Valorizaçom
provisória dos resultados eleitorais
Os
resultados das eleiçons municipais de 25 de Maio de 2003 constatam
as seguintes tendências na sociedade galega:
1º- A
direita espanhola, embora experimenta um retrocesso de 15.000 votos em
termos absolutos e porcentualmente do 4%, num quadro de ligeiro incremento
da participaçom, nom padeceu o "descalabro" prognosticado
polas forças da oposiçom parlamentar, aguantando "bem"
a pressom destes últimos meses. Com 695.540 votos (41.51%) dos
sufrágios, continua sendo o partido mais votado na Comunidade Autónoma.
O PPdG mantém praticamente intactos os seus apoios eleitorais no rural,
salvo naqueles concelhos nos que ou bem por divergências internas entre
as estruturas de dominaçom e poder traduzidas na apresentaçom
de listas "independentes", ou porque tem havido modificaçons
substanciais na composiçom do censo como no caso da área metropolitana
de Compostela, nom se resentiu das conseqüências do Prestige, nem
da guerra do Iraque.
A nível urbano continua a tendência à baixa que se vinha
constatando em anteriores processos eleitorais. As apostas por recuperar Lugo,
Ponte-Vedra e Vigo obtivérom um rotundo fracasso apoós ter situado
como cabeça de lista às ex-conselheiras Manuela Lôpez
Besteiro, Teresa Pedrosa e Corina Porro.
Na Galiza urbana, -a excepçom de Ourense e Ponferrada, onde revalida
novamente maioria absoluta; Ferrol, onde as candidaturas da directa localista
-("Independientes por Ferrol" do ex-conselheiro Juan Fernández)-
e do PPdG atingem maioria absoluta, continua o lento e inexorável declive
eleitoral. A conseqüência mais directa e notória do desgaste
é a perda da Deputaçom Provincial da Corunha.
2º- O PSOE foi o discreto vencedor na noite do 25 de Maio atingindo 452.456 votos (27%), ou seja, 57.000 mais que em 1999. Nas grandes cidades, -a excepçom da Corunha onde Paco Vázquez mantém "in extremis" a maioria absoluta, perdendo 10.000 votos, Ferrol e Vila-Garcia de Arousa, onde experimentou retrocessos a custa do BNG e IU, logrou capitalizar eleitoralmente o seu hipócrita apoio às mobilizaçons contra a maré negra e contra a agressom imperialista ao Iraque. Este factor, unido à incapacidade do autonomismo por rendabilizar a sua participaçom nos governos de coligaçom de Vigo, Lugo e Compostela, provocárom que o PSOE revalide de forma alargada a sua posiçom de segunda força municipal na Galiza.
3º- O
BNG, (325.492 votos, que representam 19.43%), se bem atinge melhores resultados
que nas eleiçons de 1999, apresentando candidaturas em maior número
de concelhos, atingindo assim 35.000 votos mais, nom foi capaz de capitalizar
eleitoralmente os movimentos de massas que desde a maré negra e a posterior
guerra imperialista, tenhem modulado o panorama socio-político do país.
Um considerável sector d@s manifestantes que ocupárom as ruas
galegas nos últimos meses optárom por nom apoiar eleitoralmente
ao autonomismo que perde alcaldias tam significativas como Vigo e Ferrol,
e retrocede em Compostela e Lugo.
A crise interna que arrasta desde o fracasso eleitoral nas autonómicas
de Outubro de 2001, a renúncia explícita ao exercício
de autodeterminaçom, as políticas neoliberais e espanholistas
aplicadas nos governos que geriu nos últimos quatro anos, e o pacto
institucional selado com o fascismo espanhol, fôrom amortiguados polo
movimento de massas. O Prestige e a guerra contribuírom a evitar um
retrocesso elitoral, servírom para frear o incremento da perda de apoios
entre aqueles sectores que já retiraram o seu voto em Outubro de 2001:
umha fracçom da classe operária e sectores juvenis. Sem estes
dous factores o autonomismo teria atingido uns resultados nefastos nas grandes
cidades do litoral, que concentram a maioria da populaçom do país.
O BNG foi incapaz de capitalizar eleitoralmente os governos de coligaçom
com o PSOE nos grandes núcleos urbanos da CAG. Castrillo perde o "buque
insignia" de Vigo, e Jaime Velho perde Ferrol, e no caso de Lugo e Compostela
o PSOE atinge maioria absoluta na cidade das murallas e um avanço significativo
na capital da Galiza.
4º- A
esquerda independentista, a diferença de anteriores processos, participou
activamente nesta campanha eleitoral solicitando o voto em negro.
NÓS-Unidade Popular realizou umha modesta, mas digna campanha na maioria
das comarcas e localidades onde conta com presença denunciando a natureza
do regime, clarificando que as soluçons para Galiza e o povo trabalhador
galego nom som fruto dumha alternáncia de poder, que a luita organizada
segue sendo o único caminho para evitar a destruiçom do país
e defender-nos das contínuas agressons que padece a classe trabalhadora
e as mulheres galegas no quadro da dupla ofensiva que sofremos por parte do
fascismo espanhol e do capitalismo globalizado.
Na campanha, tal como foi informando pontoalmente primeiralinha em rede, fôrom
denunciados sem paliativos os partidos do regime, clarificando e orientando
à base social do MLNG para evitar que optara polo voto útil,
para que nom emprestara novamente o apoio a um autonomismo entreguista e acobardado.
Os resultados dos votos em negro, embora nom podem ser completamente quantificados,
obtivérom um resultado discreto. O número de voto nulo, no que
se insire o voto em negro, na Comunidade Autónoma Galega experimentou
um retrocesso, passando dos 14.587 de 1999 a 12.780, o 0.76%. Esta perda
de 2.000 votos pode ser perfeitamente interpretada porque um determinado sector
que tradicionalmente opta por esta fórmula nesta ocasiom decidiu nom
secundá-la ao estar promovida polo independentismo.
De todas maneiras naquelas comarcas e localidades onde a campanha foi mais
intensa houvo um incremento de votos nulos, tal como aconteceu em Compostela,
Ponte-Areias e Vigo, ou mantivo-se praticamente inalterável o resultado
de 1999, como Corunha e Ferrol.
Resaltar também que a FPG, que apresentava candidaturas em Cangas e
Arteixo, mantém o seu concelheiro do Morraço após atingir
um incremento de mais de trescentos votos.
5º- Cumpre sublinhar que o voto em branco continuou o incremento sostido que vem experimentando nas últimas eleiçons, passando dos 24.043 de 1999 a 28.567 actuais, o 1.69% dos votos. Porém a abstençom baixou algo mais de um ponto, situando-se no 34.88%, ou seja, 904.307 habitantes da CAG optárom por nom participar no processo eleitoral, após reiterados apelos ao voto útil contra o PP por parte do binómio PSOE-BNG.
6º- Quem logrou rendabilizar modestamente os protestos sociais foi IU atingindo 19.649 votos (1.17%), cinco mil e quinhentos mais que em 1999, logrando dez concelheir@s em oito localidades tam significativas como Fene, Ferrol, Mugardos, Neda, Ogrobe, Redondela, Vila-Garcia de Arousa e Viveiro.
7º- O
Prestige e a guerra servírom para recuperar entre determinados
sectores da pequena-burguesia "progressista" a ilusom política
perdida na "Transiçom", mas também construírom
um virtual estado de ánimo que sobredimensionou a composiçom
e objectivos do movimento de massas, infravalorizando as estruturas de dominaçom
que a direita espanhola mediante os mais variados mecanismos e instrumentos
possue praticamente inalterados na Galiza.
A rapidez com a que a Junta repartiu ajudas económicas entre os sectores
sociais mais directamente afectados pola maré negra (pescadores, mariscador@s,
percebeir@s), e a composiçom geracional de determinados concelhos da
costa na chamada "zona zero", como Mugia, Camarinhas, Fisterra ou
Laje, permitem comprender, -já tinha sido prognosticado pola esquerda
independentista-, que o PPdG nom se vira praticamente afectado pola catástrofe,
e que as forças da oposiçom institucional iam ser incapaces
de incrementar os seus de por si reduzidos apoios eleitorais nestas comarcas.
A instrumentalizaçom
do movimento Nunca Mais, as atitudes seitárias e excluintes com a esquerda
independentista, o oportunismo do BNG e do PSOE à hora de pretender
rendabilizar eleitoralmente o malestar e a indignaçom social dos últimos
meses, a sua política pactista e conciliadora com os responsáveis,
passou factura aos profissionais da política.
Dezenas de millares
de trabalhadoras, de trabalhadores, de mulheres, de jovens, que saimos às
ruas a protestar, a denunciar as políticas do PP, a solicitar a ilegalizaçom
do fascismo espanhol, a demissom e a prisom para os culpáveis, nom
acreditamos nas promesas do BNG e do PSOE, nom nos deixamos convencer polos
apelos ao voto útil, optando pola abstençom, o voto nulo
/ou o voto em branco representando no conjunto da CAG 945.654 pessoas das
2.592.586 do censo.
Os resultados do 25 de Maio nom som umha surpresa para @s comunistas galeg@s, tam só constatam que a mobilizaçom social e a luita organizada devem continuar, e que todas as vias por mudar a actual situaçom nom passam polas falsas promesas do reformismo autonomista ou espanholista.
Galiza, 27 de
Maio de 2003