Felipe Quispe e o nacionalismo revolucionário aymara
17 de Outubro

A situaçom revolucionária boliviana trai à actualidade mundial a existência dos povos indígenas que na América Latina tenhem sido os grandes esquecidos nom só dos poderes crioulos, mas também da esquerda tradicional e ocidentalista. Nos últimos anos, venhem organizando-se movimentos nacionalistas indígenas que deslegitimam os Estados crioulos que, como o boliviano ou o chileno, desprezam e marginalizam povos milenários como o aymara e o quéchua, na Bolívia, ou o mapuche no Chile.

Felipe Quispe é um dos líderes da actual revolta popular boliviana. Ex-guerrilheiro e preso durante cinco anos pola sua pertença ao Exército Guerrilheiro Túpac Kataria (EGTK), actualmente é deputado no Congresso boliviano polo Movimento Índio Pachakuti (MIP).

O nacionalismo aymara actual, de forte conteúdo revolucionário, é continuador da actividade do EGTK e nega qualquer reconhecimento ao Estado boliviano. Trabalha pola construçom de um poder popular paralelo com instituiçons próprias, defende a construçom nacional aymara, rechaça a democracia burguesa e o sistema de livre mercado, opondo-lhe um socialismo identitário e nacional.

Felipe Quispe lidera o nacionalismo aymara a partir da Confederaçom Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSTCTB) e do Movimento Índio Pachakuti (MIP), principal força política e eleitoral do nacionalismo aymara, enfrentado ao poder branco e mestiço. O MIP defende um socialismo nacional indígena negador do mercado capitalista, um sistema de autogestom índio que substitua a bandeira tricolor boliviana pola bandeira aymara, a "Wiphala".

O MIP conta com umha força eleitoral considerável, que no Departamento da capital ultrapassa 17%, onde se encontra o enclave aymara mais significativo. Também em áreas do Peru e do Chile existem núcleos de populaçom aymara, umha velha naçom americana com língua própria que fai frente ao imperialismo norte-americano reivindicando as tradiçons das naçons originárias americanas que nom fôrom totalmente exterminadas. Cada vez fica mais em evidência um certo paralelismo com casos como o curdo, no senso de estarem ambos povos divididos em diversos estados alheios aos seus interesses e identidades, que lhes negam a soberania e os direitos nacionais.

Na actualidade, o movimento liderado por Felipe Quispe fai parte do grande movimento de massas alçado contra o Governo reaccionário boliviano, juntamente com o Movimento ao Socialismo (MAS) de Evo Morales, segunda força eleitoral boliviana.

Na Bolívia abrem-se, portanto, novas perspectivas para o novo nacionalismo revolucionário indigenista do continente americano.





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