Greenpeace confirma a destruiçom acelerada do litoral galego no seu relatório anual
31 de Julho de 2003

O relatório apresentado por Greenpeace sob o título "Destruiçom a toda costa 2003", dedicado a estudar o estado ambiental do litoral do Estado espanhol, identifica 778 pontos negros na linha costeira da Comunidade Autónoma Galega. Isto significa que tais pontos negros representam graves agressons ambientais que até hoje ocorrem com total impunidade. Confirma-se a destruiçom acelerada do litoral galego.

No relatório reconhece-se o caso Prestige como "a pior catástrofe ambiental da história da Galiza", afirmando literalmente que "a maré negra causada polo petroleiro Prestige tem alterado a prática totalidade do litoral galego".

O relatório cifra em 723 o número de praias atacadas pola maré negra em 31 de Maio, número aumentado em 30 areais mais posteriormente, sem que o Estado espanhol tenha sequer feito públicos os seus dados sobre a questom.

Greenpeace qualifica de "nefasta" a gestom ambiental do Governo do Estado e da Junta da Galiza, sendo o "Plano Galiza" (apresentado polo PP como remédio aos males da Galiza) mais um elo na cadeia de despropósitos que inçam a estratégia institucional no caso Prestige, umha vez que o dito Plano nom prevê qualquer actuaçom que pudesse contribuir para melhorar o danado litoral galego.

Greenpeace denuncia também a previsom contida no "Plano Galiza", segundo a qual será construído um porto exterior na Corunha, que destruirá a melhor zona costeira da província, a Ponta Lagosteira, apesar de que já está em andamento a obra de construçom de um porto exterior em Ferrol, a poucos quilómetros e igualmente danativo para o meio natural.

Além do mais, o "Plano Galiza" aprovado polo PP nom prevê nengum trabalho sério de avaliaçom dos impactos reais da maré negra sobre os ecossistemas nem sobre a saúde humana, nem qualquer plano de protecçom natural nem de recuperaçom do litoral, sabendo-se que os efeitos do Prestige durarám anos e anos.

Greenpeace agrescenta os recheios no porto de Vigo entre as agressons agudas que está a sofrer a costa da Galiza. Lembremos que se previa um recheio de 120.000 m2 de ria e, embora até agora esteja paralisado polo TSJG, a Autoridade Portuária viguesa quer alargar a agressom atingindo os 200.000 m2.

Em relaçom com o impacto do turismo, a entidade ecologista internacional refere a agressom que para o meio natural implicam os portos desportivos que semeiam a faixa litoral de balizas que impedem a chegada de areia às praias. Lembremos que "Portos da Galiza" prevê aumentar em 60% o número de amarres existentes, passando de 5000 a 8000. Ogrobe e Vila Nova som dous dos próximos projectos deste tipo, vendo-se os efeitos prejudiciais destes portos no de Sam Genjo, onde a praia de Silgar fica sem areia e tem de ser trazida de Portugal a um alto custo.

Um outro capítulo de agressons ao nosso litoral é o representado polos passeios marítimos que inçam a costa galega com cimento e que continuam a ser construído sem qualquer critério racional. Na actualidade, há 16 novos em projecto, algum de até 100 km de longitude, como o que unirá Bámio com Sam Genjo.

Greenpeace situa também entre os graves problemas ambientais do litoral da nossa naçom o despejo incontrolado de águas residuais. A entidade ecologista contabilizou um mínimo de 12 pontos deste tipo, sem nengum tipo de depuraçom, em Camelhe, Corme, Caiom, Malpica, Laje, Vila Garcia, Cambados, Ponte Vedra e Ribeira. Os bancos marisqueiros vem-se seriamente afectados por este problema, o que já causou queixas de diversas confrarias que por enquanto nom fôrom atendidas polas instituiçons responsáveis.

Como resultado desses despejos residuais, 45 areais galegos incumprírom no passado ano as exigências ambientais da Uniom Europeia, segundo se comprova no relatório anual sobre a Qualidade das Águas de Banho.

Os dragados incontrolados de fundos marinhos, limpeza agressiva de buques em portos e outras obras diversas completam umha paisagem desoladora para o futuro ambiental da Galiza.



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