Mapa da Estrada: a nova proposta imperialista para a Palestina
Raed el Arabi, membro da Uniom da Juventude Árabe para América Latina (UJAAL)
Junho de 2003

A proposta imperialista para a paz entre o Estado Sionista de Israel e o novo governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) visa estabelecer umha nova ordem para consolidar os seus interesses na regiom junto aos interesses do sionismo.

Em 1991, os governos capitalistas inspirados pola política do Estado Sionista de Israel, que protege os seus interesses no mundo árabe, conseguírom reunir sionistas e representantes palestinianos da Organizaçom para Libertaçom da Palestina (OLP), em Oslo, para negociar um acordo de paz.

Neste acordo ficou estabelecida a criaçom de um Estado Autónomo Palestiniano governado pola ANP, sob o controle do governo de Israel. A OLP aceitava um controle limitado de umha pequena parte de seu território - Gaza e Cisjordánia - em troca do reconhecimento do Estado Sionista de Israel sobre o seu solo pátrio.

Para os sionistas, a "paz" significa somente umha trégua da luita palestiniana pola retomada de suas terras. Tal como ocorreu em 1948, quando os exércitos árabes entrárom na Palestina para derrotar o recém-criado Estado artificial de Israel e conseguírom chegar até Tel Aviv, mas acabárom aceitando o pedido de trégua dos sionistas.

Esta "trégua" durou três semanas, permitindo a reorganizaçom sionista e a vinda de grande volume de armamentos dos países europeus e da Rússia stalinista, levando à derrota histórica dos exércitos árabes.

Agora, umha vez mais o "invencível" exército sionista, que nom consegue parar a resistência do povo palestiniano, busca um "acordo", umha nova trégua com objectivo de deter a resistência palestiniana.

O que querem é o fortalecimento político, económico e militar de Israel para reiniciar a sua ofensiva contra o povo palestiniano. Com este acordo, a OLP repete o erro histórico dos governantes árabes de 1948, que permitiu o massacre do povo palestiniano.

A nova proposta

Depois das ocupaçons do Afeganistám e do Iraque, fica clara a determinaçom imperialista de controlar directamente o petróleo e remodelar o mapa do Oriente Médio. O objectivo do "plano de paz" é paralisar a heróica Intifada, que representa a mais alta expressom de luita do povo palestiniano e árabe, e umha fonte de inspiraçom para todos os revolucionários do mundo.

A Intifada ameaça a estabilidade na regiom, os interesses imperialistas e a própria existência do Estado de Israel. A estabilidade dos governantes árabes traidores também depende do fim da Intifada, pois esta extrapola as fronteiras da Palestina, expandindo-se para os países vizinhos e promovendo um avanço histórico na luita dos movimentos populares e revolucionários árabes.

Perante estes novos e importantes acontecimentos, o imperialismo determinou um necessário acordo de paz na regiom ("Road Map", ou "Mapa da Estrada") que nom é outra cousa que a recolonizaçom do mundo árabe. A proposta exige o fim da Intifada e o levantamento dos assentamentos instalados na gestom de Sharon.
A proposta foi apresentada ao novo primeiro-ministro do "governo" da ANP, Abu Mazen, e aceite na totalidade. Nengum dos seus pontos foi contestado. No entanto, o fascista Sharon, mesmo dispondo-se a retomar as negociaçons, rechaçou vários pontos. Para Sharon, a trégua histórica serviria para derrotar a Intifada e retomar o plano sionista de ampliar as suas fronteiras.

Entre o fracassado Acordo de Oslo e "O Mapa da Estrada" nom há nengumha diferença de conteúdo. Ambas querem deter a resistência palestina que significou 55 anos de luita permanente que nom foi detida polos primeiros acordos de paz, apesar de várias intervençons diplomáticas dos governos capitalistas.

Agora colocárom no governo da ANP os opositores da Intifada. O plano divide tarefas entre o imperialismo e Abu Mazen e Yasser Arafat. O primeiro actuará politicamente negociando com o inimigo sionista e o segundo, como chefe da segurança, facilitando as intervençons do exército sionista em Gaza e Cisjordánia para eliminar os líderes da Intifada como primeiro passo para a sua destruiçom.

Quem terá que dar o primeiro passo para a implantaçom da nova proposta?

A resposta é difícil. Os sionistas nom podem renunciar aos assentamentos construídos depois de Oslo sob pena de criar conflitos dentro do Estado Sionista. O recém-formado governo da ANP, que ainda está em processo de prova, tem grandes problemas: Abu Mazen sabe muito bem que o povo palestiniano nom vê soluçom na paz com o inimigo e, por isso, apoia a Intifada.

O velho Yasser Arafat cumpriu com a tarefa imposta e aceitou assumir a responsabilidade do fracasso dos acordos de Oslo. Talvez nos próximos meses vejamos Abu Mazen ocupando o mesmo lugar do Arafat após o inevitável fracasso na sua tarefa.

O "Mapa da Estrada"

A nova proposta imperialista para a "paz" está apresentada desta vez com um título muito claro e simples. Para nom confundir as ideias de quem nom consegue enxergar até o momento os massacres, a fame e a miséria cometidos polo sistema capitalista ao longo da história da humanidade e que ainda crê na paz - de um ponto de vista imperialista - como soluçom.

Realmente, a proposta significa o caminho para remodelar o mapa do Oriente Médio. Parte do plano expansionista do sionismo na regiom, que tem por objectivo ampliar as fronteira para estender o seu domínio desde o Nilo, no Egipto, até o rio Eufrates, no Iraque. Desde os acordos de Camp David em 1978, o inimigo sionista ainda nom aprendeu que a resistência do povo palestiniano nom cessará. E que a luita continuará pola libertaçom de todo o território ocupado da Palestina.

Nem Abu Mazen, nem Bush, nem Sharon conseguírom compreender que a Intifada é apenas umha forma da luita histórica do povo palestiniano.

Artigo tirado do sítio web do PSTU brasileiro

 



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