que nom cessam de aumentar para manter a maquinaria em funcionamento,
exigem produtores importantes, além de secundários, para saciar momentaneamente
tam tremendo apetite.
No caso dos EUA ou a Europa, as suas reservas
actuais abaixo do solo, somadas a umha política de armazenagem massiva em
tanques (o que se denomina nos EUA a “reserva estratégica”, que é de uns seis
meses de consumo nacional e na Europa deve andar por mais algo de três), permite-lhes
salvar, com as suas produçons próprias, algum momento pontual de possível
desabastecimento exterior, o que lhes confere umha certa invulnerabilidade
estratégica a curto prazo.
Mas o elevado consumo e as praticamente esgotadas reservas
próprias dos países deste grupo tão voraz obrigam-nos, de forma cada
vez mais premente, a assegurarem-se também da continuidade do fluxo energético
dos países produtores a mais longo prazo.
O aumento da dependência petrolífera dos países ricos ocidentais do grupo
1 da tabela 2 é a verdadeira "mae de todas as batalhas", que está
a criar tensons mundiais cada vez mais evidentes. As suas minguantes reservas
nacionais e umha economia cada vez com mais apetite energético fôrom-nos obrigando
a "submeter" cada vez mais países produtores às suas exigências
de consumo.
O grosso dos países que se poderiam denominar "amigos"
no golfo Pérsico (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados, Qatar e outros), ou dos
Brunei no sudeste asiático e o México no pátio traseiro dos EUA, asseguravam,
até agora e ainda durante talvez mais alguns anos, um fluxo contínuo e barato
de petróleo.
75- Mas a procura dispara à medida que a economia cresce e
os poços mundiais começam a atingir o teito e muitos já estám em franco declínio.
Nom menos de 14 dos 42 países principais já estám na lado declinante da curva
de Hubbert e cada ano consegue-se-lhes "mugir" menos petróleo.
Este duplo efeito pom muito nervosos tanto os principais consumidores
como os produtores. Assim, alguns países deixam de ser "estáveis"
(ou seja, obedientes na oferta de um fornecimento contínuo e barato, como
se lhes exige) e outros, que estavam fora da sua órbita de obediência ou dela
se afastaram, vai-se-lhes "estabilizando" de bom grado ou pola força.
A bota militar norte-americana entrou na Arábia Saudita, no Kuwait e nos Emirados
com a desculpa da invasom do Kuwait polo Iraque, em 1990, e todo indica que
os 12 anos de presença infiel nos lugares mais santos do Islám vam-se converter
numha eternidade tam grande quanto a duraçom das reservas que ali os mantenhem.
Já ninguém se lembra da famosa visita da embaixadora norte-americana em Bagdad
a Saddam Hussein no dia anterior à invasom.
2) SEGUNDO MUNDO: AUTO-SUFICIÊNCIA BÁSICA A CURTO PRAZO
A Rússia (com a Comunidade de Estados Independentes, CEI) e
a China resolvem os seus consumos basicamente com as suas produçons actuais,
mas nem sequer a Rússia passa do meio século com o seu próprio consumo e do
quarto de século se continuar a exportar ao ritmo actual para obter divisas
e pagar as dívidas que contraiu com o sistema financeiro capitalista mundial,
especialmente agravadas após a queda do comunismo.
A Rússia, que tem metade da populaçom dos EUA, consome oito vezes menos energia
e resta-lhe quase o dobro de reservas que as dos EUA –considerando a Chechenia
parte indissolúvel da Rússia.
É lógico que a sua posiçom estratégica quanto a isto seja defender,
por todos os meios, as suas próprias jazidas dos apetites dos mais consumistas
(a forma em que estám a esmagar as tentativas na Chechenia e o interesse ocidental
em que a Rússia mantenha essa ferida aberta, possivelmente alimentando-a,
assim parece indicar) e por outro lado que adoptem atitudes críticas quanto
às tentativas do grupo 1 de ficar com a exclusividade das reservas dos países
dos grupos 3 e 4.
Os pouco mais de três lustros de produçom e consumo petrolífero
que restam à China, com os seus recursos próprios, dam a este país um pouco
mais de corda que aos EUA e Europa e um pouco menos que à Rússia. A China,
que tem umha populaçom cerca de quatro vezes maior que os EUA, consome quatro
vezes menos que o colosso. Isto significa que cada norte-americano equivale
a 15 chineses, energeticamente falando.
O grande problema da China é que, com o seu sistema híbrido
de comunismo para consumo interno e capitalismo selvagem para o exterior,
está muito comprometida com crescimentos económicos, ergo energéticos,
da ordem dos 5% ao ano. Se conseguirem manter esse modelo de crescimento mais
dez anos estarám a enfrentar os EUA e a Rússia na luita polos recursos do
golfo Pérsico.
A invasom do Afeganistám –que ao contrário do que dérom a entender
os media ocidentais nom tem recursos energéticos (nem petróleo nem gás), mas
é um país ponte entre a China e o golfo Pérsico– tem assim umha justificaçom
económica e estratégica inquestionável.
Outros media destacaram que se o Afeganistám nom tem recursos, os países fronteiriços
(aqueles do grupo 5 da tabelas 2 e 3) sim tenhem imensas reservas e esta é
a razom oculta da invasom. Os dados da British Petroleum desmentem-no claramente:
apenas uns 2% das reservas mundiais de petróleo e gás natural, cuja produçom
actual, além disso, é consumida por eles próprios.
Isso nom serve nem de aperitivo para a voracidade estado-unidense
e europeia.
3) TERCEIRO E QUARTO MUNDO: OS PILHADOS
As reservas dos grupos 3 e 4 som na realidade o grosso das
reservas mundiais para o meio século que resta de existência à civilizaçom
industrial. Para os países do grupo 1, o imediato é que essas reservas nom
sejam reclamadas por ninguém como suas, ainda que no momento aceitem que pequenas
quantidades se destinem a países terceiros.
Isto resolve-lhes os próximos anos de consumo. Nom podem permitir
que este princípio sagrado seja questionado nem por países terceiros nem por
nacionais destes mesmos países. Nom podem permitir sequer que os seus proprietários
nominais se atrevam a ditar-lhes nem sequer umha política de preços do crude.
A cronologia dos factos na área desde finais dos anos 70 é reveladora quanto
a isto.
Umha imprevista mudança de governo e de controle do Irám, que
realmente chega a aterrorizar os países do grupo 1 (este é o verdadeiro sentido
do terror na área: o de que os países do grupo 1 podam perder o controle
dos recursos energéticos dos países dos grupos 3 e 4).
O subseqüente ataque iraquiano ao Irám, apenas um ano depois,
muito promovido e apoiado polos países do grupo 1, que tivo como conseqüência
a destruiçom de muitas vidas humanas e graves desastres sociais, económicos
e militares no Irám e no Iraque, a perda da capacidade negociadora de ambos
com os países do grupo 1, o afundamento dos preços do petróleo e o certificado
de óbito operacional da OPEP.
O preço do petróleo bruto nom só nom subiu nas duas décadas
seguintes como baixou de uns 30 para uns 12 dólares por barril. Com os dados
de produçom da Tabela 1 poderia-se fazer um cálculo grosso daquilo que deixárom
de receber os países produtores e do que deixárom de pagar os principais consumidores.
Excelentes notícias para o Ocidente.
O aparecimento de militares norte-americanos na Arábia Saudita
para, a partir dali, proporcionar um silencioso e efectivo apoio logístico
(AWACS) ao Iraque, durante a sua primeira guerra com o Irám e as primeiras
tímidas recusas de alguns sauditas, pola quantidade de tradiçons islámicas
que violavam. Esta presença converteu-se em permanente.
A estranha invasom do Kuwait polo Iraque, em 1990, um dia depois da visita
da embaixadora norte-americana em Bagdad a Saddam Hussein, que justificou
a presença militar maciça, que umha década depois tornou-se claro que se converteu
em permanente, dos exércitos dos países do grupo 1 no golfo Pérsico e que
estes países poderiam pôr as reservas do Iraque em quarentena.
Isto apesar de lhes ter custado que, na sua queda do cavalo,
o despeitado Saddam Hussein, por duas vezes manipulado polos países do grupo
1, lhes queimasse 1% de todas as reservas mundiais de petróleo, dinamitando
todos os poços kuwaitianos, antes da sua vergonhosa retirada deste país, criado
também polos mesmos delinqüentes que criárom o Brunei.
De facto, a única cousa em que Saddam Hussein tivo razom foi em denominar
a isto "a mae de todas as batalhas", ainda que a verdadeira seja,
antes, aquela que se vai verificar até ao final em todo o grande resto dos
recursos energéticos do golfo Pérsico. Se nom tivesse existido Saddam Hussein,
os países do grupo 1 teriam que inventar um: é o tonto útil perfeito.
O que é mais importante, para os países do grupo 1, é que o Ocidente consagrou
convincentemente o papel de terrorista, radical, fanático, integrista ou fundamentalista
a todo aquele que se lhes oponha naquela área.
A partir de agora, todo aquele que questione a presença de
tropas estrangeiras (leia-se norte-americanas) no golfo Pérsico, ou que tenha
tido a desgraça de possuir debaixo do seu solo importantes reservas das poucas
que vam restando, sem ter subordinado a sua política e seus recursos a umha
obediência cega ao Ocidente, será um terrorista mundial e, como tal, declarado
inimigo público número 1 da civilizaçom ocidental e dos valores democráticos
e servirá para justificar ainda mais a presença militar estado-unidense e
os golpes baixos às infra-estruturas destes já castigados países.
O caso de Bin Laden é de manual: enquanto o seu objectivo foi
lançar russos para fora do Afeganistám, foi apoiado e abundantemente armado
pola CIA e pola condescendente monarquia saudita, tam louvada entom quanto
criticada agora.
Ninguém, a nom ser os russos, questionava entom os seus métodos
terroristas. Basta ir às videotecas e alugar Rambo III, se é que nom foi retirado
por pudor para ocultar as misérias da propaganda de Hollywood.
Nele, um asselvajado Silvester Stallone apoiava descaradamente
os simpáticos talibáns. Os Bin Laden de entom eram bem louvados polo Ocidente
como "Freedom Fighters", ou combatentes pola liberdade, enquanto
punham bombas nos mercado de Cabul, rebentavam dezenas de civis para apanhar
algum oficial soviético em compras.
Mas quando, umha vez expulsos os russos do Afeganistám, atreveu-se a fixar
como objectivo que também os militares norte-americanos saíssem da sua terra,
o que tivo de sair foi ele e agora todos os atentados do planeta, tenha-os
ou nom cometidos, serám postos na sua conta e será perseguido sem quartel
até à sua eliminaçom, como exemplo.
Com esta estratégia, os países do grupo 1 dedicam-se a "mugir"
intensa e cientificamente as reservas dos países controlados dos grupos 3
e 4. A alguns países, como o Iraque, a Líbia e o Irám, parecia ter sido atribuído
o papel de reserva final do petróleo bruto mundial.
Naturalmente estám a ser conscientemente mantidos, polos EUA
e os restantes países do grupo 1, em estado de "animaçom suspensa",
a golpes de bloqueio e isolamento económico e militar, como se deduz da Tabela
2 polas suas produçons actuais, até que as reservas dos demais dos grupos
3 e 4 se vaiam esgotando.
Nos próximos anos assistiremos a progressivos endurecimentos
destas condiçons nos países estigmatizados polas listas negras do omnipotente
Departamento de Estado norte-americano, ou a castigos muito severos, sempre
com a bandeira do anti-terrorismo, a todo aquele que tente mover-se e quando
lhes chegar o momento, da sua maravilhosa conversom ao jogo democrático, com
mudança do líder terrorista nom homologado por líder democrático homologado,
que abrirá sem condiçons as últimas torneiras aos seus também democráticos
colegas do Grupo 1.
As recentes atitudes extremamente agressivas dos EUA em relaçom
ao Iraque em particular e as intoleráveis atitudes racistas e de discriminaçom
dos mil milhons de mussulmanos, aos quais o secretário da Defesa decidiu fichar
se cruzarem qualquer fronteira dos EUA, nom som senom umha confirmaçom de
que até as reservas que estavam em "animaçom suspensa" começam a
ter de ser utilizadas. É o princípio do fim. O ditador e genocida Saddam só
tem razom numha cousa: a mae de todas as batalhas vem aí.
4) O QUINTO MUNDO: AS NOM-PESSOAS. A MAE DE TODAS A BATALHAS JÁ CÁ ESTÁ.
O aviso final que este artigo tenciona dar aos cidadaos que vivem confortavelmente
nos países do hoje privilegiado grupo 1 é que nom devem pensar que os males
que padecem os países do grupo 3 e especialmente os proscritos ou semiproscritos
do grupo 4, assim como a mortandade sem precedentes e sem preocupaçom do resto
dos países da Terra, som boas notícias para eles e para o seu padrom de vida
consumista e ocidental.
E menos ainda para os seus filhos e netos. Até mesmo no caso de terem êxito
no seu empenho estratégico, ou seja, mesmo que consigam umha paz de cemitério
nos países produtores enquanto eles continuam a consumir à larga, quando o
quinto mundo estiver praticamente desaparecido e o terceiro e o quarto estiverem
muito exauridos, terám de acabar luitando entre si.
Algumhas reacçons de distanciamento ou dissensom da França
e da Alemanha em relaçom a acçons dos EUA no Golfo e sobretodo no Magreb,
ao qual a Europa nom pode renunciar devido aos fluxos de gás que a alimentam,
ou as disputas em bolsas petrolíferas residuais, como as da R. D. do Congo
ou Angola assim começam a indicar. A oposiçom da Rússia e da China, com muito
medo e precauçom mas com insistência, às manobras
de invasom permanente do golfo Pérsico também corroboram esta opiniom.
O resto dos países do mundo, cujos magros consumos actuais
serám previsivelmente os primeiros a deixar de serem abastecidos polos países
produtores, quando a produçom mundial de bruto alcançar o topo, em muito poucos
anos, talvez agora mesmo, e comece a cair pola pendente da curva de Hubbert.
Em muito poucas décadas todos nós estaremos a luitar polos
últimos barris das jazidas. De facto, a luita já principiou, ainda que os
cidadaos dos países do grupo 1 ainda nom se tenham dado conta porque nom sofrêrom
na sua carne (guerra Irám-Iraque; bloqueio e isolamento do Irám; bloqueio
e isolamento do Iraque; segundo ataque "aliado" ao Iraque; guerra
permanente em Angola; guerra aberta na Chechénia; ataque aéreo à Líbia; bloqueio
e isolamento da Líbia; apoio mal dissimulado ao governo pró-ocidental argelino,
para arrebentar umhas eleiçons que escapavam à rotina e perpetuaçom da situaçom
de guerra civil por omissom activa; preparaçom de "forças de pacificaçom"
do norte da África na NATO, como que por acaso, entre outros indícios) e sobretodo,
a cunha artificial de Israel, imposta a ferro e fogo sobre o genocídio palestino
e contra as tam numerosas quanto inúteis disposiçons de umha ONU manipulada
e impotente à qual os EUA castigam com o veto reiterado, para dispor de um
porta-avions ocidental na zona, a partir do qual descarregue os golpes contra
todos os islámicos que se movam.
Os serviços de inteligência do mundo ocidental sabem muito
bem (se está até nas estatísticas públicas, como nom vam saber?) que os países da OPEP detenhem hoje mais de 78% das reservas
mundiais de petróleo e que no ano 2008 da OPEP produzirá mais que o resto
dos países produtores do mundo. No ano 2020, os cinco principais países da
OPEP (Arábia Saudita, Iraque, Irám, Kuwait e Emirados Árabes Unidos) produzirám
mais petróleo que o resto dos países do mundo e suas reservas serám mais de
90% das reservas mundiais de petróleo.Os serviços de inteligência e militares da maioria dos países
sabem-no e tenhem de estar a trabalhar com as curvas publicadas e conhecidas
das produçons actuais e previstas, com o estado das reservas provadas de petróleo
e sobretodo com sua previsível evoluçom para baixo, em praticamente todos
os casos, a partir da próxima década.
Essas curvas, já mostradas para os EUA, a Europa e o mundo
geral, som mais que dramáticas para as restantes grandes regions do planeta:


A
experiência com a própria situaçom da produçom, consumo e reservas dos EUA
é muito significativa; é essa trágica história que nem a mais sofisticada
tecnologia, nem os gigantescos recursos financeiros tenhem podido evitar que
escorregue, sem remédio, para baixo na curva de Hubbert (expressom do próprio
Rifkin, que seguramente a tomou dos conceitos, já conhecidos polos geólogos,
de “slope”, “slide” e “cliff” (declínio, escorregamento e precipício) para
qualificar as três fases, cada umha mais marcada do que a anterior, da queda
pola curva de Hubbert.
O
esgotamento imediato (em termos históricos) do petróleo é tam imparável, como
a chegada ao topo de produçom máxima de produçom petroleira nos EUA. Mas há
outros dados igualmente alarmantes: desde 1979, o consumo mundial per capita
de energia tem ido diminuindo também imparavelmente, porque os crescimentos
de última hora só pudérom ser, na parte encurtada superior da curva de consumo
mundial, inferiores ao crescimento global da populaçom.
Alguém, e esse alguém contabiliza-se em
silenciosas centenas de milhons de seres humanos, está a perder poder energético,
ergo económico e aquisitivo; quer dizer, vital, desde 1979, e nós,
sem repararmos.
Mas há um outro dado igualmente preocupante:
desde 1969, os achados de novos poços petrolíferos nom fijo mais do que diminuir.
Hoje acha-se um novo barril de petróleo por cada quatro que se consumem e
como as reservas existentes estám taxadas, adivinha quem vem reduzir drasticamente
estas. A falta de achados nom se deve a que se tenha perdido o interesse polo
petróleo; muito polo contrário, tenhem-se feito investimentos gigantescos
sem resultado. Hoje acha-se menos de 15% do que se achou em 1969.
A queda dos achados também segue umha curva
como a de Hubbert e já está muito abaixo. Se a matemática nom falha, ninguém
pode achar mais petróleo do que se acha, logo o topo de achados de 1969 é
o lôstrego que nos avisa que o inevitável trovom do topo máximo de produçom
está a chegar.
Estas som, seguramente, as primeiras partes
de um todo na “mae de todas as batalhas” e aumentarám quando os países do
grupo 4 conseguirem armas de destruiçom em massa, que os dos grupos 1 e 2
insistem em ter em exclusividade. Desde o do Paquistám e a Índia, estám mais
perto.
O gás natural, em que muitos situam as
suas expectativas para a) substituir gradativamente o petróleo ou b) para
produzir outros combustíveis, como o que mais na moda está, o hidrogénio,
é claro que nom vam poder suportar essa pressom.
Se agora o mundo industrial consome 40%
de toda a sua energia em forma de petróleo e o gás mal consome puco mais de
metade do seu equivalente energético (incluindo montes de variantes nitrogenadas
para fertilizantes) e apesar desse menor consumo, restam-lhe reservas provadas
similares às do exausto petróleo; se tivesse de substituir este, duraria o
que um rebuçado à porta de umha escola, para nom falarmos das dificuldades
materiais em toda a indústria para a sua substituiçom.
Para além do mais, o gás natural tem umha
pior capacidade de armazenamento e transporte. Ver a Tabela 3 com os movimentos
mundiais é concluir que a maior parte de gás que se consome no mundo se fai
a muito pouca distáncia dos poços de origem. O gás que se envia liquado em
buques tanque ou por gasoduto entre países que nom sejam estritamente fronteiriços
é irrelevante, salvo o caso do norte de África com o sul da Europa e da Rússia
com o norte da Europa.
No filme “2001, umha odisseia no espaço”
da obra de Arthur C. Clarke, há umha cena, no início, em que dous grupos de
primatas luitam entre si por umha poça de água durante umha seca. Os primatas
representam um estádio muito primitivo da Humanidade.
Quando a luita começa, um monolito, que
simboliza um género qualquer de inteligência superior muito avançada ou umha
materializaçom da divindade, incute a suficiente inteligência a um dos primatas
de um grupo, de forma que aprende a usar um osso longo de animal como ferramenta
ou arma de guerra. Com ele, destroçam o grupo antagónico que apenas sabia
usar as maos e os dentes e tomam conta da escassa fonte de água.
Esta descoberta, a passagem à condiçom
de “homo habilis”, apresenta-se como um salto para a frente da Humanidade.
Em questom de reservas fósseis, os seres humanos nom semelham ter progredido
nada desde aquela altura e todos os indícios mostram que os governos mais
poderosos, os que tenhem o cacete tecnológico, químico, bacteriológico ou
nuclear vam dedicar-se a defender, a qualquer custo, as últimas bolsas de
petróleo de aqueles que só podem usar as suas armas convencionais e a nom
permitir que os grupos antagónicos utilizem qualquer género de estaca similar
à que eles possuem na sua disputa pola escasseza.
Nom há indícios sérios de que os norte-americanos
nem os europeus ou japoneses estejam a pensar ou a planificar como reduzir
a sua dieta dos cerca de 9.000 vátios de consumo permanente e continuo per
capita (como se cada cidadao vivesse permanentemente com umhas 90 lámpadas
de 100 vátios ligadas à sua cabeça!) aos 1.100 vátios permanentes de cada
habitante chinês, ou melhor ainda, aos menos de 400 vátios permanentes de
cada cidadao hindu, típicos de umha sociedade agrícola pré-industrial, nem
se vê vontade de mudar o modelo social e de consumo, no escasso tempo disponível.
No pior dos supostos, pensárom-no e concluírom
que nom é possível. Apenas esta dramática conclusom final justificaria a atitude
tam primitiva e selvagem, tam militarista, em resumo, de domínio e controlo
dos grupos 3, 4 e do resto de países do mundo, por parte dos privilegiados
países do grupo 1, incluindo o férreo controlo ideológico que estamos a ver
nestes dias, disfarçado de luita contra o terrorismo islámico mundial.
Pedro A. Prieto,
Outubro de 2002.
[*] Pedro Prieto é engenheiro técnico
de telecomunicaçons radicado e madrileno de origem, radicado na actualidade
na Estremadura espanhola
Referências:
·
As tabelas extraídas
do relatório público de British Petroleum, que se acha em formato .xls e .pdf
na página http://www.bp.com/centres/energy2002/
·
http://www.worldenergyoutlook.org/ Dados da Agência Mundial
da Energia, apra contrastar e confirmar ou ajustar os dados de British Petroleum
·
www.dieoff.com de Jay Hanson. Excelente página web,
em que há múltiplos artigos sobre o tema da energia: gás, petróleo, carvom,
hidratos, hidrogénio, uránio, etc.
·
http://www.dieoff.com/42Countries/42Countries.htm
Subconjunto da página anterior. (As curvas deste artigo tirárom-se de aquí,
que por sua vez as toma de um dos últimos relatórios de Richard C. Duncan).
·
www.energycrisis.com. De aí despreendem-se muitas outras
páginas interessantes.
·
www.hubbertpeak.com.
·
“La economía del hidrógeno”
de Jeremy Rifkin. Ediciones Piados Ibérica, S. A.
Barcelona. 2002 (em espanhol). Título original em inglês “The hydrogen economy”.
Penguin Putnam, Inc. New York. 2002.
·
“Estrategia solar”, de Hermann Scheer. Plaza y Janés editores, 1993
(em espanhol).
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