
Coincidindo com o 57 aniversário do primeiro ataque nuclear, protagonizado como o seguinte polos Estados Unidos e causante de dezenas de milhares de mortes, aproveitamos para revisar os planos actuais da primeira potência imperialista e militar do mundo.
Há quem ainda nom
se tenha apercebido do alcance explosivo da nova doutrina militar do Pentágono,
a que a imprensa internacional tem feito referência nos útlimos
meses. De facto, o documento secreto do governo, intitulado "Nuclear
Posture Review" (Revisom da Postura Nuclear), entregue ao Congresso em
9 de Janeiro com a assinatura do secretário da Defesa, defende que
os EUA poderám tomar a iniciativa de usar armas nucleares contra qualquer
país "que represente umha ameaça séria". Facto
inédito, o documento enumera explicitamente os possíveis alvos
dos ataques: China, Rússia, Iraque, Coreia do Norte, Irám, Líbia,
Síria. Mesmo países que nom disponham de armamento nuclear podem
pois ser alvo de ataque com estas armas; é o que se classifica sem
complexos como "destruiçom unilateral segura".
As situaçons em
que o Pentágono se arroga o direito de usar armas nucleares venhem
especificadas no documento: quando as armas convencionais nom produzam os
resultados desejados; como represália por ataques nucleares, biológicos
ou químicos; ou "em caso de desenvolvimentos militares inesperados"
(o que pode aplicar-se na hipóteses de umha confrontaçom da
China com Taiwan). Na prática, isto quer dizer: sem restriçons
de qualquer espécie.
A nova doutrina recomenda
que se amplie a variedade de armas nucleares com "fins tácticos",
isto é, que se fabriquem armas pequenas, como por exemplo projécteis
nucleares contra bunkers (que parece ter em vista o ataque ao Iraque, em preparaçom
acelerada).
Naturalmente, para poder
aplicar a nova doutrina em todas as suas potencialidades, o governo norte-americano
avisa já que nom ficará com "as maos amarradas" por
tratados internacionais. Muito provavelmente, depois de ter suspendido a sua
participaçom no Tratado de Mísseis Antibalísticos
de 1972, prepara-se para abandonar o acordo de proibiçom de testes
nucleares e o Tratado de Nom Proliferaçom de 1974. mas se forem
reiniciados os testes, é de prever umha nova corrida à produçom
de armas nucleares por parte de polo menos umha dúzia de países,
agravando enormemente os riscos de conflitos em larga escala.
Os Estados Unidos som o único país do mundo que até hoje utilizou armas atómicas, matando centenas de milhares de civis em duas cidades japonesas. Polos vistos, a experiência fijo-lhes perder quaisquer complexos. Nom admitem limites à sua sede de expansom e domínio.
(Tirado do nº 85
da revista comunista portuguesa Política Operária)