Mais de 40 línguas do Brasil, à beira de extinçom
5 de Maio de 2003

Do mesmo jeito que acontece com o galego-português na Galiza, mas numha fase mais avançada, a falta de transmissom intergeracional coloca mais de quarenta línguas faladas por povos do Brasil à beira da desapariçom.

O Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), ligado ao Ministério brasileiro da Ciência e Tecnologia, afirma que "a documentaçom dessas línguas é urgente, como também medidas para revitalizá-las. As comunidades indígenas, conscientes da necessidade de preservar a sua herança cultural e lingüística, desejam projectos nesse sentido".

Denny Moore, representante do citado organismo, denuncia o estado da maioria das aproximadamente 160 comunidades lingüísticas minorizadas no Brasil. O MPEG estuda e defende línguas como a Puruborá, Mekens, Ayuru Mondé (da Rondônia) e o Xipáya (Pará), para o qual conta com financiamento do inglês Endangered Languages Documentation Programme. Nalguns casos, trata-se de idiomas como o Purubora, com três semi-falantes, ou o Mekens, com 23 falantes, o Xipaya, com um único falante, o Ayuru, com 10 falantes, ou o Mondé, com três semi-falantes. A equipa científica conformará-se nestes casos com documentar as línguas antes da morte dos derradeiros utentes.

A situaçom actual das comunidades lingüísticas brasileiras de origem é umha mostra dramática da vertiginosa desapariçom de centenas de comunidades lingüísticas em todo o mundo na actualidade. A Galiza, sem viver umha situaçom tam extrema, encontra-se catalagada pola própria ONU como comunidade lingüística em perigo de extinçom.



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