
No sábado
2 de Março, sob a legenda Comunismo galego do século XXI, tivo lugar
em Compostela, a porta fechada e com a presença dum reduzido grupo de convidad@s,
o III Congresso de Primeira Linha.
O conjunto
d@s delegad@s debatêrom e aprovárom a Tese
Político-Ideológica e a Tese
Organizativa, escolhendo o novo Comité Central que dirigirá a nossa organizaçom
nos vindeiros três anos.
Na Tese
Político-Ideológica, além de realizar umha análise sócio-laboral do nosso
país, determinando com meridiana clareza que a Galiza é umha naçom periférica
do centro capitalista e nom umha estrutura de classes homologável ao erroneamente
denominado Terceiro Mundo, Primeira Linha elaborou umha análise da concreta
morfologia da estrutura de classes da Galiza, constatando e quantificando a
existência dumha burguesia própria que se benefícia e perpetua a situaçom de
sobre-exploraçom e colonialismo a que se vê submetido o Povo Trabalhador. Burguesia
que, com as suas respectivas fracçons associadas, tam só representa 10% da populaçom
da Comunidade Autónoma Galega.
Neste III
Congresso @s comunistas galeg@s reafirmamo-nos na ineludível necessidade de que
o movimento de libertaçom nacional e social de género, em que estamos
inserid@s, deve estar comandado pola classe trabalhadora e ao exclusivo serviço
dos seus interesses, segmento hegemónico da populaçom galega em pleno processo
de expansom por mor da proletarizaçom de amplos sectores procedentes do
campesinato.
Também se
realizou umha profunda análise do período transcorrido entre Junho de 1999,
-celebraçom do II Congresso e abandono do BNG-, e a actualidade. Um período em
que tivo lugar umha profunda mudança no seio da esquerda independentista, com a
sua unidade orgánica em NÓS-Unidade Popular e o início da reorganizaçom e
configuraçom do novo Movimento de Libertaçom Nacional Galego (MLNG), de que
fazemos parte consubstancial e imprescindível. Orgulhos@s de termos contribuido
decisivamente para a superaçom da atomizaçom e divisom que o independentismo
historicamente arrastava, congratulando-nos por ter feito parte do sector que
apostou por clarificar os postulados ideológicos, políticos e organizativos das
novas organizaçons do novo MLNG, e conscientes do significado de ter ligado o
nosso futuro político aos êxitos ou fracassos da Unidade Popular, Primeira
Linha ratificou a sua aposta estratégica de apoiar, consolidar, e alargar o
projecto unitário, plural e de massas da esquerda independentista, representado
por NÓS-UP, e defende que a melhor forma de fazé-lo nom é diluir o projecto
comunista nem enfraquecer a sua estrutura organizativa, mas apostar por
adaptar-se à nova realidade que supom a reorganizaçom do independentismo,
intensificando a própria vida orgánica partidária para realizar umha correcta
intervençom política no conjunto do MLNG.
Em
terceiro lugar, o nosso Partido ratificou-se na sua natureza de força política
de vanguarda, de organizaçom de quadros, germe do partido comunista patriótico,
reorientando portanto o nosso trabalho e intervençom externa.
Primeira
linha considera que o movimento independentista galego tem que agir como
revulsivo permanente ante a falsa normalidade democrática do actual regime
policial emanado do franquismo. Tensionar a sociedade com imaginaçom e
contundência, evitando a indiferença, provocando adesons e solidariedades,
estimulando a participaçom popular, nom reproduzindo hábitos políticos
tradicionais, devem guiar a intervençom partidária no seio do MLNG.
Em quarto
lugar, Primeira Linha avança as sete grandes características básicas do
socialismo galego, como primeiro passo da sociedade comunista. Um socialismo
nom patriarcal, respeitoso com a natureza, pluralista e comprometido com a
verdadeira democracia e as liberdades individuais e colectivas; que aposta sem
ambigüidades pola aboliçom da propriedade privada dos meios de produçom, do
dinheiro; que renuncia a dotar-se de exército regular; um socialismo criativo
de novos seres humanos afastados de todos os vícios e defeitos de séculos de
capitalismo; um socialismo global, internacionalista, comprometido com todas as
luitas do planeta.
O Socialismo
é, e deve continuar a ser, um dos alicerces e, ao mesmo tempo, umha das metas,
da esquerda independentista. Renunciar a este elemento seria caminhar para trás
na história do movimento, e significaria nom só umha traiçom ao quem nos antecedeu
na luita, mas a nós própri@s e ao nosso povo. Qualquer reforma do capitalismo
de parámetros de esquerda é umha falácia, umha fraude aos sectores populares.
Primeira Linha defende que é necessário ligar a luita, a mobilizaçom, a rebeldia,
a construçom de força social, com umha alternativa global: a comunista.